30 outubro, 2005

Marte, Vênus e as Férias

Pela primeira vez, o Marido Gringo se prepara para conhecer aquele famoso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Viagem marcada para fevereiro. E começa o planejamento.

(ela) - Eu quero um resort numa praia paradisíaca, talvez em Porto de Galinhas.
(ele) - Resort ? Para ficar em resort a gente vai ao Caribe, eu quero ver o Brasil.
(ela) - Você por acaso já foi a um resort no Caribe ?
(ele) - Não, mas se algum dia eu quiser ir, o Caribe é mais perto.
(ela) - Então a gente poderia fazer um cruzeiro de navio, assim conheceria vários lugares diferentes.
(ele) - Cruzeiro ? Cruzeiro é coisa de velho. Navio é igual em qualquer lugar.
(ela) - E você já fez algum cruzeiro de navio ?
(ele) - Não, mas se eu quiser fazer, vou a um lugar mais perto. Eu quero explorar o Brasil.
(ela) - Não dá para explorar um país gigantesco daqueles em três semanas. Aliás, se você queria uma esposa com espírito aventureiro, dessas que vão acampar na Amazônia e fazer amizade com jacarés no Pantanal, escolheu a pessoa errada. Eu quero é conforto !
(ele) - Conforto, tudo bem, mas eu quero ver e fazer o que os brasileiros fazem.
(ela) - Esta brasileira aqui não faz nada, deita na areia da praia e fica lá, feito uma lagartixa, esquentando-se no sol. Você pode fazer isso...

Obs: Ele também é urbano e detesta o contato íntimo com sapos e morcegos. Não quer admitir que tem vergonha de voltar para cá e não poder esnobar os amigos, dizendo que saiu de passista na escola de samba, visitou o morro do Cidade de Deus e aprendeu a fazer batucada com o Olodum. Quer voltar com um berimbau no avião, daqueles que são inconvenientes para despachar, não cabem embaixo da poltrona nem no compartimento de bagagens. Quer poder dizer que encheu a cara de caipirinha na praia (e omitir o piriri causado pelo excesso de dendê). Fiquei com pena, então vamos ao Rio e à Bahia, subir a ladeira do Pelô, depois que eu já estiver torrada de sol. A sorte é que vamos chegar depois do dia de Iemanjá, senão era capaz de eu ter que lavar a escadaria da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim também...

27 outubro, 2005

Curiosos e Sem Noção

Nunca coloquei no blog links para a Associação de Enfermagem ou para Imigração porque achei que, fazendo isso, teria que passar o resto da vida respondendo a perguntas de pessoas interessadas em imigrar para cá e isso jamais foi o objetivo do Crônicas do Iglu. Há blogs informativos, de pessoas maravilhosas e prestativas, que fazem isso. Basta olhar no Orkut, entre as comunidades de brasileiros no Canadá. Escrever e descrever minhas experiências pessoais em Vancouver, para amigos distantes geograficamente é que sempre foi minha intenção. Não me importo em fornecer os links onde essas pessoas podem conseguir as informações necessárias, o que farei no final deste post.

O que me "impressiona" (para não usar outro termo menos elegante) é a capacidade de certos indivíduos de endereçar a mim infinitas perguntas absolutamente irrelevantes ao processo de imigração ou de obtenção de visto de trabalho. Pessoas que nem falam inglês e certamente nunca viram um mapa do Canadá me perguntam até sobre o uniforme que terão que usar, quando forem trabalhar em Quebec, que fica mais longe de Vancouver do que Salvador de Porto Alegre. Exagero meu ? Vou compartilhar aqui o e-mail verídico que recebi de uma pessoa desconhecida, após eu ter enviado os links necessários e ainda dar umas dicas básicas. Eu sei, a culpa é minha por não ser o oráculo e não ter informações sobre todas as cidades, hospitais e salários do Canadá, que é um país tão pequeno ! Não divulgo o nome do autor nem sob tortura.

"Flávia, muuuuiiittoo obrigada pela gentileza!!! Você esclareceu muitas dúvidas! Posso abusar só mais um pouquinho? Você quando tiver um tempo sobrando pode responder por favor mais essas???
É verdade que no Canadá as enfermeiras entubam o paciente, passam intracath? Qual é o tempo de experiência mínima exigida, ou até posso não ter experiência? Qual é horário das aulas, quantas vezes por semana? Como funciona o processo de validação do meu diploma brasileiro, preciso cursar alguma matéria antes da especialização? Os hospitais são públicos ou privados, há diferença significativa de salários entre eles? Aqui no Brasil, como vc sabe, os hospitais públicos são uma calamidade, quem quer assistência de qualidade recorre a planos de saúde, o mesmo acontece aí? Qual é o horário dos plantões diurno e noturno nos hospitais, é possível trabalhar em dois hospitais? É verdade que no Canadá dois hospitais foram implodidos por conta do Programa de Saúde da Família que prioriza a des-hospitalização através da promoção da saúde, e a ênfase maior ai é a Saúde Pública (igual a Posto de Saúde aqui no Brasil)? Infelizmente ainda não tenho inglês e nem o francês, o que você acha de aprender com professor particular ao invés de aulas na escola convencional ? Disseram-me que é mais rápido o aprendizado, ainda mais se o professor morou algum tempo fora, você concorda? Você sabe se professor particular fornece o certificado é realmente necessário? Quais são as diferenças entre as cidades do Canadá, em termos de custo de vida, clima, salário, todas há muitos hospitais? Eu tenho uma amiga que tem uma conhecida que foi para o Canadá, ela é assistente social, ela me falou que no hospital que essa pessoa foi trabalhar a instituição paga o aluguel, escola para o filho e ainda empregou o marido dela, pelo que você conhece, isso é realmente possível ? Os hospitais registram a carteira de trabalho? Os direitos trabalhistas no Canadá são semelhantes ao do Brasil: 13°, férias de até 30 dias a cada 12 meses, adicional insalubridade, FGTS, adicional noturno ? Qual a cidade do Canadá que você indicaria como a melhor para trabalhar como enfermeira ? É verdade que após 3 anos é fornecida a cidadania, como diz este site: http://www.interapoio.com.br/canada_enfermeiros.cfm Algum hospital fornece moradia e alimentação? A puchação de tapete, médico todo poderoso, enfermagem desunida, como existe aqui no Brasil, aí é igual? Explica-me por gentileza um pouquinho mais sobre a pontuação, é verdade que dependendo da profissão que você vai exercer fora do Brasil, há uma pontuação diferente, qual o total de pontos mínimos que se deve ter? A prova de enfermagem é específica ou geral?"

Minha única pergunta: é mole ?

Aqui vão alguns sites para interessados. Há respostas para todas as dúvidas relevantes. Qualquer outro site pode ser encontrado no www.google.com, basta digitar as palavras-chave ("nurse", "foreign nurse", nome da província, especialidade que você quer, etc). Um esclarecimento: moro em Vancouver e não em Bagdá, onde talvez estejam implodindo hospitais. Aqui, não.

http://www.cic.gc.ca (imigração)
http://www.cna-aiic.ca (Canadian Nurses Association)
http://www.crnbc.ca (Associação dos Enfermeiros de BC - para interessados em trabalhar em BC)
http://www.bcnu.org (Sindicato dos Enfermeiros - para interessados em trabalhar em BC)
http://www.ets.org (TOEFL e TSE)
http://www-hsl.mcmaster.ca (sistema de saúde no Canadá)
http://ca.groups.yahoo.com/group/canadaimigration/ (grupo de discussão para futuros imigrantes - em português)
http://atlas.gc.ca/site/english/index.html (Atlas do Canadá)

25 outubro, 2005

Nomes Dúbios

"No hospital, na sala de cirurgia
Pela vidraça eu via você sofrendo a sorrir
E o pensamento aos poucos se desfazendo
Então vi você morrendo e eu sem poder me despedir."
(Música brega da minha infância, cortesia da moça que trabalhava lá em casa e tinha todos os LP's. Não sei o autor dessa pérola, mas virou minha trilha sonora nos dias de plantão muito chato.)

A todos os pacientes que chegam para uma cirurgia, é dado um bracelete verde com o nome completo e o número do prontuário. Aos alérgicos, acrescenta-se um bracelete vermelho, com os nomes das medicações que o indivíduo não deve receber.

Hoje tivemos um cidadão cujo primeiro nome era "Ants" (em inglês, formigas) e que tinha por sobrenome "Wool" (lã). Se a Glória Perez pode batizar a heroína chata da novela mais chata ainda de Sol, por que o cara aqui não pode ser Formigas ? Tanta gente com sobrenome de Pinto, Leitão, Machado, Ladeira, o que há de errado com Lã ? O problema foi que, quando ele chegou à sala de cirurgia, a pessoa distraída que estava conferindo para ver se tínhamos o paciente certo leu o bracelete dele e perguntou "então o senhor é alérgico a formigas e lã ?" Partindo deste princípio, o nome do rapaz seria Penicilina, que era o que estava escrito no outro bracelete...

21 outubro, 2005

Tempo de Abóboras

O Halloween (ou Dia das Bruxas) está chegando. Já estamos pensando em que fantasia usar para as festas (a do meu hospital, a do trabalho do Marido e a de uns amigos). Ah ! Ainda temos que comprar e esculpir nossa abóbora.

No dia 31 de outubro, é tradição esculpir um rosto numa abóbora moranga oca. Dentro dela, coloca-se uma vela acesa, como se fosse uma luminária, para enfeitar as casas na noite mais assustadora do ano. É o Jack O'Lantern. Na América do Norte são comuns concursos de abóboras esculpidas, algumas com bruxas, caretas e fantasmas que são verdadeiras obras de arte. Pensando no Halloween, lembrei de um caso para contar:

Estavámos no curso de especialização em centro cirúrgico: três canadenses, uma filipina, uma finlandesa e eu. Depois de meses de convivência diária, conhecíamos uns aos outros muito bem. A finlandesa que questiona tudo. O rapaz de Toronto que não questiona nada, porque lá na galáxia onde ele vive, não se sabe nem do que estamos falando. A moça "Newffie" (de New Foundland, no extremo leste do país) que é casada com um "chef", traz umas marmitas maravilhosas para o almoço e só fala de comida. A filipina inocente que compra até rifa de terreno no Céu. A menina de Kamloops que é fã de esportes radicais. E euzinha aqui, representando o Brasil em qualquer campeonato de banho de sol numa praia tropical.

O tema da aula era hipotermia. E a colega dos esportes radicais começa a relatar uma situação em que um conhecido dela literalmente quase morreu de frio:
- Aconteceu no Halloween quando eu estava num concurso de escultura em abóbora debaixo d'água, num lago perto da minha cidade. Um participante teve hipotermia, porque ficou muito tempo dentro do lago e, no outono, a água é tão gelada que ele passou muito mal.
Eu só virei para todos da classe e perguntei:
- Concurso de escultura em abóbora debaixo d'água, dentro de um lago gelado no outono canadense ! É óbvio para vocês ou eu preciso deixar claro que NUNCA fiz isso ?

Esse foi mais um capítulo da série "Nem que eu more no Canadá por duzentos anos vou querer experimentar".

19 outubro, 2005

Graveyard Shift

Com raríssimas exceções (madrugada, por exemplo), há um nome para tudo em inglês. Quem trabalha no plantão noturno faz o "graveyard shift", ou plantão do cemitério. Alguém, em algum lugar, tinha que vigiar as sepulturas de noite, para evitar que fossem arrombadas e daí saiu a simpática expressão. Agora você já sabe, porque lê o pedagógico Crônicas do Iglu !

Acabei de terminar minha leva de graveyard shifts. Quando voltava para casa de manhã, com as orelhas geladas pelo frio de 11 graus (é hora de tirar os chapéus e toucas do armário), notei uma das principais avenidas do centro bloqueada por meia dúzia de "traillers" gigantescos, dois caminhões-pipa, câmeras, guindastes e uma parafernália de proporções descomunais. Mais um filme de Hollywood sendo gravado em Vancouver e, pelo cenário, posso garantir que não se passa no período medieval. Como, segundo o Marido Curioso, eu sou a pessoa menos curiosa do planeta (numa escala de curiosidade variando de 0 a 10 - zero para comatosos e catatônicos - eu me situo no nível 1), passei do lado de tudo e sequer olhei para ver se reconhecia alguém, muito menos perguntei que filme seria. Vai que eles querem me contratar ? Linda como estava, saindo do plantão noturno, cabelos amassados pela touca cirúrgica, olheiras de Drácula, mataria a Halle Berry de inveja !

17 outubro, 2005

Aos Amantes da Leitura

Uma forma de não esquecer o português é continuar lendo boas obras, mesmo no exílio. Para quem, como eu, é viciado em livros e amante da língua de Camões, o Crônicas do Iglu recomenda: http://odisseia2005.blogspot.com/

Fantástico ! Muitíssimo bem escrito (raramente digo isso) e com dicas sensacionais. Assim dá para saber o que pedir quando os portadores vêm da terrinha nos visitar. Sim, porque além do pedágio básico de farinha de mandioca e sandálias Havaianas, um bom livro cai bem. Sempre.

16 outubro, 2005

Vaidade, teu nome é mulher

Desde a universidade, sempre tive um carinho especial pelos pacientes idosos. Aqui no Canadá, mesmo longe da ala geriátrica, o pessoal da terceira (ou quarta, ou quinta) idade está por toda parte. Um dos sinais de que se está no Primeiro Mundo é a quantidade de velhinhos que fazem trabalho voluntário, esquiam e ostentam uma boa forma invejável. Levando uma vida saudável e tranqüila, eles passam da oitava década de vida com quase tudo em cima.

Depois de 10 anos trabalhando em hospitais, muitas pessoas especiais ficaram gravadas na memória. O fato de chamarmos os pacientes aqui de Mr. e Mrs. Sobrenome faz com que eu não me lembre dos nomes deles depois (ou estaria eu ficando caduca ?). Sempre me recordo dos rostos, das famílias, dos casos. Claro que ajuda encontrar alguns ex-pacientes todos os domingos na missa, como estas personagens do meu post de hoje.

Era uma senhora de 94 anos, que volta e meia estava passando uma temporada com a gente, no andar cirúrgico. Várias cirurgias de intestino, um monte de problemas de saúde e um bom humor inabalável. Acordava de manhã, passava batom vermelho nos lábios e nas bochechas, "para não ficar pálida, com cara de doente". Ficava lá deitadinha na cama, com seiscentos tubos pelo corpo, esperando a cabeleireira vir para colocar rolinhos na meia dúzia de fios de cabelos branquinhos que lhe restavam. De tarde, toda bonitinha, ela esperava a visita das quatro irmãs. Todas solteiras, como ela, sem filhos e cujas idades somadas passavam dos 300 anos, num cálculo bem otimista. Eu as achava todas muito parecidas e um dia caí na besteira de perguntar se a irmã que tinha acabado de sair do quarto e a paciente seriam gêmeas. E ela me disse: "não diga isso para minha irmã, que ela vai ficar chateada, porque ela é DOIS anos mais nova do que eu. Que bom você achar que temos a mesma idade, ganhei meu dia !"

14 outubro, 2005

Sanfucá

Nos meus cinco anos e meio em Vancouver, aprendi que, depois de inglês, a língua mais útil aos funcionários de um hospital é cantonês. Quem sabe mandarim ainda se vira através da escrita, mas claro que não é meu caso, que falo francês, tão inútil nesta terra quanto o alfabeto cirílico no Brasil. Vou aqui esnobar o meu vasto vocabulário adquirido com os pacientes chineses. "Tôung" ou "tonga" (dependendo do dialeto, de o paciente estar ou não usando dentadura e do meu ouvido no dia) significa "dor". Entendo quando eles falam, mas daí a eles me entenderem... A filha de uma paciente já me disse que, do jeito que eu pronuncio, estou dizendo "sopa". Pelo menos é "sopa" e não um palavrão, já que cuidado e caldo de galinha (ou sopa) não fazem mal a ninguém, né ? Êta língua difícil, uma mesma palavra pode significar trocentas coisas, de acordo com o tom em que é dita. Para mim, toda vez que eles falam, eu só lembro da professora do Charlie Brown, no desenho do Snoopy: "fõ fã fõ fõ fõ"...

Os outro cinqüenta por cento do meu vocabulário (sim, só sei duas palavras) adquiri no centro cirúrgico. "Sanfucá" (sabe lá Mao Tse Tung como se escreve esse troço) é a última coisa que a gente diz ao paciente antes de ele cair no sono profundo da anestesia geral e também a primeira, assim que ele esboça o mínimo sinal de que vai acordar: sanfucá. Respira fundo.

Ontem foi dia de cirurgia ginecológica para minha equipe. Até copiei os sobrenomes das pacientes, para não parecer exagero: Ho, Huynh, Peng, Chou e Si. Entre as que não adotaram um prenome ocidental, estavam Xue, Li, Man e Tuyet. Paradoxalmente, algumas chinesas que nem falam inglês assinam "Virginia" ou "Linda". Teria sido um dia de Torre de Babel para o anestesista italiano, a enfermeira filipina, a outra indiana e esta brasileira que vos escreve, não fosse a cirurgiã uma tal de Dr. Yue, ela própria uma nativa daquelas bandas. Coisas de Beijing, digo, de Vancouver.

Se não conseguir se comunicar com os pacientes e não houver um tradutor por perto, o negócio é sanfucá e relaxar.

09 outubro, 2005

Brasil X Bolívia - pelo rádio, Wellington !

Vários jogos das eliminatórias da Copa do Mundo foram mostrados este final de semana, num restaurante aqui do centro. Adivinhem quais jogos não estavam na programação ? Brasil X Bolívia e Sérvia & Montenegro X Lituânia, os dois que o Marido Gringo e a Esposa Brazuca, por razões patrióticas, queriam assistir. Aqui está a foto do anúncio, ó incrédulos ! É a globalização da lei de Murphy.

Contentei-me em ouvir o jogo pela Rádio Itatiaia, a rádio de Minas na Copa do Mundo. Ainda acho tudo muito confuso, mas segue aqui um resumo da ópera:

Agora zero a zero, informando Pimba da loteria mineira. Bobeou ? Pimba ! Parte Juninho Pernambucano, pedalou pela primeira vez Robinho. Passe para ele. Gilberto arrumou pra quem ? Pra quem chegar. Ninguém chegou. Olha a Bolívia, ela subiu, bateu pra cima do gol. A Bolívia participou da Copa pela última vez nos Estados Unidos, em 94. A gente 'tava lá, né Wellington ? A seleção brasileira beliscando o gol da Bolívia. Robinho passou, caiu. É falta, é falta, é falta nele, Wellington ! Vai então Brasil, que nossa fé te empurra. Terça-feira tem o Galo contra o Flamengo, no Rio. Atenção, Juninho bateu pro gol. GOOOOOOOOOOOOOL ! Juninho Peeeeerrrnambucano, o amigo do Fred, com uma certa colaboração do goleiro ! A comemoração foi a tradicional. Sem canguru, sem coelhinho ou coisa do tipo. Brasil um a zero, informando Estacas Precon.

Robinho chega, domina, toca, pára. Ficou de frente pro gol. Demorou muuuuuito ! Adriano 'tava ali esperando. Corta, espana de qualquer maneira Roque Júnior. Itatiaia, Belô ! A pressão é boliviana, nossa que perigo ! A Bolívia 'tá apertando. Saiu do gol agora Júlio César. Quem vai construir não erra na escalação. Usa Precon do telhado ao chão. Aqui comigo é show de bola, estou fazendo o que gosto. Ricardinho pro domínio, Cristaldo em cima dele. Esse Cristaldo aí a gente já conhece de outros carnavais. Ele bate mesmo. O juiz 'tá no século quinze. Bola para Cicinho, que adiantou demais. E o jogo 'tá parado, Wellington ? Tá. É escanteio.

Ficou pererecando ali esta bola. Renato. E corta e toca e solta. É claro que a Bolívia merece respeito apenas por jogar em casa. Nada mais que isso. Quer preço e qualidade ? Leve o saquinho de leite tipo C da Itambé. Gilberto Silva para Renato, Renato para Gilberto Silva, na altitude de La Paz. Caiu no meio, sabe com quem ? Com Roque Júnior. GOOL da Bolívia, de Castillo. Placar um a um em La Paz, informando Unimed Beagá.

Crédito ativo Mercantil do Brasil, para aposentados do INSS. Pathi tentou, caiu, queria falta, o dono do apito não marca. Cicinho vai pra linha de fundo, não deixa sair. Domina então Gustavo Néri. Êpa, errou tudo ! Uma tragédia. Quer ganhar uma bolada e correr pro abraço ? Jogue no Pimba da loteria mineira.

Noventa minutos praticamente rifando a bola, a Bolívia. Pela minha marcação: quarenta e oito minutos. Horroroso este La Rionda. Apita o árbitro. Final de jogo em La Paz. Um para o Brasil, um para a Bolívia , informa Chevrolet. Novo Corsa Flex Power, com motor 1.0 aspirado, o motor mais potente do mundo. Agora tem mais, quarta-feira, em Belém do Pará, Wellington !

Obs: Que placar que nada, o que me surpreendeu foi saber que ainda existe leite em saquinho !

08 outubro, 2005

Mulheres engraçadas ? Não, obrigado.

"Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter vergonha de aprender como se goza"
(Ivan Lins e Vítor Martins)


Esta semana foi publicado um estudo de uma universidade canadense, concluindo que os homens se sentem intimidados por mulheres que têm senso de humor e fazem piadas. Eles preferem as que riem das suas palhaçadas, enquanto elas tendem a achar os engraçadinhos mais interessantes. Inacreditável é que, com tanta doença incurável no mundo, ainda haja verba para esse tipo de pesquisa !

Por via das dúvidas, avisei ao Marido que o azar é dele, por não ter guardado a nota fiscal. A fábrica onde fui produzida não aceita devoluções, não importa o que digam os cientistas.

07 outubro, 2005

Palpites e Perguntas

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"
(Caetano Veloso)

Devo estar de TPM. Nunca tive muita paciência com pessoas que dão palpite na vida alheia (principalmente quando é na minha vida), mas ultimamente aderi ao programa Tolerância Zero Com a Bisbilhotice. De gente que veio aqui em casa e disse que eu deveria pintar uma das paredes da sala de verde-oliva a uma amiga que insiste em que eu faça luzes no cabelo, irritam-me todos. Teve uma que me tirou da pista de dança no MEU casamento, para dizer que não havia gostado da minha maquiagem. Eu nem perguntei a opinião dela ! Fora as perguntas que já vêm com julgamento embutido: "por que você não engorda um pouco ?"

Sem dúvida, o troféu de Campeã das Perguntas Irritantes vai para "e aí ? Quando vocês vão ter filhos ?", como se alguém pudesse responder a uma questão dessas com 100% de certeza. Ou pior ainda "já está grávida ?" Esta semana, num espaço de 24 horas, ouvi isso de cinco pessoas diferentes. Você acha que, se desconversar, essas pessoas desistem e mudam de assunto, mas não. Elas são insistentes. Fico pensando no que escutam alguns amigos que já estão casados há cinco, sete anos ou mais e não têm filhos, por razões que só interessam a eles e a mais ninguém. Uma amiga muito "sábia" me disse que, até descobrir que a melhor amiga dela estava em tratamento para engravidar, ela sempre deduziu que somente pessoas egoístas não tinham filhos. Um conceito extremamente intrigante. Seria a Madre Teresa de Calcutá egoísta ? São Francisco de Assis, que abdicou da riqueza para viver na simplicidade ? Ou Michelangelo e Leonardo da Vinci, prolíficos em obras de arte ao invés de filhos ?

As mais irônicas são aquelas amigas e conhecidas (digo no feminino, porque até agora só foram mulheres) que têm filhos e passam um tempão ao telefone (durante a soneca dos pimpolhos) lamentando o fato de não terem mais tempo para si mesmas, de gastarem mais dinheiro com roupas para as crianças do que para si próprias, de não verem a hora de os seus bebês crescerem, de como é frustante lidar com birras, blá blá blá e, logo depois, emendam: "você vai ver como é. Quando é que você vai ter o seu ?" Recomendo a essas amigas que nunca sigam a profissão de marketing e propaganda. O melhor caminho para convencer uma pessoa a aderir à sua causa não passa por ressaltar o lado negativo dela.

06 outubro, 2005

A Luta Continua, Companheiros ! - Segunda Parte

No mesmo dia em que Vancouver foi eleita a cidade com melhor qualidade de vida do mundo, veio o anúncio da greve dos professores, que começa amanhã.

Tem chovido tanto e feito um frio tão chato, que é capaz de alterarem a classificação e colocarem Melbourne, na Austrália, em primeiro lugar na tal lista.

Um é pouco, dois é bom e três...

Placar dos três primeiros dias com a invenção de Graham Bell funcionando aqui em casa:
- a primeira amiga que ligou para mim, logo depois do "oi, tudo bem ?", fez a pergunta mais irritante de todas: "E aí ? Já está grávida ?";
(Telus 1 X Iglu 0)
- nem depois de 80 longos e mudos dias, o pessoal do Telemarketing esqueceu de mim. As ligações continuam religiosamente todo santo dia;
(Telus 2 X Iglu 0)
- a Telus (nossa companhia telefônica campeã de preferência e sapiência, em greve já há quase 3 meses) deixou uma longa mensagem automática na secretária, avisando que, como os pagamentos dos últimos três meses não foram recebidos, nossa linha pode ser cortada a qualquer momento.
(Telus 3 X Iglu 0).

Como diria o radialista que narra os jogos do Brasil na rádio Itatiaia: "É chocolate, Wellington ! Chocolate no iglu".

05 outubro, 2005

Tal Esposa, Tal Cunhada

"Cunhado não é parente"
(João Goulart, referindo-se a Leonel Brizola, seu cunhado)

Estávamos aqui no iglu, tentando comunicação com o povo lá de casa, na Capital Federal. Isso foi antes do milagre telefônico. Do lado de cá, um frio miserável, uma chuva chatérrima e nós dois olhando para a câmera nova. No Planalto Central, meu pai, minha irmã, meu cunhado e dois sobrinhos se espremiam na frente de uma câmera minúscula e disputavam um microfone mudo. Primeiro não conseguíamos nos conectar nem sermos conectados. Depois éramos vistos, mas não podíamos vê-los. Lá pelas tantas, éramos ouvidos, mas não escutávamos xongas. O lado de cá falando e o lado de lá digitando. Meu cunhado pede dicas sobre como fazer a imagem aparecer, o som sair, etc. Meu sobrinho desliga a conexão. Mais um ano de seca para começar tudo de novo. Nada de som aqui. Posso ver a cara da minha sobrinha abrindo o berreiro do outro lado (o microfone mudo não é de todo ruim). Por fim, minha irmã digita para o (meu) Marido Analista de Sistemas:

"Aleks, você trabalha com computador ou o quê ?"

04 outubro, 2005

A Luta Continua, Companheiros !

Os funcionários das cantinas e restaurantes dos hospitais de Vancouver estão em greve. Para quem está contando, agora estão paralisados os empregados da Telus (nossa companhia telefônica campeã de audiência e eficiência), os radialistas e o pessoal que trabalha na CBC (o canal de TV canadense). Um esclarecimento: a Telus continua em greve, o milagre da conexão da linha no iglu foi praticado por um funcionário que tem cargo de confiança e teve piedade desta serva aqui. A galera que "pega no pesado" (é um paradoxo, eu sei) permanece em greve.

A turma do PT, depois dos escândalos na terrinha, vai encontrar um terreno fértil aqui no Primeiro Mundo, caso queira se mudar para cá.

02 outubro, 2005

Telefone no Iglu!

"Quem não se comunica se trumbica".
(Abelardo Barbosa, o "Chacrinha")

No princípio era tudo silêncio. Sobreveio a tarde e depois a manhã, depois de novo, novamente e muitas outras vezes: foram os primeiros 80 dias. Quando já não havia mais esperança, houve um homem enviado pela companhia telefônica (Telus), que apareceu e disse: "Faça-se a comunicação!" E a comunicação foi feita. Os moradores do iglu viram que a comunicação era boa e separaram as contas dos quase 3 meses sem telefone. Eles chamaram as contas de IMPAGÁVEIS. Mas neste meio tempo, a Esposa Desesperada Sem Telefone já tinha dito ao Marido Analista de Sistemas: "que os outros meios de contato com o Brasil se ajuntem num mesmo lugar e apareça o elemento transmissão de informação." E assim se fez. Os elementos comunicativos foram chamados de SKYPE e MSN. E a Esposa viu que isso era bom.

A Esposa Já Um Pouco Menos Ansiosa disse aos apetrechos de comunicação: "Frutificai e multiplicai-vos, e enchei o escritório de câmeras, microfones, fones de ouvido, segundo a sua espécie." E assim se fez. E ela viu que isso era bom.

O problema no Paraíso era que somente a quarta linha telefônica do apartamento estava conectada e os habitantes do iglu possuem apenas uma única, que não funcionava. Se eles tivessem quatro, a quarta estaria funcionando, com certeza. Há tempo para tudo no Reino do Primeiro Mundo. Tempo de ficar com o telefone mudo e tempo de receber uma explicação ridícula para a incompetência da companhia telefônica. E o moço da Telus consertou tudo, num aperto de botão. E assim se fez. A Esposa contemplou toda a obra do abençoado rapaz e viu que agora tudo era muito bom. Tal é a história da criação dos meios de comunicação no Iglu.