O Pacotinho da Torre de Babel a cada dia aumenta seu vocabulário em português e muitas pessoas comentam que ele não tem sotaque mais sotaque de gringo (era somente no R), mas vamos combinar que português não é uma língua muito simples e, na fase do Marcelo, Marmelo, Martelo em que vive uma criança tagarela de 5 anos e meio, as pérolas são diárias:
Ajudando a mãe a fazer bolo de chocolate (que ele não prova nem por decreto):
- Mãe, o que é isso?
- Chocolate.
- Chocolate?
- Sim, é chocolate em pó.
- Na minha opinião, devia se chamar chocolate de farinha.
(O "na minha opinião" foi tirado de um dos livros do Marcelo citado anteriormente)
***
Na banheira, a mãe pergunta à irmãzinha:
- Quer sair?
Ela responde:
- Não.
Ele comenta:
- Mãe, a Fofolete falou 'não' direitinha.
- Ela falou direitiNHO.
- Sabe por que eu falei direitiNHA? Porque ela é menina.
30 dezembro, 2011
23 dezembro, 2011
Natal Chegando

Se tem uma coisa que fica melhor depois que a gente tem filho é o Natal. Tudo o que envolve esta época do ano torna-se mais especial, mais divertido. Esperar pelo Natal, decorar a casa (depois de um tempo o mais correto seria "ver os filhos decorarem a casa) e criar ou perpetuar tradições familiares.
Uma tradição canadense que aqui no Iglu incorporamos é a de fazer biscoitos natalinos para presentear os amigos e deixar perto da árvore de Natal para o Papai Noel lanchar quando vier deixar os presentes. Este ano, pela primeira vez, o Pacotinho de Alfabetização escreveu de próprio punho um bilhete agradecendo ao Papai Noel, que vai ficar junto com o pratinho de biscoitos. Outra tradição é a de montar uma casinha de biscoito de gengibre. Todo ano o Pacotinho de Artesanato monta uma e, pela primeira vez, passou a comer as paredes da casa.
Uma tradição recém-incorporada este ano é a de "adotar" uma família em situação difícil e presentear as crianças com roupas de inverno e brinquedos. Tudo novo, embrulhado e entregue de surpresa. Um canal confiável e eficiente para encontrar as famílias é o programa Adopt a School, do jornal Vancouver Sun. Já se tornou a tradição favorita.
Nesta correria de final de ano para quem trabalha em tempo integral e tem crianças em casa, não sobra muito tempo para escrever no blog, então junto com os votos de um Natal abençoado, saboroso e divertido, segue a receita do biscoito caseiro favorito aqui do Iglu. Sucesso de público e crítica, essa receita já foi testada por muitos anos e mais que aprovada:
Ingredientes
- 175g de manteiga amolecida
- 3/4 xícara de nozes pecan moídas e torradas
- 1 pitada de sal
- 1/4 xícara de coco ralado
- 1 colherzinha de extrato de baunilha
- 2 xícaras de farinha de trigo
- 1 gema
- 1/4 xícara de açúcar branco refinado
- 1/4 xícara de açúcar demerara ("brown sugar")
Modo de Fazer
Bata numa vasilha a manteiga, os dois tipos de açúcar, a baunilha e a gema até formar um creme bem pastoso.
Numa outra vasilha, misture a farinha, 1/2 xícara de nozes e o coco, com a pitada de sal. Acrescente esta mistura à massa da manteiga em 2 porções. Bata.
Separe a massa em duas metades iguais. Coloque a massa num filme plástico já coberto com o resto das nozes moídas. Abra com o rolo, para as nozes incorporarem-se à massa. Faça dois rolos de cerca de 4 cm de diâmetro cada. Leve à geladeira por 1 hora (pode ficar até 24 horas). Corte em fatias de 2,5 cm e leve para assar em forno pré-aquecido a 180C por 10 minutos ou até ficar dourado.
Recheie os biscoitos com doce de leite, formando um sanduíche.
Fonte: Canadian Living Magazine, December 2009
SAL do Iglu para Camila
Parabéns pelo bebê. Nunca usei um wrap, recomendo que vá a uma loja e teste o que se adapta melhor a você e ao bebê. Ou experimente o de uma amiga antes de comprar.
Eu gosto mesmo é do Ergo Baby, mas tem gente que prefere o wrap ou o sling de argolas.
Eu gosto mesmo é do Ergo Baby, mas tem gente que prefere o wrap ou o sling de argolas.
19 dezembro, 2011
O Pacotinho de Espírito Natalino
No CD do carro, Ney Matogrosso canta "Lá vai São Francisco pelo caminho, de pé descalço, tão pobrezinho".
O Pacotinho de Curiosidade pergunta:
- Mãe, quem é São Francisco?
- Já te falei, Filhote, ele é um santo. Um moço muito bonzinho, que gostava muito dos animais. Eu vou procurar na biblioteca um livro sobre a vida do São Francisco, pra gente ler.
- Mãe, quando você encontrar o São Francisco, sabe o que a gente vai fazer?
- Não.
- Vai dar um sapato pra ele.
- Ah!
- E meia também.
Toda mãe deve ter ao menos um momento na vida em que se pergunta se está agindo certo em relação aos filhos, principalmente numa hora de desobediência, mas aí eles soltam uma dessas e a mãe vê que pode até estar errando, mas também está acertando no que realmente importa.
O Pacotinho de Curiosidade pergunta:
- Mãe, quem é São Francisco?
- Já te falei, Filhote, ele é um santo. Um moço muito bonzinho, que gostava muito dos animais. Eu vou procurar na biblioteca um livro sobre a vida do São Francisco, pra gente ler.
- Mãe, quando você encontrar o São Francisco, sabe o que a gente vai fazer?
- Não.
- Vai dar um sapato pra ele.
- Ah!
- E meia também.
Toda mãe deve ter ao menos um momento na vida em que se pergunta se está agindo certo em relação aos filhos, principalmente numa hora de desobediência, mas aí eles soltam uma dessas e a mãe vê que pode até estar errando, mas também está acertando no que realmente importa.
16 dezembro, 2011
Bons Livros Infantis em Português - 2

Nesta época de final de ano, em que as crianças de famílias mais afortunadas financeiramente ficam abarrotadas de brinquedos, é bom lembrar que livros são ótimos presentes.
Para quem vai encomendar e não sabe o que pedir, o Pacotinho de Leitura tem uma lista dos seus novos títulos favoritos vindos da terrinha.
Ruth Rocha é sempre uma ótima pedida. Além do famoso Marcelo, Marmelo, Martelo , a autora tem inúmeros títulos espalhados em várias coleções de editoras diversas. Romeu e Julieta é um dos meus favoritos e a versão com ilustrações de Mariana Massarani é linda. Os livros da série Vou Te Contar trazem contos divertidos, bem ilustrados e interessantes. O predileto do Pacotinho de Aventuras é Nosso Amigo Ventinho, mas também são excelentes A Primavera da Lagarta e Bom Dia Todas as Cores. Uma História com Mil Macacos ficou bem desatualizado, já que o enredo é baseado em confusões com um telégrafo e a geração iPhone nem imagina o que seja isso, mas tem seu valor histórico.
O CD Mil Pássaros foi um presente delicioso, que uma amiga querida mandou do Brasil. Ele traz sete contos de Ruth Rocha, narrados pela própria, cada um seguido de uma música do Palavra Cantada composta especialmente para o tema. O Pacotinho de Memória recita parágrafos inteiros de cor, sentado no banco de trás do carro.
Uma descoberta sensacional aqui no Iglu foi a coleção A Família Urso, do original em inglês The Berenstein Bears.
Por sugestão da Keiko, compramos e adoramos Abrindo Caminho, um livro poético lindo da Ana Maria Machado, que traz de quebra a oportunidade de explicar pras crianças quem foram e são grandes personagens da história e da cultura brasileira.
Uma outra amiga sugeriu Maneco, Caneco, Chapéu de Funil, muito original, com frases repetitivas, excelente para quem está começando a ler.
Da série homônima da TV canadense, foram traduzidos e publicados no Brasil os livros do Harry e o Balde de Dinossauros, que trata dos problemas, medos e sonhos típicos de uma criança entre 4 e 6 anos de idade. Os DVDs também foram dublados em português e são excelentes.
O Pacotinho de Sorte tem o privilégio de ter no Brasil alguns tios de sangue e outros de coração que gostam de presenteá-lo com aventuras maravilhosas impressas em páginas coloridas. Ou gravadas em CD, por que não?
15 dezembro, 2011
O Pacotinho de Natal
Véspera de apresentação de fim de ano na escola e a mãe do menino que vai fazer o solo ao microfone deixou para a última hora a compra do sapato dele. Enfrentam um shopping lotado a uma semana do Natal.
Como era de se esperar, o Papai Noel está lá, recebendo as crianças para fotos. O Pacotinho de Observação percebe e avisa que quer falar com o Papai Noel. Não pode ser outro dia? Ele e a irmã nem estão arrumados para uma foto com o bom velhinho! Mas não, ele está decidido e precisa deste encontro com o Papai Noel e sim, faz questão da foto.
Enquanto esperam na fila, uma menina atrás pergunta à mãe dela:
- Este é o Papai Noel verdadeiro?
A moça nem tem a chance de responder, porque antes que ela abra a boca, o Pacotinho de Intromissão conta a verdade:
- O Papai Noel verdadeiro mora no Pólo Norte e não no Canadá, boba. E também, olha como a barba deste aqui é curta. O Papai Noel de verdade tem barba longa.
Então por que ficar na fila por uma imitação barata? Por 11 dólares a foto mais simples, é até bem caro o impostor.
Aí, quando chega a vez dele, ao invés de ir timidamente sentar no colo do Papai Noel, o Pacotinho de Entusiasmo corre, dá um abraço apertado como se o senhor vestido de vermelho fosse um avô muito querido.
A Mãe do Pacotinho de Surpresas queria muito poder congelá-lo aos 5 anos e meio, como presente de Natal.
Como era de se esperar, o Papai Noel está lá, recebendo as crianças para fotos. O Pacotinho de Observação percebe e avisa que quer falar com o Papai Noel. Não pode ser outro dia? Ele e a irmã nem estão arrumados para uma foto com o bom velhinho! Mas não, ele está decidido e precisa deste encontro com o Papai Noel e sim, faz questão da foto.
Enquanto esperam na fila, uma menina atrás pergunta à mãe dela:
- Este é o Papai Noel verdadeiro?
A moça nem tem a chance de responder, porque antes que ela abra a boca, o Pacotinho de Intromissão conta a verdade:
- O Papai Noel verdadeiro mora no Pólo Norte e não no Canadá, boba. E também, olha como a barba deste aqui é curta. O Papai Noel de verdade tem barba longa.
Então por que ficar na fila por uma imitação barata? Por 11 dólares a foto mais simples, é até bem caro o impostor.
Aí, quando chega a vez dele, ao invés de ir timidamente sentar no colo do Papai Noel, o Pacotinho de Entusiasmo corre, dá um abraço apertado como se o senhor vestido de vermelho fosse um avô muito querido.
A Mãe do Pacotinho de Surpresas queria muito poder congelá-lo aos 5 anos e meio, como presente de Natal.
13 dezembro, 2011
The Golden Five
Os pais e mães diferem sobre a resposta quando questionados em que idade os filhos deram mais trabalho. Na verdade, muitos acham que filho sempre dá trabalho, só muda o tipo de preocupação. Há aqueles que são traumatizados com recém-nascidos. Conheço algumas mães que nem gostam de ver fotos nem pegar bebês novinhos, porque isso traz lembranças ruins sobre a trabalheira que tiveram nessa fase. Outros preferem a idade em que as crianças já interagem, mas ainda são pequenas e inocentes. Muitos dizem que curtem todas as fases e geralmente são aqueles pais bem calmos e tolerantes. E há até quem prefira adolescentes.
A expressão "terrible twos", que segundo um pediatra famoso, Dr Karp, na verdade começa aos 18 meses e chega ao fim perto dos 2 anos, não foi criada à toa. Esta fase em que a criança tem total mobilidade e nenhum bom senso costuma ser complicada em muitas famílias.
Aqui no Iglu, as crianças nascem turbinadas. São aqueles bebês elétricos, que caminham e correm sem parar, curiosos e "mexelões", mas como tudo na vida tem sua compensação, são muito desinibidos e, na medida do possível, bem independentes para a própria idade.
Uma amiga usa a expressão "golden five" para o quinto aniversário. Realmente, é uma idade deliciosa. A mesma criança que aos 2 anos era incapaz de compartilhar qualquer coisa com um amigo (surpresa: é normal e esperado ser "egoísta" aos 2 ou 3 anos), aos 5 anos consegue organizar uma brincadeira com outras 2 ou 3 crianças da mesma idade, onde todos tem a sua vez, sem brigas e sem interferência dos adultos.
Se aos 3 anos as regras são ainda muito abstratas, aos 5 elas já são explicadas pela própria criança. "Oi, Fulaninho, minha mãe disse que a gente pode brincar aqui, mas nada de esconder no quarto da minha mãe".
A independência para ir ao banheiro sozinho, o orgulho de mostrar uma habilidade recém-adquirida, a preferência por atividades que exigem concentração ao invés da correria eterna antes dos 2 anos são bônus para mães exaustas.
Se antes eu queria congelar meus Pacotinhos de Surpresas antes de 1 ano de idade, agora gostaria de congelar meu Pacotinho de Curiosidade Infinita aos 5 anos e meio. Ainda com todos os dentinhos de leite, aquela inocência de quem acha que os pais sabem a resposta para todas as dúvidas do mundo, sua lista interminável de perguntas sobre absolutamente tudo, nenhuma vergonha de cantarolar músicas natalinas enquanto caminha pela rua, um entusiasmo cheio de orgulho ao conseguir ler uma palavra num cartaz em qualquer lugar... Esta fase em que a criança está sendo alfabetizada é tão gostosa! Depois do primeiro ano de vida, esta é minha idade favorita. Ai, como vou sentir saudade destes 5 anos!
A expressão "terrible twos", que segundo um pediatra famoso, Dr Karp, na verdade começa aos 18 meses e chega ao fim perto dos 2 anos, não foi criada à toa. Esta fase em que a criança tem total mobilidade e nenhum bom senso costuma ser complicada em muitas famílias.
Aqui no Iglu, as crianças nascem turbinadas. São aqueles bebês elétricos, que caminham e correm sem parar, curiosos e "mexelões", mas como tudo na vida tem sua compensação, são muito desinibidos e, na medida do possível, bem independentes para a própria idade.
Uma amiga usa a expressão "golden five" para o quinto aniversário. Realmente, é uma idade deliciosa. A mesma criança que aos 2 anos era incapaz de compartilhar qualquer coisa com um amigo (surpresa: é normal e esperado ser "egoísta" aos 2 ou 3 anos), aos 5 anos consegue organizar uma brincadeira com outras 2 ou 3 crianças da mesma idade, onde todos tem a sua vez, sem brigas e sem interferência dos adultos.
Se aos 3 anos as regras são ainda muito abstratas, aos 5 elas já são explicadas pela própria criança. "Oi, Fulaninho, minha mãe disse que a gente pode brincar aqui, mas nada de esconder no quarto da minha mãe".
A independência para ir ao banheiro sozinho, o orgulho de mostrar uma habilidade recém-adquirida, a preferência por atividades que exigem concentração ao invés da correria eterna antes dos 2 anos são bônus para mães exaustas.
Se antes eu queria congelar meus Pacotinhos de Surpresas antes de 1 ano de idade, agora gostaria de congelar meu Pacotinho de Curiosidade Infinita aos 5 anos e meio. Ainda com todos os dentinhos de leite, aquela inocência de quem acha que os pais sabem a resposta para todas as dúvidas do mundo, sua lista interminável de perguntas sobre absolutamente tudo, nenhuma vergonha de cantarolar músicas natalinas enquanto caminha pela rua, um entusiasmo cheio de orgulho ao conseguir ler uma palavra num cartaz em qualquer lugar... Esta fase em que a criança está sendo alfabetizada é tão gostosa! Depois do primeiro ano de vida, esta é minha idade favorita. Ai, como vou sentir saudade destes 5 anos!
04 dezembro, 2011
Um Ano e Dois Meses

"Fofolete,
Você já fez 14 meses, como dizem por aqui. Está cada dia mais parecida com a Boo, personagem do filme
Monstros, S.A., da Pixar. Com seus olhos grandes e escuros, cabelos castanhos presos em maria-chiquinhas e aquele passo rápido e engraçadinho de quem na sua idade já caminha há muito tempo. A julgar pela quantidade de dentes, a Boo deve ser mais velha, porque você continua somente com 7, 3 em cima e 4 embaixo.
Cada dia é mais difícil conseguir uma foto sua, porque ao ver a máquina, você corre para pegá-la e, como a câmera da Mamãe não é nada rápida, até a pose finalmente ser clicada, a foto invariavelmente sai parecida com esta:

Quando você consegue pegar a câmera, coloca-a na orelha e sai caminhando pela casa e conversando, como se estivesse ao telefone.
Você está correndo muito. Dá gritinhos de entusiasmo se está fugindo de alguém. Estamos no processo de ensiná-la a descer escadas, Mamãe tenta mostrá-la e ajudá-la a descer de frente, do mesmo jeito que sobe, mas nem sempre consegue. Ontem mesmo levou um tombo do terceiro degrau, enquanto impacientemente tentava aprender a descer com um mínimo de segurança.
Você adora livros. Pega um, traz imediatamente para um adulto, senta no colo desta pessoa e entrega. Não gosta de ler sozinha, quer que alguém vá virando as páginas e fazendo os sons dos animais. Temos muitos livros com fotos e desenhos de animais, um por página, alguns herdados do seu irmão e outros que comprados para você. No carro, a melhor distração é um livro na sua mão. Fica lá na sua cadeirinha, folheando, falando "au au", "miau", "ca ca" (qua qua) e dando sonoras gargalhadas sozinha.
A princípio, qualquer animal era um cachorro. Você imitava o latido sempre que via um gato na rua, um canguru na TV ou um dinossauro de plástico caído no chão. Agora já distingue alguns bichos diferentes. Outro dia, no parque, havia um labrador amarrado a um balanço pela coleira. Estava bem longe de você e, enquanto ele latia virado para outros lados, você olhava admirada. Bastou ele latir olhando pra você, que fez beicinho, apontou pra ele e falou com os olhos cheios de lágrimas "au au". Ou seja, você gosta, mas de longe.
Compramos, em vão, uma trava para a tampa do vaso. Durou exatas 24 horas, porque você a descolou e continuou lavando suas mãos na água do vaso. Um fascínio que já dura muito tempo!
Você notou imediatamente quando montamos a árvore de Natal, depois de acordar da sua soneca. Apontou pra ela, dando gritinhos de animação. Olhou bem os enfeites, colocados cautelosamente da metade para cima da árvore, para que não fossem alcançados por você. Deu uma olhada na frente, como não alcançava nenhum, deu uma volta em torno de toda a árvore, para ver se tinha alguma coisa à sua altura. Acabamos optando por colocar um enfeite de plástico, num local onde você conseguisse tirar, para "matar a vontade". Ele não durou muito, acabou logo arremessado atrás da porta do quarto do seu irmão. Mas, os dias passaram, a novidade ficou velha e você deixou a pobre da árvore em paz.
Você continua comendo muito bem, topa provar de tudo, abrindo a boca com a maior satisfação. Adora sushi, principalmente aqueles com muito abacate, mas sua comida favorita continua sendo macarrão.
Você chama a babá pelo nome, tão fofa! Bate na porta do quarto dela com a mão fechada e fala o nome dela. E tagarela muito em "bebezês", longas conversas que ninguém compreende. Às vezes, no carro, interrompe a conversa chamando "Mamã, Mamã", e aí, quando todos se calam para ouvi-la, começa com seu discurso incompreensível. Nesta família de tagarelas, não poderia ser diferente, se quiser ter oportunidade de ser ouvida. Você fala Baka, Deda, Tata, Mamã, Dadá (seu irmão), neném, bobô (borboleta), água, ne (não na língua do seu pai). Você fala com entonação adequada ao momento, muito engraçadinha.
Você agora "amamenta" suas bonecas, que chama de "Neném", num tom de voz mais agudo, como o que usamos pra falar com bebês. Seu brinquedo favorito é sempre o que estiver sendo segurado pelo seu irmão naquele exato instante. Se ele estiver tocando piano, você bate no banco e insiste até ser colocada sentada lá também. Quando ele está desenhando, você reclama até pegar um lápis e ganhar uma folha de papel. E Mamãe desconfia de que esta fase levará anos até passar...
Você já foi às montanhas com seus avós, brincar na neve pela primeira vez. Não gostou. Ficou em pé, parada na neve (talvez as botas pesadas tenham sido um dos problemas), logo reclamou e quis vir embora.
Ficamos todos gripadíssimos semana passada, menos você. Santo leite materno, que tanta gente pensa que, depois de X meses (e aí cada um coloca a idade que lhe dá na telha) não serve para nada. Aliás, falando em leite do peito, você este mês resolveu mamar em pé. Vai escorregando, esticando as pernas, até ficar no chão, sem largar a boca do peito.
Mamãe sabe que as fases são todas passageiras. Esta idade em que você está é, para Mamãe, a mais difícil e trabalhosa antes da adolescência. Mas, nada como ter um irmão mais velho, que também era agitadíssimo na sua idade e que aos 5 anos e meio é um menino desinibido, que se enturma facilmente em qualquer ambiente, mas que consegue ficar concentrado quando precisa. Então, sabemos que esta agitação toda não deve durar eternamente (ou talvez dure, já que Mamãe continua ligada no 220V até hoje).
Um abraço muito apertado,
Mamãe."
SAL do Iglu Para Luísa
Eu já tinha visto este video no You Tube e o movimento que a Fofolete faz com a língua é o mesmo que o bebê faz, mas o som é bem diferente. Digamos que, se os pais dessa criança vissem a Fofolete vibrando a língua, chegariam à conclusão de que quem chora igual ao Kiko é a Fofolete e não o bebê deles. Ela faz um som bem mais agudo e prolongado. Atualmente ela vibra a língua e faz o som só por prazer de ouvir, sem estar chorando.
03 dezembro, 2011
The Muppets 2011

Filmes musicais são como azeitonas. Não é possível ser indiferente a musicais nem a azeitonas. Alguém os adora ou não os suporta.
Mesmo havendo vários filmes infantis em cartaz, a crítica insiste em elogiar os Muppets. Quatro ou cinco estrelas num total máximo de cinco possíveis, em todos os jornais. Só esqueceram de mencionar (ou você cometeu o ato falho de não ler) que se trata de um musical.
E aí, num sábado à tarde, você vai levar seu filho, que insiste em chamar o filme de "MuFFets".
Estando você na categoria das pessoas que amam azeitonas, mas não toleram filmes musicais (como em quase toda regra há exceção, a sua é A Noviça Rebelde e sim, você já tentou assistir a Moulin Rouge, mas sem condições de aturar aquela cantoria), já nos primeiros cinco minutos, você já está arrependida. Lembra-se da sua irmã, com quem saiu sem arrependimento nos primeiros vinte minutos de O Máscara, que séculos depois continua figurando no topo dos 10 piores filmes que já viu na vida, ainda que não tenha sido visto por inteiro. Ela também estaria se contorcendo na poltrona se estivesse ali.
Talvez, para quem cresceu sendo fã do Sapo Caco, da Miss Piggy e Cia, o filme não seja de todo ruim. Amy Adams, linda e talentosa, é uma das personagens principais. Dá para dar duas ou três risadas, inclusive durante uma das músicas. Você se pergunta que drogas tomou o rapaz sentado ao seu lado, que gargalha praticamente a cada cena (deve ter sido isso, você só tomou coca-cola). Quando aparece The End na tela, você resume o filme em duas palavras "que porre!".
Você entra na sessão das 14:35 e coloca o pé pra fora do cinema pontualmente às 16:38. Olha lá fora e já é noite, postes acesos e seu filho de 5 anos comenta "eu falei, Mamãe, que este filme era muito longo!". Sim, é novembro e o dia fica muito curto longe dos trópicos, mas ainda assim, o menino tem razão.
Na verdade, o tempo e o dinheiro não ficam completamente desperdiçados porque o filme curto com os personagens do Toy Story que passa antes de começar os Muppets é sensacional.
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