30 outubro, 2006

SAL do Iglu

O serviço de atendimento ao leitor do Iglu responde:

Para Dani:
Quem me informou da validade de 1 ano do passaporte de bebês foi o próprio Consulado Brasileiro em Toronto. Segundo a moça que atendeu o telefone, somente se for tirado depois que a criança tiver 1 ano de idade, o passaporte tem validade de 2 anos. Agora fiquei na dúvida: será que ela informou errado ou será que quem carimbou o passaporte da sua filha é que cometeu um erro ? TUDO é possível !

Quanto ao canadense, é mais barato e tem a primeira validade de 3 anos realmente, mesmo que a foto da criança tenha sido tirada quando ela era um bebê e esteja irreconhecível 3 anos depois.

26 outubro, 2006

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde:

Para Keiko:

Eu sei do detalhe ridículo das profissões (médico, farmacêutico, engenheiro, advogado são mais honestos que o resto dos mortais aqui no Canadá), inclusive a gente tem um amigo advogado que sempre autentica tudo de graça. Como o Marido Gringo é gringo, o consulado brasileiro exige que a assinatura do advogado seja levada ao equivalente à OAB daqui, já que "consulado brasileiro não pode autenticar assinatura de estrangeiro".

Descobri que a Law Society, onde autenticam as assinaturas dos advogados, é aqui no quarteirão ao lado, podendo ser avistada da janela enquanto digito. Cobram 20 dólares !

Como é que tem gente que ainda consegue seqüestrar uma criança e levá-la para fora de um país, eu não sei. É difícil para a mãe conseguir levar o próprio filho !

Pacotinho de Burocracia

O Pacotinho de Aventuras começou a planejar sua viagem à terrinha. Achou que seria fácil escapar da onipresente chuva e do frio que veio para ficar pelo menos até maio. Tão inocente !

Viajar para o Brasil com um filhotinho brasileiro nascido no exterior envolve tanto "red tape" (burocracia, na gíria local) que se a vontade de fugir do frio não for maior que a capacidade das autoridades consulares de criarem obstáculos, a brasileirada fica por aqui mesmo o inverno inteiro.

O drama começa porque o Pacotinho de Burocracia tem dupla cidadania. "Que sorte ! Pode ir e vir sem problemas" - pensa um desavisado. A realidade é: "Que azar ! Precisa ter dois passaportes, que dão a maior dor de cabeça e despesa para serem tirados. O brasileiro ainda custa mais que o dobro do canadense !"

Como aqui em Vancouver não há consulado brasileiro, nem tirar certidão de nascimento da criança a gente pode. Tem que ir pessoalmente a Toronto, que fica logo ali, a cinco horas de vôo direto. Ah ! Mas se a gente enviar pelo correio a certidão canadense, pela bagatela de 36 dólares, eles batem um carimbo que não tem valor legal algum, a não ser que você vá ao Brasil e registre a criança num cartório de lá. Além disso, você paga mais 36 dólares pela autorização de viagem para a criança possa sair do Brasil (aqui não é costume pedir isso) sem um dos pais. Não fornecem passaporte sem certidão de nascimento, nem dão visto brasileiro no passaporte canadense de filhos de brasileiros nascidos aqui.

Pensaram em trazer um "consulado itinerante" a Vancouver para registrar os rebentos dos brasileiros, mas aí teve segundo turno das eleições no Brasil e cancelaram a vinda do cônsul, que ficaria aqui 2 dias em outubro. E a gente, que nem vota, acabou prejudicado pelas eleições.

O passaporte brasileiro custa 54 dólares e nem segue as regras internacionais, que requerem a presença do número do passaporte na mesma página da foto. O passaporte canadense para crianças pequenas custa 22 dólares. E o boato no Brasil é que vão aumentar o preço do passaporte para 100 dólares para ficar de acordo com a média internacional !

O passaporte canadense não dá tanto trabalho para quem é nascido aqui, exceto pela foto. A criança não pode estar sorrindo, nem com a testa franzida, muito menos de boca aberta. Vou ter uma conversa séria com o Pacotinho de Expressões Faciais hoje de tarde, antes da foto. Ele vai compreender, já é um rapazinho de 4 meses !

Além de tudo isso, há que se pagar a taxa do "notary public", para autenticar as fotos e as assinaturas.

Proporcionalmente à parte burocrática, a passagem é até barata ! Além do papel, a companhia aérea fornece comida, transporta nossa bagagem e nos leva ao outro lado do planeta.

Como diria Raul Seixas, o Pacotinho de Aventuras "tem que ser selado, registrado, avaliado, rotulado, carimbado se quiser voar..."

19 outubro, 2006

Flores !

"Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo
A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem"
(Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin / Paulo Miklos)


Há quatro meses a cegonha passou pelo Iglu. E, diante de tantas coisas a comentar, um item fundamental foi deixado de lado: as flores. Nada contra elas, muito pelo contrário, desde que venham na hora certa.

Como enfermeira, sempre tive implicância com visitas que levam flores para o hospital. Com tanta coisa para fazer, vai a pobre enfermeira procurar um vaso (raramente vêm com vaso os buquês) , para que as flores sejam acomodadas, de modo que fiquem entulhando e ocupando o pouco espaço existente sobre a mesinha de refeição do paciente. No plantão noturno, são alvo de fácil nocaute na hora de pendurar um soro. Fora que um ganha as flores e o paciente ao lado é quem espirra. Mas aí vocês podem falar que era preguiça minha, já que entre medicações, sondas, curativos e prontuários, as flores certamente merecem ficar no topo da lista de prioridades. Então, analisemos as flores do ponto de vista da paciente.

A não ser que tenha sido uma cesárea de emergência ou um parto-quiabo, daqueles em que a mulher espirra e a criança sai, depois do parto a mãe estará faminta. E enquanto ela sonha com uma caixinha de presente com uma lasanha ou uma bacalhoada dentro, chegam rosas e hortênsias. Ainda bem, porque pelo menos essas não fedem ! Podem reparar: as únicas pessoas que lembram de trazer comida quando visitam uma maternidade são os casais que tiveram filhos recentemente e ainda guardam frescas na memória as delícias da culinária hospitalar. Mais do que sapatinhos de neném, rosquinhas quentinhas no café da manhã podem levar uma nova mãe faminta às lágrimas de pura felicidade. Já o novo pai, se tiver sido o acompanhante da noite, pode até largar de vez a esposa e fugir com a pessoa que teve a feliz idéia de trazer algo comestível (os hospitais aqui não fornecem comida para acompanhante).

E, quando chega a hora da alta, entre malas e bolsas, cadeirinha do carro (as maternidades locais exigem uma na hora da alta), travesseiros, um pacotinho embrulhado com um bebê dentro, quem fica para trás ? As flores ! Geralmente são doadas para o posto de enfermagem, porque, com o trabalhão que aguarda os novos pais em casa, quem é que vai ter tempo de trocar água de vaso ? Você, Amiga Brasileira, que tem criadagem à disposição, não tem este problema, mas pense nas pobres coitadas Amélias do Primeiro Mundo...

Ah ! Mas a desculpa pode ser que a mãe está amamentando, então não pode comer isso, não deve comer aquilo... Eu comi de TUDO (menos flores e comida indiana) e nunca tivemos problemas com cólicas.

17 outubro, 2006

Iglu Globalizado

O Pacotinho de Globalização até agora só fala bebezês (de manhã cedo fala sem parar), mas o Iglu é trilíngüe. O Pai Gringo (que não tem este codinome só por charme, é gringo mesmo) fala com o filhote em sua língua que só tem consoantes, como todas as do Leste Europeu. Falamos um com o outro em inglês e Mamãe, obviamente, fala em português com o neném. Até aí, nada de incomum para Vancouver, não somos nenhuma exceção. Os comentários é que são notáveis.

A Vovó Gringa invariavelmente chega no horário universal da chatice dos bebezinhos (entre 5 e 6:30 da tarde), fala com o Pacotinho de Encrenca, ele chora e ela: "Coitadinho, está confuso porque é uma língua que ele não entende. A culpa é do pai dele, que deveria falar mais com ele na nossa língua". Anote aí na sua lista de providências a tomar quando seu bebê de menos de 4 meses está chorando: "apertar a tecla SAP".

O Pai Gringo fez dois semestres de aula de português, mas aprendeu somente o básico de gringo "cerveja/cachaça/caipirinha/a conta, por favor". A convivência com meus amigos e parentes brasileiros acrescentou outras palavras menos úteis ao seu vocabulário. Só que português é uma língua difícil, dizem por aí. Será mesmo ?

Os diálogos do Iglu Globalizado:

- Filhinho, fica aqui no balanço só um pouquinho para a Mamãe tomar água. Só um pouquinho, viu ?
- Why are you calling my son a little piglet ? (por que você está chamando meu filho de porquinho ?)
- "Pouquinho", not "porquinho".

- Gracinha, você é uma gracinha.
- What does "gracinha" mean ? (o que significa "gracinha" ?)
- Cute, it means cute.
- So, he's "gracinho". Stop calling him "gracinha". (então ele é um gracinho. Pare de chamá-lo de "gracinha").

Quando o Pacotinho de Cheirinho de Neném acaba de tomar banho e todos os seus cinco fios restantes de cabelo estão de pé, Mamãe sempre diz:
- Cebolinha ! Cabelo de Cebolinha !
Aí outro dia o Pai vira para ele:
- Cebolinho, let's comb your hair (Cebolinho, vamos pentear seu cabelo).

Quando o Pacotinho de Globalização começar a falar, imagino o que vai sair...

15 outubro, 2006

SAL do Iglu

Como não são dúvidas de imigração, nem de como conseguir emprego aqui (quem me achar uma chata, leia o post de 27 de outubro de 2005), o Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde:

Para Tatiana:
Algumas empresas dão um "auxílio-creche", digamos assim, principalmente para altas executivas, quando há interesse em que elas retornem ao trabalho ASAP ("as soon as possible", o mais rápido possível). Não há nenhuma lei que regulamente o benefício. Nem com a carência enorme de enfermeiros aqui, o sindicato conseguiu algo do tipo para minha categoria. Isso porque a taxa de natalidade aqui é baixíssima !

Para Keiko:
Se as mães para quem você contou que meu neném dorme a noite inteira (já há 3 semanas) ficaram com inveja, peça para elas virem ao Iglu de manhã ou à tarde. O Pacotinho de Encrencas luta contra o sono o dia inteiro, só dorme pendurado no canguru ou no "sling". No berço ou no carrinho a soneca dele dura exatos 20 minutos. Outro dia ele dormiu por 50 minutos e eu fiquei verificando de 5 em 5 minutos se ele estava vivo, depois quase mandei celebrar uma missa em Ação de Graças pelo milagre. Não dá para fazer nada dentro de casa, só mesmo ficar no computador com ele pendurado. Reclamei com meus pais e eles disseram que eu dormia somente 10 minutos de dia. Quem vê as cachaças que eu tomo não anda reparando nos tombos que eu levo...

Para Joceli:
O Pacotinho de Senilidade não foi aceito no programa "Roots of Empathy" porque é muito idoso, nasceu em junho. Uma pena, ele ficou bastante desapontado, mas a vida é assim, discrimina-se a terceira idade já na primeira infância.

Para quem leu o post de 27 de outubro de 2005 e mesmo assim me acha chata:
Gente, com trocentos mil outros blogs informando sobre imigração nesta Internetona Véia de Guerra, 'cês ficam perdendo tempo aqui ?

11 outubro, 2006

Indian Summer, viva !

Faz tempo que estou para escrever sobre o clima, mas como a meteorologia (e o efeito estufa) costumam conspirar contra mim, achei melhor adiar. Vai que chove só porque eu elogiei ? Como São Pedro não lê o blog, resolvi arriscar. Nada mais justo elogiar o sol, já que eu reclamo UM POUQUINHO da chuva aqui...

O Pacotinho de Verão nem sabe o que o espera em Raincouver. Nascido em junho, praticamente viu a chuva somente duas vezes. Este ano está acontecendo o que os canadenses chamam de "Indian Summer", um verão prolongado. Verão em termos, né gente, porque faz sol, mas chamar menos de vinte graus de "verão" é coisa de esquimó que tomou Prozac.

Nunca, em seis anos desde que me mudei para cá, vi tanto sol no mês de outubro. Aliás, comentei isso com um estranho outro dia, quando ele passeava com o cachorro e eu empurrava o carrinho de neném na beira do mar e ele me respondeu: "eu moro aqui há quarenta anos e este foi o melhor verão".

Por que "Indian Summer" ? Não tenho a menor idéia, mas sendo "summer", pouco importa se é indiano, iraquiano, paraibano...

06 outubro, 2006

Sobrevivendo a sêxtuplos e gêmeos

Esse é o nome de um programa que passou no canal TLC esta semana, a que todo o mundo que tem neném em casa deveria assistir. Assistir e gravar para rever naquele finalzinho de tarde, quando a gente já está "só o crachá", como se diz na minha terra. Sugiro como consolo, mas quem quiser como inspiração...

Trata-se de um casal que não conseguia engravidar naturalmente. Fizeram uma inseminação artificial e tiveram duas meninas, hoje com cinco anos. Três anos depois, ela queria mais um filho. Ele não. Mesmo assim, tentaram outra inseminação. Tiveram sêxtuplos: três meninos e três meninas, hoje com 1 ano e 4 meses. TODOS absolutamente saudáveis.

Isso tudo já faria dessa mãe uma heroína, mas há um detalhe que faz dela uma santa: ela faz todo o trabalho de casa e cuida das crianças SOZINHA. O pai sai muito cedo para trabalhar e passa doze horas fora de casa durante a semana. Babá ? Empregada ? Ajuda de avós ? Nada disso !

Os mais mais do programa, segundo os repórteres do Iglu:

* A maior injustiça: TODOS os oito filhos são a cara do pai;

* A maior disposição: a mãe é enfermeira e trabalha aos sábados, num plantão de 16 horas, numa clínica de hemodiálise;

* A maior armação: quando perguntadas sobre quem era seu bebezinho preferido, cada uma das meninas mais velhas escolheu uma irmãzinha. Logo depois, corrigiram: "nós amamos todos, porque todos são nossos irmãos".

* A maior ajuda: as meninas mais velhas acordam mais cedo que a mãe, vão ao quarto dos bebês e ficam lá fazendo palhaçadas para entretê-los nos berços, para que assim a mãe possa dormir até mais tarde;

* A maior eficiência: o pai é encarregado dos banhos e coloca três de cada vez na banheira, lavando as crianças em série;

* A maior mentira: a câmera filmou um legítimo "code brown" em uma das crianças, daqueles em que a cocozada atingiu o berço todo e a mãe disse que isso nunca tinha acontecido antes;

* A maior mania de organização (ou o maior transtorno obsessivo-compulsivo): a mãe tem anotado em todos os cantos da casa qual é o berço de cada um, qual é o lugar de cada um na mesa;

* A maior dificuldade: a mãe confessou que o maior estresse é na hora de tirar fotos. Ela não tem uma única foto com todos os filhos olhando para a câmera, então sempre coloca 3 ou 4 no álbum, para que o rosto de todos apareça eventualmente;

* A maior surpresa: eles gastam somente 30 fraldas por dia e um único pacote de "baby wipes";

* A maior feiúra: a mãe mostrou a barriga dela depois de uma gravidez de sêxtuplos. A minha imediatamente foi elevada à categoria de barriga de modelo, depois que vi aquilo !


Numa cena, eles vão a um "self service" com toda a renca mais um casal de amigos que têm gêmeos e quíntuplos (sim, parece que este tipo de gente anda em bando). Lá o pai dos sêxtuplos está servindo o prato de uma das crianças e diz para a câmera: "eu só coloco no prato deles exatamente o que minha esposa estiver colocando também." Um, dois ou oito filhos: quem ainda não viu esta cena antes ?

03 outubro, 2006

Em Queda Livre

Eu sei o que você está pensando, mas não, Amiga Que Não Teve Filho Ainda, aos 3 meses, não são os peitos em queda livre (ainda). São os cabelos !

Se você é como uma certa amiga minha, que passa mal quando vê cabelo caído no banheiro, não venha ao Iglu nos próximos 2 meses. Dizem que pára aos 5 meses pós-parto, então espere até ver se é verdade e depois arrisque uma visitinha.

Estamos aqui numa competição, Mamãe e o Pacotinho de Emoções, tentando ver quem vai conseguir primeiro uma cabeça igual à do Espiridião Amim. Levei umas duas semanas para descobrir de onde vinham aquelas penugens que estavam aparecendo no rosto do neném, na almofada de amamentar, na toalha... O cabelo dele é tão fininho que, a menos que esteja grudado na cabeça, a gente chega a duvidar que seja cabelo mesmo. Já o da Mamãe não deixa dúvidas !

É cabelo no chão, nas roupas que saem da secadora, dentro da fralda do neném... Não fosse Mamãe adepta de uma touquinha de meia no melhor estilo "trombadinha" para cozinhar, teria cabelo na cozinha também.

O Marido Gringo já descobriu um lugar que vende perucas para bebês: http://www.ratatak.com/modules/news/article.php?storyid=437

Mamãe não vai precisar de peruca. Tem tanto, mas tanto cabelo que no fundo ela gostaria de que NÃO crescesse tudo de novo...