31 março, 2011

Procurando quem?



O livro da vez é O Dono da Bola, um clássico da literatura infantil brasileira, que já fez parte da estante de várias gerações.

Lá pelas tantas, Mamãe lê "Caloca só estava procurando encrenca" e a ilustração da página ao lado tem vários meninos. O Pacotinho de Detalhes pergunta:

- Mãe, qual desses é o Encrenca?

30 março, 2011

Problemas com a Vizinhança

Morar numa casa em Vancouver, praticamente em qualquer bairro, é ter problemas com a vizinhança. Não necessariamente com os vizinhos humanos, que até agora, tem sido ótimos. É a vida selvagem que costuma trazer dor de cabeça.

Quem mora aqui provavelmente conhece alguém que já se deparou com um urso na garagem, um guaxinim esparramando o lixo ou uma turma de gambás (e aqui eles são tão bonitinhos, iguais à Flor do desenho do Bambi) morando na chaminé. Então, quem sou eu para reclamar do coiote que visita o jardim de noite, a família de esquilos obesos que mora na árvore do quintal ou os corvos irritantes que reviram a lata de recicláveis toda terça de manhã, pontualmente antes da chegada do caminhão de lixo?

Assim que o Animal Channel lançar sua versão de The Biggest Loser, inscrevo os esquilos imensos que passeiam pela cerca. Estão com o peso tão acima do normal que se mexem devagar. Não deveriam estar magrinhos no início da primavera?

E quanto aos corvos, se ninguém tiver uma sugestão melhor, vou hoje mesmo procurar uma coruja falsa para colocar em cima do telhado da garagem. Num destes mistérios que uma pessoa urbana como eu não consegue explicar, eles destroem a grama de uma casa, mas respeitam a divisão da cerca e sequer pousam no jardim do vizinho. Andando pela rua, dá pra ver vários jardins destruídos, cheios de buracos grandes inacreditavelmente feitos por um pássaro, ao lado de gramados imaculados. Sem ver ao vivo o corvo cutucando desesperadamente a grama (seria à procura de minhocas? E por que as minhocas são menos gordas onde a grama é mais verde, do lado do vizinho?), impossível crer no estrago que um corvo é capaz de fazer. Para quem estiver curioso, o jardim aqui do Iglu não tem minhocas apetitosas, pelo jeito, mas é um bom fornecedor de galhos para o ninho.

Ainda assim, é muito bom morar numa casa. Melhor ainda é deixar a porta e as janelas fechadas, para garantir que a vizinhança não apareça sem ser convidada. Já bastam as testemunhas de Jeová (na linguagem local, JWs), que batem na porta e insistem em trazer o jornalzinho "The Watcher" em português, especialmente para você. Ao menos os bichinhos não tentam converter os moradores da casa.

28 março, 2011

O que pensam os bebês?

A bebezinha do Iglu, nos seus quase 6 meses de vida, está na fase de dar gritinhos. De alegria, de excitação, de frustração, de tédio, de vontade de chamar atenção dos outros, praticamente ninguém sabe ao certo os motivos, exceto seu irmão, o Pacotinho de Interpretação da Linguagem dos Bebês.

Ela grita e ele explica:

- Mãe, a Fofolete pensa que ela é o E.T.

Claro, a cena do filme em que no E.T. dá um grito de susto é a explicação mais lógica.

27 março, 2011

Carta


"Filhote,

O mês está quase acabando e foi tanta correria que nem ficou faltando sua carta. De fevereiro? De março?

Finalmente nos mudamos para uma casa, batizada por você de "casa do Gilbert", que é o nome do corretor que nos mostrou. Depois de visitarmos tantas casas, a única coisa de que você fazia questão era de que tivesse uma escada. Logo no primeiro dia, comentou "Mãe, esta casa não tem escada". Como tem duas, você logo corrigiu "só tem escada que vai pra baixo, não tem escada que vai pra cima".

Você não estava presente no dia da mudança, tinha ido pra casa da Baka e do Deda. Eles disseram que você choramingou na hora de dormir lá, mas depois não reclamou. Ficou bem triste quando chegou aqui e viu que não iríamos mais voltar para o apartamento, mas bastou um único banho na banheira grande, com seu pai e a Fofolete, para dizer que gostava da casa nova.

Você logo fez amizade com o Nikko, filho do vizinho. Provavelmente ficarão na mesma turma da escola, se houver somente uma sala de kindergarten. Brincam juntos no final da tarde, no quintal. Tão bom ter "lá fora" para brincar! Uma graça vocês dois jogando bola e organizando a própria brincadeira, quem vai brincar na casa de quem.

Ontem chegou um pacotinho do Brasil para você. Mamãe tinha pedido ao Vovô que mandasse um, já que os últimos que chegaram eram sempre com coisas para sua irmã. Você vibrou de felicidade quando ouviu a notícia "é só pra eu?" Abriu e pulou de alegria quando viu o DVD "O Malvado Favorito", que você chama de "Espicable Me", embora seu pai sempre corrija "DESpicable".

Temos lido livros do Brasil toda noite. Mamãe tem muita dificuldade em explicar o que são cotia, jabuti, garça e, como o notebook caiu no chão ("quebrou sozinho", como diz você), não dá para ficar mostrando figuras de cada bicho no meio da estória. O computador agora fica em outro andar e não dá para consultar o São Google a cada página. Livros com muitas figuras ajudam bastante.

Você está gostando muito da escola nova. Adora um menino chamado Manolo, que tem a mãe mexicana, o pai francês e também fala 3 línguas em casa, como você. Ele já tem 6 anos, parece ser o ídolo da turma toda. E você tem um amigo novo, o Caleb, que fala francês com a mãe dele. Mamãe adora o fato de praticamente todos os colegas da escola serem filhos de estrangeiros e falarem outros idiomas.

Semana passada você foi brincar na casa do Caleb. Fez "muffin" de aveia, comeu (!) e voltou falando que comeu uma tal de "waffle sausage" que Mamãe vai perguntar pra mãe do Caleb o que vem a ser.

Falando em comida, nenhum progresso nesta parte. Até tem comido em maior quantidade, mas não em variedade.

Sua mais nova paixão é caminhões. Vive perguntando quando seu pai vai levar o carro dele para a loja e trocar por um caminhão. Pediu se a Mamãe pode comprar um caminhão para você quando for adulto. E, quando fomos à concessionária buscar o carro novo, você fez questão de entrar em todos os "caminhões" disponíveis (na verdade, eram SUVs).

Faz meses que você planeja sua festa de aniversário. Tem dias em que ela vai ser do "Wall-E", ou de "nave espacial" ou de "Star Wards" (o D é por sua conta). Estamos tentando convencê-lo a fazer aqui em casa, com pula-pula no quintal, mas você às vezes diz que vai ser onde foi o aniversário da Mila, outras vezes, no mesmo lugar da festa do Manolo. Volta e meia sai com um "Fulaninho não está na lista", o que surpreende a Mamãe, que nem sabe de onde você tirou esta expressão.

Você fala tanto dos seus primos no Brasil, de fatos que aconteceram nas nossas férias lá. Já voltamos há quase 10 meses, sua memória é impressionante.

Durante o "Spring break", você frequentou uma colônia de férias no centro comunitário perto da nossa casa velha. Gostou muito, mesmo não tendo uma só criança conhecida no primeiro dia. Você sempre foi muito adaptável, nunca estranhou as pessoas, desde bebê jamais chorou no colo de um estranho. Agora que está grandinho, dá para ver como isso sempre foi típico da sua personalidade.

Esta semana, numa agradável tarde de sol, seu pai tirou o patinete que estava guardado na caixa desde o Natal (Papai Noel tinha trazido presentes demais e resolveu esconder uns para seu aniversário) e você o inaugurou no quintal de casa.

Você pergunta muito, repara em tudo, comenta absolutamente toda e qualquer novidade que vê. Anda muito interessado em números e fica perguntando "2 e 3 faz o quê?" Vinte e três. "Vinte e três?" Pede para a Mamãe ajudá-lo a contar até 100.

Você tem ido várias vezes às montanhas brincar na neve com a Baka e o Deda. Um dos seus programas favoritos.

Você tem sido um ótimo irmão grande pra Fofolete. Consegue distraí-la como ninguém. Ela dá gargalhadas das suas macaquices. Hoje mesmo você estava pulando e dançando na frente dela, dizendo "eu sou um palhaço".

Por mais que Mamãe tenha um fraco por bebezinhos e tenha desejado congelar você desde os seus 5 meses ou menos, esta fase de gosto pelos livros, de curiosidade infinita tem sido muito gostosa. Temos nossas desavenças, principalmente nos dias de maior tensão, mas somos bons em pedir desculpas.

Com votos de que tenhamos todos uma primavera e um verão maravilhosos nesta casa, seguidos por outras estações cheias de alegria,
Mamãe".

26 março, 2011

O Pacotinho de Laços Sanguíneos

No Canadá não é de praxe fazer tipagem sanguínea de bebês filhos de mães Rh positivo, ao contrário do Brasil. A maioria das pessoas passa a vida toda sem saber o próprio tipo sanguíneo.

Na família de origem do Marido Gringo são todos Rh negativo e a conversa girava sobre isso. Mamãe do Pacotinho de Laços Sanguíneos comenta:

- Eu acho que o Filhote tem o mesmo tipo de sangue que o meu, porque ele nunca teve icterícia neonatal, ao contrário da irmã, que deve ter o sangue do pai ou algum outro tipo (com a mãe B+ e o pai A-, sendo uma avó ou avô O de cada lado, as crianças desta família podem ser A, B, AB ou O, negativo ou positivo).

Ele logo interrompe a conversa:

- Mãe, seu tipo de sangue é vermelho?
- Sim, Filhote. Nenhuma gota de sangue azul, com certeza.

Aí o Avô Gringo erra na tradução do tipo O e diz que é "zero negativo", como dizem na língua dele. O Pacotinho de Intromissão responde:

- Você é zero negativo? Eu sou 100 positivo!

Que bom, né?

25 março, 2011

O Pacotinho de Correção



Não é um filme para crianças pequenas, mas sem saber disso, foram o Pacotinho de Cinema e sua mãe assistir ao desenho. No Brasil, saiu com censura 10 anos, não por acaso.

Provavelmente nunca antes na história de Hollywood, tinha aparecido um desenho com 100% dos personagens tão feios, daqueles que causam até desconforto. Uma estória violenta, com poucas piadas para os adultos e nenhuma para as crianças. Uma cobra cascavel bem malvada assustou o Pacotinho de Medo. A mãe deveria ter desconfiado, afinal de contas, o ator que faz a voz do personagem principal não costuma participar de filmes previsíveis.

A melhor tirada do filme foi na plateia e, infelizmente, a audiência não entendeu. Lá pelas tantas, um personagem que mistura espanhol e inglês fala algo como "in order to have the power, you need to have água". E aí, o Pacotinho de Correção vira pra sua mãe e diz "Mãe, eles precisam falar 'water' e não água".

24 março, 2011

O Pacotinho de Preocupações

Desde que voltou das férias na terrinha, o Pacotinho de Boa Vida ficou com umas bolinhas nas bochechas, que achavam ser alergia ao protetor solar. Lá se vão 8 meses e nada de elas saírem. Um belo dia, ele comenta:

- Mãe, sabe pra que são estas bolinhas vermelhinhas aqui?
- Não.
- São pra crescer minha "beard".
- Barba, Filhote. Aí chama barba, aqui em cima da boca chama bigode.
- Não, Mamãe. Aqui chama bochecha e o outro chama lábio.
- O cabelo que nasce aí chama barba.
- Eu não quero crescer.
- Por que?
- Eu não vaicomer todo o meu jantar, porque aí, eu vou crescer muito e vou ficar um pai e vai ter barba na minha cara.
- Já faz muitos anos que você não come seu jantar direito, mas qual o problema de crescer e ter barba?
- Minha cara vai ficar muito engraçada.
- Seu pai tem barba. A cara dele é engraçada?
- Não, Mamãe. Ele só tem aqueles coisinhas pretinhos.
A mãe ri.
- Não quero ninguém rindo de mim.

22 março, 2011

Morando na Torre de Babel


O Pacotinho de Idiomas vive numa família em que o pai fala uma língua com ele, a mãe fala outra e o "mundo" à sua volta fala uma terceira. Como ele nunca conheceu outra realidade, não estranha. De vez em quando comenta, quando assiste a um dos poucos filmes que tem na língua do pai: "Mãe, neste DVD todo o mundo fala igual ao meu pai, ninguém fala igual à gente".




Sua pequena estante está lotada de livros. Provavelmente 50% em português, 40% em inglês e 10% em servo-croata. Isso porque a Mamãe Brazuca é mais eficiente em convencer a família e os amigos da terrinha de que presente bom para filho de brasileiro que mora fora é livro, CD ou DVD. Quem quiser variar pode dar umas Havaianas ou uma camisa da seleção. A coisa mais criativa que o Pacotinho de Presentes já ganhou de amigos da sua mãe foi uma calça de capoeira. Brinquedos são mais baratos aqui e as roupas de lá não resistem muito tempo ao esquema eterno de lavadora-secadora.

Numa determinada noite, o livro da vez é o adorável Adivinha o Quanto Eu Te Amo que, por sinal, o Pacotinho de Leitura também tem na versão original, em inglês. Mamãe está lendo com ele, quando a irmãzinha abre a boca a chorar. A leitura é temporariamente interrompida para dar o peito. E, quando a Mamãe volta ao quarto, encontra o Papai Gringo lendo o mesmo livro na língua dele, normalmente, como se entendesse tudo o que está escrito.

Quando vê a cara de espanto dela, ele dá um sorriso cínico e continua. Ao final da última página, ela diz ao criativo Pai da Criança:
- O título significa "Guess How Much I Love You".
- Imaginei que fosse algo assim, entendo "te amo", mas como isso não dá para desenvolver uma estória, eu inventei outra de acordo com as figuras. Era um coelhinho fazendo ginástica.
- A gente tem este livro em inglês também, talvez fosse mais fácil.
- Que nada, a minha versão foi ótima.

Nisso o Pacotinho de Compromisso Com a Versão Original diz:
- Mãe, agora pode você ler de novo pra mim?

Valeu a intenção. Ela jamais poderia ter feito o mesmo, porque com as letras do alfabeto cirílico nem dá para deduzir o que está escrito.

19 março, 2011

Cinco Meses e Meio

"Fofolete,

Você já está com cinco meses e meio, mas tivemos umas semanas tão complicadas, tão estressantes, que nem deu tempo de escrever uma cartinha. Pra completar, ficamos sem internet depois da mudança, o que atrasou ainda mais.

Mamãe é altamente suspeita e nada imparcial quando diz que está amando ter você por perto. Não só esta é a idade favorita dela (incluindo todas), como também a mais fácil.
Com 5 meses, o bebê já interage e reconhece os familiares, não é mais molinho como um recém-nascido, ainda não se mete em travessuras que possam machucá-lo, permanece no lugar onde foi colocado (no chão, claro), não escolhe roupa nem brinquedo, está feliz da vida contanto que esteja junto com a mãe ou o pai, enfim, desde seu irmão, Mamãe sempre achou que nunca um filho dá menos trabalho do que em torno dos 5 a 7 meses de idade. Pena que passa tão rápido!

Você está cada dia mais parecida fisicamente com o seu irmão. Continua sendo um bebê menor que ele, com cabelo escuro e em maior quantidade do que ele tinha, mas o rosto e as expressões faciais são muito semelhantes. Com exceção da sua avó paterna, esta é a opinião geral.

Você praticamente não fica deitada de barriga pra cima. Imediatamente assim que é colocada no chão, vira-se de bruços. E, mesmo sabendo desvirar, costuma ficar como uma baleia encalhada, até que se arrasta (somente para trás) ou gira 180 graus. Já consegue levar objetos à boca voluntariamente, principalmente o babador. Na verdade, você não baba, mas gosta de ficar fazendo bolhinhas com a boca e acaba se molhando. Aliás, precisamos filmá-la chorando e fazendo bolhinhas, nunca vimos um bebê chorar assim. Dá uma pena de vê-la sofrendo, mas você fica uma gracinha toda vermelha e soprando bolhinhas de saliva. Por sinal, tem chorado cada vez menos, chega a passar dias inteiros sem um único episódio de choro. Quando chora, é com lágrimas abundantes, que já descem ao primeiro "nhém".

Continua golfando depois de todas as mamadas do dia, mas nunca à noite. Costuma acordar cerca de 5 horas após adormecer, independentemente do horário em que vai dormir. Aí mama, acorda novamente 3 horas depois e dorme até o amanhecer. Geralmente lá pelas 6 horas, a gente a coloca no balanço e aí você tira um cochilo até 7 da manhã.

Você mudou muito a partir de 4 meses. Até então, chorava no colo das pessoas que não fossem os de casa. Agora vai no colo de quem for, muito simpática. O comentário geral é de que você é muito boazinha. Já não se esgoela na cadeirinha do carro, somente se estiver com muito sono. Esta semana, tirou vários cochilos na cadeirinha, "cantando" sozinha até pegar no sono (parece mais um gemido). Consegue passar longos períodos entretida com suas mãos ou seus brinquedinhos, no tapete de atividades ou na cadeirinha, contanto que alguém esteja por perto.

Sua mãe ainda não descobriu o segredo do cochilo diurno. Você até tira umas sonecas na cadeirinha do carro, no carrinho (ambos em movimento, senão não funciona), mas em casa, só adormece de dia se estiver pendurada na gente. Aí, depois de 5 minutos, pode ser colocada no berço que continua dormindo por no máximo 1 hora.

Sua língua continua muito esquisita. Mamãe fica preocupada, vai comentar isso com a médica no dia das vacinas dos 6 meses. Você passa praticamente o tempo todo em que está acordada colocando a língua pra fora da boca. Quando dorme na cadeirinha do carro, dá pra ver que a boca não fica totalmente fechada, os lábios ficam afastados pela língua. Este mês você começou a chupar a língua, dobrando-a para cima do lábio superior. Geralmente faz isso após a mamada e olha assustada se a gente a imita. Uma amiga fonoaudióloga já disse que, ainda que venha a ser um problema no futuro, nesta idade não há nada que possa ser feito além de mamar no peito e não chupar bicos artificiais e é isso que já ocorre.

Você fica agitadíssima durante a troca de fraldas ou depois do banho, tentando pular para fora do trocador (seu irmão fazia exatamente igual), segurando os pés e "conversando".

As pessoas sempre comentam que você parece mais velha do que é, por ser tão atenta. Olhos grandes, sempre arregalados, que acompanham quem estiver falando no momento. Não há dúvidas de que sua audição seja excelente. Pelo jeito, não fazemos filhos que não sejam curiosos por aqui (nem que durmam longamente de dia).

Você adora seu irmão. Dá gargalhadas das palhaçadas que ele faz para você. Tão lindo ver vocês dois juntos!

Este mês, por conta de vários compromissos que Mamãe teve na parte da tarde e pelo fato de o leite congelado (um estoque imenso) ter ficado com um gosto rançoso, introduzimos cereal de arroz integral misturado com leite materno fresco na sua alimentação. Já faz 10 dias e não conseguimos descobrir se você gostou ou não. Pior, nem sabíamos se tinha comido ou não até as fezes mudarem de cheiro! Como sua língua fica pra fora normalmente, não sabemos se você tenta empurrar a colher por não ter gostado da comida, por ainda não ter perdido este reflexo ou porque é o que faz o tempo todo mesmo. Amanhã vamos testar outro alimento, provavelmente "yam", para ver se há algum progresso.

É isso aí, Fofolete. Você é uma delícia que adoramos ter por perto. Mamãe particularmente adora vesti-la, colocar lacinho no cabelo, sapatinho combinando, mas ainda não teve coragem de furar suas orelhas. No Brasil, você será uma exceção, mas aqui é a regra. Somente latinos costumam furar as orelhas dos bebês em Vancouver. Por enquanto, Mamãe ainda acha que vai esperar você pedir, embora sua madrinha já esteja fazendo pressão há alguns meses. Sempre que Mamãe a arruma com uma roupa nova, seu pai diz "fico tão feliz por você pelo fato de termos tido uma menina!". Mamãe de sorte a sua.

Um cheirinho no pescoço, daqueles que sempre provocam uma risadinha bonitinha de prazer,
Mamãe".

17 março, 2011

O Pacotinho de Casa Nova ou o Iglu em Novas e Maiores Instalações

Foram meses de visitas a casas nos finais de semana, até que finalmente o universo conspirou para que os pais do Pacotinho de Mudança encontrassem uma casa que não é perfeita, mas que atendia a inúmeras exigências.

Com a memória privilegiada dele, o Pacotinho de Observações passou a chamar a casa nova de "casa do Gilbert" (nome do corretor que mostrou o imóvel). E, pouco antes de se mudarem pra casa do Gilbert, ele e sua mãe conversaram:

"- Filhote, a casa nova vai ter quintal para você brincar.
- Que legal! Vai ter um fence pra eu não fugir?
- Vai ter uma cerca sim, mas que tal você não fugir?"

Na véspera da mudança, ele vai passar o dia na casa dos avós. Acaba passando também a noite e, quando volta, já encontra os pais, a irmã e os móveis na casa nova. Entra correndo, preocupado:

- Mãe, cadê meus brinquedos?
- Estão na sala de TV, lá embaixo.
(vai até lá conferir se realmente trouxeram os brinquedos dele)
- Como que tudo veio parar aqui?
- Os moços da mudança trouxeram um caminhão bem grande para carregar nossas coisas.
- E quando a gente vai voltar pra nossa casa?
- Agora a gente mora aqui, não vai mais voltar pro apartamento.
(começa a chorar)
- Mas eu quero voltar pra casa, não quero morar aqui.
- Vai ser legal, Filhote. De manhã você vai brincar lá fora, o vizinho tem um filho de 4 anos, pode ser seu amiguinho.
- Não quero dormir aqui.
(neste instante, a irmãzinha de 5 meses, que está sentada no colo da mãe, solta gases com som de metralhadora disparada)
- Ha ha ha.
(ele perde o fôlego de tanto rir e depois de um bom banho na banheira de hidromassagem avisa que gosta sim de morar na casa nova).

***

A mãe do Pacotinho de Mudanças não só recomenda, como faz propaganda dos excelentes serviços da empresa Green Frog, cujo caminhão ela sempre via estacionado na rua e imaginava contratar um dia. Sem dúvida, como disse ao rapaz que veio buscar as caixas, o serviço mais eficiente que ela já utilizou em 11 anos em terras canadenses.

05 março, 2011

Ô Língua Difícil!

- Mãe, por que a gente estão embrulhando isso?
- Por que a gente ESTÁ embrulhando isso? Porque é o presente da Gabi.
- O que é?
- É um vestido.
- Não, Mamãe. É UMA vestida.
- É vestido mesmo.
- É vesti-DA, porque a Gabi é uma menina.

Mesmo sem saber, ele sempre corrige. A quem terá saído este menino?

02 março, 2011

O Pacotinho de Simplificação

- Mãe, Marina é muito longo nome.
- É um nome muito longo?
- É. Pode a gente chamar ela de Fofolete?