30 novembro, 2009

The Fantastic Mr Fox



Um excelente filme que, pela foto, parece ter sido feito para crianças, mas definitivamente não é. Os bem pequenos podem prestar atenção no começo por conta da aparência dos personagens, mas a trauma é complicada, rápida e, convenhamos, um filme sobre ladrões não é um bom exemplo. As piadas são engraçadas, mas irônicas e dirigidas só aos adultos. As crianças certamente vão gostar muito mais do trailler da milésima sequência de Alvin e os Chipmunks, que aqui passa antes do filme.

George Clooney e Meryl Streep estão brilhantes como as vozes dos personagens principais. Dá vontade de ler o livro depois. E de "googlar" para descobrir os nomes dos outros atores que deixaram você o filme inteiro "de onde conheço esta voz? Quem é este cara? Uma voz super conhecida!"

Uma ótima pedida para as tardes geladas no final de semana.

29 novembro, 2009

Disney on Ice - Vancouver 2009

A mãe, que não é muito fã de multidões desde criacinha, quando foi com o pai e dois irmãos pequenos ao show gratuito dos Trapalhões no ginásio de esportes em Brasília e que, não tendo aprendido a lição, já adolescente, foi literalmente pisoteada naquele legendário show do Legião Urbana em 88 também na capital, decidiu levar seu Pacotinho de Eventos ao Disney on Ice 2009. Se tem uma coisa que indiscutivelmente é muito melhor no Canadá do que no Brasil é multidão. Não importa o número de pessoas nem o tamanho do lugar, ninguém pisa no seu pé, não tem gente furando a fila e, se você por acaso esbarra em alguém, imediatamente ouve um pedido de desculpas. Isso mesmo quando a culpa é sua.

Depois de ler no jornal um artigo de página inteira sobre como foram feitos os Carros (assim mesmo, com C maiúsculo, os personagens) para o evento, não havia mais dúvida. Certamente foi matéria paga, mas bem convincente como propaganada. Foi tudo tão elaborado que, pela foto, ela decidiu que o Pacotinho de Tietagem do "LighteMing McQueen", como ele mesmo fala, iria adorar.



Chegam lá bem cedo, sem problemas com vagas no estacionamento pago, onde já se viam dezenas de princesinhas de todos os tamanhos, cobertas por casacos enormes, mas sem touca para não cobrir as tiaras brilhantes. Sabe como é, princesa passa frio nas orelhas mas não perde a majestade.

E já na entrada começa a exploração. Quem manda sair de casa com fome? Como assim ONZE dólares por um baldinho de pipoca? São pipocas que protegem contra o H1N1? O brinquedinho que acende luz e roda também custa caro. Aí ela entra, senta e vem um cara vendendo uma pipoca "baratinha", que só custa oito dólares. E porcaria vai, besteira vem, antes de começar o show ela já gastou mais do que o preço dos ingressos. Erros de iniciante, que ano que vem já vai sair de casa com o brinquedinho giratório desde ano e um saco de pipocas caseiras.

O Pacotinho de Jejum vê pela primeira vez um saco de algodão doce e diz que quer "sorvete". "Não é sorvete, é algodão doce." "Eu gosto de godão doce". E come com a boca boa, dizendo "que gostosura!". E quem disse que não se enriquece o vocabulário assistindo a videos? "Gostosura" é uma palavra que a mãe dele nunca fala.

Começa o show, o Marido Gringo avisa "se eu dormir, não me acorde". Mas não dá para dormir. Primeiro porque os Carros são fantásticos e o espectador que não é engenheiro passa o tempo todo se perguntando como construíram tudo, como é que eles se movem tão perfeitamente no gelo e ainda mexem a boca e acendem os faróis! Em segundo lugar, porque o raio do brinquedinho giratório segurado pelo filhinho dela está exatamente na altura dos cabelos compridos da moça à sua frente e, como cidadã responsável, ela teme pela segurança capilar da pessoa. Em terceiro lugar, porque a princesinha atrás dela chuta-a nas costas com umas botas de plástico com pompons cor-de-rosa. O rei, digo, o pai da princesa, até tenta controlá-la, mas não num intervalo ideal para quem está do outro lado da sola da bota. Ah, se for para ser chutada, que seja com estilo e frufus cor-de-rosa. É mais confortável ser chutada do que ser a mãe do "chutante".

Os patinadores são excelentes, parecem todos saídos das últimas Olimpíadas de Inverno, movendo-se com perfeição além dos limites humanos sob fantasias pesadas. Pelo menos para ela, que fez três vezes o curso no nível iniciante de patinação no gelo para adultos e até hoje patina tão bem quanto o Robocop.



Tudo são flores (ou chapéus de flores, que vinham com o algodão doce que, pelo preço, cura o câncer, como usavam todas as meninas que estavam sem tiaras) no primeiro ato.

Depois do intervalo, começa uma xaropada de um ato de um filme que ela não viu. Não entende xongas do que está acontecendo ali. Uma gritaria, uma fada que parece um travesti, uns duendes gordinhos jogando tudo no chão, uma outra fada dourada pendurada por cabos de aço. Uma mistura de Cirque du Soleil com ensaio de escola de samba do segundo grupo. Do interior de Minas. A criançada à sua volta começa a ficar impaciente, você até quer ir embora, mas a multidão aqui não é tão passiva a ponto de permitir que subam nas suas pernas para alcançar o corredor. Depois, para sua indignação, uma amiga conta que as princesinhas dela ficaram comportadíssimas até o final. Claro que ela não estava sentada no mesmo setor que você, de onde uma fadinha e uma Branca de Neve saíram aos pontapés antes do final do segundo ato. Claro que a princesinha zagueira atrás da nossa heroína permaneceu até fim. Chutando até o fim.



Enfim, acaba o espetáculo. A multidão dirige-se para a saída novamente sem o menor problema. Você faz as contas e vê que está carregando um monte de tralhas inúteis que custaram os olhos da cara, mas valeu a pena. Os olhos brilhantes do filhinho vendo seus personagens favoritos, as palmas, o adeuzinho espontâneo dado ao Mickey Mouse não têm preço. Já a tralha vendida no ginásio, bem, deixa pra lá.

24 novembro, 2009

Carta de Novembro


"Filhote,

Como o ano voou! Já estamos no final de novembro.

Sem dúvida alguma, a maior diferença este mês foi na sua linguagem. Desde que voltamos do Brasil, seu português continua melhorando a cada dia. As frases estão ficando cada vez mais expressivas, longas e complexas, com associações que certamente você não aprendeu por ouvir alguém falando, mas por estar deduzindo por si mesmo. Esta semana, Mamãe estava ao telefone e você queria atenção, mas como não sabia dizer "desliga o telefone", disse "Mãe, tira o telefone da sua orelha". Mensagem transmitida com eficiência.

Você já não fala mais nada em inglês com a Mamãe. Assim que a vê na saída da creche, já a cumprimenta em português e conta o que tiver que falar. Tem assistido aos videos que trouxemos do Brasil e canta cada vez mais as músicas dos CDs brasileiros. Os filmes preferidos deste mês foram Os Aristogatas (que você chama de "os gatinhos") e Carros ("LigtheMing McQueen, como diz você). Quando brinca com seus brinquedos sozinho, conversa com eles em português.

Você aprendeu a palavra "mesmo" e adora colocá-la no final das frases, ainda que não seja necessária. "Este pirulito é vermelho mesmo", "hoje não tem escola mesmo" e assim por diante. Também incorporou ao vocabulário a expressão "você lembra?" e outro dia perguntou "Mãe, você lembra que neném não come biscoito, só mama o leite da Mamãe dele?".

Seu pai diz que é impressionante como você fez progressos também no idioma dele. Semana passada, ele estava montando um armário na cozinha e você queria ajudar. Trouxe todas as suas ferramentas de plástico e estava lá, conversando com seu pai na língua dele. Aí virou para Mamãe e disse "Mãe, a gente precisa de um martelo". Recebeu o martelo, agradeceu e continuou conversando no outro idioma. Nunca houve a explicação de que Mamãe não entende servo-croata, você deduziu isso sozinho.

Seu pai comentou que você muda o tom de voz de acordo com o idioma que fala. Realmente, você fala português com uma voz bem fininha, como diz a sua tia, de personagem de desenho animado. E fala inglês com seu tom de voz normal. Duas amigas da Mamãe que são metidas a astrólogas, mas que não se conhecem, fizeram o mesmo comentário a seu respeito "ele é bem geminiano, tem facilidade para falar".

Um hábito que você adquiriu no Brasil com seus primos foi o de chamar "Mãe", a cada 2minutos. Antes da viagem, você sempre falava "mamãe" e só quando era importante. Desde que retornamos, no carro, você a chama a cada meio minuto, para comentar que tem um trator ali, que está chovendo, que o carrinho caiu no chão... "Mãe" é a palavra mais ouvida nesta casa.

Há cerca de 10-15 dias, você teve crupe. Uma tosse de foca, com febre e um pouco de prostração quando a temperatura estava acima de 39C. No médico, você ficou muito comportado, deixou que ele examinasse tudo, sem reclamar, embora tivesse dito várias vezes que não gosta de médicos. Uma mudança notável foi que antes você gostava de tomar umas gotinhas de remédio se fosse necessário e agora passou a recusar. Ainda bem que Mamãe é muito mais adepta de banhos para febre do que de antitérmicos!

Uma das coisas que você mais gosta de fazer é "uma pelescópio". Consiste numa folha de papel enrolada, presa com durex e que tenha seu nome escrito nela. Claro, onde já se viu um telescópio sem o nome do dono?

Você continua tropeçando nos artigos e pronomes masculinos e femininos. Engraçado é que você elimina o "a" de algumas palavras, como se fosse artigo e diz "súcar", para "açúcar" e "paga" para "apaga". De tanto Mamãe corrigir, você agora fala "não consigo", "eu não sei", "eu posso", mas de vez em quando ainda sai "eu não consegue, eu não sabe, eu pode". Antes falava "eu quero vai", mas aprendeu e só diz "eu quero ir". Ô língua difícil!

Você tem uma pronúncia bem correta das palavras. Fala "liquidificador", pronuncia todos os encontros consonantais, mas ainda diz "pitapótamo" (para hipopótamo) e "taguê" (para cadê). Vai entender, "cadê" é infinitamente mais simples que "liquidificador"!

Você anda bem grudento depois que chegamos de viagem, como se tivesse medo de ficar sem o pai ou a mãe por umas semanas de novo. Se a Mamãe está em casa de manhã, você imediatamente deduz que não tem aula naquele dia e avisa que não quer ir à escola. Ontem, na porta de casa, Mamãe deu um beijinho de despedida e você disse "eu quero um abraço também". Quando seu pai deu um beijinho nela, você falou de novo "eu quero um beijinho pra mim também". Muito carinhoso.

Mamãe ficou um dia em casa semana passada porque estava com laringite e você não tinha aula no dia da reunião das professoras. Acordou e disse "hoje não tem escola", achando que era final de semana. Perguntou "hoje tem ginástica?" (a aula agora é aos sábados). Diante da resposta negativa, ficou espantado "hoje tem o quê?".

Você finalmente aprendeu a fechar os olhos na hora de lavar os cabelos e foi seu pai, com quem sempre havia briga no banho, quem notou. Mamãe pedia que você virasse a cabeça para trás e lavava sem dramas, então nem reparou nisso.

Você adora ajudar na cozinha. É o contrário da estorinha da Galinha Ruiva. Você gosta de quebrar os ovos, separar as forminhas de "cupcake", colocar os ingredientes no liquidificador, mas na hora de comer, não quer nem saber. Mamãe sempre o chama para ajudar quando ela está fazendo algum bolo. Você come se for bolo de cenoura, na forminha de "cupcake", sem cobertura de chocolate.

Você continua não suportando chocolate e amando pirulitos. Está na fase de autonomia, não quer ajuda para nada, quer fazer tudo sozinho.

Você não sai de casa sem levar junto um monte de brinquedos. Outro dia disse "preciso uma sacola para minhas brinquedos". Quando a gente pergunta se eles são mesmo necessários, você invariavelmente responde que sim. Basta ouvir "vamos?", que você avisa "preciso procurar minha escavadeira/minha robô" ou o que quer que sejam os badulaques favoritos do dia. Também os carrega para dormir, até esconde alguns debaixo do travesseiro.

É tão gostoso ter você! Esta vozinha deliciosa pedindo outro abraço é algo de que Mamãe vai se lembrar com carinho para sempre.

Tenta não crescer muito rápido, viu? Com muitos amassos,
Mamãe."

SAL do Iglu para Maureen e Ana

Vocês perguntaram de onde o Pacotinho de TV tirou a ideia de dizer que eu trabalho no American Idol. Aqui no Iglu tem TiVo, que grava todos os nossos programas favoritos, vistos depois em diversas horas do dia. Ele já está cansado de me assistindo a American Idol, The Biggest Loser, The Cake Boss, mas nunca tinha presenciado Grey's Anatomy, que não assisto na presença dele. Quando ele viu que se tratava de hospital e eu falei que trabalhava num, ele deve ter deduzido que escolhi um dos programas da TV para trabalhar. Se é para escolher um, então que seja o American Idol.

Outro dia, no caixa do supermercado, havia uma revista com os candidatos do The Biggest Loser e ele apontou, gritando "olha, Mamãe, The Biggest Loser!".

22 novembro, 2009

Onde sua mãe trabalha?


Numa semana de tosse geral no Iglu, com longas e inesperadas sonecas de tarde, o Pacotinho de Virose foi dormir muito tarde. Como desculpa para ficar acordado, apareceu no quarto querendo ver TV. O programa a que Mamãe estava assistindo era Grey's Anatomy. E ele, que pelo visto nunca esqueceu os 3 dias que passou internado com asma no Children's Hospital há mais de ano, olha assustado para a TV:

- Mamãe, o moço está no hospital!
- Ele trabalha lá.
- Ele está doente.
- Não, ele é médico. Ele trabalha no hospital cuidando das pessoas doentes.
- Ele está triste. Ele não gosta do hospital.
- Ele gosta, ele trabalha lá. Mamãe também trabalha no hospital.
- Não, você não trabalha no hospital. Você trabalha no American Idol!

Dada a falta de talento vocal da mãe, ele deve achar que ela seria uma daquelas candidatas hilárias a ser eliminada antes de cantar o refrão. Poderia ser pior. Ainda bem que ele não acha que a mãe dele deveria trabalhar no The Biggest Loser.

14 novembro, 2009

Estação da Gripe


Primeiro foi o Pacotinho de Crupe, que começou do nada com uma tosse parecendo um latido de foca (em inglês, foca late, não sei que som ela faz em português). Depois veio a febre de mais de 39C. Com a paranóia da gripe suína (aqui não pegou o apelido "gripe A"), o médico mandou dar Tamiflu. Mas não é crupe? "É, mas como este ano tem o risco do H1N1, melhor não arriscar".

É só fazer as contas: estamos em novembro, o inverno oficialmente nem começou. Se encherem qualquer resfriado de Tamiflu, que tipo de vírus superresistentes estaremos enfrentando em fevereiro e março? Será que só eu tenho medo do uso indiscriminado de Tamiflu? Agora qualquer resfriado recebe a mesma sentença: 7 dias de Tamiflu, sem direito à fiança com chazinho, vitamina C e cama.

Depois de quatro dias de molho, o Pacotinho de Virose melhora um pouco e os adultos dão sinais de que não escaparão da gripe (ou sei lá o que é este bicho). Como na maioria das casas, Mamãe Rouca acorda no mesmo horário, faz tudo o que tem que fazer normalmente e Papai fica na cama, de boca aberta, esperando a morte chegar (duvido que Raul Seixas tenha se inspirado numa mulher). Se soubesse o número do celular da Dona Morte, teria ligado para ela e adiantado os prazos para sua busca. Mulheres em fase terminal de doenças graves já foram vistas por aí com mais disposição do que um homem adulto com gripe.

Será que foi a gripe suína? Pelo que andam descrevendo dos sintomas, o Pacotinho de Tosse teve todos, mas de forma leve. Nem dá para culpar os gânglios no pescoço pela dificuldade em comer, porque ele já vivia de fotossíntese antes. Papai No Leito de Morte teve todos os sintomas e mais alguns não citados. Mamãe Afônica faltou um dia de serviço para não assustar os pacientes com sua falta de voz, mas no dia seguinte já se apresentava avisando "Sou Flávia, a enfermeira que vai admitir você para a cirurgia, mas nem adianta invejar minha voz sexy".

Bem que podia ter sido a gripe suína! Assim estaríamos livres dela, porque o inverno promete ser bem longo este ano.

06 novembro, 2009

Que Legal!



Não sou uma estudiosa do processo de aquisição de linguagem, mas adoraria ser. Morando no país de origem e falando somente a língua nativa, a criança é exposta a várias fontes de linguagem e adquire expressões novas não só da família, mas da escola, dos vizinhos, da TV, da vida. Os pais talvez achem graça nas frases diferentes ditas pelos pequenos, mas provavelmente nem ficam elucubrando muito de onde eles tiraram aquilo.

Quando a gente mora num país estrangeiro, casada com um marido que não fala a mesma língua, as "fontes de português" ficam bem limitadas. O Pacotinho de Idiomas tem primordialmente a Mamãe Obstinada para ensiná-lo a falar português. Os DVDs, livros, CDs e amigos conterrâneos têm seu papel, mas com menor intensidade. Ele tem um grande vocabulário em português, mas a gramática costuma ser bem capenga. Vamos combinar que português não é uma língua fácil, né? E que não tem lógica fantasma e pijama serem substantivos masculinos.

Depois da viagem à terrinha, fica bem claro o que ele aprendeu lá e as expressões incorporadas que ele ouviu de outras pessoas. Deve ter aprendido "que legal" com os primos ou outras crianças, durante alguma brincadeira, porque não falava isso antes.

Chega da creche contando:
- Eu comi meu "lunch", comi frango e pera.
(como ele leva uma vida de jejum, o evento de comer qualquer coisa é geralmente celebrado)
- Almoço, Filhote. Você comeu seu almoço.
- Não comeu almoço, eu comi pera.
- Que legal!
- Mas não é que legal, pera é para comer, não é para brincar.

Parece que ele acha que a expressão é só para brincadeiras.

Ele também adquiriu o bordão "mas tem que tomar cuidado", que repete nas situações mais inapropriadas, que não envolvem risco algum.

Mas o mais interessante é que, depois de 3 semanas imerso em português, sem ouvir ninguém falando servo-croata, ainda assim fez progressos no idioma do pai. Deduz-se que é porque também se trata de uma língua cheia de flexões verbais, com artigos e pronomes que variam entre feminino, masculino e neutro, bem diferente do inglês e aí ele fez algumas associações gramaticais novas. Fascinante.

05 novembro, 2009

Palmadas Atingem o QI

Vi no blog da minha amigona Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta corporal, ativista do parto humanizado e da amamentação, mãe de 3 filhos bem criados sem palmadas e autora do livro Bebês de Mamães Mais-que-perfeitas e não podia deixar de compartilhar aqui:

Olhe só que notícia interessante saiu na Folha de SP. Talvez assim mais pessoas acreditem nos malefícios das palmadas.

Surras diminuem o QI

03 novembro, 2009

Ressaca de Halloween


Nem podemos culpar os chocolates, que o Pacotinho de Frescura não come. Mas depois de tantas balas e pirulitos, veio a inevitável diarreia pós-Halloween.

- Mamãe, meu barriga está doendo.
- Sua barriga está doendo porque você comeu muita porcaria.
- Eu comeu muita porcaria.

Lição aprendida, né? Quem dera, no dia seguinte...

- Mamãe, eu quero porcaria.
- Que porcaria?
- Eu quero porcaria!
- Filhote, porcaria é um termo vago. Que tipo de porcaria exatamente você quer?
- Porcaria rosa!

Ah, claro. E hoje vão para a sala de estar do hospital todas as porcarias que sobraram do Halloween, assim não são desperdiçadas e os colegas que gostam podem apreciá-las.

SAL do Iglu para Liliane

O Serviço do Atendimento ao Leitor do Iglu não esclarece para Liliane, que perguntou sobre a vacina do H1N1:

A verdade é que, embora tenha tido tempo para se organizar com antecedência para a vacinação, o governo canadense não se preparou adequadamente (bom frisar isso, que muito brasileiro deslumbrado costuma achar que no Primeiro Mundo tudo funciona perfeitamente) e não há vacina para todos os que queiram tomar. É um país com poucos habitantes, muito dinheiro e que mesmo assim está enfrentando conflitos diários nas portas das clínicas de vacinação.

Como profissional da área da saúde, eu devo tomar a vacina. Meus colegas, em sua maioria, não tomam nem a vacina da gripe comum, dada anualmente, que dirá esta, que não foi amplamente testada e já tem um histórico de síndrome de Guillain-Barré como efeito adverso na sua versão anterior. Eu diria que cerca de 30-40% dos médicos, enfermeiros e fisioterapeutas que trabalham comigo tomam a vacina.

Como mãe, acho importantíssimo informar-se, sou a favor das vacinas e contra a vacinação e vermifugação de crianças como se fossem gado. Raramente as pessoas procuram ler as bulas das vacinas e inteirar-se dos efeitos colaterais. Algumas crianças são mais sensíveis e talvez se beneficiassem ao tomar as vacinas separadamente e não em atacado, várias no mesmo dia. É comum alguém perguntar na maternidade o porquê de vacinar um bebê que acabou de nascer contra hepatite B, uma doença com transmissão como a da AIDS, se a mãe tem sorologia negativa? É o que fazem em alguns países (não aqui). Outra vacina altamente controversa e com efeitos colaterais graves é a do rotavírus, que não faz parte do calendário "obrigatório" de vacinas no Canadá, mas é bem comum no Brasil. Pessoalmente conheço dois casos de reação grave à vacina do rotavírus, com necessidade de cirurgia.

Por isso eu disse que não ia esclarecer nada, acho que a decisão de vacinar ou não é pessoal, cada família tem um histórico próprio. O filho de uma amiga contraiu sarampo ao tomar a vacina, então duvido que ela vacinará o próximo bebê contra sarampo. Anualmente, há um certo número de casos de
poliomielite causado pela vacina Sabin (essa vacina não é utilizada na América do Norte) e quem pode julgar a mãe de uma dessas crianças paralisadas pela pólio vacinal por não vacinar os próximos filhos? O argumento de quem se informa e vacina é pensar na coletividade, que os casos de efeitos graves são raros, mas quem já teve um filho sofrendo com efeito colateral grave de uma vacina tem outra visão (nem vou entrar no mérito do autismo como consequência da vacina MMR, só dos efeitos já comprovados). Quando a estatística desfavorável bate à nossa porta, a coisa muda de figura. Tem um episódio excelente do Law & Order sobre isso, a mãe que não vacinou o filho contra sarampo foi julgada pela morte de outra criança, que não tinha idade para tomar a vacina.

Leia, informe-se, converse com seu médico, pense no histórico dos seus filhos e como eles reagem às vacinas (e às outras gripes que, afinal de contas, se for para falar em estatística, a maioria das pessoas sai bem da gripe suína). Em todo caso, se decidir vacinar, acho melhor tomar a vacina da gripe comum e a da H1N1 em semanas diferentes e não no mesmo dia, como estão dando aqui.