26 fevereiro, 2009

Exilada e Alienada

Depois de 9 anos fora da terrinha, as viagens de férias e leituras do que aparece na mídia já não são mais suficientes para manter a pessoa exilada por dentro do que acontece no seu país de origem. O que seria de mim sem os fóruns de discussão na internet?

Através de um fórum de discussão sobre mães e filhos, descobri que existe uma pessoa chamada Cláudia Leitte (assim mesmo, com "tt"), que é de grande importância para o Brasil. Por 3 meses era um tal de "gravidez de Cláudia Leitte", "Cláudia Leitte vai ter parto normal", "Cláudia Leitte fez cesárea" e, mais recentemente, "Cláudia Leitte em cima de um trio elétrico após a cesárea", "Cláudia Leitte ordenha seu leite - com um t só - para o filho". E eu nunca tinha ouvido falar na moça que parece ser o centro das preocupações de tanta gente!

Pior ainda foi esta semana, quando alguém escreveu que uma ótima cantora brasileira, de uma banda mundialmente famosa poderia ser indicada para o Nobel da Paz, mas não disse o nome (ela estava a falar mal da moça). Nunca me senti tão alienada. Fiquei matutando quem poderia merecer o Nobel da Paz, até porque não há tantos brasileiros famosos no mundo todo que não sejam jogadores de futebol ou modelos da Victoria Secret, o que já limitava minhas opções. Ainda mais uma cantora! Quem poderia ser? Logo depois, alguém revelou: Joelma da Banda Calypso. O nome parece até de motel de beira de estrada, não me ajudou em nada. Que raio de Banda Calypso é essa, mundialmente famosa? Vancouver certamente fica num universo paralelo, porque por aqui nunca ouvi falar desse povo.

Alguém fez a gentileza de mandar um video da banda. Não sei o que fez a moça para que alguém cogitasse sua indicação ao Nobel da Paz, mas certamente se houvesse um Nobel da Música, ela não teria chance. Simon Cowell, num dia de ótimo humor no American Idol, diria "very cheesy, karaoke-style" se visse a apresentação da banda. E eu continuo por fora das celebridades brazucas que fazem sucesso "no mundo todo".

Estou pagando a língua. Quando morreram os Mamonas Assassinas e comentei com meu pai "você nem deve saber quem eram", achei hilária a resposta dele "claro que sei, ficam aí cantando na minha cabeça: Segura o tchan, amarra o tchan..." O mundo dá voltas, agora a desinformada musical sou eu.

18 fevereiro, 2009

Dois Anos e 8 Meses - "Vamos Conquetá?"

"Filhotinho,

Você já tem 2 anos e 8 meses! Suas frases favoritas começam com "vamos". É um tal de "vamos lá, Mamãe?", "quebrou. Vamos conquetá?"(consertar), "vamos acordar, Mamãe?", "vamos levantar, Mamãe?", "sumiu. Vamos procurar, Mamãe?". Você também repete várias vezes, "muito bem, Mamãe", "bravo, Tata", quando alguém está fazendo alguma tarefa que parece difícil. Sua voz continua fininha, irresistível. Enquanto muitas mães ficam ansiosas para que os filhos pequenos cresçam logo, a sua definitivamente não é assim. Que saudade de saber que essa vozinha deliciosa vai mudar! Tão bonitinho quando a porta abre e você grita "Mamããããe, Daniel chegou!".

Esta semana ofereceram uma vaga na creche para a turma de 3-5 anos. Como já recusamos a mesma oferta há 2 meses, agora é preciso aceitar, para não correr o risco de ficar sem a vaga após seu aniversário. Mamãe fica com o coração apertadinho de saber que você vai ficar naquela turma de crianças "grandes", mas você brinca lá todos os dias e logo seus amigos da turma atual também farão a transição. Aliás, sempre que Mamãe pergunta o que você fez na escola, a resposta é "brincou Ayan" (Ayan já está na turma dos mais velhos desde meados do ano passado e você ainda fala muito nele).

Agora tem uma moça maravilhosa que faz faxina aqui em casa. Ontem ela veio enquanto você não estava. Assim que você chegou, não sei se pelo cheiro dos produtos de limpeza ou pela arrumação, imediatamente, antes de dar um abraço, já perguntou: "cadê Graciela?" Ela comentou que você é muito educado e fala português muito bem, os melhores elogios que alguém pode fazer para agradar sua Mamãe.

Você adora dançar. Não pode ouvir uma música que logo fala "dança, Mamãe". Gosta muito de uma canção do Balão Mágico, chamada Ursinho Pimpão, que você chama de Ursinho Querido. Você sabe cantá-la todinha, embora tome a liberdade de mudar algumas palavras. Toda noite a gente bate palmas quando você canta até o final "usso folgado não tem lição". Você deve ter saído ao Vovô Brasileiro, porque é afinado e tem ritmo para cantar, ao contrário do resto da família (dos dois lados).

Você gosta de montar uma "casinha" de travesseiros em cima da cama da Mamãe. "Vamos fazer casinha?" Logo depois, derruba tudo e pede para "conquetá".

Você de vez em quando gosta de assistir ao desenho do Nemo, mas é bem específico quanto às cenas. "Não quero Nemo no aquário. Quero Dori. Quero o baleia". E, por via das dúvidas, quando acha que Mamãe vai mudar o canal, avisa "não quero American Idol".

As professoras da creche estavam muito preocupadas com o quanto você não come, então agora você leva o almoço e todos os lanches de casa. Mamãe também deu a elas um exemplar do livro My Child Won't Eat, para tranquilizá-las. Elas não entendem como pode sair tanta energia de alguém que come tão pouco. Mamãe sabe: filho de peixe...
Não tem motivo para querer "conquetá" você.

Você confunde a ordem das palavras, nitidamente porque muitas vezes está pensando em inglês. Por exemplo, outro dia Mamãe pegou a tesoura para cortar seus cabelos (desistimos do salão há mais de 1 ano) e você disse "tesoura corta Daniel cabeça" (porque em inglês é Daniel's head). Assim que Mamãe fala em português, você repete o certo. Por sinal, ninguém cortou sua cabeça.

Você descobriu onde ficam guardadas na sala as colheres de chá e volta e meia abre a gaveta para pegar uma, ainda que já esteja segurando na outra mão uma que veio da cozinha. Você consegue comer sozinho, mas geralmente entorna na roupa e aí grita "Mamãe, ajuda. Daniel entornou. Limpar Daniel."

Você é muito carinhoso. Outro dia Mamãe estava vendo um filme triste, você chegou, abraçou, deu um beijinho e disse "Don't cry. Eu te amo. Quer beijo na bochecha?"

Este ano parece que a primavera vai chegar mais cedo. Já está fazendo sol. Que bom!

Um monte de beijinhos neste cangote cheiroso, que é uma delícia de soprar só para ouvir suas risadinhas de cócegas,
Mamãe"

17 fevereiro, 2009

Sal do Iglu para Cibele







O primeiro livro da série chama-se Confessions of a Shopaholic, perfeito para ler numa tarde à beira da piscina ou do mar (li todos eles num mesmo verão) e o segundo, que também aparece no filme, chama-se Shopaholic Takes Manhattan. Depois tem Shopaholic Ties The Knot, Shopaholic and Sister, Shopaholic and Baby. O primeiro livro da série eu já vi numa livraria brasileira, traduzido para o português. Quanto aos outros, não sei informar.

16 fevereiro, 2009

Confessions of a Shopaholic - O Filme



Aqui no Iglu, ninguém é forçado a assistir a filmes só porque o outro quer. Então, Marido Gringo assiste sozinho ou com os amigos àqueles enredos protagonizados por criaturas mutantes ou que usam espaçonaves como meio de transporte e eu assisto sozinha aos "chick flicks", aquele gênero que raramente atrai o sexo oposto. Aliás, fiquei bem surpresa com a quantidade de homens na platéia, em plena segunda-feira na hora do almoço. O que devem ter feito de errado para terem sido arrastados por suas companheiras?

Para quem, como eu, leu e adorou os livros da série Shopaholic (não conheço ninguém que tenha lido o primeiro e não tenha ficado viciada), o filme é uma delícia. Os livros são muito mais engraçados, mas os atores escolhidos são exatamente como imaginei que seriam (com exceção da melhor amiga), quando devorei cada livro em no máximo 2-3 dias. E, claro, ter a mesma figurinista do Sex & The City só pode tornar tudo visualmente mais atrativo.

Os críticos estão caindo de pau no filme, que estreou em plena crise financeira, mas certamente não leram os livros e não conhecem a adorável Becky Bloomwood e seu vício incontrolável de outros Carnavais.

Eu sei que a cerimônia do Oscar está chegando e Gran Torino estava passando no mesmo horário mas, assim como acontece com a Becky em frente a uma placa de liquidação, não consegui resistir.

08 fevereiro, 2009

A Faxineira Ideal


Você a descobriu por acaso. Está na casa de uns amigos brasileiros e uma pessoa comenta "a faxineira ontem limpou todos os vidros". Você quase engasga com a picanha deliciosa do amigo gaúcho.

- O quê? Você tem faxineira e não me contou?
- Tenho, ela é ótima.
(uma outra amiga entra na conversa)
- Ela até tira as coisas do lugar para limpar.
- Você também?
(sentindo-se traída, excluída, humilhada, revoltada, você exige o telefone da moça e liga para ela imediatamente)
- Então a gente se vê no próximo sábado. Estou tão feliz que encontrei você!

As amigas comentam "você nem sabe se vai gostar dela". Tolinhas, como se houvesse alguma possibilidade de eu não gostar de uma faxineira (qualquer uma) depois de 9 anos de exílio no Primeiro Mundo. Ha ha ha, esta foi a piada do ano!

Depois da semana mais longa de que se tem notícia, chega o sábado. E, com ele, a moça. Você cata correndo os brinquedos da sala para não matar a santa criatura de susto e lembra, chateada, que não fez uma sobremesa especial para esperá-la. Fica na dúvida se deve oferecer a massagem nos pés antes ou depois da faxina.

Ela começa pelos banheiros, para dar tempo de você colocar a louça na máquina e tornar a cozinha ao menos decente. Você observa, maravilhada, que ela limpa até os lugares situados no universo paralelo: embaixo do sofá (e não é que ele não está parafusado no chão e é removível?), atrás da TV, por cima dos livros na estante, sob o tapete! Você pensa que é impossível juntar poeira debaixo do tapete, mas não discute que, como faxineira, você daria uma ótima madame.

A cada vez que você cruza com ela, agradece pela abençoada presença e pensa em acender uma vela em Ação de Graças.

Ela avisa que, na próxima semana, vai trazer um produto especial para limpar o forno. Isso se você quiser que ela volte, claro. Como assim? Não podemos assinar um contrato vitalício a partir de agora? Você não a agradou o suficiente para que ela cometa o sacrilégio de pensar que você talvez não a queira para sempre?

No final, ela entrega um cartãozinho. Não pode ser real. Você se belisca para ver se não é alguma alucinação visual e auditiva. Além de faxina, ela faz depilação a domicílio! E ainda conversa na saída, com seu filho: "Você é muito educado e estou impressionada de ver como você fala bem português". É perfeita, embora, para os seus padrões, contanto que ela não agrida a criança e limpe, seria maravilhosa.

Dois dias depois, seu Pacotinho de Bagunça procura por um DVD e encontra a caixa vazia:
- Cadê Cebolinha na televisão, Mamãe?
- Não sei, Filhote.
- Sumiu. Vamos procurar, Mamãe?
- Quem foi que perdeu?
- Foi Graciela.
(aquilo é uma facada no seu coração)
- Que isso, Filhote? Graciela pode TUDO nesta casa. Se ela quiser seu DVD do Cebolinha, você oferece também o do Cascão, do Nemo, do Alladin, mas nada de colocar a culpa nela. A partir de hoje, é nossa santa de devoção no Iglu.

O menino não entendeu nada. Ainda não sabe apreciar as maravilhas importadas do Terceiro Mundo.

06 fevereiro, 2009

Você chama seu filho de macaco?

O Marido Gringo traz seu Amigo Gringo de Infância para jantar. Inesperadamente, sem avisar nada.

A Dona-de-Casa Desorganizada avisa logo para não reparar na bagunça, sabe como é, casa que tem criança pequena... Uma frota de pequenas escavadeiras, rolos compressores, guindastes e similares suficientes para construir uma Dubai em miniatura, tudo espalhado no chão da sala. Pilhas e pilhas de louça na cozinha (tomara que ele acredite que o menino de 2 anos e meio brinca de chef), ai ai...

O Amigo Gringo acabou de chegar do Brasil, onde foi passar o Reveillon. Voltou deslumbrado com a descoberta de que, em algum lugar do mundo, as pessoas ficam ao ar livre à meia-noite, em pleno mês de dezembro.

Aí a Mãe Brazuca vira-se para o filho e diz: "Filhote, vamos tirar os sapatos?"

E o Amigo Gringo, triunfante com seus conhecimentos de português declara: "eu sabia que já tinha ouvido isso em algum lugar! Você chama seu filho de macaco."

- O quê?
- No Rio, eu subi uma trilha na floresta e havia um monte de macaquinhos.
- ???
- Os brasileiros que estavam com a gente começaram a gritar: "Tem filhote! Olha o filhote!" Eu sabia que já tinha ouvido isso, mas não lembrava onde. Agora lembrei. Vocês dois chamam o menino de Filhote. Tão curioso chamar o filho de macaco!

03 fevereiro, 2009

The Curious Case of Benjamin Button



Para quem é fã de Forrest Gump (meu filme favorito de todos os tempos), este filme é um deleite. Nem sei quais são os outros candidatos ao prêmio de melhores efeitos especiais, mas certamente Benjamin Button é forte concorrente.

Os críticos falaram muito do Brad Pitt, mas as interpretações de que gostei mesmo foram a da Cate Blanchett e a da atriz que faz o papel de Quinny.

O final é melancólico, mas o enredo todo, apesar de nonsense, é muito interessante.

Ainda faltam alguns candidatos ao Oscar para serem conferidos e, como este ano a premiação ocorrerá mais cedo do que de costume, é preciso fazer uma maratona para conseguir ver tudo antes da cerimônia. Sempre gostei de assistir aos candidatos antes, para ter minhas próprias preferências.

Entre este e o Slumdog Millionaire, fico com o segundo para melhor filme, embora não tenha dúvidas de que Benjamin Button já é um clássico.