Como Mamãe já imaginava, foi infinitamente mais fácil viajar de Vancouver a Brasília com um bebê de 6 meses (o computador brazuca recusa-se a colocar o link: "http://flaviamandic.blogspot.com/2006/12/o-pacotinho-colorado-diretamente-do.html") do que com uma criança de 2 anos, que protesta veementemente quando a funcionária da segurança do aeroporto exige que ele tire os sapatos e coloque seu tratorzinho na máquina de raio-X. Aliás, regras de segurança à parte, que dispositivos bélicos poderiam estar escondidos dentro de um brinquedo que literalmente cabe numa caixa de fósforos?
Notas de viagem:
And the Oscar goes to:
- a alma caridosa e sensata que colocou um escorregador gigante na sala de embarque para os Estados Unidos no aeroporto de Vancouver (deveria ser obrigatório em todos os aeroportos do mundo);
- meu Irmão Prático, que criticou minhas malas ultrapassadas de duas rodinhas e sugeriu que eu comprasse somente as que tivessem quatro rodinhas (deveria ser proibida a venda de malas de duas rodinhas, já que a diferença é equivalente a trocar um fusca 70 por um carro novo de câmbio automático e direção hidráulica);
- o gênio que inventou o DVD player portátil para entreter Pacotinhos de Tédio dentro do avião;
- o carrinho de bebê Quinny (com esta internet banda lenta e com a impaciência que é característica do meu ser, impossível esperar meia hora para encontrar o link), o modelo mais compacto do mercado depois de fechado, além de leve e comfortável de ser empurrado.
E o troféu abacaxi vai para:
- a bateria do DVD player (como assim só dura 3 horas?);
- carrinhos de bagagem dos aeroportos de Guarulhos e Brasília, que não comportam uma criança pequena sentada (quem teve a infeliz idéia de substituí-los pelos antigos que tinham buracos para as pernas da criança deveria tentar empurrar o carrinho com as malas enquanto carrega o filho nos braços, sem outro adulto que ajude, para ver se é mole ou deixar a saltitante criatura de 2 anos correndo pela esteira de bagagens);
- a chuva e a temperatura de 13 graus em São Paulo, em plena primavera (estava menos frio e mais ensolarado em Raicouver).
Rolaram alguns protestos básicos por parte do Pacotinho de Insatisfação durante a viagem. "Por que entregar meu carrinho novo na porta da aeronave? E se não devolverem depois?" "Eu, hein? Aquela moça lá fora já me fez tirar o sapato, agora minha mãe quer que eu tire para dormir? Não tiro mesmo!" "Como assim a pessoa não pode ficar pulando pelo corredor do avião no terceiro vôo em menos de 24 horas até a hora do pouso? Logo agora que fiz amizade com esta menina do meu tamanho, aparecem com esta. Nenenzinha, come here!"
Um bebê de 6 meses não reclama da maioria das coisas que uma criança de 2 anos considera absurdas, mas em compensação não vê o desenho do macarrão estilizado no logotipo do Chinese Fast Food no aeroporto e arranca gargalhadas cantando "minhoca, minhoca, me dá uma beijoca..."
Embora pelos motivos que a motivaram, a viagem seja "bittersweeet" (algo que evoca sentimentos bons e ruins ao mesmo tempo), é uma delícia estar de volta ao Quadradinho. Desde criança, digam o que disserem os reclamantes de plantão, eu AMO a seca de Brasília. Que eu saiba, somos três na Associação dos Amantes da Seca do Planalto Central: minha Santa Irmã, minha melhor amiga e eu. Sabe aquele povo que passa mal durante a seca? Nenhuma de nós três se encaixa. Ainda bem que a chuva ainda não chegou com força total por aqui. Se quisesse chuva, não sairia nunca de Raincouver.
25 setembro, 2008
18 setembro, 2008
Colhendo o que se plantou
O telefone toca. As notícias do Brasil não são muito boas. Mamãe desliga o telefone chorando. Papai vem dar um abraço solidário. Pacotinho de Esconde-esconde sai de trás da cortina, agarra a primeira perna que encontra e diz "hug".
Mamãe está chorando. Pacotinho de Empatia não se lembra de já ter visto a mãe chorando (ou adulto nenhum, provavelmente), mas entende e solta um: "Mamãe tá tiste". Chega bem perto do ouvido dela e diz baixinho "cochiche. Eu te amo."
E este tempo todo, quando ele repetia "eu te amo" após ouvir, Mamãe achava que ele não sabia o que a frase queria dizer ou quando seria um bom momento para ser dita.
Tomara que ele se lembre de dizer isso durante a viagem inesperada ao Brasil. Mamãe vai precisar da colaboração da saltitante criatura por quatro aeroportos e muitas horas de viagem, sem nenhum outro adulto conhecido para ajudar.
Mamãe está chorando. Pacotinho de Empatia não se lembra de já ter visto a mãe chorando (ou adulto nenhum, provavelmente), mas entende e solta um: "Mamãe tá tiste". Chega bem perto do ouvido dela e diz baixinho "cochiche. Eu te amo."
E este tempo todo, quando ele repetia "eu te amo" após ouvir, Mamãe achava que ele não sabia o que a frase queria dizer ou quando seria um bom momento para ser dita.
Tomara que ele se lembre de dizer isso durante a viagem inesperada ao Brasil. Mamãe vai precisar da colaboração da saltitante criatura por quatro aeroportos e muitas horas de viagem, sem nenhum outro adulto conhecido para ajudar.
11 setembro, 2008
SAL do Iglu para Deby
Do computador gringo do hospital:
O Ravi tem razao, "crap" eh uma palavra chula. "Shit" seria o m* em portugues e "crap", um equivalente a "bosta".
Palavroes mesmo em ingles sao os que envolvem termos religiosos. Falam "Gosh" e "Gee" para evitar usar os nomes de Deus e Jesus em vao. Uma colega outro dia comentou horrorizada que o filho de 6 anos havia dito "Oh, my God" e disse que se a avo ouvisse isso, ela estaria em maus lencois. O menino trocou por "oh, my Gosh" e todos ficaram felizes. E assim surgem os "Holy Smokes" e "Holy Cow" da vida...
O Ravi tem razao, "crap" eh uma palavra chula. "Shit" seria o m* em portugues e "crap", um equivalente a "bosta".
Palavroes mesmo em ingles sao os que envolvem termos religiosos. Falam "Gosh" e "Gee" para evitar usar os nomes de Deus e Jesus em vao. Uma colega outro dia comentou horrorizada que o filho de 6 anos havia dito "Oh, my God" e disse que se a avo ouvisse isso, ela estaria em maus lencois. O menino trocou por "oh, my Gosh" e todos ficaram felizes. E assim surgem os "Holy Smokes" e "Holy Cow" da vida...
09 setembro, 2008
Quap!
Sou uma daquelas pessoas contidas, que têm dificuldade de falar palavrões. Embora ache que seja o estilo de muitos e raramente me sinta incomodada por quem fala, não consigo. Alguns são impronunciáveis para mim, mas na língua dos outros é tão fácil!
Dizem que a gente se torna totalmente bilíngüe (não tem jeito, enquanto não baterem aqui na porta com ordem judicial para eu tirar o trema, continuarei com ele e a reforma que me perdoe) enquanto não dá uma topada com o dedão e solta uma palavra na segunda língua. Já abandonei a M... (até para escrever eu sou travada) e incorporei o "crap" em tais situações há muitos anos. Marido Gringo é muito pior, adora chamar os objetos de "fucking stupid" (olha como é simples em inglês, escrevo sem problemas) e também manda um "crap, crap" quando derruba alguma coisa (digamos que, toda noite, ao limpar a cozinha).
Dado o histórico familiar, não deveria ter causado surpresa a cena de ontem à noite. O Pacotinho de Dedinhos Nervosos, que adora mexer no aparelho de nebulização com curiosidade inversamente proporcional ao seu desejo de ficar atrás da máscara (imagino que a qualquer dia o Child Protection Services vai bater aqui no Iglu, acionado por um vizinho assustado com os gritos do garotinho aparentemente sendo frito em óleo fervente), derrubou a medicação líquida que estava no copinho quando tentava encaixar a máscara. E logo ele disse, num tom de raiva:
- Quap!
- Você ouviu o que ele disse?
- Ouvi.
- Viu? Quem manda ficar falando isso, já pedi para maneirar nas palavras.
- Nós dois falamos isso!
(caem várias peças no chão)
- Quap, quap, quap!
(gargalhadas gerais, nota zero para os pais em termos de disciplina. A cena foi hilária).
Pensamos juntos, mas não dissemos: Crap! O menino aprendeu e já está falando isso.
Dizem que a gente se torna totalmente bilíngüe (não tem jeito, enquanto não baterem aqui na porta com ordem judicial para eu tirar o trema, continuarei com ele e a reforma que me perdoe) enquanto não dá uma topada com o dedão e solta uma palavra na segunda língua. Já abandonei a M... (até para escrever eu sou travada) e incorporei o "crap" em tais situações há muitos anos. Marido Gringo é muito pior, adora chamar os objetos de "fucking stupid" (olha como é simples em inglês, escrevo sem problemas) e também manda um "crap, crap" quando derruba alguma coisa (digamos que, toda noite, ao limpar a cozinha).
Dado o histórico familiar, não deveria ter causado surpresa a cena de ontem à noite. O Pacotinho de Dedinhos Nervosos, que adora mexer no aparelho de nebulização com curiosidade inversamente proporcional ao seu desejo de ficar atrás da máscara (imagino que a qualquer dia o Child Protection Services vai bater aqui no Iglu, acionado por um vizinho assustado com os gritos do garotinho aparentemente sendo frito em óleo fervente), derrubou a medicação líquida que estava no copinho quando tentava encaixar a máscara. E logo ele disse, num tom de raiva:
- Quap!
- Você ouviu o que ele disse?
- Ouvi.
- Viu? Quem manda ficar falando isso, já pedi para maneirar nas palavras.
- Nós dois falamos isso!
(caem várias peças no chão)
- Quap, quap, quap!
(gargalhadas gerais, nota zero para os pais em termos de disciplina. A cena foi hilária).
Pensamos juntos, mas não dissemos: Crap! O menino aprendeu e já está falando isso.
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