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27 setembro, 2013

Por que?

Às vésperas de completar 3 anos, Fofolete é uma máquina perguntadeira:

- A gente vai sair, Mamãe?
- Sim, a gente vai ao shopping.
- Por que?
- Pra comprar o presente da sua amiga.
- Por que?
- Porque amanhã é aniversário dela.
- Por que?
- Porque foi o dia em que ela nasceu.
- Por que?
- Por que você fica perguntando 'por que' pra tudo?
- Porque eu sou pequenininha.

Contra fatos, não há argumentos.

24 setembro, 2013

Crescendo na Torre de Babel

Fofolete ganha uma boneca que, como todos os brinquedos da atualidade, vem amarrada com metal na caixa pelo pescoço, tornozelos e punhos. Pede ajuda à Mamãe para retirar o pobre brinquedo da sua cama de torturas. Mamãe consegue soltar os pulsos da coitada com a tesoura, mas a libertação do pescoço exige ferramentas específicas. Então, Fofolete escuta:

- Isso aqui só com alicate. Vai lá perguntar pro seu pai onde está o alicate.

Ela sai caminhando pelo corredor e repetindo: "a-ba-ca-te, a-ba-ca-te". É corrigida:

- Não! É A-LI-CA-TE!

Chega até o pai e fala, na língua dele:

- Bla bla bla alicate.

O pai pergunta:

- Bla bla bla "alicate"?

E ela, sem saber como se diz alicate em servo-croata ou em inglês, vibra de felicidade:

- Mamãe, o Tata falou "alicate"!

24 junho, 2013

Desculpas Esfarrapadas Aos Dois Anos e Meio

Você está na cozinha preparando uma lasanha pro jantar. Aí vê sua filha de 2 anos e meio apoiada na última gaveta do armário da cozinha, para poder alcançar a primeira. Calmamente, ela tira o rolo de durex e avisa:

- Eu preciso de durex pro bebê.
- E pra que seu bebê precisa de durex?
- Porque a mão dele está toda grudada.

Ela sempre tem uma razão sem pé nem cabeça, mas das coisas de que certamente você vai sentir falta é da vozinha infantil, pronunciando corretamente todas as sílabas: "gru-da-da". Sim, ela fala "daGRÃO", "PRAtícia", "PREdo" e diz o S com a língua entre os dentes, como o saudoso Cazuza, mas ainda assim tem uma dicção muito boa pra idade dela (considerando que fala 3 idiomas). Quer dizer, tinha, porque alguns meses em companhia da babá de Londrina e agora você precisa corrigir o R de poRta, pra ela falar como brasiliense (ou carioca), ao invés daquele R do interior do Paraná ou de São Paulo...

22 junho, 2013

Conversa de Criança

Papo de aniversário. Mamãe comenta com Fofolete:

- Vamos pegar o bolo do seu irmão.
- Bolo de chocolate?
- Não, ele não gosta de chocolate. Bolo todo branco. Se você quiser, no seu aniversário, a gente compra um bolo de chocolate.
- Não! Eu não quero bolo de chocolate! Eu quero bolo de BAI-LA-RI-NA.

05 junho, 2013

Coisas que escuto no Iglu

Fofolete montando sozinha o quebra-cabeças do "daGRÃO". Começa a encontrar as peças do unicórnio e avisa:

- Mamãe, o cabelo do unicórnio chama crina.

E fala os "erres" perfeitamente. Como vou sentir saudade desta voz tão engraçadinha aos 2 anos e meio!

26 maio, 2013

Coisas Que Escuto no Iglu

Fofolete está no quintal, tentando sentar no balanço. Ela não alcança e grita:
- Mamãe, me ajude! (a gente fala ajudA, não se sabe de onde saiu ajudE).
- Mamãe está ocupada.

Quando Mamãe pode ajudar, vê a menina de barriga no balanço, indo pra frente e pra trás.
- Ainda precisa de ajuda?
- Já estou me ajudando.

***
Na cama, lendo antes de dormir, Fofolete comenta:
- Eu vou pro Brasil sozinho.
Mamãe pergunta:
- Você vai soziNHA? Não quer ir com a gente?
- Não, eu vou sozinho.
O Pacotinho de Bom Senso alerta:
- Você não pode ir sozinha, não sabe chegar lá.
- Eu vou com a C. (a prima de 9 anos)
Ele não se contenta:
- Mas o Vovô não vai ficar esperando você, ele não sabe que você vai chegar.
- O Tio P. (pai da prima) vai chegar.

Não só é independente, como tem solução pra tudo.

19 maio, 2013

A Fase do Cadê

O Pacotinho de Curiosidade Infinita certamente teve a fase de perguntar o porquê de tudo. Provavelmente a maioria das crianças tagarelas passa por ela. Agora ele está na fase de inventar explicações quando alguém faz uma pergunta e nenhum dos presentes sabe a resposta.

Fofolete está atualmente na fase do "cadê". Para alguém que acredita piamente que, ao tapar os olhos com as mãos, ela está completamente invisível, é compreensível que "cadê" seja informação de suma importância.

Um exemplo típico é quando alguém vem visitar, despede-se, sai, a porta se fecha. Exatos treze segundos depois ela começa:
- Cadê Fulano?
- Foi embora.
- Mas cadê?
- Foi pra casa dele.
- Cadê?

E durante a semana ela pergunta pelos coleguinhas da oficina de português (acontece todos os domingos, merece um post à parte):
- Cadê Beltraninha?
- Está na casa dela.
- Mas cadê?
- Não dá pra ver, está na casa dela.
- Cadê?

Hoje, quando saiu com o pai e viu que a mãe ficou em casa, perguntou no caminho:
- Cadê Mamãe?
- Mamãe está em casa.
- Não. Está no Brasil.
- Mamãe está em casa.
- No Brasil.
- Está em casa...
E, depois de ouvir o caminho todo que a Mamãe está no Brasil, quando chegam na garagem e o pai ouve pela trocentésima vez "cadê Mamãe?", ele responde que Mamãe está no Brasil e escuta:
- Não, o carro dela está na garagem. Ela está em casa.

Por que ela pergunta mesmo quando já sabe a resposta?


27 março, 2013

Coisas Que Escuto Aqui no Iglu

Pacotinho de Viagens sonhando com a ida ao Rio de Janeiro:

- A gente pode ir ver a estátua?
- Do Cristo Redentor? Claro!
- Não tem uma montanha que se chama Pão de Queijo?
- Pão de Açúcar.

***

Fofolete cai na escada, levanta sozinha, olha pro joelho e choraminga ao ver a meia-calça furada:
- A tampa da meia quebrou!

E nem reclama do joelho ralado, sangrando.

19 março, 2013

Vaidade, Teu Nome é Fofolete

Você, antes de ter filhos, olhava horrorizada para aqueles meninos com as calças rasgadas no joelho e pensava consigo mesma "que mãe desleixada!". Agora que você sabe que em 3 meses no máximo uma calça nova (de qualquer tecido) estará rasgada no joelho e que sim, seu filho vai continuar usando-a do mesmo jeito, passou a observar que "aqueles meninos com as calças rasgadas" são todos os meninos entre 5 e 8 anos (você ainda não prestou atenção na faixa etária muito longe da do seu filho). Mães desleixadas de meninos ativos unidas jamais serão vencidas.

E, da mesma forma que você criticava mentalmente as mães desleixadas dos meninos, ouvia com ceticismo os casos das garotinhas que se recusavam a sair de casa se não estivessem de vestido. E você ainda pensava que isso seria a partir dos 5, 6 anos. Ha ha ha, diria você hoje para alguém que pensasse assim.

Fofolete, antes de completar 2 anos e meio, decidiu que só dorme de camisola. Não tem frio, nem cobertor caído no chão, nem pijama bonitinho que a faça mudar de ideia. Não tem conversa, nem nada. Ganhou 2 camisolas "de princesa" do tio, que ficaram devidamente escondidas desde o Natal, mas foram encontradas por ela no fundo da gaveta. E, desde a descoberta, os pijamas foram todos aposentados. E outra noite ela chorou por 40 minutos, enquanto o pai ainda achava que conseguiria convencê-la a pelo menos vestir uma calça de pijama por baixo da camisola. E ele perdeu.

No domingo, voltando da "aula de pocudês" (português, para os maiores de 2 anos), ao perceber que o carro estava no caminho de casa, Fofolete adiantou-se "dormir de camisola de princesa. Camisola ROSA". Ela já avisa a vários quarteirões de distância, para evitar a discussão depois do banho.

Ela abre as gavetas, descobre vestidos de verão escondidos e decide que, apesar dos 6 graus Celsius, é hora de "vestido de florzinha" ou "vestido de bairalina" (assim mesmo, com o R no lugar do L). Para convencê-la a colocar a meia-calça por baixo do vestido, somente apelando para o único argumento que funciona: o da vaidade. Enquanto o verão não chega (cá pra nós, nem a primavera de verdade), tem funcionado distraí-la com a escolha dos sapatos para calçar a meia. Ela vai pensando no sapato, alguém calça as meias rapidamente. E as botas de chuva cor-de-rosa são as eleitas mesmo em dia de sol.

A ditadura do rosa nem sempre é escolha das mães, como você tem comprovado. Com 2 anos, ela gravita em torno desta cor e, sempre que há opção, ela opta pelo rosa, mesmo tendo todas as cores (inclusive preto) no armário. E quando alguém sugere qualquer outra cor, ela responde "não combina".

Mesmo com a discussão matinal diária com o pai na hora de decidir o que vestir, todos estão de acordo num ponto: esta idade em que eles falam tudo, manifestam sua própria opinião com aquela vozinha deliciosa é trabalhosa mas é uma delícia! Vontade de filmar todo dia as conversas dela (o que seria fácil na era do iPhone, iPad e etc, mas ela é quem quer filmar e fotografar tudo sozinha).

14 fevereiro, 2013

Fofoletices aos 2 anos e 4 meses

Nesta fase em que a criança aprende várias palavras novas todo dia, ela se torna, além de uma tagarela, uma fonte inesgotável de tiradas hilárias. E, como não sai filho calado neste Iglu, Fofolete não é exceção.

A Mamãe Desafinada cantarola (ou tenta):
- Eis aqui este sambinha feito de uma nota só, outras notas vão entrar, mas a base é uma só...
E Fofolete completa:
- Rá rá rá, ró ró ró, ela tem é uma só.

***

O Pacotinho de Valentine's Day sai da aula e mostra, orgulhoso, o pacote cheio de cartões e balinhas que ganhou no dia de hoje. Fofolete não vacila e grita animada:
- Trick or Treat!

***

Fofolete enrola pra tomar o café da manhã e é advertida:
- Come sua comida, porque a gente vai sair e você vai ficar com fome, pedindo pra comprar comida na rua.
- Sim, por favor. É mais gostoso!

***

A amada, idolatrada, salve salve super eficiente moça que toma conta das crianças pra Mamãe trabalhar tem uma pasta de documentos e Fofolete pergunta:
- O que é isso?
- São os currículos, porque a V. está procurando emprego.
- A V. vai trabalhar no Safeway! (rede de supermercados).

PS: Não, a V. não vai trabalhar no Safeway, que ela merece coisa muito melhor. E a gente vai sentir muita falta dela, depois de 1 ano e meio de impecáveis serviços, mas quem diria que Fofolete sabe o significado da palavra "emprego"?






25 outubro, 2012

Passando Mal com Bom Humor

Provavelmente, aos 2 anos, é a única idade na vida em que você pode acordar passando mal, vir pra cama dos seus pais, vomitando trocentas vezes, mantendo um sorriso a cada troca de pijama, de lençol, de fronhas e ainda arrancar gargalhadas quando aponta para o próprio vômito e comenta numa vozinha fofa:

- Tem pedacinhos!

E também somente nesta idade você é capaz de passar a noite em claro, vomitando e tendo sua roupa trocada a cada meia hora e levantar de manhã com o maior bom humor.

Ah, que vontade de congelar a Fofolete!

20 outubro, 2012

Heróis Confusos


Fofolete revirando o baú de brinquedos, encontra uma espada do irmão e começa a cantar: Batman, Batman, Batman...

Até outro dia, eram só o Capitão América e o Homem Aranha que mereciam a trilha sonora do Batman. Mas é preciso evoluir sempre.

02 setembro, 2012

Sessão Coruja. Ou Seria Sessão Papagaio?


CD ligado no carro, Fofolete cantando junto com a música no banco de trás: "Borboletinha 'tá na cozinha fazendo chocolate para a Marina".

Ela ainda não completou 2 anos e pronuncia direitinho o R do nome dela. E de "coração", "cadeira" (que ela agora arrasta pra mexer nos armários altos, no microondas...) e de "banheiro" (onde ela sobe no vaso para mexer no armário e pegar Band-Aid).

20 agosto, 2012

Vaidade, teu nome é mulher

O verão durou 2 semanas e foi embora. Então, com a temperatura de 17 graus durante o dia, não dava pra dormir de pijama curto. Mamãe separa para a Fofolete uma calça de pijama comprido com uma blusa de manga curta, porque também não está fazendo frio. A parte de cima e a de baixo não são do mesmo conjunto.

Papai termina de dar banho na Fofolete e Mamãe escuta os protestos do outro quarto. Chega perto e encontra a menina aos  prantos, vestida com a calça de borboletas e batendo no peito nu, enquanto diz entre os soluços:

- Borboleta meu.

E só sossegou quando colocaram nela a parte de cima do pijama de manga comprida, com as borboletas combinando, claro.

29 julho, 2012

Quem?

O tio da Fofolete tem um chaveiro como este da foto. Ela pega e imediatamente começa a cantar: "Nanananananan Batman, Batman, Batman". O avô escuta e pergunta: "É neném que ela está falando?"

03 julho, 2012

Abraço Virtual

Estão sentadas na cama, mãe e filha. O programa na TV é Master Chef, que obviamente só interessa à primeira. O laptop está aberto em cima do cobertor (o que, em julho, parece um absurdo, mas o verão não deu o ar nem o calor de sua graça em Vancouver este ano).

Fofolete então vê no laptop uma foto bem pequena da mãe, menor que uma foto 3X4. E, imediamente, ela se abaixa e fala para a foto "Oi, Mamãe, abraço". Abre os braços e segura o computador.

A fofura imprevisível de uma pessoa com 1 ano e 9 meses de idade é deliciosa.

25 junho, 2012

Abre-te Sésamo

Muitas crianças pequenas são fascinadas por chaves. Fofolete, além de amar chaves, ama sair de casa. Vive pedindo "rua", "lafóua" (lá fora), ainda que tenha acabado de entrar em casa minutos antes.

Como já "esqueceu" o chaveiro com as chaves do carro e da casa no quintal (que levou 3 semanas para ser encontrado, caído ao lado da caixa de areia), ela tem acesso restrito ao objeto de desejo.

Ela adora ficar na porta da garagem, tentando inutilmente abri-la, pedindo a bendita chave. E a mãe tenta distraí-la com outra coisa:

- Não estou com a chave. Vamos ver se tem morango maduro no jardim?

- Chave casa (dizendo isso, ela sobe a escada e entra em casa).

- Você acha que a chave está em casa?

Entram em casa, a mãe fingindo que está procurando a chave e não encontra.

- Bolsa!

- Não está na bolsa.

- Perdeu.

- É, perdeu. Por isso que não pode ficar brincando com a chave.

Saem para o quintal. Molham as plantas, colhem uns morangos, o tempo passa. Uma hora depois:

- Está na hora de buscar seu irmão. Vamos? (ela responde com as palmas das mãos viradas para cima e uma expressão de quem diz o óbvio a um bobo)

- Não tem chave!

13 junho, 2012

Apresentando Tupai

Não se trata de um novo amigo imaginário do Iglu. Mifino mantém sua cadeira cativa há mais de 2 anos, aparecendo esporadicamente em algumas épocas e diariamente em outras (estamos na fase de aparições diárias do Mifino que, por coincidência, parece que também está para completar 6 anos de idade por estes dias).

O Pacotinho de Linguagem sequer conhecia a palavra "pai" antes de sua primeira viagem ao Brasil como um ser falante. Sempre chamou o pai de Tata, como na língua paterna. Passou a usar a expressão "meu pai" bem depois, lá pelos 3 anos, tem até um post sobre o evento marcante.

Com a Fofolete foi diferente. Escuta o irmão mais velho falando "meu pai" e ouve a mãe dizendo "seu pai" então, embora ela mesma o chame de Tata, quando encontra alguma coisa pela casa que pertence ao pai, avisa: - Óculos Mamãe não, óculos Tupai. - Papacete Tupai.(capacete do seu pai) - Vivo Tupai. (livro do seu pai)

Isso se for algo que não é de interesse dela no momento. Caso contrário, ela diz "da Maína" (da Marina), com uma risadinha cínica. Ou, melhor ainda, "Maína não. Fo-fo-le-te", com o dedinho indicador em riste.

É fascinante esta fase de desenvolvimento da linguagem. A rapidez com que palavras novas são adicionadas ao vocabulário e o comprimento sempre crescente das frases são impressionantes. Deve ser um truque evolutivo de sobrevivência. A fim de compensar as birras e a absoluta incapacidade de negociação comuns da idade, só mesmo com uma fala muito engraçadinha para não serem colocados à venda no Craig's list num fim de tarde cheio de choradeira, banheiro alagado, comida derramada no chão e corrida para vestir o pijama.

10 junho, 2012

Falando com os Animais

Ela ainda vai completar 2 anos no último dia de setembro. Mora numa casa onde se falam 3 idiomas e, contrariando a ideia geral de que criança exposta a mais de uma língua demora mais a falar, ela encontra um gato na rua, abaixa-se e pergunta, em bom português: - Tudo bem, gato?

Aí, rouba a câmera da mãe, aponta pro gato e diz: - Xiiiiis, gato!

O gato, obviamente canadense, não respondeu nem em miauês, mas sendo um santo felino de paciência infinita, aturou calmamente Fofolete e Pacotinho de Carinhos tentando deitar a cabeça em cima do pobre coitado animal.

23 maio, 2012

Fofolete Questionadora

Você sabe que comeu demais a comida da rua no jantar durante a semana quando, no feriado de segunda-feira, coloca na mesa uma lasanha feita por você e sua filha de 1 ano e 7 meses pergunta:

- Anhanha?

- É lasanha.

- Uxi?

- Não, hoje não tem sushi.

- Pita?

- Não, hoje não tem pizza.

- Moço pita?

- O moço da pizza não vem hoje.