30 junho, 2011

Nove Meses



"Fofolete,

Hoje você completou 9 meses. Quantas mudanças neste último mês!

Você engatinha pela casa toda, levanta-se com apoio, já está difícil dar banho em você sentada, porque você fica em pé e ainda mexe nas torneiras, até abrir e ver a água saindo. Você adora abrir as portas dos armários da cozinha e espalhar tudo, já passou da hora de colocarmos trancas (não passa de amanhã).




Lamber sapatos está entre suas atividades preferidas. Você vai achar um absurdo sua mãe ter tirado uma foto de você lambendo um chinelo ao invés de tomá-lo da sua mão. No primeiro filho, a mãe se estressa com isso, no segundo em diante, a gente só olha para ver se o besouro que a criança mastiga alegremente está vivo. Caso contrário, entra como proteína na dieta. Exageros à parte (está no DNA da família materna, será que você também herdou?), sua mãe nunca teve neuras nem no primeiro filho.

Interessante observar como seu processo de locomover-se foi completamente diferente do que teve seu irmão. Ao contrário dele, você nunca se arrastou pelo chão. Ficava sentada, esticando os braços até alcançar o que queria. Se estivesse longe, aí você tentava engatinhar. Na semana em que completou 8 meses, começou a engatinhar de verdade e, a cada semana que passa, fica mais rápida. Caiu umas 3-4 vezes enquanto apoiada sozinha e depois aprendeu a cair sem se machucar. É bem cuidadosa, larga uma mão e cai de bumbum no chão.



Você claramente demonstra ciúmes do seu pai. Vai engatinhando e resmungando atrás dele, se seu irmão está no colo. E, quando seu pai chega do trabalho, nenhum colo no mundo é melhor que o dele.

Finalmente descobrimos seu problema com a comida: você não gosta de papinha. O mesmo alimento que era rejeitado quando amassado e sem tempero vira um prato delicioso se dado em pedacinhos. Você come macarrão com molho de tomate e carne, mas nada de oferecer macarrão insosso! Adorou o feijão (parece tutu) do restaurante mexicano favorito aqui de casa, também mandou ver na guacamole, na tortilla macia e na carne moída temperada que eles servem lá. Come arroz e pepino no japonês onde batemos ponto. Já está comendo a mesma comida de casa, incluindo peixe, frango, só não damos sobremesas. Mudaram novamente as recomendações de introdução de alimentos, agora recomendam evitar somente mel antes de 1 ano. Até agora, nenhuma reação ruim a qualquer comida. Fora de casa, senta no cadeirão sem reclamar. Em casa, só tolera o cadeirão no café da manhã, de resto, come no colo ou sentada no chão. Vai entender...

Hoje foi a consulta de rotina, a primeira desde os 6 meses. Você está no percentil 90de altura e de tamanho da cabeça. A médica até mediu de novo, porque você aparenta ter a cabeça pequena (são os olhos bem grandes que dão esta impressão). E está ligeiramente abaixo do percentil 50 de peso. Está alta e esbelta, embora tenha umas dobrinhas de bebê fofo. Interessante é que no último mês, um monte de gente comentou "como ela é pequenininha!". Você não é miudinha, mas parece que o rosto pequeno com olhos grandes dão esta impressão. Sua mãe e sua prima tem exatamente esta combinação.

Uma pontinha de dente apareceu embaixo. Só isso e já faz umas 2-3 semanas.

Ontem você acordou às 5:30 da manhã e ficou chamando "Mamã, Mamã". Hoje acordou e não deu um pio, então Mamãe não foi lá, bem crente de que você tinha voltado a dormir sozinha. Eis que ela surge no quarto às 06:45 e encontra você sentada no berço, brincando com um ursinho. Será que ficou este tempo todo acordada?



Você dormiu na cadeirinha do carro várias vezes esta semana. Tomara que a moda pegue!

Você está bem falante. Chama "Mamã", engatinhando atrás da própria. Dá gritinhos de felicidade seguindo seu irmão pela casa. Bate palmas para as coisas que faz. Bate dois brinquedos um contra o outro e consegue dar passinhos pela casa com alguém segurando suas mãos.

Esta idade em que você está é muito mais trabalhosa que todas as anteriores juntas. Ficamos de olho nas portas, principalmente as que dão para escadas. As tomadas já estão todas cobertas há muito tempo. Por outro lado, é uma idade deliciosa! Mamãe já sabe que vai sentir muita saudade dos seus gritinhos e da sua pele irresistivelmente macia. É tão gostoso ter um bebê em casa, ainda que seja uma luta para trocar as fraldas...

Mamãe já baniu a música Valsa Para uma Menininha, que temos num CD do carro, porque ela vai dirigindo e chorando aos versos de "Menininha, não cresça mais não", principalmente quando o Toquinho canta "senhorinha levada, batendo palminha...". Falando nisso, seu "bicho papão" do momento é o aspirador de pó. Você chora de medo dele.

Um cheirinho neste pescoço fofo, com muita saudade destes dias corridos e inesquecíveis,
Mamãe".

28 junho, 2011

O Pacotinho de Consolo

Papai Bonzinho dá para a Mamãe uma blusa nova linda. Não é fácil achar blusas (principalmente "lindas") enquanto dura a amamentação. Se você é magrela do peito grande então, é uma tarefa que beira o impossível. Dentro do carro, eles conversam. Ele elogia:

- Você ficou muito bem com esta roupa.
- Adorei a blusa!
- A calça ficou perfeita com ela.
- Pois é, você é um cara de sorte. Esta calça comprei no Brasil, antes de mudar para o Canadá. Doze anos e dois bebês depois, ela cabe em mim perfeitamente.
- A calça é ótima. Incrível mesmo ainda vestir tão bem.
- O único problema de ser magrinha é que, depois de amamentar mais de uma vez, o peito desaparece, mesmo numa magrela peituda feito eu.
- Será?
- Ah, tenho quase certeza.

E o Pacotinho de Consolo, do banco de trás, passa sua mensagem de sabedoria:

- Mãe, depois que a Marina crescer, você não precisa mais de peito.

Após a devida tradução, o pai avisa:

- Sem entrar em detalhes, educadamente, vou discordar.

A mãe também discorda!

26 junho, 2011

O Pacotinho de Observações da Vida

A mãe comenta, 2 semanas antes da viagem ao Brasil:

- Seu cabelo está tão grande! Mamãe queria cortar lá no Brasil, naquele moço que cortou da outra vez, mas acho que vamos ter que cortar antes da viagem.
- Não, Mãe, não está tão grande! (passando a mão nos cachos)
- Está sim, daqui a pouco vão pensar que você é menina.
- Mãe, alguns meninos tem cabelo grande.
- É verdade, alguns tem.
- E ninguém pensa que eles são meninas.
- Não, muita gente pensa que são meninas sim, mas nem todos.
- Alguns meninos tem brinco também.
- É verdade.
- Brinco no nariz, no "chin".
- No queixo.
- É, no queixo.
- Tem até na língua!
- Eu não gosto, acho que dói.
(a mãe suspira aliviada)
- Nem eu.

24 junho, 2011

O Pacotinho de Definições Distorcidas

- Mãe, sabe o que significa "roubar"?
- Fala pra mim.
- Roubar é quando os piratas estão ocupados lá embaixo olhando alguma coisa, a polícia vem e pega as coisas deles.
- Não, meu filho. Piratas são bandidos. Eles é quem roubam as coisas das outras pessoas.
- Dos outros barcos?
- É.
- Quando as pessoas não estão olhando?
- Às vezes até quando elas estão olhando.
- Mãe, quem é a polícia do mar?
- Acho que é a Marinha.
(gargalhadas)
- Mãe, a Marina não é a polícia do mar.
- Eu falei MariNHA.
- Mãe, polícia é herói?
- É, geralmente é.
- Igual bombeiro e ambulância.


Definitivamente, a mãe dele tem muito pouco de alma masculina. Não compreende o fascínio por piratas, que nos filmes são quase sempre sujos, barbudos, com roupas rasgadas... Politicamente incorreta a mãe dele, tsc tsc.

20 junho, 2011

A Mãe Desorientada e o Pacotinho de Orientação Espacial


Ela poderia colocar a culpa no fato de ser de Brasília, uma terra onde não se precisa de mapa, nem de ponto de referência, basta um endereço com 3 ou 4 letras, 2 ou 3 números e mais algumas sequências de letras e números para se chegar a qualquer lugar. Assim mesmo, sem nome de rua, sem avenida, sem perguntar na esquina disso com aquilo. Mas a verdade é que ela nasceu sem bússola e mudou-se para um país onde qualquer criança de 8 anos, no subsolo, recebe a orientação de "vire para o leste e encontrará a saída" e consegue achar o caminho.

Com esta descrição da sua pessoa, obviamente ela achou o GPS a maior invenção do século, quiçá de toda a sua vida (desbancou até o todo-poderoso-outrora favorito TiVo).

E o Pacotinho de Orientação Espacial, que não se esquece de caminho algum, também não se perde e guia a mãe indo na direção errada na saída do shopping ("Mãe, foi por ali que a gente entrou"), já sacou há muito que a perdida da mãe dele não vive mais sem o GPS. Se ela entra no carro e não liga o aparelho:
- Mãe, a moça não está falando NADA. A gente vai ficar perdida.

E hoje, com muita pressa para ir brincar na casa de um amigo, pergunta:
- Mãe, por que a gente ainda não saiu?
- Porque estou escrevendo o endereço no GPS, que eu não sei chegar lá.
- O GPS sabe de TUDO, né Mãe?

Quase. Ainda não me diz que ruas estão engarrafadas, mas parece que tem jeito de programar até isso. Só falta trocar pneu.

17 junho, 2011

O Pacotinho de Educação Infantil

A irmãzinha de 8 meses está naquela fase de engatinhar, ficar de pé com apoio e descobrir o mundo (tradução de mundo: tudo o que é sujo, perigoso, inadequado e inapropriado para bebês) e, obviamente, como fazia o irmão na mesma idade, adora lamber um sapato. A mãe, fazendo a milésima tarefa doméstica antes de 9 da manhã, automaticamente puxa o sapato da mão da Fofolete Sapateira. E o Pacotinho de Educação Infantil imediatamente corrige a mãe:

- Manhiiii! Você não falou 'que nojo!'.
- Esqueci. Que nojo, Fofolete.
- Mãe, não é assim que faz. Primeiro você dá uma outra coisa na mão dela, aí ela solta o que estava segurando. Se você puxar da mão dela, ela chora.

16 junho, 2011

Explorando a Mão-de-Obra Infantil




Em casa onde não há empregada doméstica/faxineira/babá, o lance é explorar a mão-de-obra infantil. O Pacotinho de Ajuda nos Serviços Domésticos começou tarde, estava de férias na mordomia da terrinha quando tinha a idade da irmã, que aos 8 meses já tenta tirar a roupa da secadora.

E, como ninguém é de ferro, depois da trabalheira toda, ela relaxa lendo seus livros favoritos.




Tem muita mãe que acha que recém-nascidos dão muito trabalho, mas eu continuo com a minha teoria de filho é como videogame: a próxima fase é sempre mais difícil. Fofolete só tem 8 meses e já fico tremendo nas bases em pensar na fase entre 1 e 2 anos. Se for como o irmão, a mãe que se vire pra acompanhar a correria.

13 junho, 2011

Seu filho fala português? Qual o segredo?

Há cinco anos (parece que foi ontem), quando o Pacotinho de Surpresas chegou ao Iglu, vários amigos e familiares perguntaram que língua usaríamos para falar com ele. A opinião de muitos era de que ele ficaria confuso, alguns mais otimistas achavam que ele iria eventualmente entender inglês, português e servo-croata mas responderia tudo em inglês. Várias amigas brasileiras casadas com gringos diziam que não teria jeito, que mesmo a mãe falando em português com a criança, eventualmente ela passa a falar somente inglês, por conta da escola. Alguns casais de brasileiros, cujos filhos também não falam português, foram descrentes.

Há cerca de 3 meses, fomos a uma festa onde todas as convidadas eram brasileiras casadas com gringos (nem todos canadenses) e, quando chegou para buscar sua mãe e falou em português, o Pacotinho de Tagarelice causou surpresa. "Quem fala português com seu filho?", perguntou uma convidada. "Em casa, só eu". "Mas meu filho não fala!"

Verdade seja dita, apesar da fluência, segundo a Santa Tia, o Pacotinho de Conversa tem um sotaque de gringo quando pronuncia o R num encontro consonantal, como na palavra "grande". Em algumas ocasiões, é quase palpável o raciocínio dele, com a construção verbal em inglês traduzida para o português:
- O que que é isso pra? (what is this for?)
- Pode eu fazer isso? (can I do that?)
- Quando eu vai no Nikko's casa... (dispensa explicação)

Considerando que ele começou a frequentar a creche, onde só se falava inglês, aos 11 meses de idade, é compreensível este deslize. O fato de não ter uma única célula tímida no corpo ajuda bastante, porque ele se enturma facilmente quando chega de férias no Brasil e, na última ida à terrinha, ainda estava numa idade em que algumas crianças nem pronunciam os RR, então elas não reparam em erros gramaticais. E, se reparam, não excluem o novo amigo por conta disso.

O recado que eu gostaria de passar aos pais brasileiros com filhos pequenos é: não desistam. Persistam. Não precisa ensinar português aos seus filhos, basta conversar com eles na sua língua. Não é difícil, é a língua que vocês falaram a maior parte da vida, aquela na qual se expressam melhor. Peçam aos parentes e amigos no Brasil que evitem dar roupas de presente (as daqui são feitas pra aguentar o tranco de lava-roupa e secadora, duram muito mais) e invistam em DVDs brasileiros ou dublados em português, CDs de músicas ou estorinhas e livros, muitos livros infantis. Desta forma, seus filhos aprenderão vocabulário extra, aquelas palavras que os pais não usam no dia a dia. O Pacotinho de Nostalgia adora assistir aos episódios da década de 70 de O Sítio do Pica-pau Amarelo e foi assim que as palavras saci, Dona Carochinha e tantas outras surgiram aqui no Iglu.

Evitem a todo custo aquelas frases misturadas, tão comuns em reuniões de brazucas, como "Fulaninho, você quer comer chicken? Mommy dá pra você, está yummy.". Se a criança não sabe a palavra em português e manda um "meu sorvete estava dripping", é tão simples repetir "seu sorvete estava PINGANDO?", como acontece pelo menos uma vez ao dia por aqui. Ou será que só eu acho simples e não é?

Talvez algumas famílias não achem necessário nem interessante que os filhos falem português, por qualquer motivo que seja e estão no direito delas.

Sempre me lembro de um amigo da família, filho de pai brasileiro e mãe alemã, nascido e criado na França, que fala português como se tivesse sempre morado no Brasil, mas diz que "gosta de pensar em alemão". Este xará do meu Pacotinho de Surpresas foi minha grande inspiração.

Eu particularmente não falo nunca em inglês com as crianças, nem se estivermos cercados de canadenses. Se for algo pertinente às outras pessoas, eu falo em inglês com elas, mas com meus filhos, sempre em português. É o que se chama OPOL, "one person, one language". A criança aprende a falar sempre na mesma língua com aquela pessoa. E tem dado muito certo. Algumas famílias optam por falar português em casa e inglês fora de casa. Qualquer que seja a opção, ainda não conheci ninguém que se lamente "uma pena meus pais terem me ensinado a língua nativa deles, eu seria mais feliz sabendo somente inglês" e trabalho numa verdadeira Torre de Babel, com um monte de colegas estrangeiros ou filhos de imigrantes. A reclamação contrária é bem comum.

Agora há quem diga que, assim que entrar na escola, ele vai passar a falar somente em inglês. Aguardando as cenas dos próximos anos...

Aprendendo com a Música



A mãe não sabe exatamente quando o filho parou de repetir as letras das músicas feito papagaio e passou a prestar atenção nas palavras, querendo entender o que estava sendo cantado. Um dia, aconteceu. E foi com o CD da Arca de Noé, tão ouvido na versão original em bolachão, quando a mãe era criança (e ela mesma recortou e colou a capa do disco, que na casa dela não era nada parecida com esta do CD).

Na música "O Gato", o Pacotinho de Perguntas Inesgotáveis questiona:
- Mãe, o que é cafuné?
- É um carinho que a gente faz na cabeça de alguém, você gostava de fazer cafuné nos outros pra dormir.
- O gato toma banho passando a língua pela barriga? Eca!

Na faixa "São Francisco", a mãe pergunta:
- Você sabe quem era São Francisco?
- Não.
- Um homem muito legal que gostava dos animais.
Ney Matogrosso canta "lá vai São Francisco pelo caminho, de pé descalço, tão pobrezinho..."
- Mãe, por que o Francisco era tadinho?
- Acho que é porque ele não tinha sapato, andava de pé descalço.
- Ah, Mãe, é porque ele salvava os animais. Sabe quem também salvava os animais? O Tarzan, mas ele não era tadinho não, ele falava "ô ô ô".

Na música "A Pulga":
- Mãe, o que é freguês?
Aí a mãe explica e, na próxima ida ao supermercado, ele pergunta no carro:
- Mãe, hoje a gente 'são' freguês?
- A gente É freguês hoje.

Definitivamente, além de trazer cultura, a nossa cultura brasileira, a música também traz vocabulário e faz a imaginação voar. É uma sensação tão gostosa poder compartilhar os livros, as músicas, coisas que fizeram parte da infância dos pais com os filhos.

12 junho, 2011

Igual ao Marcelo, Marmelo, Martelo...


O Pacotinho de Conversa Fiada está naquela fase do Marcelo, Marmelo, Martelo, personagem-título do clássico de Ruth Rocha.


Enquanto está ajudando a preparar as sacolinhas-surpresa da festa de 5 anos:

- Mãe, esta aqui é a minha.
- Mas você precisa de sacolinha-surpresa? Já vai ganhar tanto presente!
- Claro que sim. O festeiro também ganha sacolinha-surpresa.
- Aniversariante é quem está fazendo aniversário.
- Aniversariante também precisa de sacolinha-surpresa!

10 junho, 2011

Como conseguem?

06:40 - Você acorda, sem despertador. A noite foi boa, seu bebê foi dormir às 19:00, acordou pra mamar 01:40, depois novamente 05:40 e continua dormindo. Você entra no chuveiro.

07:00 - Seu bebê já acordou, brinca feliz na cama com o pai.

07:05 - Enquanto toma seu café e fala ao telefone com sua irmã no Brasil, você dá ao bebê uma banana amassada com abacate e aveia. Aproveita e conta pra irmã que seu carro zero enguiçou na véspera, foi guinchado, você pegou 2 metrôs e um ônibus pra chegar em casa com a filharada e o carro está agora parado no estacionamento da concessionária. Comenta também que já fez e enrolou os brigadeiros e beijinhos pra festa de aniversário do seu filho. Aproveita pra falar mal da sogra, que criticou a quantidade de comida para a festa (achou muita, como sempre e não ajudou a enrolar nenhum docinho, também como sempre).

07:20 - Pega no colo aquela pessoinha imunda, com comida nas sobrancelhas e nos cabelos e leva para dar um banho.

07:40 - Tira do banho e veste aquele polvo epiléptico, lutando contra a criatura que teima em engatinhar e fugir a cada tentativa de colocar um braço na roupa (sim, parece que são 8 braços, tamanho o esforço).

07:45 - Depara-se com o cadeirão de refeição do bebê, que está um nojo de sujo depois do café da manhã. Tira o estofado para lavar, aproveita e tira a roupa lavada da máquina, esvazia a secadora também. O cadeirão, só lavando com mangueira no quintal.

07:50 - Guarda a louça limpa da lava-louças, começa a enchê-la novamente. O bebê diverte-se abrindo a última gaveta e espalhando as vasilhas de plástico no chão da cozinha.


08:00 - Dobra a montanha de proporções alpinas de roupa limpa.

08:15 - Seu outro filho acorda. Você prepara o café da manhã dele, repete pela milésima vez os comandos de escovar os dentes, levantar a tampa do vaso pra fazer xixi, dar descarga e lavar as mãos. E vê quando ele faz xixi sem levantar a tampa!

08:20 - Você descobre que o chão da sala, na parte debaixo do cadeirão está todo preguento. Pega um pano de chão para limpar e, já que começou, aproveita e cata todos os brinquedos espalhados, depois passa pano na sala toda, na cozinha e no quarto das crianças, afinal seu bebê engatinha e cata tudo que acha pelo chão. Decide parar por aí.

08:25 - Seu filho mais velho avisa que a irmãzinha fez cocô, você duvida e continua o serviço.

08:40 - Senta no chão pra brincar com as crianças e espalhar os brinquedos do bebê novamente, quando lembra de ligar na concessionária para ter notícia do carro, mas antes decide fazer uns muffins nutritivos para o filho que é difícil para comer.

08:50 - Você descobre que o menino tinha razão, é hora de trocar fraldas novamente.

09:10 - Os muffins já estão no forno e o bebê está tentando escalar sua perna para mamar.

Durante todas estas atividades, você levanta quinhetas e trinta e sete vezes sua calça jeans 36 que insiste em ficar caindo. E aí você se lembra daquelas mulheres no fórum virtual de amamentação, reclamando que nunca conseguiram perder todo o peso extra ganho na gravidez e outras que engordaram mais depois que começaram a amamentar. E você se pergunta "como é possível? Devem ter muita ajuda em casa e bebês que se sentam quietinhos, enquanto brincam".

09 junho, 2011

E a Família Cresceu

O Pacotinho de Imaginação tem um amigo que só ele vê, o Mifino. Já faz mais de 1 ano que o Mifino frequenta o Iglu de forma esporádica, só que recentemente ele tem feito visitas diárias. Vinda de uma família onde ninguém tinha amigos imaginários, Mamãe dá corda quando ele fala do companheiro:

- Mãe, a irmãzinha do Mifino sabe falar "dadá".
- E o Mifino tem irmã?
- Tem.
- Quantos anos ela tem?
- Dois.
- E já sabe falar?
- Só um pouquinho.
- Como é o nome dela?
- Mifina.
- O Mifino fala português ou inglês?
- Português e inglês.

***
- Mãe, quando a gente chegar no Brasil, a Mãozé vai comprar um filme do Lilo e Stitch.
- Quem é Mãozé?
- A vovó do Mifino.
- E ela mora no Brasil?
- Sim.
- Que coincidência, né? Sua vovó também.
- É.

***
- Mãe, o Mifino está doente.
- Ah, é? Por que ele não come nada, está fraco?
- Não, Mãe. Uma vespa FER-RO-OU o dedo dele.
- Ah, tadinho.

***
- Mãe, o Mifino comprou isso pra mim.
- O que?
- Esta vasilha de manteiga.
- Esta mantegueira? Onde ele comprou?
- Na Round House (centro comunitário local).
- Que estranho, não vendem nada disso na Round House. Quanto ele pagou?
- Zero dólares.
- Zero? Então foi de graça?
- Foi.
(vai ao banheiro, depois volta)
- Mãe, o Mifino pagou vinte dólares.

Interessante notar que o Mifino só aparece nas conversas com a mãe. O pai só ouviu falar do amigo imaginário porque a mãe contou e, mesmo assim ele dá seu pitaco:

- Você acha que isso é normal? Ai, "kind of freakish", eu fico com medo de ele estar mesmo vendo este menino.
- Que nada, ele já disse que o Mifino só aparece quando a gente não está, que é um ser do espaço e tals. Eu também achava que era um menino, mas ele tem os pés iguais ao do E.T.
- Ah, que bom então.

07 junho, 2011

O Pacotinho de Nomenclatura



Passa um carrinho destes na rua, o pai pergunta:

- Sabe como se chama aquele carro?
- Small car.
- É Smart car.
- Smart Car? Eu chamo de "small car".
- Sabe como chama o carro da sua mãe?
- Big car.

01 junho, 2011

8 Meses

"Fofolete,

Você completou 8 meses. Só vai ter consulta aos 9 meses, então não fazemos ideia do quanto você está pesando ou medindo, mas está se desenvolvendo muito bem.

O melhor desta idade é a facilidade para encontrar distrações. Qualquer coisa pode ser um brinquedo. Mamãe fica na cozinha e entrega uma vasilha de plástico, uma colher de pau, uma tampa de sei-la-o-quê e pronto, está garantida a diversão. A cada 5 minutos é preciso trocar o brinquedo, porque você enjoa rapidamente.

Você está quase engatinhando no chão, já consegue engatinhar em cima da cama. Como ainda está frio e o piso é muito liso, não há fricção suficiente com a roupa e você fica deslizando, só consegue ir para trás. Se pudesse ficar só de camiseta e fralda, sem meia, já estaria engatinhando pela casa toda. Já bate palmas há algum tempo, geralmente quando escuta alguém cantando. Outro dia, estava mamando, quando Mamãe começou a cantarolar uma música que estava tocando na TV. Imediatamente, sem tirar a boca do peito, começou a bater palmas.

Você parece mais interessada em ficar em pé do que em engatinhar. Tenta apoiar-se no "ottoman" da sala, para se levantar, mas ainda não consegue erguer-se sozinha. Fica de pé segurando na mão de alguém ou apoiada no móvel.

Outro dia, enquanto estávamos plantando nossa horta, você estava sentadinha lá fora brincando, quando foi pegar um brinquedo e caiu de nariz no cimento. Sangrou, ficou feio e levou umas 2 semanas para sumir completamente.

Você ainda chora na cadeirinha do carro, geralmente quando não tem companhia no banco de trás.

Você voltou a acordar de noite, mas só mama na última acordada, lá pelas 4 da manhã. Aí volta a dormir até às 6 ou 7 horas, com muita sorte, até 07:30.

Sua comida favorita continua sendo pêssego. Você gosta de abobrinha, de banana, de abacate (come toda manhã uma banana grande amassada com abacate e aveia), mas nada se compara à sua cara de felicidade quando come pêssego. Provou gema de ovo esta semana, gostou.

Você ficou gripada novamente este mês, pegou dos meninos dos vizinhos. Ficamos todos bem gripados, menos seu irmão. Você sempre começa a ficar resfriada pelos olhos, que ficam cheios de secreção. Aí, no dia seguinte, o nariz fica congestionado. Desta vez, você não teve tosse, ao contrário dos adultos da casa.

Você é o bebê mais curioso que a maioria das pessoas que nos conhecem já viu. Fica pendurada no Ergo Baby, virando de cabeça para baixo para ver o que está acontecendo atrás de você. Hoje fez isso no Aquarium, enquanto Mamãe conversava com a moça da loja e ela comentou "this is hilarious!", quando a viu pendurada tentando enxergar o rosto de onde vinha aquela voz.

Você tem tirado sonecas mais longas durante o dia. Esta semana, chegou a dormir mais de 1 hora pela manhã, parecia um milagre! Ainda precisa de dormir 3 vezes de dia e, se perde o último cochilo do dia, fica bem difícil dar seu jantar.

Você faz muitos barulhos com a garganta, raramente balbucia um "mama" e sempre chora vibrando a língua no céu da boca "arrrrrrrr".

Você parou de chorar no colo da Baka e do Deda, eles estão tão felizes! Vamos ver como será quando voltarmos da viagem ao Brasil, se vai estranhá-los novamente.

Mamãe anda bem apreensiva com a viagem, mas como não somos perus, ninguém vai morrer de véspera. Mamãe vai chegar só o crachá na ida e na volta, mas vai valer a pena.

Beijinhos no seu cangotinho, daqueles que provocam a gargalhadinha mais fofa de todas,
Mamãe'.