
Primeiro foi o Pacotinho de Crupe, que começou do nada com uma tosse parecendo um latido de foca (em inglês, foca late, não sei que som ela faz em português). Depois veio a febre de mais de 39C. Com a paranóia da gripe suína (aqui não pegou o apelido "gripe A"), o médico mandou dar Tamiflu. Mas não é crupe? "É, mas como este ano tem o risco do H1N1, melhor não arriscar".
É só fazer as contas: estamos em novembro, o inverno oficialmente nem começou. Se encherem qualquer resfriado de Tamiflu, que tipo de vírus superresistentes estaremos enfrentando em fevereiro e março? Será que só eu tenho medo do uso indiscriminado de Tamiflu? Agora qualquer resfriado recebe a mesma sentença: 7 dias de Tamiflu, sem direito à fiança com chazinho, vitamina C e cama.
Depois de quatro dias de molho, o Pacotinho de Virose melhora um pouco e os adultos dão sinais de que não escaparão da gripe (ou sei lá o que é este bicho). Como na maioria das casas, Mamãe Rouca acorda no mesmo horário, faz tudo o que tem que fazer normalmente e Papai fica na cama, de boca aberta, esperando a morte chegar (duvido que Raul Seixas tenha se inspirado numa mulher). Se soubesse o número do celular da Dona Morte, teria ligado para ela e adiantado os prazos para sua busca. Mulheres em fase terminal de doenças graves já foram vistas por aí com mais disposição do que um homem adulto com gripe.
Será que foi a gripe suína? Pelo que andam descrevendo dos sintomas, o Pacotinho de Tosse teve todos, mas de forma leve. Nem dá para culpar os gânglios no pescoço pela dificuldade em comer, porque ele já vivia de fotossíntese antes. Papai No Leito de Morte teve todos os sintomas e mais alguns não citados. Mamãe Afônica faltou um dia de serviço para não assustar os pacientes com sua falta de voz, mas no dia seguinte já se apresentava avisando "Sou Flávia, a enfermeira que vai admitir você para a cirurgia, mas nem adianta invejar minha voz sexy".
Bem que podia ter sido a gripe suína! Assim estaríamos livres dela, porque o inverno promete ser bem longo este ano.