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18 agosto, 2013

Por Que Sou Ativista da Amamentação?



Na foto, minha prima Beta amamentando Pablo e Arthur, na imagem mais linda de amamentação que já vi.



Agosto é o mês mundial da amamentação, mas sou ativista muito antes de ter filhos. Como nunca tomei mamadeira na vida, numa família onde os outros irmãos tomaram até depois de grandinhos, provavelmente já nasci uma defensora da causa.

Inegavelmente, é mais fácil falar com propriedade depois de já ter amamentado e ter conhecido na pele os perrengues por que a gente passa no começo. Ao contrário de 90% das mulheres (chutando, não pesquisei dados reais), não tive nenhuma dificuldade com o primeiro filho e tive muitas com a amamentação da segunda. Definitivamente, apoio professional na hora certa pode salvar uma amamentação (e a sanidade mental da mãe).

Como aprendi nestes anos como mãe, poucos assuntos no universo feminino causam tanta polêmica. Não há nestas linhas a menor intenção de ofender ou diminuir a mãe que queria muito e não conseguiu amamentar. Não há qualquer vontade de julgar aquela que optou por nem tentar, porque a história de cada uma é válida e importante nas suas escolhas de vida. A mulher que não amamentou por qualquer motivo não ama menos seus filhos.

Por que sou ativista da amamentação?

Porque os benefícios do leite materno já foram comprovados, mas a amamentação é um dos poucos aspectos da maternidade em que realmente a informação correta e o apoio podem fazer toda a diferença para a mãe e seu bebê. Saber onde procurar ajuda é fundamental. No Brasil, procure um banco de leite humano de um hospital público, já que nem sempre os pediatras estão atualizados. Pediatras não fazem aulas sobre o assunto durante sua formação universitária, ao contrário dos profissionais que trabalham num banco de leite. Em Vancouver (não sei sobre o resto do Canadá), procure uma consultora de lactação. Serei eternamente grata a Kathleen Mochoruk, que me ensinou o que eu precisava saber em termos práticos para amamentar meu primeiro filho, no curso de gestantes. O Pacotinho de Informação parece ter prestado atenção às aulas e sabia tudo já nos primeiros 5 minutos de vida, quando mamou pela primeira vez. E, no segundo puerpério, com uma recém-nascida que nasceu com a língua presa, não sabia sugar, não conseguia esvaziar o peito completamente, fez sangrar o bico do peito, mastite, novela mexicana, etc etc etc, Santa Kathleen veio à minha casa incontáveis vezes para mostrar como ensinar a pega a um bebê que se debatia no peito cheio com a língua no lugar errado.

Porque a amamentação ocorre primeira e principalmente no cérebro. Depois de ter visto minha irmã no puerpério, num leito de UTI, separada do seu bebê, ordenhando leite com a bomba elétrica e afirmando com toda convicção "eu vou amamentar quando eu sair daqui", tive a certeza de que a determinação é fundamental para conseguir amamentar. Nem o estresse, nem as medicações, nem a morte do paciente no leito ao lado (separado só com uma cortina, com mínima privacidade) nem a separação do bebê, nem o risco de vida, nem o fato de o médico intensivista ter feito pouco dela "você aí tirando leite com esta bombinha da feira do Paraguai!", NADA minou a confiança dela. E, sem surpresa, o bebê jamais tomou complemento e aprendeu a mamar direto na fonte quando teve oportunidade, na semana seguinte. A experiência de ir várias vezes por dia ajudar a ordenhar o leite e mostrar fotos da filha ausente foi fundamental para que eu acreditasse na importância de ser uma mãe que confia no poder do próprio corpo de alimentar sua cria. Então, depois de ter vivido isso, quando meu Pacotinho de Saúde nasceu com 3,820 kg de uma mãe que pesava 47kg numa altura de 1,67 m antes da gravidez e uma tia do marido veio dizer "você logo vai ter que dar complemento pra este menino grande", pude responder com confiança "a única coisa além do meu leite que ele vai tomar até 6 meses vai ser vitamina D". E assim foi, ele parou de mamar no peito aos 2 anos, quando achei que tinha cumprido minha missão.

Porque eu conheço mães que amamentaram exclusivamente seus bebês gêmeos até 6 meses de idade e depois continuaram até 2 anos ou mais, então a esmagadora maioria que tem um bebê só deveria conseguir se tivesse informação e apoio.

Porque a única vez na vida em que usei a palavra "desesperada" para nomear meu próprio estado de espírito foi quando liguei pra uma amiga especialista em amamentação pedindo ajuda, com as mamas cheias de leite e minha filha faminta com 4 dias de vida no colo. Porque ouvi da minha amiga "esta fase ruim vai passar e, daqui alguns meses, vai ser uma lembrança distante na sua memória". Porque minha Fofolete, que só foi desmamada com 1 ano e meio por conta de sua mania de querer mamar em pé, detonando a coluna da mãe (quem mandou ter filho depois de velha?), mereceu o esforço das 2 primeiras semanas.
Ela precisou vir "destreinada" para eu aprender a lidar com as dificuldades que só conhecia de ouvir falar, mesmo já tendo amamentado outro filho por 2 anos.

Porque tive a satisfação de ajudar algumas amigas que ligaram "desesperadas" no começo da amamentação e TODAS, sem exceção, amamentaram seus bebês até quando quiseram. Porque uma palavra de encorajamento ao invés de "dê mamadeira, entregue o bebê pra alguém e vá descansar" pode salvar meses de aleitamento materno bem sucedido.

Porque em tempos de ecologicamente correto, de incentivo ao consumo de alimentos produzidos o mais perto de casa, de esforço para diminuição de lixo no planeta, de formol e sei-lá-o-quê adicionados ao leite de vaca, a amamentação preenche todos os requisitos do Greenpeace, da OMS e muitos mais.

Porque, mesmo sendo difícil e cansativo no começo, lágrimas saudosas ainda me enchem os olhos quando lembro daqueles momentos de paz intensa no silêncio da madrugada, sentada numa cadeira de balanço segurando um bebê saciado e adormecido ao seio. Porque este contato pele a pele com a cria traz à tona nosso lado animal, mas também uma intimidade deliciosa com aquela criatura que ainda nem sorri, nem sabe mostrar que gosta da gente. Porque (os homens que não me leiam) ser capaz de alimentar e fazer crescer aquele bebê somente com leite materno faz a gente se sentir superpoderosa.







31 agosto, 2011

Você já ouviu esta?

Depois de tantos anos participando diariamente de fóruns virtuais de amamentação, lendo inúmeros livros, traduzindo artigos e estudos, respondendo a todo tipo de dúvida, você pensa ter um conhecimento acima da média sobre o assunto. Do pediatra que diz pra mãe que o leite dela é fraco e a convence a desmamar, passando pela mãe preocupada com um bebê que aos poucos dias de vida está fazendo "manha", até a sogra que bota o bebê pra mamar no peito dela, você inocentemente pensa que já ouviu tudo quanto é absurdo sobre o assunto. Na sua ignorância, a maior lenda sem noção sobre amamentação seria aquela de que, se o bebê arrotar no peito entra ar e a mãe tem mastite.

Mas nada como uma lenda brasileira totalmente desconhecida para você que nasceu e cresceu num centro urbano para balançar os frágeis alicerces do conhecimento que você julga que construiu ao longo dos anos:

"eu estou apavorada existe cobra q mama?

voces ja ouviram falar de cobra que mamam a noite no peito essa noite minha bebe acordou e eu levantei pra dar de mamar e quando eu sentei na cama eu olhei para o lado e uma jararaca esta na minha cama +ou-1 metro,eu acordei meu esposo aos gritos e ele a matou,sera se essa historia e verdadeira.
a historia diz que ela vem e coloca o rabo na boca do bebe pra ele ñ chorar e mama.
eu estou super apavorada.me digam se voces ja ouviram fala disso..."



Obviamente, a lenda existe (e você parece ser uma das poucas que não conhecia, tem muitos registros na google, como este ) em lugares onde há muitas cobras e elas entram nas casas. Nada disso impede sua imaginação de voar:

- Com uma jararaca em cima da cama, a maior preocupação da moça é de que a cobra talvez seja mamífera?

- O cuidado da cobra em calar o bebê seria válido, porque assim a mãe amamentaria a serpente e não perceberia a diferença entre o bicho e seu bebê? Além de preocupada com o bebê, a Snake Nanny muda totalmente o corpo para se aninhar no colo e no peito da mulher?

- Passado o susto de encontrar uma cobra na sua cama, sua primeira providência depois de ver o bicho morto é correr para a internet?

Tudo isso mostra que o mundo evoluiu muito, pois já convivem harmonicamente a internet e as cobras, num mesmo ambiente doméstico, mas as lendas urbanas (ou rurais, florestais) parecem resistir até ao bom senso.

No final, a gente não sabe se tem mais pena do fato de a família morar num lugar onde cobras venenosas entram nas casas com tanta frequência que, no meio da noite, no susto, a pessoa já é capaz de reconhecer a espécie pelo nome ou da ignorância. Não, você sabe sim a resposta, mas não tem coragem de responder, porque a aflição da mãe ao questionar é real.