31 julho, 2011

Viajando de Avião com Crianças de 3 a 5 Anos


A partir de 2 anos e meio, a viagem tende a ficar mais fácil a cada ano que passa. A criança tem seu assento próprio, já consegue ficar entretida com uma mesma atividade por mais de 10 minutos e há muitas opções de entretenimento nesta faixa etária.

Mantenha a criança entretida e não "controlada" no avião, que ela não ficará chutando o banco do infeliz passageiro à sua frente.


Carrinho

Em viagens com muitas conexões, se estiver viajando sem a companhia de outro adulto, traga o carrinho, mesmo que seu filho de 4 anos pareça grande demais para ele. As pessoas que acham seu filho muito grande pro carrinho não vão ajudá-la a carregar aquele corpo adormecido entre as conexões.


Bagagem de Mão

Para os menores, de 2 anos e meio ou 3 anos, recomendo uma mochila pequena, escolhida pela criança, para ela mesma levar nas costas. Aquelas malas de rodinha são maiores que a mochila e comportam mais coisas, mas não espere muito comprometimento de uma criança nesta idade. Lá pela segunda conexão ela se cansa e a malinha torna-se um item a mais para a mãe carregar, junto com a criança pesada.

A partir de 4 anos, adoro a mala de bordo Trunki.

A surpresa é a alma do negócio. Você pode levar a criança junto para escolher livrinhos de colorir e giz de cera, adesivos, biscoitos e frutas para comer na viagem, mas tenha na sua mochila brinquedinhos silenciosos novos (sugiro Playmobil, da caixinha pequena, para meninos e meninas) comprados sem o conhecimento do seu filho a serem abertos DENTRO da aeronave (eu levo um para cada voo), um jogo da memória guardado num saquinho plástico, massinha que não gruda, etc. Traga um iPod ou iPad (ou DVD player) com filmes ou desenhos que a criança ainda não tenha visto e um dos preferidos dela, já visto mil vezes. Se o avião tiver TVs individuais, aproveite e use a do avião, guardando a bateria do seu aparelho para a próxima conexão sem TV.

Joguinhos como Angry Birds podem garantir longos momentos de paz num voo diurno.

Traga um travesseiro pequeno para a criança.


Banheiro

Ainda que não esteja com vontade, é obrigatória a parada no banheiro da sala de embarque antes de entrar no avião.


Pouso e Decolagem

Algumas pessoas são bem sensíveis à pressão do ouvido quando há mudança de altitude. Se for o caso do seu filho, tenha à mão algo para ele mastigar nestas horas. Biscoitos, balinhas macias, algo de que ele goste.


Área Infantil do Aeroporto

Guarde as atividades a serem feitas com a criança sentada para usar dentro do avião. Nos intervalos entre as conexões, procure a área infantil do aeroporto (os grandes aeroportos norte-americanos costumam ter) e leve seu pequeno para esticar as pernas e gastar energia.

29 julho, 2011

Viagem de Avião com Crianças Pequenas


De 1 ano a 2 anos e meio:

Na minha opinião, esta idade é a mais difícil de todas. A combinação de alta mobilidade, nenhum bom senso, adoração por coisas perigosas, pouquíssima capacidade de concentração e de negociação é quase uma bomba-relógio nas suas mãos.


Assento

Até 2 anos incompletos, a criança ainda não precisa ter seu próprio assento no avião, mas a dica de comprar a passagem com muita antecedência e pedir o corredor e a janela, na esperança de ter vago o lugar do meio é uma esperança para quem viaja com outra pessoa e o bebê.

Não recomendo vir na primeira fileira, onde os braços das poltronas não levantam, ainda que seu bebê pese menos que os 10kg permitidos no bercinho. É mais fácil colocar a criança para dormir com a cabeça deitada no seu colo. Lembre-se de trazer um travesseiro pra ela.

Algumas mães trazem um colchonete e colocam a criança para dormir no chão, na primeira fileira. Pode ser que a comissária faça vista grossa e permita, mas é proibido.

Em todo caso, vale sempre a regra: em criança adormecida é melhor não mexer.


Carrinho

Nesta idade, acho essencial. Mesmo que esteja acostumada a dormir e a mamar pendurada num carregador, a criança já é grandinha e pesada para ser carregada por longas distâncias, mas muito pequena para caminhar rapidamente.

Leve o carrinho até a porta da aeronave e prepare-se: muitas crianças choram desesperadamente ao verem seu carrinho ser entregue. O Pacotinho de Apego, que nunca chorou dentro de um avião (exceção feita à vez em que enfiou um Tic Tac de menta no nariz na volta da Disneyworld), debulhava-se em lágrimas a cada vez que via o carrinho sendo deixado para trás.

Se seu carrinho é grande, caro ou difícil de fechar com uma mão só, traga um baratinho de guarda-chuva para a viagem. Eles não costumam ter muito cuidado, o carrinho pode ser danificado. A desvantagem é que o carrinho baratinho costuma ser também ordinário e dificultar as manobras pelos corredores infinitos dos aeroportos.

No Iglu, temos e amamos para viagens o Quinny Zapp. Fácil de fechar e compacto, mas não reclina para a posição deitada. Como só usamos depois de 1 ano mesmo, não fez falta este item.


Cochilos pré-viagem

De forma geral, evitar os cochilos diurnos no dia da viagem deixam a criança mais cansada e ela pode ficar chorosa e ter mais dificuldade em pegar no sono no avião.

Você conhece seu filho. Se ele dorme melhor de noite quando não cochila de dia, pode tentar mantê-lo acordado.


Entretenimento

Traga brinquedos novos, a serem abertos dentro do avião, que não façam barulho e sejam adequados a esta faixa etária.

Poucas crianças nesta idade conseguem ficar entretidas por muito tempo com a mesma atividade, mas há sempre aqueles anjinhos quietinhos que já passam longos momentos colando adesivos com 2 anos. Se for o caso do seu filho, traga giz de cera e papel para ele.

Se a criança fica quietinha assistindo a filmes, traga um DVD player portátil (lembre-se de que a bateria não dura muito) ou, melhor ainda, um iPod ou iPad com os filmes já devidamente baixados.

Comidas podem ser um ótimo entretenimento. Cereais como Cheerios, que são comidos de um em um ou pedacinhos de frutas são uma boa forma de matar o tempo.

Por experiência própria (não encontro o post agora), recomendo evitar balinhas pequenas. O Pacotinho de Susto, com 2 anos e 10 meses, enfiou um Tic Tac de menta no nariz num voo Orlando-Denver. A mãe continua traumatizada com Tic Tac até hoje. De qualquer sabor.


Entrada no Avião

Definitivamente, seja a última a cruzar a porta do avião. Deixe seu pequeno atleta pulando, correndo, dando saltos acrobáticos na sala de embarque até o minuto final.

Se houver tempo entre as conexões, ainda que a área infantil esteja longe do seu portão de embarque, vale a pena pegar o metrô, mudar de terminal e ir levar a criaturinha incansável para "vazar energia", como diz o Pacotinho de Conversa Fiada.

Para sedativos, fraldas e outros itens, vale o mesmo que nos posts anteriores.

SAL do Iglu para Fernanda

Que eu saiba, não há limite de tamanho para o carrinho que vai até a porta da aeronave, já que ele não é colocado no bagageiro acima dos assentos. Até aqueles imensos, de 3 rodas, eu já vi (cadê a Carla, consultora oficial das mães da blogsfera para assuntos aeroportuários?).

Recomenda-se um que feche facilmente, porque o passageiro é responsável por fechá-lo e o carrinho precisa ir fechado.

Pra mim, o Quinny é imbatível para viagens. Os de guarda-chuva são mais compridos que o Quinny fechado sim, só são menos volumosos e de pior qualidade. Desconheço um modelo de guarda-chuva que seja tão fácil de empurrar e virar com uma mão só.

28 julho, 2011

Viagem de Avião com Bebês - Segunda Parte


Bebês de 6 a 12 meses:

Quanto maior a mobilidade do bebê, mais complicada tende a ficar sua situação, mas há sempre vantagens e desvantagens em cada fase.

Check-in

Chegue o mais cedo possível, com sorte você ainda consegue uma poltrona vazia ao seu lado.

Como sempre, sua cara de coitada com bebê pendurado é sua maior aliada.

Carrinho

Se você prefere empurrar o bebê no carrinho, leve um modelo que feche facilmente e traga até a entrada da aeronave.



Carregador de Bebê


Use aquele de costume, útil para caminhar, fazer o bebê dormir, amamentar.

Entre o carrinho e o carregador, nesta idade, fico sempre com o carregador e despacho o carrinho com a bagagem. Faça o que for mais confortável para você.

Como mencionado no post anterior, é preciso retirar o bebê do carregador para passar no raio-X e alguns comissários podem pedir que você faça o mesmo na hora do pouso e da decolagem.

O cinto de segurança deve ser passado somente em você, nunca envolvendo também o bebê.

Bebê adormecido é algo sagrado, intocável, religião nenhuma permite que ele seja acordado sem necessidade absoluta.


Entrada no Avião

Se seu bebê já engatinha ou anda, não tenha pressa em entrar no avião, muito pelo contrário. Seja uma das últimas a entrar. De preferência, a última. Não há vantagem alguma em ficar presa no assento, com um bebê tentando escalar as poltronas enquanto passageiros esbarram em vocês com sua bagagem de mão. O barulho dos motores ajudará o bebê a relaxar, mas com o avião parado, desligado e os corredores cheios de gente, o bebê tende a ficar mais agitado.

Deixe o bebê engatinhando ou caminhando na sala de embarque ou na área infantil do aeroporto, se houver, até o último segundo possível. Lencinhos umedecidos nas mãos dele depois e pronto. Vitamina S, sem frescura.

Você vai colocar sua bagagem de mão sob o assento à sua frente, então não precisa ter pressa de entrar para garantir espaço no compartimento de bagagem acima da sua poltrona.


Fraldas

Troque no aeroporto, evite ao máximo trocar dentro do avião. O trocador, quando existente no banheiro do avião, é uma piada. Organizações Tabajara fariam melhor.

Em caso de necessidade absoluta (leia-se "cocô" ou "fralda vazada"), pode trocar na poltrona mesmo se o bebê ainda não fica em pé. Se ele já fica em pé com apoio, é mais fácil trocar na tampa do vaso sanitário, com o bebê apoiado na pia.


Bebê conforto ou Cadeirinha de Carro

Algumas mães acham indispensável comprar um assento para o bebê nesta idade e trazê-lo sentado na cadeirinha. Nunca fiz isso. Consigo emprestada uma cadeirinha na cidade de destino, para toda a estadia.

Mesmo que eu tivesse dinheiro de sobra para comprar um assento extra para um bebê que ainda não caminha, a permanência do bebê na cadeirinha durante a viagem depende muito da personalidade dele. Meu Pacotinho de Sono nunca reclamou sentado na cadeirinha do carro, já a Fofolete Elétrica protesta muito e raramente adormece na cadeirinha.

Se optar por trazer consigo a cadeirinha a bordo, lembre-se de que é um trambolho a mais a ser carregado na saída da aeronave, até pegar o carrinho. Existem puxadores próprios para a cadeirinha também.


Comida de Bebê

Véspera de viagem não é hora de introduzir alimentos novos. Você não vai querer descobrir que morango causa assadura no seu neném ou melancia dá diarreia no meio de um voo turbulento. Dias antes e durante a viagem, ofereça somente as comidas a que o bebê já está acostumado.

Se você amamenta, seu bebê ainda faz somente uma refeição sólida por dia e você tem um dia inteiro de voo, talvez nem valha a pena trazer nada para ele. Se quiser, opte por aquelas refeições prontas, sempre algo já testado e aprovado. A embalagem de vidro pode quebrar na mochila, mas há versões em pacotinhos inquebráveis, como a Baby Gourmet.

Babadores descartáveis, como estes aqui são uma mão na roda.

Se seu bebê já come a comida da casa e tem um paladar eclético, como a Fofolete, ele pode comer o que você estiver comendo. Aos 9 meses, ela foi e voltou sem comer uma papinha na viagem, almoçando e jantando o mesmo que sua mãe.

Brinquedos

Nesta idade, qualquer coisa pode ser um brinquedo. Tenha alguns novos, de borracha, que não façam barulho, para o bebê morder. No desespero, ataque os encartes no bolso da poltrona da frente, entregue suas chaves, um copo vazio, uma colher descartável...

***
Para sedativos, bagagem de mão, pouso e decolagem, reserva de assentos na primeira fileira da aeronave vale o mesmo que no post anterior.

Em qualquer fase, viajando com crianças muito pequenas, lembre-se:

1- Tenha um mantra "é só um dia (X voos, N horas) de sacrifício para... (ver a família/ descansar/ cumprir uma obrigação social, etc)". Repita este mantra sempre que se deparar com uma fila imensa na imigração, um passageiro emburrado revirar os olhos ao ver que está sentado ao lado do seu bebê ou toda vez que você precisar de uma força.

2- Não é por culpa sua que seus filhos choram no avião, nem é sua obrigação fazê-los calar. Você, como mãe, vai consolá-los, entretê-los, tentar sanar os problemas óbvios (fome, sono, fralda suja) mas, se ainda assim, a criança chora desesperadamente, não se sinta uma mãe ruim. Garanto que a pessoa mais desconfortável com a situação, além da própria criança, é a mãe. Seria ótimo ouvir de alguém um "posso ajudar em alguma coisa?", mas não espere isso. Se alguém oferecer ajuda, aceite e considere-se sortuda. Uma moça maravilhosa ofereceu-se para ficar com a Fofolete enquanto eu ia ao banheiro no voo Atlanta-Bsb, mas em todos os outros voos, fui com ela pendurada em mim.


3- Bom humor é essencial. Traga uma dose extra na bagagem de mão.

27 julho, 2011

Viagem de Avião com Bebês - Primeira Parte


As dicas e comentários a seguir são baseados na experiência pessoal de uma mãe, estudiosa da amamentação e fã incondicional de "attachment parenting", que tem sido traduzido livremente como "parentagem por apego". Não há qualquer intenção de desmerecer ou criticar outras formas de lidar com os bebês. Certamente há inúmeras outras maneiras boas de fazer as mesmas coisas.

***

De 0 a 6 meses:

Respire aliviada. Provavelmente só será tão fácil viajar com seu filho novamente quando ele for maior de idade, concursado e comprar de presente a passagem para você.



O assento

Se você comprar a passagem com muita antecedência, pode solicitar assentos na primeira fileira, onde há a possibilidade de acoplar um cestinho (ou moisés, caixinha, como queira) à parede para que o bebê de até 10 kg seja acomodado. Você conhece seu filho melhor que ninguém e, se acha que ele virá adormecido no bercinho, vale a pena tentar. As pequenas criaturas saltitantes do Iglu, que começam a rolar com 3 meses de idade, jamais experimentaram o tal leito.

Lembre-se de que, na primeira fileira, os braços das poltronas não levantam e isso pode ser um problema para quem viaja com outra criança maiorzinha também.

Se vai viajar com outro adulto e um bebê menor de 2 anos, peça para reservarem a janela e o corredor. Dificilmente alguém vai querer comprar uma poltrona no meio e, se o voo não estiver lotado, ainda que haja um passageiro ali, ele mesmo vai procurar outro lugar. E, se o avião estiver cheio, há sempre a possibilidade de trocarem o corredor pelo meio.

Check-in

Chegue cedo, bem cedo ao aeroporto. A preferência para pessoas com bebês de colo só existe no Brasil.

Se possível, chegue ao guichê já com o bebê pendurado em você. Sua cara de coitada a levará longe. A funcionária da Delta bloqueou o assento do meio (ficamos com 3 poltronas, embora só tivéssemos comprado 2) em 3 voos, mas isso só foi possível porque chegamos muito cedo ao aeroporto.

O carrinho

Responda: seu bebê está acostumado a ficar no carrinho? Você acha mais prático empurrá-lo no carrinho ou carregá-lo consigo, num carregador de bebê? Se usam bastante o carrinho, pode levar um modelo guarda-chuva que feche facilmente (ninguém ajuda a fechar o carrinho, a responsabilidade de fazê-lo é de quem levou) até a porta da aeronave. Aí ele será entregue, já etiquetado e você vai pegá-lo novamente quando chegar ao próximo destino.

Só acho o carrinho essencial para bebês que já caminham.

Carregador de Bebê

Pessoalmente, acho indispensável numa viagem de avião, por mais curta que seja. Não é hora de fazer testes, use aquele a que você já está acostumada. Gosto muito do Ergo Baby e do sling da Maya wrap. Meus dois bebês foram desde recém-nascidos acostumados a adormecer e a serem amamentados pendurados num carregador. Levei os dois carregadores, usei somente o Ergo nos aeroportos e aviões.

Se você pretende usar um carregador de bebê pela primeira vez numa viagem, compre com ao menos uns 2 meses de antecedência e pratique colocar e tirar o bebê sem ajuda, amamentar, caminhar longas distâncias, ir ao banheiro com ele pendurado, para que esteja confortável com o produto. Se vai viajar acompanhada de outro adulto, nem precisa praticar a ida ao banheiro.

Geralmente, na hora de passar pelo raio-X, os fiscais exigem que o bebê seja retirado do carregador.

As regras dizem que o bebê não pode estar pendurado em você durante o pouso e a decolagem, mas a maioria dos comissários não segue a regra e fica aliviado se o bebê está calado.

Pouso e Decolagem

A pressão no ouvido nestas horas pode ser aliviada se o bebê estiver sugando alguma coisa. Como ainda não vi nada mais prático do que os sugadores que tenho acoplados ao tórax, sempre amamento nestas horas, a menos que o bebê esteja adormecido. Não acorde o bebê, não interessa o que diga a comissária.

Se o bebê chupa chupeta, é a hora de colocar.

Fraldas

Troque no banheiro do aeroporto. Dentro do avião, somente em necessidade extrema. Pode trocar na poltrona, será mais fácil que no banheiro do avião, se não houver trocador.

Uma boa fralda descartável deve aguentar 12 horas de xixi, então se o bebê é propenso a assaduras, capriche no creme do bumbum durante o voo noturno e relaxe.


A Bagagem de Mão

A menos que você seja muito alta, recomendo sempre ignorar o compartimento de bagagem acima das poltronas. Lugar de tralha de criança é onde a mãe pode alcançá-la a qualquer momento, com turbulência e luzes de apertar os cintos acesas, ou seja, embaixo da poltrona.

Prefiro colocar tudo numa mochila, daquelas com 1001 bolsinhos. Assim, bebê pendurado na frente e mochila nas costas, a mãe ainda tem duas mãos livres.

Levo em saquinhos Ziploc grandes uma muda de roupa completa (calça, fralda, meia e body), assim quando é preciso trocar, basta puxar um saquinho e tudo está lá. Um saquinho de roupas para cada voo não é exagero se seu bebê é vomitador. Um cobertor e um travesseirinho são necessários se o bebê vai viajar deitado no seu colo. Se ele vai pendurado, o calor do seu corpo o esquenta.

Se couber na mochila, leve uma blusa extra para você (bebês são mestres em eliminar fluidos corporais na mãe).

Se seu bebê só mama no peito, não é preciso trazer alimento pra ele, nem água. Mas, como eles são mais flexíveis com pessoas viajando com bebês, traga uma garrafinha de água para você, dizendo que é pro neném. No ar seco do avião, amamentar dá uma sede incrível.

Traga um lanche para você na mochila, caso haja turbulência e não seja servida refeição (sim, já passei por isso num voo São Paulo - Toronto e cheguei faminta, depois de amamentar a noite toda).

Traga muitos, muitos lencinhos de limpar o bumbum. Servirão também para limpar vômito, baba, cuspe, outras secreções corporais e aquele suco de laranja derrubado da mesa pelo bebezinho.

Entretenimento

Se o bebê tem entre 3-6 meses, é útil trazer brinquedinhos de morder. Brinquedinhos barulhentos são absolutamente proibidos em qualquer idade. Achou que estava falando de entretenimento pra mãe? Fala sério! Se o neném dormir, durma também ou coma, não vá inventar de ler NADA!

Sedativos

Por motivos óbvios, não recomendo que a mãe tome nenhum (vontade não faltará).

Nunca precisei dar e meus bebês não choraram em nenhum voo (exceção feita à Fofolete, que levou uma caixotada na cabeça quando o avião pousou em Atlanta na ida), mas acredito que ter um sedativo na mochila, como plano B, pode trazer paz de espírito a muitas famílias. Converse antes com o médico da criança, pesquise alternativas porque algumas medicações podem deixar o bebê mais agitado.

Se acredita em homeopatia, há opções nesta linha.

O barulho constante do avião costuma ser sonífero para muitos bebês. Assim que se apagarem as luzes de apertar os cintos, sinta-se à vontade para levantar e ficar na porta do banheiro ninando o bebê.

Aqui, peço que minha querida amiga Keiko, que compartilha comigo um estilo muito semelhante de maternagem, dê seu depoimento, para mostrar que não há regras absolutas. Mesmo carregando e amamentando pendurada sua filhotinha, ela não consegue dormir no avião e faz o possível para que ninguém mais durma.

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde e esclarece:

A todos os que perguntaram sobre a massa de pastel:
Trago da mesma forma que trago catupiry (o autêntico, da caixinha redonda): mantenho na geladeira até a hora de sair pro aeroporto, então coloco numa embalagem térmica dentro da mala. Chegando ao destino final, retiro e ponho no congelador. Horas antes de usar, coloco na geladeira. Geralmente a primeira e a última rodelinha de massa ficam amassadas e são descartadas, mas o resto fica delicioso, crocante, como se estivesse fresquinho.

À Pati:
Não precisa trazer Camomilina C do Brasil. Procure por lugares onde se vende homeopatia (em Vancouver, nos supermercados Choices ou Urban Fare e ainda na farmácia Finlandia), que você encontra Chamomila Vulgaris, 30CH, em tabletes ou Camilia (também é Chamomila Vulgaris, com Belladona), líquida, própria para bebês, em frasquinhos com a dose individual. Este último dá para comprar em qualquer farmácia, na parte de medicina alternativa.

Por ser em pó, a Camomilina C tem alta chance de provocar engasgos se não for diluída em água, não recomendo mesmo.

À Ana:
Nestes 6 anos (incluo a gravidez) de convivência real e virtual com mães ao redor do mundo, amigas ou não, aprendi que certos comentários sobre a maternagem alheia ofendem, ainda que não tenham esta intenção. Falar que o leite materno é o melhor alimento ofende quem não amamentou e assim por diante. Podemos conversar pessoalmente sobre isso, mas aqui me limitarei a dizer que algumas das minhas amigas já eram mães quando saí do Brasil e que talvez eu fosse como minha irmã, que contava com a ajuda de uma babá, mas sempre foi a eventos com o marido e os filhos sem levar a moça.

A Nós:
A melhor farinha de mandioca que já comi vem de Nazaré das Farinhas, no estado da Bahia mas, na impossibilidade de obtê-la em Brasília, compro a farinha Amélia, que é da Bahia (a embalagem não informa de que cidade).

25 julho, 2011

A Volta

Dá cá um abraço, você merece. Foi como ter cruzado a linha de chegada do Iron Man, mas sem medalhas no final. Recapitulando:

* 3 voos, com um bebê de quase 10 meses bem mais ativo que os filhos da mesma idade de TODAS as suas amigas e um garotinho de 5 anos;
* ZERO de ajuda com a bagagem, embora você tenha solicitado na companhia aérea com antecedência, mas a sua cara de coitada exausta (não era fingimento) com o bebê pendurado na fila imensa da imigração nos Estados Unidos ao menos garantiu que guardassem seu lugar enquanto seu filho pulava de pernas cruzadas até o caminho do banheiro;
* volta às pressas para o guichê da imigração, porque o oficial esqueceu um carimbo aparentemente indispensável.

Quando você dá sua primeira conexão como perdida, o rapaz da companhia a anima "corre, que dá tempo". E pega metrô, e corre com o bebê pendurado se sacudindo e passa no raio-X. Tira o bebê do carregador e descobre sua blusa completamente ensopada (suor? Não, xixi!). Pendura o bebê molhado e corre cambaleante pro portão de embarque. "Perdi o voo?" As funcionárias já a cumprimentam pelo nome, é a última passageira que falta! Recebe uma bronca da comissária porque entregou o cartão de embarque errado e ainda pergunta "qual é mesmo minha poltrona?". O cansaço já não permite que você consiga ler o papel.

Entra na aeronave, a porta literalmente se fecha atrás de você. Corre pro banheiro, troca a roupa inteira de um bebê saltitante em pé na tampa do vaso sanitário, enquanto o outro filho distrai-se sozinho.

Sobrevive a mais este voo, o bebê treinado a dormir pendurado não decepciona e novamente dorme 90% do tempo.

Na chegada a Salt Lake City, a surpresa: a ajuda que você havia solicitado para o voo anterior aparece. Duas pessoas com uma cadeira de rodas, mas você não tem frescura: coloca a tralha toda na cadeira e pede que as moças empurrem até o próximo portão de embarque. Como só faltam 10 minutos, você vê a área infantil e solta seus filhotes para gastarem um mínimo de energia. Depois de 11 horas literalmente amarrados, eles precisam esticar os membros.

Entra no último avião, sentindo aquele cheirinho característico de fralda que precisa de troca. Já craque em usar a tampa do vaso sanitário como trocador, só espera que se apaguem as luzes de apertar os cintos. Quando isso acontece, você vai ao banheiro e fica presa. O teco-teco tem só um corredor pequeno, bloqueado pelo carrinho de bebidas das comissárias. Então você se tranca no banheiro, balança o bebê até que ele adormeça e volta pro seu assento quando o corredor fica livre. Exausta, mas orgulhosa. Conseguiu que o bebê dormisse em 3 voos, sem um sedativo (você mesma teria tomado até anestesia geral, mas não estava disponível, ao menos não na classe econômica) e ainda encontrou seu outro filho totalmente chapado na poltrona.

E aí, sentindo-se como uma prisioneira torturada, mantida acordada para confessar um crime que não cometeu, exausta, você chega ao seu destino final. Confessaria qualquer coisa a esta altura. E encontra um homem com olhos marejado de emoção ao ver a família de volta. Se ele não fosse casado, você se casaria com ele (mas olha que sorte, você já se casou com ele!).

Sim, você sobreviveu. Não pretende repetir o feito novamente, a não ser em caso de absoluta necessidade. Da próxima vez, leva o bonitão emocionado junto.

22 julho, 2011

Preparando a Volta

Cada um tem sua lista pessoal de muambas da terrinha a serem levadas na mala de volta ao exílio. A 3 dias do retorno a Raincouver (que anda fazendo jus ao apelido, no verão mais chuvoso da última década), as compras já se acumulam para serem colocadas nas malas:

- farinha de mandioca Amélia (não vivo sem farofa, mas sou chata com a farinha, só gosto da amarela torrada);
- chocolate granulado (porque aquele troço doce que "imita" chocolate granulado vendido no Canadá estraga até a melhor receita de brigadeiro);
- forminhas de docinho (mais baratas, mais bonitas, menores e em maior variedade na terrinha que no Canadá);
- Havaianas para dar de presente;
- muitos livros infantis;
- muitos videos infantis (Rio já está na mala);
- esmaltes (quase os mesmos adjetivos usados para as forminhas de docinho, substituindo "menores" por "melhores").

Só não vai massa de pastel desta vez porque o congelador do Iglu ainda está repleto de pacotes, levados pelo último visitante em abril. O suco concentrado de maracujá também não vai porque descobri polpa congelada num mercadinho português (Union Market) em Vancouver.

E ainda faltam os brinquedinhos não barulhentos, novos, a serem abertos somente dentro do avião, um para cada voo, que o Pacotinho de Viagem esclareceu "quando a gente se comporta muito bem no avião, a gente abre a mala e encontra um brinquedo novo! A moça que deixa." (ele jura que é presente da comissária de bordo e Mamãe obviamente tem interesse em não esclarecer o fato).


E você? O que leva de muamba quando volta do Brasil?

21 julho, 2011

Coisas de Exilada

Depois de 11 anos fora da terrinha, até você, que nunca foi deslumbrada, jamais achou que a vida no Primeiro Mundo fosse sempre melhor que no Brasil, surpreende-se com algumas atitudes das suas amigas moradoras da terrinha. Provavelmente quem mudou foi você, já que elas são as mesmas amigas da sua infância.

Você viaja mais de 20 horas, com uma criança e um bebê "de colo" (entre aspas porque a pessoa em questão só quer ficar no chão, caminhando enquanto tateia os móveis ou segura nas mãos de alguém), sem a ajuda de outro adulto. Aí, no dia seguinte ao da sua chegada em estado de cansaço extremo (parecia uma torturada mantida acordada para confessar um crime que não cometeu), vai a uma festa. E tem a notícia de que uma de suas amigas não compareceu, porque estava "sozinha" com as crianças, de 5 e 2 anos. Por "sozinha" leia-se só com o marido, sem babá. Coitada, deve ser muito sofrido mesmo passar 3 ou 4 horas numa festa na proporção de 2 adultos para cuidar de 2 crianças.

Mas guarde sua ira para aquelas amigas que conversam sobre festas infantis:

- Ai, gente, fui agendar a festa de Fulaninho no buffet, que trabalheira!
- E não é?
- Eu queria pro dia X, não tinha, terei que fazer no dia Y.
- E quando ligam dizendo que não tem a decoração do jeito que você pediu?
- Nossa, muito estressante organizar festa de criança.

Você, sutil como um hipopótamo numa loja de porcelanas finas, pergunta:

- Quantos docinhos você vai enrolar, quantos balões vai encher e quantas coxinhas vai fritar?

Que achem a vida difícil na terrinha cheia de mordomias para quem pode pagar você até tolera, mas que não venham reclamar das próprias mazelas na sua frente!

20 julho, 2011

O Pacotinho de Brasilidade

Depois de 2 semanas de Brasil, a colônia de férias mostra que cumpriu o papel que Mamãe imaginava. O Pacotinho de Férias chega e é cumprimentado pelo monitor:

- E aí, Daniel?
- E aí, Tio, beleza?

Duas semanas de atividades vespertinas na colônia de férias: 330 reais.
Um menino nascido e criado no Canadá misturando-se aos brazucas: não tem preço.

17 julho, 2011

O Pacotinho de Vocabulário

Do nada, no carro, o Pacotinho de Vocabulário Novo ensina:

- Mãe, sabia que, quando a gente acaba, pode dizer "já terminei"?
- É mesmo? Onde você ouviu isso?
- Na colônia de férias.

Nada como estar na terrinha para aprender palavras novas. Mamãe nunca havia reparado que ela só usa o verbo "acabar" quando termina alguma coisa.

***


E quando ouve a música , Nosso Lindo Balão Azul o Pacotinho de Curiosidade pergunta:

- O que é nebulosa?
- É uma nuvem de poeira e estrelas, vou mostrar uma foto na internet.
(ele vê a foto)
- Ah, tá. Mas onde é que a gente se esconde na nebulosa?

16 julho, 2011

O Pacotinho de Definições

O Pacotinho da Colônia de Férias conversa com a mãe que foi buscá-lo:

- Teve suco no lanche?
- Não, teve congelante.
- RE-FRI-GE-RAN-TE.
- Refrigerante.
- Isso.
- Teve um suco, que era coca, mas era de laranja com gás.

Era Fanta ou alguém tem outro palpite?

14 julho, 2011

A Viagem

Ninguém disse que seria fácil viajar de Vancouver a Brasília, passando por Minneapolis e Atlanta antes de chegar ao destino final, com uma criança de 5 anos e um bebê de 9 meses que jura que tem 1 ano de idade. É cansativo até para quem vai sozinho.

E os prêmios vão para:

- o Pacotinho de Viagem, que se portou durante todo o trajeto como um ótimo companheiro, tirou sozinho os sapatos e passou a sua mala de mão no raio-X, assistiu aos seus desenhos favoritos no iPod e jogou Angry Birds, colocou o próprio cinto, foi ao banheiro do avião sem ajuda e realmente deu um show de comportamento;

- a mala Trunki, imperdível para quem viaja com crianças muito grandes para o carrinho e muito pequenas para andarem longas distâncias rapidamente sem ficarem cansadas. O Pacotinho de Viagem sentou-se nela e veio puxado pela Mamãe ou simplesmente descansou as pernas sentado enquanto a fila estava demorada;

- os indispensáveis carregadores de bebê, que trouxeram uma Fofolete adormecida em 80% do tempo dentro dos aviões;

- as divertidas senhoras do Alabama, com sotaque idêntico ao do Forrest Gump, que vieram atrás de nós no voo Minneapolis-Atlanta, apaixonaram-se pela Fofolete, colocaram-na no colo e vibraram com as palmas que ela batia sem motivo aparente.

E o Troféu Abacaxi vai para:

- o energúmeno que se sentou 2 poltronas à nossa frente no segundo voo e, assim que o avião pousou, abriu o compartimento de bagagem e deixou cair uma caixa muito pesada na minha cabeça, que depois bateu na cabeça da Fofolete. Foi o único momento em mais de 20 horas de viagem em que ela chorou, com lágrimas abundantes e a solidariedade de inúmeros estranhos à sua volta. Ô Lei de Murphy! Eu, que nunca, jamais, coloco alguma coisa no compartimento de bagagem (sob a poltrona é infinitamente mais conveniente e de fácil acesso), levo uma caixotada que provoca uma dor de cabeça de 2 dias e ainda tenho que agradecer o fato de ter amortecido a queda, senão a pobre bebê é quem iria sofrer;

- o piloto do voo Atlanta-Brasília, que jamais desligou o sinal de manter os cintos afivelados durante toda a viagem, embora só ele tenha sentido a turbulência.

Infelizmente, depois de descer no aeroporto de Minneapolis, pegar o metrô de superfície para chegar ao outro terminal e esperar o voo para Atlanta, chega-se facilmente à conclusão de que o Brasil não tem a menor condição de sediar um evento como a Copa do Mundo. Nem precisaríamos de aeroportos lindos como o de Vancouver, bastariam alguns de tamanho suficiente.

As dicas sobre como sobreviver a 3 voos com uma criança e um bebê de colo seguem num próximo post. Depois que uma amiga aqui disse que não conseguiu controlar o filho de 4 anos e meio num voo de 2 horas até Fortaleza, percebi que nem todas as mães sabem como entreter as crianças num avião.

06 julho, 2011

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto?

O Pacotinho de Férias sempre sofre quando vai ao Brasil sem o pai. Sofre por antecipação e durante toda a estadia. Então, dias antes de embarcar, fazendo beicinho na hora do banho, comunica:

- Mãe, vou sentir muita muita muita saudade do meu pai.
- Fala pra ele.
- Tata, I'm going to feel a lot a lot a lot of saudade. Saudade means a lot a lot a lot of love, right Mamãe?

Já não bastavam o estresse de viajar com duas crianças sem outro adulto para dividir o tranco, o perrengue de ter que pegar 3 voos (ô inveja de quem mora em Toronto e tem família em São Paulo), a bebezinha de 9 meses que pensa que tem 1 ano e já dá os primeiros passos, prometendo uma canseira adicional durante o longo trajeto, a Pobre Mãe Exausta ainda tem que lidar com a culpa. De cortar o coração o Pacotinho de Saudade verbalizando seus sentimentos.

Quem for de reza, por favor, acenda uma vela para Nossa Senhora Das Bagagens Que Nunca Extraviam por nós.

04 julho, 2011

Como é o nome mesmo?

Na América do Norte, quando alguém espirra, o mais comum é que quem espirra diga "excuse me" e quem escuta responda "bless you" (forma curta de God bless you, ou Deus o abençôe).

Numa festa à la Torre de Babel no quintal, com o vizinho mexicano recebendo seus colegas de trabalho, todos japoneses, o Pacotinho de Idiomas deve ter ficado confuso, porque espirrou, precisou de um lencinho de papel e pediu ao pai:
- I need the bless-you-box. (queria dizer que precisava da caixa de lenços de papel).

Oh, well, nem só português é uma língua difícil às vezes...

03 julho, 2011

Limpando o chão com a barriga



Bom dia pra você que acordou cedo, entrou embaixo da mesa perseguindo inutilmente uma bolinha de plástico que rolou para baixo do piano e fez você ficar agarrada entre o piano e a parede, sem espaço suficiente para girar (não ocorreu a você sair de ré). Vida de bebê de 9 meses é difícil!