Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

13 agosto, 2006

Pai que é pai...

"Pai, eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói, meu bandido
Hoje é mais, muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém 'tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo eu paz"
(Fábio Júnior)

Hoje é dia dos pais no Brasil, mas aqui na América do Norte, eles comemoram tal data no terceiro domingo de junho. O Pacotinho de Surpresas confundiu-se e pensou que o dia dos pais era no segundo domingo de junho, então entregou a seu pai o cartão e o presente na semana anterior. Coitadinho, foi sua primeira vez como filho. Aí tentou melhorar as coisas pro seu lado e decidiu nascer no domingo seguinte, sendo assim um presentão para seu pai e seu avô.

Aproveito a ocasião para parabenizar todos os pais que perdem seu tempo lendo as bobagens que eu escrevo, meu Pai Grande Amigo, que me ensinou a amar o Pai do Céu e tantos amigos que são grandes pais (em especial um que voltou para o Quadradinho, carregando consigo meu sobrinho postiço favorito).

E, no estilo do Iglu, vai aqui uma rapidinha sobre um Pai Desligado Nota 10 (que não é o Marido Gringo):

Marte, Vênus e a Arte de Preparar o Ninho Para a Chegada da Cegonha
O Futuro Pai não era pai de primeira viagem, estava aguardando a chegada da segunda filha dentro de poucos dias. Fazia pouco tempo que a família prestes a ser aumentada havia comprado e reformado um apartamento, que o Futuro Pai mostrava orgulhosamente para sua mãe. E, naquele tour tradicional de mostrar todos os cômodos, chegaram ao quarto do bebê, já mobiliado. Sabe-se lá o porquê, ele abriu distraidamente uma das gavetas da cômoda e surpreendeu-se muitíssimo ao deparar com as roupinhas da criança limpas, passadas e dobradas. Depois do tour, encontrou a Esposa Organizada e exclamou, assim com ar de quem desvendou um segredo de Estado:
- A cômoda do quarto da neném já está cheia de roupas, tudo lavado, passado, dobrado e arrumadinho !
E, como não poderia deixar de ser, escuta o que qualquer um no seu lugar escutaria:
- E quem você acha que colocou as roupas lá ?

13 julho, 2006

Que Saudade !

Brigadeiro de colher, manhã de Natal, barraca da Pescaria na Festa Junina, último dia de aula na escola, farra com os primos na casa da avó... De todas as coisas boas da infância, existe uma que nos segue a vida toda, renovando-se a cada ano e ficando sempre melhor. São os nossos irmãos.

Por quarenta dias (que pareceram curtos na minha conta, mas certamente eternos em Brasília), a Santa Irmã Organizada deixou seu marido e dois filhos, sua cama king size, o conforto do seu apartamento espaçoso, a mordomia de ter empregada e faxineira, seu carro novo, o salão de beleza toda semana, a academia, o clima de Copa do Mundo no Brasil, as festas juninas que ela adora e toda sua vida na Capital Federal para ficar aqui nas modestas e desorganizadas acomodações do Iglu. Ela enfrentou o "frio" dos primeiros dias de junho usando minhas roupas de inverno pré-gravidez. Aguardou ansiosamente a chegada do neném que ameaçou vir antes da hora e depois adotou como lema "daqui não saio, daqui ninguém me tira". Ainda me acompanhou nas longas caminhadas para tentar facilitar o trabalho de parto (imagina se eu não tivesse caminhado !). Não só presenciou como suportou corajosamente as cenas de truculência de um parto complicado, dando a maior força e assumindo o posto de fotógrafa oficial. Além disso, ela que não precisa fazer nada disso em sua própria casa, cozinhou, fez faxina, encheu e esvaziou a lava-roupas e a secadora centenas de milhares de vezes, jogou as intermináveis montanhas de lixo fora (um mistério do Iglu é quantidade absurda de lixo que é produzido aqui e não se pode nem culpar o novo hóspede Pacotinho, já que o hábito vem de longas datas), cuidou com carinho de uma irmã lacrimosa e de um sobrinho que vão sentir imensamente a sua falta. Para completar a lista dos órfãos do Iglu, ela ainda deixou para trás um Cunhado Gringo Mal Acostumado que vai achar estranho o lixo parar de desaparecer magicamente todos esses dias. Jamais, em seis semanas, ela reclamou de qualquer coisa. Perdeu o aniversário do filho, teve uma infecção séria no olho, dormiu numa caminha de armar, mas nunca deixou escapar que estava fazendo qualquer sacrifício. Sempre de bom humor, sempre com um sorriso no rosto.

Tem coisa na vida melhor que irmã ? No meu caso, com um ano e um mês de diferença de idade, nem tenho lembranças de quando eu não a tinha na minha vida. Uma melhor amiga que já nasce conhecendo nossas preferências e frescuras. Alguém com quem por mais de duas décadas dividi um quarto, um guarda-roupa, muitas amizades e lembranças. Nem com uma distância transcontinental entre nossos endereços ficamos menos próximas. Que me desculpem as filhas únicas, mas uma irmã é fundamental. Deus certamente estava inspirado quando criou a família, mas estava especialmente com ótimo humor quando criou as irmãs. Deveria existir uma Sisters "R" Us, onde todo o mundo pudesse comprar uma irmãzinha e levar para casa, crescendo junto com ela. Se for como a minha, que vale por meia dúzia, só uma seria suficiente.

Como Deus foi generoso quando me deu minha família, a Santa Irmã Organizada partiu, mas amanhã chegam o Pai Preocupadíssimo e o Irmão Despreocupado. Já que estão chegando no mesmo vôo, a expectativa é de que a sorte do último atinja o primeiro e todas as malas apareçam na esteira de bagagens do aeroporto.

Todos os dias há várias coisas para escrever aqui, mas no pouco tempo que sobra, entre uma soneca, uma ida ao banheiro e as tarefas domésticas, o blog acaba ficando em último plano...

24 março, 2006

Descobertas da Gravidez

Com dois meses descobri que já não dava mais para dormir de bruços (ninguém que teve os seios pisoteados diariamente por uma manada de elefantes consegue) e achei que fosse a natureza me preparando para dormir de lado quando a barriga estivesse grande.

Com três meses descobri que é preciso comprar um sutiã maior a cada mês, mas para quem continua magrinha nas costas, não vai existir nenhum que caiba perfeitamente. Passei a admirar quem fez implante nos seios, porque passar de tamanho S(pequeno) para XL (extra grande) coloca literalmente um peso nas costas !

Com quatro meses e meio descobri que não adianta ler nos livros que a sensação de um bebê mexendo no útero é igual a "uma borboleta batendo as asas", "uma bolha estourando na barriga", "um peixinho nadando na sua mão", porque na primeira vez que a gente sente o neném mexendo, dá para saber sem dúvida do que se trata. Uma sensação maravilhosa. Você torce para que ele se mexa mais vezes e pensa "por que só mexe de vez em quando ?". Não consegue conter o sorriso cada vez que acontece.

Com cinco meses descobri que, assim que a barriga começa a ficar muito óbvia, até as pessoas antipáticas tornam-se amigáveis e prestativas. Gente que nunca sorriu para você no trabalho pergunta como você tem passado. De repente, todos se interessam pelas suas costas, seu cansaço, suas dores nas pernas, até pelos enjôos que você nunca teve ! Você se sente ótima e linda, mas tem vontade de inventar uma reclamação qualquer para não aborrecer a Ex-Intragável Colega. O mundo fica melhor quando se carrega uma barriga grande (desde que ela esteja recheada com bebês e não com gordura pura).

Com seis meses descobri que não adianta nada aprender a dormir de lado no começo da gravidez, porque com a barriga imensa, não dá para dormir em posição alguma. Também descobri que o neném chuta, soca, vira e se remexe, a sensação é de uma luta de boxe na barriga - e você está só apanhando. Lá pelas tantas, você implora: "Meu Filho, fica quietinho um pouco para eu tentar dormir" e pensa "mas ele não vai sossegar nem depois que nascer ?". Será a natureza me preparando para as várias noites em claro que me aguardam ?

Com sete meses descobri que o Marido ronca toda noite, a noite toda. "Mas você não sabia disso antes ?" Não, antes eu dormia a noite toda.

14 março, 2006

Qual é o nome mesmo ?

Vários amigos confessaram que, enquanto não haviam decidido o nome do seu futuro rebento, ficavam irritados quando as pessoas perguntavam qual seria o nome do neném. Esses mesmos amigos avisaram que essa seria a decisão mais difícil de todas. Eu, que nunca fui uma pessoa "wishy-washy" (indecisa, na gíria local), achei facílimo, já escolhi o nome do meu filho desde o dia em que confirmamos ser um menino. Difícil e demorado está sendo convencer o Indeciso Pai da Criança, já que não há uma fartura de nomes masculinos universais, escritos e pronunciados da mesma forma em diferentes idiomas. Essa pergunta é mais freqüente no Brasil do que aqui, onde cerca de metade dos casais optam por não saber o sexo da criança antes do parto e muita gente acredita que dá azar escolher o nome de alguém que ainda não nasceu. Interessante é que essa pergunta em particular não me irrita. Quando as pessoas decidem dar palpites e sugestões de nomes, aí confesso que não morro de amores. Pior ainda quando pensam que vim de outro planeta.

Ontem, num raro momento ocioso no centro cirúrgico, enquanto tinha a mesma conversa sobre o nome do neném com uma colega filipina, ela me conta que seu cunhado chama-se Jesus (pronunciado como os hispânicos dizem: "Ressuz"), mas que desde que se mudou para o Canadá, ele atende por Jesse, porque aqui eles pronunciariam "Dísus" e seria muito estranho. Aí ela se vira para mim:
- Jesus, como na Bíblia, você conhece ?