30 julho, 2009

Altas Temperaturas



As vancouverites da foto refrescam-se num lago de um parque em West Vancouver.

Os termômetros no centro de Vancouver hoje marcaram inacreditáveis 36 graus às 15:30. Em oito anos trabalhando no hospital, foi a primeira vez que abri mão das meias Kendall por conta do calor. De tão acostumada a trabalhar com meia-calça até a cintura e camiseta por baixo do "pijama-uniforme" à la E.R. ou Grey's Anatomy, eu passei o dia inteiro me sentindo pelada só com o uniforme. É exatamente como nos tempos em que eu trabalhava em Saint Louis no Maranhão, com a diferença de que não havia ar condicionado no hospital e a meia-calça fazia parte do uniforme, que por sinal, parecia um vestido de comissária de bordo.

Quarta-feira foi o dia mais quente já registrado na história de Vancouver. No aeroporto, a temperatura foi de 33,8C, batendo a marca anterior de 33,3C. Chegou a fazer 40 graus em Abbotsford.

Se alguém souber onde ainda há estoque de ar condicionado e ventilador, pode ficar rico divulgando a informação.

E vai continuar! Será que morri e estou no Céu?

PS: E não, nada, nem este calor maravilhoso faz com que eu entre na água congelada e de aparência pouco convidativa das praias locais. Mas piscinas à beira-mar são ótimas nesta época do ano.

29 julho, 2009

O Pacotinho de Conversa Fiada

Mamãe está de sobreaviso para o plantão noturno. Dez horas da noite toca o telefone. Por um segundo de esquecimento, ela esbraveja "QUEM está ligando a esta hora da madrugada?" (depois das 21:00, só liguem para o Iglu se for caso de vida e morte) e aí se lembra "I'm on call". Pula da cama e atende a colega desesperada, mas antes que acabe de ouvir o relato de tragédias do plantão para justificar a ligação, já escuta:

- OK, Beata (só polonesas com nome Beata por aqui conheço duas). I'll be there in 10 minutes.

E aí coloca o telefone na cama, correndo para trocar de roupa e cumprir a promessa de estar lá em 10 minutos. O Pacotinho de Gringuice, que não consegue dormir cedo por causa do calor e do tempo claro até bem tarde (a ÚNICA inconveniência do verão para mim é a criançada enrolar para ir dormir), pega o telefone e começa a falar, como se houvesse alguém do outro lado da linha:

- Beata? Do you want to talk to my Mommy? She's not here. Sorry! (e o "sorry" é dito num tom irônico, de quem não se importa nada com o que acabou de dizer).

Quem diria! Tão pequeno e já inventando desculpas para a mãe não ir trabalhar.

***

Neste calor delicioso (há controvérsias quanto ao adjetivo), o Marido Gringo, como provavelmente toda a população masculina da província, dorme sem camisa. Mas quem tem um Pacotinho de Controle da Vida Alheia em casa não se pode dar a certos luxos. O pai deita na cama e escuta:

- You need pajamas! Go get your pajamas, please.

28 julho, 2009

Que Calor!

Da minha parte, não é absolutamente uma reclamação, mas uma constatação feliz. Em 10 verões passados nesta terra, jamais tinha sentido um bafo quente de ar ao sair de um lugar fechado e pisar na calçada. Nunca tinha visto uma tempestade com trovões e relâmpagos, muito menos sentido aquele ar abafado típico de um toró tropical no final da tarde, como ocorreu no sábado passado. Parece férias em lugar tropical.

Temperaturas acima de 30 graus! Que sonho!

Claro que a gringaiada só reclama e volta e meia me pergunta "is it hot enough for you?"

O povo é tão desacostumado, que na creche do Pacotinho de Suor a criançada agora só fica do lado de fora se for para brincar com água.

E dizem que está chovendo do outro lado do país. Quem diria, a previsão para amanhã aqui em Vancouver é de 35 graus. São Pedro finalmente fez algo para compensar o inverno tenebroso.

E que dure pelo menos até setembro, mesmo com o estoque de ventiladores e aparelhos portáteis de ar condicionado completamente esgotado das maiores lojas.

PS: As Havaianas, aquelas mesmas legítimas, viraram uniforme obrigatório nos pés de gringos em geral.

21 julho, 2009

A Tradutora de Espanhol

Você trabalha num mesmo setor há 6 anos. É a única brasileira que 90% dos colegas já viram na vida. Sempre que pode, tenta convencê-los de que a língua falada no Brasil é português. "Mas qual é a porcentagem dos brasileiros que falam português?" "Mas a língua oficial ainda é o espanhol, né?" Também tenta ensinar que São Paulo nunca foi a capital e que é Brasília e não Brazil City. É um trabalho de formiguinha.

Depois de tanto tempo, você conclui que é uma péssima professora. Você até espera conclusões sem noção dos canadenses, mas tem expectativas mais ousadas para os colegas europeus. Tudo em vão.

Está lá você na sua sala, "minding your ouw business" (como dizem aqui todos os que chegam com a mandíbula quebrada ou o nariz arrebentado sem nunca terem provocado o agressor), quando entra sua colega polonesa. "Posso pegar a Flávia emprestada? Tem um paciente na nossa sala que só fala espanhol e..." Você tenta inutilmente explicar que não fala espanhol, até entende, mas o paciente não a entenderá e a colega já está arrastando você pelo braço.

Encontra um rapaz deitado na maca, pé enfaixado, rodeado pelo ortopedista e uma enfermeira canadenses, um residente da anestesia nascido em Caracas mas descendente de chineses, a colega polonesa que a recrutou e um colega filipino eternamente com cara de quem não está entendendo nada. Aí você olha pro pulso do paciente e lê Fulano Lopes. Lopes. Com S. Não é espanhol coisa nenhuma! "Fulano, de onde você é?" "De São Paulo". Aí, você que já devia estar de TPM, ao invés de perguntar qual o problema do moço, vira para todos e pede um minuto de atenção: "gente, ele é de São Paulo. Ele não fala espanhol, ele é brasileiro e fala português. Como EU!" E, numa bronca especial pro residente venezuelano "esperava mais de você, que decepção!"

Resolvido o problema do moço, você volta pra sua sala. Daí a meia hora, o colega filipino recém-catequizado, mas pouco confiante nos conhecimentos adquiridos, volta "Flávia, tem um paciente PORTUGUÊS na nossa sala agora. Ele precisa de um intérprete. Você fala português, né?" E lá vai você ajudar o Sr. Lopes, que por uma dessas coincidências da vida, tem o mesmo sobrenome do moço anterior, sendo os dois únicos pacientes para quem você precisou traduzir alguma coisa no centro cirúrgico em 6 anos. Ao contrário dos chineses e indianos de todo dia (semana passada houve uma indiana que só fala urdu e, claro, havia um colega fluente em urdu que ficou de tradutor simultâneo), os falantes da língua de Camões que aparecem raramente precisam de intérprete.

Coisas de Vancouver. É mais fácil ter um colega de trabalho fluente em urdu do que ensinar ao povo do seu trabalho a reconhecer a língua oficial do Brasil. "Mas mesmo português sendo a língua oficial, nas ruas o povo fala espanhol, né?"

19 julho, 2009

Quando as Miguxas Ganham Neném

Enquanto na América do Norte e no Brasil, a luta de muitas mulheres é por um nascimento digno e humanizado para seus filhos, tendo garantidas suas necessidades básicas durante o trabalho de parto e o parto (como dizem Dr. Michel Odent e minha ídola, Ina May Gaskin), no Japão, já estão investindo nas maternidades miguxas. É o fenômeno da "hellokittização" do nascimento. As fotos não deixam dúvidas:











Perguntas que não querem calar:

- se a moda pega, os pais brasileiros vão deixar seus meninos em bercinhos cor-de-rosa, embrulhados em cobertores da Hello Kitty?

- num país tão evoluído em outras coisas, os bebês saudáveis ainda ficam todos juntos no berçário e não no quarto com a mãe?

Depois, a menina cresce, a Hello Kitty vomita no quarto dela e fica assim. Aí vão dizer que foi ELA (a menina) quem fez questão de tudo:

17 julho, 2009

Carta de julho




"Filhote,

Você está tão diferente desde que completou 3 anos! Passou a ter uma preocupação com o futuro, pergunta para onde estamos indo ao sair de casa, já acorda perguntando que dia é hoje. Como Mamãe sai para trabalhar antes de você acordar praticamente todos os dias, quando você acorda e ela está em casa, já deduz que é o final de semana. Aos sábados, tinha aula de natação e aos domingos, de ginástica (férias para ambas agora). Se você acorda e Mamãe está em casa, antes de "bom dia", vem "hoje tem ginástica? Hoje tem piscina?". E, diante da resposta negativa, você conclui que ela está de plantão mais tarde, faz beicinho e diz "hoje tem escola?".

Você adorou sua festa de aniversário. Só passou a dizer que tem 3 anos depois dela. Outro dia, enquanto esperávamos o elevador, a vizinha chegou, você logo cumprimentou com "hi", ela perguntou "how are you?" e você "I'm three", apontando o número 4 com os dedos e depois apertando o mindinho com a outra mão, para conseguir mostrar 3.

Você nunca foi tímido, mas de 1 mês para cá, aborda os vizinhos, as pessoas nas lojas, comenta sem eles perguntarem para onde está indo, o que vai fazer, o que tem nas mãos... As pessoas geralmente riem de alguém do seu tamanho tão tagarela.

Hoje teve uma birra no final da tarde, para sair de bicicleta sem capacete, o que é uma das coisas não passíveis de negociação nesta casa, mas fazia tanto tempo do último conflito que Mamãe nem se lembrava mais! Apesar dos joelhos já esfolados por quedas no parquinho (assim mesmo, quedas, no plural), o clima não estava propício para negociar as joelheiras. "Escolha suas batalhas" é um lema apropriado para sobreviver a esta fase.

Você gosta de ser independente. Já vai ao banheiro sozinho, embora precise de mais ajuda do que admite. Se não for lembrado, não lava as mãos. Tem guardado seus brinquedos quando acaba de brincar, quase sempre cantando a musiquinha em inglês que aprendeu na creche ou a versão tupiniquim que canta sua mãe "meus brinquedos, meus brinquedos vou guardar, vou guardar, porque já acabei, porque já acabei de brincar". Da série "coisas que nunca pensei que faria antes de ter filhos". Você agora entende o conceito de "é a vez do Fulaninho, depois é a sua vez" e consegue compartilhar os brinquedos.

Você tem uma amiga favorita já há muito tempo. Pelo menos, reparamos na sua festa de aniversário do ano passado. É a Rafa, uma gauchinha de 10 anos. Você reserva para ela um abraço apertadíssimo que só costuma dar espontaneamente aos seus pais e avós. É um amor tão grande que, se Mamãe acreditasse em vidas passadas, diria que vocês já foram irmãos um dia. E você fica bravo se alguém se refere a ela como Rafaela. "Não é Rafaela, her name is Rafa". Quando ela completar 12 anos e estiver habilitada a ser "baby-sitter", já tem um cliente cativo.

Você agora corrige tudo o que a gente fala. Tem suas próprias opiniões e não larga o osso facilmente. Esta semana estava apontando para o porta-guardanapos, que tem as figuras de um garfo, uma faca e uma colher e disse "dois garfos". Mamãe falou "é um garfo, uma colher e uma faca". Você insistiu, virou o troço para o outro lado e apontou um garfo de um lado e outro no lado oposto. "Dois garfos!", concluiu vitorioso. Realmente os adultos nem sempre estão certos e ficamos felizes que você defende seu ponto de vista.

Esta semana você foi à dentista. Na vez anterior, Mamãe estava de plantão e você foi com seu pai e avós. Lembro de eles comentarem que não havia sido uma experiência agradável. Seis meses se passaram e você não se esqueceu. Na sala de espera, pediu para ir embora e disse, pela primeira vez "estou com medo". Mamãe ficou tão orgulhosa de você expressar-se assim! Você sentou na cadeira, no colo da Mamãe. A assistente foi maravilhosa, fez balão com a luva, deu brinquedo, mostrou tudo, mas você chorava silenciosamente e cobria a boca com o babador que ela havia colocado no seu pescoço. Aí veio a dentista, falando em português, com voz calma e você abriu a boca, deixou que ela contasse seus dentes e examinasse. Ela até teria conseguido fazer a limpeza, mas achou melhor aguardar a próxima consulta. Estava tudo perfeito, mesmo sendo chupador de dedos, sua mordida está normal. A dentista tem o mesmo pensamento dos seus pais: você vai parar de chupar os dedos quando estiver pronto. Como você ainda tem o hábito de colocar praticamente tudo na boca (menos comida), dá para ver que ainda precisa deste consolo dos dedos. Aqui em Vancouver, as pessoas têm muito menos preconceito contra os dedos do que no Brasil. Ainda bem.

Você fala os plurais bem direitinho, pelo menos os óbvios. Claro que precisa de ajuda para "mãos" e "corações", até porque, Mamãe descobriu com você, não são fáceis. Você fala "churrástico" e "barbecute". Não tem nenhum fonema que não consiga pronunciar, mas ainda fala "raranja" e "baruro" (para laranja e barulho).

Vovô mandou uma coleção de livrinhos maravilhosos para você. Mamãe estava num dilema, porque adora ler com você e só gosta de ler em português, mas pulava vários trechos de algumas estórias, como o Barba Azul escondendo as cabeças das esposas mortas num quarto ou um rei dizendo aos 3 filhos que daria o reino para aquele que se casasse com a princesa mais bela. Ah, para isso sua mãe é politicamente correta! Então ela pediu estes livros da Coleção Giramundo e temos nos divertido muito. São livros bem ilustrados e bem escritos, que incentivam a autoestima, passando mensagens positivas e educativas. Seu preferido é o Feliz por Obrigação e você sempre fica impressionado com a parte em que o menino tira a máscara do rei. Páginas depois, você volta folheando tudo e procurando "taguê máscara?" (você fala "helicóptero", mas não pronuncia "cadê" corretamente). Outro livro delicioso que Mamãe pediu foi O Gatola da Cartola, versão brasileira de The Cat in The Hat, que você já tinha em inglês. Lemos praticamente toda noite, você adora a bagunça que o gato faz. Toda vez que Mamãe lê "ancinho" no livro, você corrige "não é ancinho, é garfo".

Você anda gaguejando, faz uma ou duas semanas. As idéias são mais rápidas do que a língua consegue acompanhar e você gagueja mais em português. Engata em "eu eu eu eu eu" e até completar o pensamento, enrola-se. Você com frequência responde em inglês quando a Mamãe pergunta alguma coisa, principalmente logo após chegar da creche, mas ter mãe capricorniana cabeça-dura (seu avô diz que isso é um pleonasmo) tem suas vantagens. Mamãe traduz em português o que você acabou de dizer e aí você repete. Persistência, persistência, persistência e sua mãe é boa nisso. Ainda bem que estamos de passagem comprada para umas merecidas férias no Brasil, que funcionarão como curso intensivo de imersão na língua portuguesa para você e de mordomia para ela!

Você agora gosta da piscina. Praticamente todo final de tarde vai nadar com seu pai na piscina do prédio. Num dia, encontrou várias crianças lá. No outro, somente um vizinho, então comentou, com uma voz desconsolada "just a dad, no kids". Esta fase é muito engraçada. Você pegou um livro do seu pai na mesa e perguntou "is this story yours?". Mamãe adora a forma de as crianças pequenas expressarem seus pensamentos com termos não convencionais para os adultos.

Uma das suas qualidades mais adoráveis é a empatia. Mamãe chegou em casa ontem chateada, mas deu um sorriso ao ver você. Não deve ter sido muito convincente, porque você levantou da cama, deu um abraço apertado, depois se afastou um pouco para olhar nos olhos e perguntou, preocupado, "você está feliz?" E como não ficar depois disso?

Um abraço bem apertado, como diria você "eu eu eu eu eu eu eu te amo",

Mamãe.

10 julho, 2009

O Pacotinho de Tradução

O Pacotinho de Curiosidade está sempre preocupado em saber a quem pertencem determinados objetos, lugares e aniversários. Passou o aniversário do avô repetindo a todos os presentes: "today is not your birthday. It's Momo's birthday". Deve ser coisa de criança que fica em creche, convivendo diariamente com um monte de outras crianças, brinquedos, capas de chuva e tranqueiras em geral que nem sempre são as suas.

Chega o dia do aniversário do primo. Mamãe liga para o Brasil e ele canta pela primeira vez uma mistura de Parabéns a Você com Happy Birthday to You (ele sabe cantar as duas versões desde o seu próprio aniversário de 2 anos).

Daí a pouco, Mamãe da cozinha escuta a musiquinha de guardar os brinquedos.
"Clean up, clean up
Everybody, everywhere
Clean up, clean up
Everybody, do your share".

E, quando chega na sala, Mamãe constata que o Pacotinho de Organização catou todas as peças de lego e guardou-as de volta na caixa. Sem que ninguém pedisse.

- Que legal! Você guardou tudo sozinho. Muito bem, está de parabéns!
- Não! Não é parabéns "to me", é parabéns "to Léo" (o primo aniversariante do dia).

06 julho, 2009

Filosofia de Internet






Meu pai sempre diz que o pior tipo de burro é o burro com iniciativa. Pode até ser o pior, mas sem dúvida o mais divertido é o burro filósofo.

Preciso dividir esta pérola de texto que encontrei num fórum virtual de mães. Não foi escrito por Odorico Paraguaçu, mas bem que poderia ter sido, se ele fosse mãe. Garantiu minha gargalhada do dia.

"Meninas, a presopopeia total dessa retundancia da crise existencial que toda Mulher e pós-Mãe passa na sua transformação de reles mortal a Deusa suprema de um mundo proprio de poucas criaturas denomindadas Filhos, é algo dificil de "nomeclaturar", e cabe a cada uma medir a dose certa, então lhes pergunto:

Como vc ve sua desenvoltura como mãe, Zelosa ou Neorotica? Comentem o pq dessa resposta
."



Quem entendeu, faça o favor de explicar, até porque ninguém merece uma "presopopeia parcial dessa retundancia", melhor uma total mesmo.

Pensando bem, se gente famosa pode cantar "açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã", "zabelê, zumbi, besouro, vespa fabricando mel, guarda seu tesouro, jóia marrom, raça como nossa cor" ou "pousa-se toda Maria no varal das 22 fadas nuas lourinhas. Fostes besouro Maria e a aba do Pierrot descosturou na bainha", por que a moça não pode ser "presopopeicamente retundante"?

PS: Nunca tinha reparado como gostam de enfiar um besouro numa letra de música sem pé nem cabeça. Mas os 3 exemplos que vieram à mente primeiro eram todos "entomológicos".

05 julho, 2009

Surpresa!








Já virou rotina. Praticamente todo dia, por volta das 06:30 da manhã, o obstetra de plantão (somente dois não fazem isso) marca uma cesárea de "urgência". Mesmo num lugar onde as taxas de cesárea estão longe do absurdo que são no Brasil, os casos de "urgência" aumentam cerca de 1 hora antes da troca de plantão. Diariamente. Mas o assunto é outro...

Sete da manhã, chega a cesárea de "urgência" da manhã de sábado. Você vai admitir a paciente e encontra um moço de turbante, barba na altura do umbigo, braços super peludos, câmera na mão, obviamente o suposto pai. A grávida, deitada na maca, tem os cabelos numa trança longa que parece chegar ao meio das costas ou do bumbum (difícil dizer quando ela está deitada). Quando você traz a gestante para a sala de cirurgia, deixa para trás uma senhora usando um sári, trança gigantesca no cabelo, provavelmente a avó.

E aí você avisa à moça que vai passar antisséptico na barriga dela e pede que ela não encoste mais ali. Quando levanta a camisola, você se depara com uma das barrigas mais peludas que já viu. A versão feminina e grávida do Tony Ramos, sem exagero. Com o aparador de pêlos ligado, você faz uma prece mental e pede perdão aos Céus por todas as vezes que reclamou de não ter ascendência japonesa e ter que depilar a perna. Enquanto tira cabelos de 8 cm de comprimento da barriga exposta, seu cérebro politicamente incorreto viaja: "Será que na Índia a mulherada Sikh não vai às piscinas, entra na água vestida de sári ou tem coragem de colocar roupa de banho com o corpo todo cabeludo assim?" Você concentra seus pensamentos na barriga porque a lembrança da barba do pai é perturbadora demais e você teme pesadelos de noite. E também porque já cobriu com um cobertor as pernas da paciente, que de relance pareceram 500 vezes mais cabeludas que a barriga.

Nasce o rebento. O pai, sem conseguir conter toda a barba atrás da máscara, estica a câmera para registrar o momento. E a melhor frase do ano fica por conta da enfermeira da maternidade, que pega o bebê e comenta, visivelmente surpresa: "nossa, que cabeludo!" Será que ela esperava um carequinha?

PS Cultural: Os pais vão aguardar o dia de ir ao templo Sikh e saber de alguém lá qual será o nome do filho.

03 julho, 2009

Up



A primeira vez em que o Pacotinho de Diversão foi ao cinema, ele ainda não tinha 3 meses de vida. Ele foi novamente ano passado, quando assistiu a The Tale of Desperaux e chorou com medo de algumas cenas.

Nada como a fase após os 2 anos e meio para aumentar a probabilidade de que o filme acabe antes que seu filho levante-se da poltrona dez vezes! O Pacotinho de Badulaques achou difícil subir a escada rolante carregando um saco de pipoca da altura do Corcovado (era o menor tamanho, porque o grande é do tamanho do Everest), os óculos especiais para filmes em 3 D (ainda embrulhados na embalagem) e mais suas tralhas habituais. Em compensação, sentou-se comportadamente na poltrona, mas o mesmo não pode se dito do saltitante saco de pipocas, que demorou a decidir se ficaria na cadeira ou no chão, mudando de idéia e de lugar oitocentas vezes. Se fosse na minha época, seria um saco de pipocas com bicho-carpinteiro, mas atualmente acho que diriam que se trata de um saco de pipocas com hiperatividade e deficit de atenção, precisando de ritalina.

Não sei se todas as crianças de 3 anos de idade são desconfiadas, mas o fato é que o Pacotinho de Descrença olhou com cara de incredulidade quando sua mãe sugeriu que ele colocasse os óculos no rosto. Ah, mas bastou ver que todos estavam usando que ele mudou de idéia e ficou I-GUAL-ZI-NHO ao personagem de outro filme:



Matinê de filme infantil é divertida também pelo que se ouve da platéia. Em plena cena silenciosa, um Pacotinho de Curiosidade fala bem alto: "Cadê Kevin?" ou "O que aconteceu?", "Where is his house?" A gente fala "shhhh", mas sendo desenho animado às 14:30, nem dá para esperar silêncio.

É um filme melancólico, com algumas cenas engraçadas, mas nada como o Nemo ou o Shrek em termos de gargalhadas. E, convenhamos, melhor um desenho da Pixar do que Transformers 2, também em cartaz por aqui.

01 julho, 2009

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde:

Para Solange: Não faço depilação a laser em casa. Nem sei se é possível que alguém faça fora das clínicas especializadas.

Para Déia Mortensen: O carro azul é um poster de plástico transparente, chamado "scene setters" e veio junto com o Lightening McQueen que está embaixo dos balões.