31 janeiro, 2010

Seu neném leu os mesmos livros que você?

Que me perdoem os que defendem o método de deixar um bebê chorando sozinho no berço até cair no sono, mas é tão difícil assim entender que os bebês preferem dormir aconchegados na gente? Não são bobos não.

30 janeiro, 2010

São Longuinho, São Longuinho

Quando você pensa que já leu de tudo e já viu muito desespero por pouca coisa, aparecem uns problemas gravíssimos nos fóruns de mães:

"Gente, agora do nada lembrei q nunca mais vi o umbigo do meu filho, o qual tinha guardado dentro de um potinho em cima da minha cômoda. Como não tenho empregada, sou só eu, meu marido e meu filho de 3 anos achei q nguém ia mexer lá. mas agora me dei conta q faz anos q não vejo (e já arrumei minha cômoda e closet várias vezes e não lembro de tê-lo visto. ~Chamei minha mãe(que mora aqui perto e estava aqui em casa) e contei-lhe o incidente e perguntei - e agora?? Ela falou -não sei, só Deus sabe! Gente eu estou desesperada, acho q a resposta dela foi referente à dizer q a cça vira uma pessoa má quando acontece isso. Ela começou a me chamar de irresponsável e q agora a personalidade dele será incerta devido à isso."


O que responder?

a) É caso para ficar desesperada mesmo. E pensar que a personalidade estava decidida ali na gaveta e você literalmente pôs tudo a perder.

b) Ele será carpinteiro, porque o umbigo foi perdido na cômoda. E o meu filho, que vai ser lixeiro?

c) Esse é um caso de caça ao Saci. Pegue o Saci, aprisione numa garrafa e tire antes o seu gorrinho. Avise que não vai devolver o gorrinho enquanto ele não devolver o umbigo da criança.


d) Perdeu mesmo? Já procurou na altura da cintura, na barriga dele para ver se não está lá?

e) Que pena que você mora no Brasil. Se fosse nos Estados Unidos, poderia acionar o FBI e teria o maior apoio.

*

Achou pouco? Tem também comentários sobre os efeitos colaterais cientificamente comprovados das vacinas:

"meu marido costuma dizer que todo nosso consumismo, necessidade de exito, dinheiro, ganancia e falta de respeito sao "instaladas" no nosso organismo com as vacinas... que desde bebes ja vao preparando as pessoas pra serem os adultos que vivem para que o sistema continue funcionando e que o capital ganhe a briga sempre..."


Ai, será que só eu tenho medo de gente doida capaz de se reproduzir?

26 janeiro, 2010

Carta de janeiro


"Filhotinho,

Mamãe deveria ter escrito logo após o Natal, mas acabou enrolando-se. Você pela primeira vez ficou na expectativa pelo Papai Noel e pelos presentes. Passou uma semana dizendo que queria um "robô bem grande" e, ao dizer isso, abria os braços e mostrava o tamanho dele acima da sua cabeça. O Papai Noel deixou para os últimos dias e teve muita dificuldade em encontrar um robô bem grande, então ele trouxe um WALL-E médio e um pequeno para, proporcionalmente, o médio ficar grande (espertinho ele, né?). Seus olhos brilharam de felicidade, mas a cada caixa que abria, esperava encontrar a Eee-vah, como diz o seu WALL-E. Ela estava esgotada nas lojas há tempos, sem a menor chance de estar num embrulho, mas você apertava o botão, o robô falava "Eee-vah" e você dizia "o WALL-E quer o dele amigo".

WALL-E virou parte da família. Acorda e dorme com você, vai à creche (e fica guardado no armário até que a hora de voltar para casa), acompanha a gente para todo lado. Você já avisou que sua próxima festa de aniversário será do WALL-E.

Você está ficando bem independente. Em casa, vai ao banheiro sozinho, dá descarga, lava a mão e só pede ajuda quando estamos fora de casa. Na creche, vira-se sozinho. Inventou o verbo "dampar" e diz "eu vou dampar o xixi no vaso, eu já dampei" (do inglês, "to dump"). Mamãe sempre corrige, "jogar fora, despejar" e você esquece. Exceto por você, o resto da turma aqui não vê a hora de dar fim no penico, justamente por conta da necessidade de "dampagem".

Coisa mais bonitinha é você "lendo" o livrinho A Very Hungry Catterpillar. A professora lê na creche em inglês, mas a Mamãe sempre lê em português. Você senta na cama, abre o livro e começa "um lagarta com fome" e, se ouve "uma lagarta faminta", retruca logo, "não é faminta! É com fome". Vai virando as páginas e, como não sabe os nomes dos dias da semana, ao invés de segunda-feira, terça-feira, você começa cada página sempre com "no dia seguinte". E vai falando "no dia seguinte, ela comeu quatro morangos, mas ela AINDA estava com fome". A cada vez que a palavra "ainda" aparece, você fala com um tom mais agudo, igualzinho à Mamãe quando lê para você.


Outro livro que você adora é um presente do Vovô, chamado Veículos. Você sabe o nome de todos eles: colheitadeira, empilhadeira, retroescavadeira e pronuncia tudo corretamente, o que é surpreendente para alguém que não fala "cadê", mas "taguê". Também há um livro que você tem desde bebê, chamado "Things That Go", só com fotos de brinquedos que são meios de transporte. Outro dia, a Mamãe pegou este segundo livro e disse "também é de veículos" e você, meio impaciente, corrigiu "não é de vê ículos, é de vê brinquedos". Claro, como ela não percebeu?

Você tem falado muito no Brasil, nas pessoas que conhece lá, está com saudades. Somos dois. Hoje saiu um assunto sobre caranguejos e você avisou "tem caranguejo lá na Salvador".

Você tem um brinquedo novo, um dragão que vira uma bola. Ontem, a Mamãe mostrou o pé dele e você insistia que era a mão. Aí revirou os olhos com ar de sabedoria impaciente e disse "Mãe, só pessoas têm pé. Dragão não tem".

Seus amigos favoritos na creche continuam sendo a Leni e o Jonah. Você fala muito neles e, quando chega, avisa "brinquei com Leni e Jonah". Volta e meia quando chegamos para buscá-lo, está passeando de mãos dadas com a Leni.

Este mês, parece que você aprendeu alguns artigos e pronomes masculinos e femininos corretamente. Já não fala mais "o Courtney", mas "a Courtney" para a professora. E aprendeu "minha boca, minha cabeça". Também houve uma grande melhora na conjugação dos verbos e você fala direitinho "eu machuquei, eu comprei". Por outro lado, qualquer tempo que não seja o presente é rotulado de "ontem", inclusive amanhã.

Sábado passado estávamos numa festa dos amigos do seu pai. Havia uma moça ucraniana falando na língua dela com o filho e você imediatamente virou para ela e puxou assunto no idioma do seu pai. Ela não entendeu nada, mas sua tia estava lá e traduziu. Realmente russo e servo-croata são línguas bem parecidas e foi um erro bem compreensível.

Você continua muito curioso, pergunta sempre onde vamos quando saímos de carro e quer saber se é muito longe para ir a pé. Reconhece vários caminhos e consegue avistar de longe a Toys R Us e o supermercado. Também consegue "ler" o símbolo do Seven Eleven. Quando a Mamãe comenta isso com o Vovô e a Vovó, eles dizem que ela era igualzinha na mesma idade, só que eles se esquecem de que ela sofre de desorientação espacial até hoje. Você é infinitamente mais bem orientado no espaço do que sua mãe.

Uma coisa muito interessante que temos reparado é que você muda a forma como chama a si mesmo dependendo da pessoa com quem fala. Embora chamemos você de Filhote, se está falando com seu pai, você usa a palavra "Deckic" (garotinho) para referir-se a si mesmo. Quando fala com a Mamãe, varia entre "isso é do Filhotinho", "é do Daniel", "é do Filhote", ou melhor ainda, "é do eu".

Você sabe digitar seu nome no computador, mas só reconhece as letras maiúsculas. O fato de reconhecer a letra D deu até briga com sua amiguinha Zoi outro dia, porque você leu no cartão dela, "Dear Zoi", comentou que era sua letra (D) e ela começou a chorar, dizendo que o cartão era dela e não seu.

É tão gostoso ter você por perto, ouvir sua voz deliciosa, compartilhar suas conclusões sobre o mundo que o cerca e receber seus abraços sempre apertados. Pena que o tempo passa tão rápido! E pensar que, na véspera de você completar 1 mês de vida, sua mãe chorou porque você já estava crescendo depressa demais.

Um abraço cheio de amor,
Mamãe"

SAL do Iglu para Éderson

O Serviço de Atendimento ao Leitor responde para Éderson:

Não tenho a menor noção dos preços cobrados em hospitais para quem não é residente permanente, mas sei que qualquer procedimento custa muito caro e é preciso pagar na hora, para depois receber o reembolso do seguro.

Eles não costumam entregar cópia do prontuário para ninguém mesmo, canadense nem tem hábito de pedir para ver resultado de exame, vai tudo direto do laboratório para o médico. A pessoa pode explicar que precisa um laudo médico para o seguro, que eles dão.

Infelizmente não trabalho neste hospital, mas existe serviço de intérprete em praticamente todos os hospitais aqui. Eu vivo traduzindo para brasileiros e portugueses em situações semelhantes, certamente tem algum funcionário lá que fale português ou espanhol, para quebrar o galho.

22 janeiro, 2010

Leap Year



Um título melhor para o filme poderia ser "When Bad Movies Happen to Good Actors". Não tem paisagem bonita, nem atriz talentosa e linda que salve um filme totalmente incapaz de surpreender o telespectador, com o roteiro mais previsível da história do cinema. Não arranca uma só gargalhada e está classificado como "comédia romântica".

Como 2010 nem é um ano bissexto, o filme ainda tem mais esta falha.

Não vale a pena, não por 9 dólares. Amy Adams deveria ter ficado somente com Julie & Julia este ano.

17 janeiro, 2010

"Desgraça no Haiti esta sendo boa pra nos aqui"

Diante de tanta tristeza, devastação e morte, quando pensamos que nada pode ser mais revoltante do que o sofrimento das pessoas à espera da ajuda que parece não chegar nunca, aparece um energúmeno para abrir a boca preconceituosa. Vergonha de ter cara desses como representante diplomático em qualquer lugar do mundo.

16 janeiro, 2010

SAL do Iglu para Silvia

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde para Silvia:

Tenho vários trechos do livro traduzidos e publicados aqui no blog. Se você está no orkut, na comunidade Grupo Virtual de Amamentação também há vários capítulos em português, postados por mim e outras participantes.

Mas, 100 dólares? Estão vendendo livros na loja da Armani agora? Não sei onde você mora, mas eu sempre compro livros usados pela Amazon.ca e encontrei o My Child Won't Eat por $8,97.

Além disso, se estiver esgotado nas lojas, geralmente é possível encomendar na Chapters.

Pena que você esperou o neném nascer para ler o livro! A gente tem bem mais tempo quando está grávida.

O Papel Higiênico e a Prioridade de Cada Um


O pai dela sempre diz que nunca podem faltar numa casa água potável e papel higiênico. Como as pessoas tendem a repetir certos padrões de comportamento aprendidos na infância, ela também sofre de pavor de faltar papel higiênico em casa.

Então, antes de saírem para a aula de dança, ela avisa ao marido:
- Só tem mais um rolo de papel, vou deixar no outro banheiro, para sua mãe (a babá que fica com o Pacotinho de Farra para os pais irem dançar).
- Depois da aula, eu compro mais.

Chove a cântaros. Ele só lembra de comprar o papel tarde da noite.

No dia seguinte, ela sai cedo para trabalhar e vê o pacote de rolos de papel na entrada.

Volta do trabalho e encontra os rolos espalhados no tapete da sala.

- O que aconteceu aqui?
- Estava no banheiro, quando vi que não tinha papel. Corri para buscar e encontrei seu filho fazendo uma torre com eles e curtindo assistir ao desmoronamento dela, várias vezes.
- Você tinha que ter tirado uma foto. É o tipo de coisa legal de relembrar depois.
- Eu estava desesperado, com as calças na mão. Eternizar o momento para a posteridade não fazia parte da minha lista de prioridades.
- Mas que foi uma pena, foi.

14 janeiro, 2010

Quando a Torre de Babel Vai ao Médico

O Pacotinho de Indisposição, depois de 2 dias de febre e corpo mole, avisou "Mamãe, meu orelha está doendo." Diante de reclamação tão óbvia, só resta consultar para confirmar a otite.

E, chegando lá, Mamãe imediatamente reconhece o médico, colega de classe da aula de dança. Quando escuta alguma frase em português dita ao menino, pergunta "fala português?" e conta que esteve no Brasil recentemente, adorou dançar forró, inclusive. Búlgaro dançando forró, quem diria.

Assim que escuta o pai do Pacotinho de Tagarelice falando com ele, reconhece que se trata de uma língua do Leste Europeu e pergunta se é romeno (até eu, que sou mais boba, mesmo sem saber se é russo ou tcheco, sei quando o idioma vem daquelas bandas, imagina o cara que veio da Bulgária).

E segue a consulta assim:
- Daniel, how old are you?
- Three.
- Do you have a booboo?
- Yes. Right here (aponta pra orelha).
- Deixa o médico olhar com a luzinha, Filhote.
- hbrc tzkv pkmbc (a língua do Marido Gringo parece ter só consoantes, para quem não fala).

Comportamento exemplar no consultório, mas os elogios ficam mesmo para o fato de que o garotinho entende tudo e responde a cada pessoa no idioma em que a pergunta é feita.

Já em casa, não tem idioma que convença, depois de duas primeiras doses da medicação, a tomar uma terceira. E ele é capaz de inventar argumentos em três línguas diferentes, para justificar a recusa. "Estou com medo", "este remédio machuca meu boca", "eu não estou doente", "meu orelha não está doendo mais".


O troço tem mesmo um gosto enjoativo, um tom rosa que me lembra os abridores de apetite que eu era forçada a tomar na infância. Tão mais fácil quando eles são bebês, não sabem falar que estão com dor de ouvido, mas pelo menos abrem a boca e até gostam de chupar a seringa!

10 janeiro, 2010

Da Série Coisas Que Leio Por Aí: Perguntas de Mãe Sem Noção

Num fórum virtual de mães volta e meia aparecem umas pérolas. Ainda é o começo do ano e já há uma pequena coleção de jóias, infelizmente, nem tão raras assim:

Meu filho de 2m20 dias tem estranhado todo mundo, como devo agir???

Até o natal mais ou menos ele era todo sorrisos com todo mundo... passou o tempo viajamos, e agora duas semanas depois ele estranha todo mundo que não viu nesse período...
Ele amava a vizinha, ficou uma semana sem ve-la agora qndo a ve só faz bico e choraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... vai ser sempre assim? Ate qndo? Como fazer com que ele não chore, ou reconheça as pessoas?



Querida Mamãe Social,

Sinto informar, mas se com 2 meses e 20 dias já está nesta tremenda falta de civilidade, provavelmente ele vai ser sempre assim mesmo. Já posso ver a cena, ele chegando para fazer o psicotécnico antes de tirar a carteira de motorista, olhando para a cara do instrutor e choraaaaaaando porque o moço é estranho. Você demorou muito para agir, nunca ouviu dizer que educação vem de berço? E agora seu filho tornou-se antipático, mal educado, onde já se viu não cumprimentar a vizinha com um sorriso? De onde vem tanta ingratidão? E como é que você vai ter cara de pedir uma xícara de açúcar para bater um bolo se seu filho trata a vizinha assim?

Como agir? Medidas intempestivas. Psiquiatra e ansiolítico no menino, precisamos correr atrás do tempo perdido. Quando penso que já passaram 2 meses e 20 dias e você ainda não tomou providência, dá até medo. Ah, e uma foto da vizinha no travesseiro dele, com a frase "Tia Fulana, bom dia." Repita todos os dias, mês que vem ele estará falando automaticamente, assim que ela der as caras.

***

Uma pergunta:

Gostaria de saber com que idade um bebê já entende que está tomando uma bronca.
Minha filha tem 6 meses e meio e qndo não gosta de alguma coisa faz uma birrazinha. Eu e meu marido falamos sério com ela e ela para. Será q ela está entendendo que eu não estou gostando? Acho q sim, né?


E a outra responde:
na consulta de 9 meses da minha pequena eu perguntei pra pedi:

- ela já éntende as coisas? eu posso repreender qdo for preciso?

- jáááá, entende tudo!



Prezadas Mamães Zelosas,

Repreender quando for preciso? Com 9 meses, ela já deveria estar calculando raiz quadrada, falando ao menos dois idiomas fluentemente (recomendo mandarim) e procurando um trabalho nas horas vagas, para não ser um peso morto em casa. Se não está fazendo tudo isso, repreenda-a sim. Dou um desconto para a criança de 6 meses e meio, que pode falar só um idioma e trabalhar meio período, mas acaba aí a folga. E tem coisa mais irritante que bebê folgado? Só se for o da amiga acima, que é antipático.

***

Uma mãe reclama que a filha de 7 anos está "insuportável", com ciúmes do irmãozinho que é um bebê e uma boa alma comenta:

no meu condominio tinha uma menina de 9 anos assim.
A mãe dela a levou na sessão do descarrego da Igreja Universal, ela incorporou um monte de coisa eskisita, falava com uma voz gravissima e ficou com uma força descomunal...eles fizeram o descarrego e hj a menina é um anjo.
Eles disseram q ela era perturbada por encostos....credo, né?
Mas fez efeito!


Caras Mamães dos Tópicos Anteriores,

Esqueçam todas as sugestões. Tudo pode ser resolvido com a incorporação de um monte de coisa "eskisita". Taí a solução ideal para os problemas dos seus filhos.

01 janeiro, 2010

Réveillon em Terras Geladas no Cinema

Não tem Natal, nem Carnaval, nem Copa do Mundo que se comparem. A época do ano em que fico mais "homesick" é na última semana. Para quem se acostumou a enfrentar mais de mil quilômetros de viagem só para curtir os fogos em Copacabana, dia 31 de dezembro aqui em Vancouver é um tédio.

Tem festas em boates e em alguns restaurantes. Sempre caro, sem roupas brancas, sem fogos de artifício, sem uma alma viva na praia... E, depois de 10 anos, acho que nunca vou me acostumar. Quem sempre gostou da virada de ano no Brasil sente falta da farra à beira-mar.

Então, a solução é aproveitar os feriados para ir ao cinema. Esta época do ano costuma ter lançamentos de filmes excelentes até para as raras exceções que, como eu, não suportam ficção ou musicais e não querem ver Avatar ou Nine nem de graça. Aliás, para os interessados em Avatar (99,9% da população), todas as sessões aqui em Vancouver continuam lotadas uma hora e meia antes do início do filme, inclusive a sessão que começa à meia-noite, mesmo sendo a segunda semana de exibição.

Quem tem criança em casa pode encarar tranquilamente o divertido Planet 51, o desenho animado mais engraçado que vi em 2009, com piadas que agradam adultos e inúmeras referências a filmes anteriores.



Se não der para escapar de Alvin and The Chipmunks, The Squeakquel, não se desespere. Não dá para dar gargalhadas, o roteiro é completamente no estilo "sem pé nem cabeça", mas as cenas das coreografias das "girl chipmunks" (que não são esquilos, mas uma espécie bem menor, provavelmente sem tradução para o português de quem não é zoólogo, com uma lista branca nas costas, como o Tico e o Teco. Só compreendi a diferença após ver esquilos e "chimpmunks" ao vivo e a cores, porque no Brasil, o Tico e o Teco são chamados de esquilos) são bem bonitinhas. Mil vezes os 90 minutos dos Chipmunks que um musical longo, sem dúvida!



As cenas de Precious: based on the novel Push, by Sapphire são pesadas, o tema é chocante, mas a atuação é impecável. Provavelmente, sem ter visto na TV a entrevista de Gabby Sidibe, a atriz principal e sabendo previamente do tema, eu não teria encarado o filme. Ela é, na vida real, o oposto da sua personagem, mas igualmente cativante. Mariah Carey está irreconhecível como a assistente social e a gente leva uns segundos tentando lembrar de onde é familiar o rosto do auxiliar de enfermagem (Lenny Kravitz), mas quem merece levar o Oscar é a comediante Mo'Nique (assim mesmo, com apóstrofo), que faz o papel de mãe-monstro da personagem principal, sem ser esterotipada como a maioria dos vilões, numa atuação brilhante. Poucas vezes num filme o espectador sente tanto ódio de um personagem. O roteiro não decepciona, é impossível sair da poltrona sem pensar na vida de Precious e fazer um paralelo com a própria vida, que fica definitivamente muito mais fácil por comparação. No fundo, é um filme sobre esperança. A vida é mesmo preciosa, como nos mostra o equivalente ao Slumdog Millionaire deste ano.



George Clooney continua charmoso no inusitado Up in The Air. Com uma profissão que eu sequer imaginei que existisse, o personagem mostra uma situação bem atual para o ano de crise nos Estados Unidos que foi 2009. É um filme com cenas engraçadas, um misto de documentário, comédia e drama, que trata de um tema sofrido para muitas famílias, mas fala sério: tem o George Clooney, quem liga pro resto?



Faltam os fogos e a farra na praia, mas não falta é opção de filme interessante no cinema.