27 abril, 2009

A Gripe Suína

Foram confirmados 2 casos de gripe suína aqui em Vancouver, de acordo com uma notícia de hoje.

Como no episódio da SARS, que também ficou conhecida como pneumonia asiática, tem mais gente se apavorando de longe do que por aqui. Ainda não vi ninguém de máscara na rua, como na época da SARS (e em Vancouver, os chineses são particularmente chegados a uma máscara, com ou sem gripe animal do momento).

No hospital onde trabalho, ainda não foram tomadas precauções especiais. Temos umas máscaras estilo "Star Wars", apertadíssimas e sufocantes, que devemos usar em casos de suspeita de tuberculose, mas nem sequer foram mencionadas nesta semana. Vale dizer que nem passo pela emergência, onde a probabilidade de alguém chegar com o vírus é maior. Talvez por lá já tenham alguma estratégia específica.

Nunca é demais lembrar que vale o bom senso: lavar as mãos e evitar lugares fechados com gente confinada. Confesso que tenho muito mais medo da paranóia e da hipocondria do que da gripe.

26 abril, 2009

Lavou, 'tá novo?

Passou a fase das fraldas. O garotinho vai sozinho ao banheiro, nem comenta com ninguém, só se estiver querendo elogios. De vez em quando, grita lá de dentro:

- Mamãe, ajuda!
- O que foi?
(coloca uma balinha molhada na mão da mãe)
- Lavar. 'Tá sujo.
(a mãe já está desconfiadíssima)
- Tá sujo? Onde caiu isso?
- Caiu aqui. (apontando para o penico cheio de xixi)

Sim, continuo achando que bebês dão menos trabalho (infinitamente menos) que "toddlers", como chamam por aqui a fase de 18 meses a 4 anos. A fase "adolescente" é só para jogadores de nível avançado, se tomarmos como base a máxima "filho é como videogame: a próxima fase é sempre mais difícil".

24 abril, 2009

Língua Complicada

Ao aprender uma língua estrangeira, é comum que as pessoas tropecem nas preposições. Por mais que expliquem que "in" é dentro e "on" é em cima, tem sempre as exceções como "in bed", embora a pessoa esteja em cima da cama e "on the airplane" mesmo que você sempre viaje do lado de dentro do avião. Isso para não citar aquela antipatia de "get out", "get off" e "get out of"...

Pelo jeito, para aprender português, antes das preposições são os artigos que causam grande confusão. Lembro de um amigo canadense, filho de brasileira, questionando o porquê de dizermos "as costas" quando cada pessoa só tem uma. Até tentei explicar que paraense costuma falar "minha costa", talvez seguindo o mesmo raciocínio, mas não soube explicar o motivo de no resto do Brasil "the back" ser "as costas". Um outro amigo sueco que morou no Brasil não se conforma de "útero" ser um substantivo masculino, com toda razão. É o tipo da coisa lógica, mas que nunca me ocorreu até um gringo comentar.

Se é difícil para os adultos, imagina para as crianças!

- Machucou meu boca.
- Machucou MINHA boca.
- Machucou MINHA boca. (repetindo com a mesma ênfase)

- Olha, Mamãe: o buraco da sapo.
- É o buraco DO sapo.
- É o buraco DO sapo.

O Pacotinho de Tradução deve ter desconfiado de que talvez exista alguma lógica por trás de tudo isso:

- Ai ai ai! (colocando a mão na orelha)
- O que foi?
- Mamãe, está doendo meu orelho!

20 abril, 2009

As Férias Depois das Férias


Coincidentemente, num período de 3 semanas, estiveram alternadamente na Disney da Flórida um cirurgião vascular com 2 filhos pequenos, um anestesista com 3 meninos (o mais velho com 5 anos e o caçula, um bebê de 5 meses), uma residente da anestesia com o noivo (adulto, espero) e nós aqui do Iglu.

Encontrando-se depois das férias, todos foram unânimes: é preciso de descanso depois dessas férias. Como é cansativo! Ou será que fiquei velha? Das outras vezes, eu era mais nova e sem filhos, quanta diferença!

As filas durante o "Spring break" americano estavam quilométricas, dava para fazer amizades duradouras durante a espera para uma voltinha de 10 minutos no brinquedo. Os parques absolutamente lotados. Você chega ao Magic Kingdom e pensa "todos tiveram a mesma idéia e vieram para cá hoje" mas, no dia seguinte, a multidão segue você para o próximo parque, para os "outlets" e não adianta nem ficar no resort, que tem um monte de gente lá também.

Desta vez, não sei é porque já me acostumei com a quantidade de pessoas morbidamente obesas nas ruas ou se realmente a porcentagem de obesos diminuiu, mas até que achei muito menos impressionante que das vezes anteriores. Também não sei se o número de carrinhos aumentou, nem as filas para os brinquedos apropriados a crianças pequenas, mas pareceram a mim que foram elevados à milésima potência.

O que mais me chamou a atenção mesmo foi a quantidade de filhos dos americanos. Em média, muito maior que a dos canadenses. Uma moça novinha sentou-se do meu lado num ônibus, com uma criança em cada perna. Começamos a conversar sobre o menino dela chupando o dedão. Ela disse que aquele casalzinho eram gêmeos de 3 anos e que a filha mais velha dela, de 7 anos, havia parado de chupar o dedo. Aí ela diz "eu tenho 5 filhos e só um não chupou o dedo". Virei para trás e vi o marido com mais 3 meninas pequenas. Várias pessoas no hotel tinham 5 ou 6 filhos pequenos. Nos parques, era fácil ver casais com 4 ou mais crianças com camisetas iguais. E eu exausta com um só!

Como sempre, uma das coisas que mais admiro na América do Norte é o acesso de que pessoas com os mais variados tipos de limitações físicas podem desfrutar. As atrações paravam para acomodar cadeiras de rodas e "scooters" com uma desenvoltura que dificilmente é vista no Brasil.

O cirurgião vascular disse hoje que já decidiu só voltar quando o filho mais novo estiver com 10 anos. E eu, sem parar uns dias na praia mais próxima depois para relaxar, nunca mais! Descanso muito mais dando plantão, em pé.

16 abril, 2009

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor responde à Lúcia Soares:

Eu sou realmente viciada em chiclete, não é força de expressão. Já diminuí muito a frequência, mas só consigo evitar se escovar os dentes imediatamente após as refeições, o que nem sempre é possível fora de casa. Não recomendo o hábito, mas queria dizer que é preciso cuidado quando copiar os hábitos de algum profissional da área da saúde. Há tantos médicos que fumam, são sedentários ou estão com sobrepeso! Um exemplo clássico é o da amamentação: raramente a gente encontra uma pediatra que amamenta os filhos além de 8 meses de idade, quando a recomendação da Organização Mundial da Saúde é de amamentação nos primeiros 2 anos de vida. Isso quando os próprios médicos não encorajam a mãe a desmamar "aquela menina grande" de 1 ano de idade, alegando que o leite não serve mais para nada ou, pior, que vai prejudicar a criança.

A Bibi também comentou dos malefícios do adoçante artificial, mas como jamais tive vontade de provar um cigarro ou qualquer droga ilícita, não gosto nem de bebida alcóolica ou de café, permito-me a goma de mascar.

Bibi

Eu sei dos malefícios do aspartame. Jamais tomei mais que um gole de qualquer bebida "light", "diet" ou zero na vida. Se é para tomar refrigerante, tomo a versão original engordativa. Não tomo iogurte ou sorvete "light". Nunca bebo nada com adoçante, então gosto de acreditar que tenho alguns créditos para queimar. A preferência pelos chicletes sem açúcar é pela textura, não pelas calorias.

13 abril, 2009

This is a gum-free airport!


A pessoa viciada em ciclete já costuma sair de viagem com seu estoque na mala. Na dúvida se vai encontrar seu tipo favorito durante o passeio, poupa-se do estresse levando seu próprio carregamento. Em caso de desespero, qualquer um serve, até aqueles massudos e cheios de açúcar, mas é bem melhor ter disponível o tipo macio e "sugar-free". Qualquer dependente de chiclete sabe que vai encontrar um grupo de simpatizantes da goma de mascar que, não sendo viciados, não trazem consigo suas caixinhas, mas acabam filando um depois das refeições.

Depois de 9 dias exaustivos nos parques da Disney, com crianças e adultos pedindo um chicletinho, acaba o estoque. Tem ainda uma caixinha exclusiva para emergências, mas que ficou tão bem escondida na mala que é impossível de ser encontrada na hora de voltar para casa. "Tudo bem, compro lá no aeroporto", pensa a inocente viajante.

Depois de fazer o check-in, pagar 15 dólares americanos por cada volume de bagagem despachado (quem viaja do Canadá para os Estados Unidos, independentemente da distância, atualmente não tem direito despachar nenhuma mala sem pagamento extra), passar pela segurança e correr atrás do saltitante Pacotinho de Energia Inesgotável pelos corredores do aeroporto de Orlando, a pobre mãe cansada chega a uma loja de revistas. Compra algumas para ler na viagem e pergunta ao rapaz do caixa "onde tem chiclete?". Fica estupefata com a resposta "this is a gum-free airport". Como assim não existe chiclete para vender no aeroporto inteiro? Já não basta ter que pagar por fora pelas porcarias alimentícias servidas no avião, pela bagagem despachada, agora a pessoa nem pode comprar chiclete no aeroporto? Que absurdo! O rapaz explica que é pela sujeira, as pessoas jogam no chão e grudam nas cadeiras e, para mastigar durante o voo, ele sugere um Tic Tac (umas balinhas minúsculas menores que a maioria dos comprimidos).

A viciada nem consegue raciocinar direito. As mãos começam a suar e ela já pensa em como vai sobreviver à síndrome de abstinência durante dois voos até chegar em casa. O Marido com Fobia de Voar, devidamente medicado, vai lá e compra um Tic Tac verde. "De menta. Ardido. Se ainda fosse o branco, de hortelã... Sem chance de substituir um chicletinho, coisa mais inútil, mas vou guardar na bolsa assim mesmo.", pensa inocentemente a pobre mãe ansiosa por mascar um pedaço de borracha com gosto.

Depois de uma conexão e uma espera de 4 horas em Chicago, finalmente entram no último avião. Sabe-se lá Deus como, o Pacotinho de Bisbilhotice pega a caixinha de Tic Tac que estava na bolsa (a mãe preparada havia trazido livrinhos, giz de cera, adesivos, tratores que cabem na palma da mão, mas o menino inventou de pegar a balinha). "Ele vai provar um, não vai gostar e vai esquecer", divaga a mãe exausta. Cerca de 3 segundos depois, antes ainda de o avião decolar, ouve-se a frase "Mamãe, ajuda!", num tom de desespero. Ela se vira e vê a cena: a criança aflita enfia o dedo na narina e a mãe pode deduzir, pelo tom de verde, que a droga da balinha foi colocada lá dentro. Já está bem alta, não vai sair facilmente. Enquanto tenta massagear pelo lado de fora, para ver se desce, a mãe que trabalha na sala de cirurgia imagina a cena no hospital, a criança anestesiada e um residente da otorrino retirando o corpo estranho com um microinstrumento. Ela já tinha ouvido falar de crianças que colocaram caroço de feijão no nariz e pararam no pronto-socorro. Nisso, o Pai Dopado Que Não Consegue Dormir Nem Com Sossega-Leão-Tarja-Preta tem um presságio "isso vai derreter aí dentro e vai arder muito". A criança berra de dor. A moça no banco de trás bufa, revira os olhos e procura por um assento vazio para trocar. A mãe, que é quase inapavorável e não tem medo de cara feia de estranhos, lembra dos lencinhos umedecidos (uma invenção com um bilhão de utilidades a mais que o Bom Bril), enrola para ficar fininho e enfia na narina do anjinho. A menta vai saindo, o menino chora, mas já menos agoniado "machucou, 'tá doendo", visivelmente confiante de que a mãe sabe o que está fazendo (ainda bem que pelo menos alguém bota fé). Foram uns cinco minutos que duraram uma eternidade, mas um bom espirro com catarro verde-bandeira no final não deixou dúvidas de que tudo havia saído. A criança, ao contrário do Pai Dopado, adormeceu assim que ligaram as turbinas e a Moça de Cara Feia no Banco de Trás nem mudou de lugar. O passageiro da frente, viajando com dois meninos mais velhos, fez questão de vir elogiar o comportamento excepcional do Pacotinho de Peraltice durante o voo. Quase ouviu ao invés de um agradecimento: "quer mais um filho? Estou rifando um".

No sufoco, a mãe nem sentiu falta do chiclete durante a viagem. Ela inclusive vai passar a recomendar a fumantes que, durante voos longos, sentem-se ao lado de crianças que enfiam coisas pelo nariz.

Moral da estória:
1. Se, na falta de chiclete, você tiver que apelar para um Tic-Tac, dê preferência a um sabor não ardido. Aqui no Iglu, Tic-Tac agora virou "bala non grata".
2. Definitivamente, o fato de seu filho de quase três anos nunca ter enfiado nada no nariz não impede que ele o faça nos locais mais inconvenientes. E o fato de você ter sido uma criança pouco ativa, que nem tem casos de travessuras para contar, não é garantia de nada.

01 abril, 2009

Primeiro de Abril

São Pedro também entrou na onda da piadinha sem graça. Está nevando aqui hoje! Nada dramático, nem está grudando no chão, mas é neve mesmo.

Se eu não estivesse indo para a Flórida esta semana, iria ficar chorando as pitangas congeladas.