31 janeiro, 2006

A Epopéia dos Que Não Foram

"Vai meu irmão, pega esse avião
Você tem razão de correr assim desse frio,
Mas beija o meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro lance mão.
Pede perdão pela duração dessa temporada
Mas não diga nada que me viu chorando
E pros 'da pesada' diz que eu vou levando."
(Chico Buarque)

Bem que estamos tentando seguir o conselho do meu idolatrado Chico e correr do frio aqui, mas a urucubaca anda solta no iglu.

Em outubro eu fiz uma reserva de passagem gratuita ida e volta Vancouver-Brasília pelo Smiles para o Marido Desligado. Recebemos as passagens no começo de novembro. Lembro perfeitamente de tê-las entregue a ele. Como somos dois bagunceiros e o iglu não é um primor de organização, quem disse que encontrávamos as ditas cujas ? Reviramos tudo e eu concluí ontem de manhã que não iríamos encontrar, então só me restava pagar a multa de 50 dólares para que a Varig emitisse uma segunda via. Fácil, né ?

Entrei no website do Smiles, que estava fora do ar. Liguei na central do Smiles no Brasil e fiquei cinco minutos ouvindo uma gravação "Aguarde. Sua ligação é importante para nós. O vencimento das suas milhas Smiles mudou..." Finalmente apareceu um ser humano do outro lado da linha, para quem contei meu drama. A atendente, com aquela voz robótica e sotaque de paulistana, típicos das operadoras de telemarketing (elas nunca são pernambucanas ou baianas):
- A senhora vai ter que estar indo pessoalmêinte a um escritório da Varig.
- Mas não tem escritório da Varig aqui em Vancouver !
- Nem no aeroporto ?
- Nem no aeroporto !
Convenientemente, cai a droga da ligação.

Ligo de novo, escuto a gravação por mais cinco minutos "Agora suas milhas vencem no dia do aniversário da sua avó" (ou algo do tipo). Mais uma vez, explico o caso para uma outra "ateindêinte", que também não sabe que não há escritório da Varig por aqui, NEM NO AEROPORTO. Ela então me dá o número do escritório de New York. Surpresa ! Ninguém atende lá.

Terceira tentativa: "suas milhas que venciam no aniversário da sua avó serão confiscadas e o Smiles tem o direito de dar uma surra em você". Conto minha novela para uma terceira pessoa, que me transfere para o atendimento do escritório de NY, que (juro que não entendi essa) fica no Brasil ! E tenho o seguinte diálogo com a moça:
- Dona Alessandra, como a senhora não dispõe de três dias úteis, vai ter que estar indo pessoalmente ao escritório da Varig em Toronto.
- Flávia. Meu nome é Flávia. Vocês não podem mandar a passagem por Fedex ? Eu pago !
- A Varig pede três dias úteis. Não vai dar tempo de estar recebendo o dinheiro e estar mandando a passagem para a senhora até quinta-feira. A Varig não vai estar prometendo uma coisa que não tem certeza que vai poder estar cumprindo.
- Tem que ter uma outra solução. Não posso ir ao guichê da Air Canada no aeroporto com um bilhete eletrônico ?
- A Air Canada não vai estar imprimindo bilhete eletrônico emitido pela Varig, senhora Alessandra.
- Flávia ! Eu posso mandar uma pessoa ao escritório para pegar a passagem ?
- Um terceiro ? Não, tem que ser ou a senhora mesma que é a titular da conta ou a senhora Alessandra.
- Mas que raio de Alessandra é essa ?
(Só aí me toquei que dona Alessandra é o senhor meu marido e que ela estava lendo na passagem: Mr. Aleksandar.)
E a moça:
- Pois é, perca de passagem é uma coisa muito séria.
Pensei (mas não falei) que perda do português é muito mais sério. Peguei com ela o endereço e o telefone do escritório em Toronto.

Larguei o telefone e fui pela trigésima vez vasculhar a casa. Achei fotos antigas, cartões vencidos, até diploma do segundo grau, mas nada de passagem.

Liguei para o Marido Ocupado no trabalho e deixei um recado na caixa postal, colocando toda a culpa nele.

Depois li pela internet o caso da criança de dois meses encontrada dentro de um saco plástico boiando na Lagoa da Pampulha. Abri a boca a chorar.

Liguei de novo para o Marido Estressado no trabalho, ainda fungando, para pedir desculpa e dizer que a culpa era toda minha, eu provavelmente tinha jogado a passagem fora no único dia do ano em que havia decidido arrumar o apartamento.

Estou convencida de que, se na espécie humana a gestação fosse tão longa quanto a dos elefantes, todos os bebês nasceriam órfãos de pai. Que marido sobreviveria a tanto tempo convivendo com uma pessoa de humor tão instável ?

Liguei para o meu pai e para a minha irmã, que acompanhavam o drama diretamente do Brasil, em tempo real. Nenhum dos dois acreditava que as passagens tinham ido parar no lixo.

Procurei mais um pouco pela casa, depois liguei para o Coitado do Marido para que ele pesquisasse os horários de vôos para Toronto, assim ele iria na véspera da viagem. Chegaria a tempo de ir pessoalmente ao escritório da Varig e pegar a segunda via, já que não havia outra solução.

Quando finalmente o Santo Marido chegou em casa do trabalho, sentimo-nos os dois maiores idiotas do mundo. Quem perde passagens gratuitas para uma viagem tão longa e cara ? Nem conseguimos jantar direito, tamanho o desânimo de pensar na mão de obra para ir a Toronto na véspera e pegar essa droga de passagem.

Ele ainda foi procurar pela casa toda mais uma vez, piorando a bagunça e dizendo que não se lembrava de algum dia ter visto as passagens. Lá pelas tantas, eu aponto para um móvel no quarto e digo a ele "se tem um lugar onde você teria colocado é aí, mas eu já procurei em todas as gavetas." E ele também tinha, mas procurou de novo e as benditas estavam lá, entre os cartões do nosso casamento !

A comemoração foi digna do pentacampeonato na Copa do Mundo. E ele vira para mim:
- Estou ficando tenso só de pensar em entrar no avião.
(Ele tem fobia de voar, desde que combinou turbulência, dor de barriga e uma aeromoça que o mandava voltar para o lugar e apertar o cinto a cada vez que ele tentava ir ao banheiro com o avião sacudindo. Claro que foi num vôo beeeem curto: da Coréia do Sul para cá.)
- E eu estou ficando tensa só de pensar que você talvez não entre no avião. Ou já esqueceu que seu visto ainda não chegou ?

28 janeiro, 2006

Sem Visto

"Pois sempre tem a cama pronta
E rango no fogão
Luz acesa, me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez"
(Lulu Santos)

Eu já estou na maior pilha de viajar para o Brasil faz tempo (desde o dia em que voltei de lá pela última vez, há um ano), mas o Marido Calmo Que Deixa Tudo Para a Última Hora ainda não recebeu o visto. Não deu entrada antes porque não acreditou que o médico fosse me liberar para uma viagem tão longa e só se mexeu quando eu disse "estando tudo bem na ecografia, embarco COM ou SEM você". Como não há consulado brasileiro em Vancouver, é tudo feito lá no lado leste do país, a milhares de quilômetros de distância. Faltando cinco dias para o embarque, estamos ansiosos, até porque o correio aqui não prima por rapidez e, além disso, tolerância com lerdeza não é uma das minhas virtudes.

Só estou sobrevivendo à chuva que parece eterna porque conto nos dedos os dias de rever o céu mais lindo que eu já vi: aquele lá do quadradinho no meio do meu amado país tropical, onde todas as tonalidades de laranja, vermelho e azul dão um show no final da tarde.

25 janeiro, 2006

Vancouverites Indesejáveis

"Bichos,
Saiam dos lixos.
Baratas,
Me deixem ver suas patas.
Ratos,
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado.
Pulgas
Que habitam minhas rugas.
Oncinha pintada,
Zebrinha listrada,
Coelhinho peludo..." O resto todo o mundo sabe...
(Nando Reis / Arnaldo Antunes / Sérgio Britto)


Pela primeira vez desde meados de dezembro, caminhei até o trabalho SEM um guarda-chuva hoje de manhã. Não choveu ontem e hoje, só no final da tarde (vou ficar mal acostumada). Talvez porque não estivesse preocupada em não me molhar, eu tenha prestado mais atenção ao que se passava à minha volta. Apesar de às sete da manhã ainda ser noite fechada nesta época do ano, pude ver quando um rato preto enorme atravessou a rua na minha frente. AAARGH !

Eu sempre menciono que a maior virtude do Canadá é a baixa densidade demográfica de criaturas asquerosas que aqui habitam (estão arbitrariamente nesta categoria morcegos, mamíferos menores que um chiauaua, todos os anfíbios, todos os répteis, exceto tartarugas e todos os insetos com a exceção de borboletas e joaninhas). Para mim, que já morei em São Luís, terra onde as baratas voam (sim, barata maranhense voa) fazendo barulho de helicóptero e são blindadas (cascudas são aquelas que habitam longe do Equador e morrem com uma pancada; blindadas são as que ainda dão sinal de vida após terem sido fumegadas com inseticida, espancadas com vinte tamancadas e terem toda sua família xingada em altos berros), pererecas acampam no armário da cozinha e sapos assoviam de noite, é um alívio estar "protegida" de seres tão assustadores.

Há muitos gambás por aqui, inclusive em downtown, mas graças a Deus nunca topei com um a ponto de ser "atacada" pelo seu spray, cuja catinga inconfundível pode ser sentida literalmente a quilômetros de distância. Quando morava em casa, toda semana os "racoons" viravam a lata de lixo e espalhavam tudo, que raiva ! Já a galera da pesada (ursos, linces, pumas) não me assusta, até porque não vou onde esse pessoal mora.

Achei que estivesse totalmente segura quando morava no décimo nono andar. Uma bela manhã, estou lá eu deitada na minha cama, recuperando-me de um plantão, quando vejo um vulto preto muito rápido, passando no chão da cozinha, de debaixo do fogão para a pia (isso é que dá ser pobre e morar em apt pequeno: da cama vê-se o resto da casa toda). Achei que fosse ilusão de ótica, como quando uma luz forte brilha no olho e aquela imagem fica piscando. Daí a pouco, o mesmo vulto, na direção contrária. Uns minutos depois, novamente na direção oposta. Minha dúvida só terminou quando vi um camundongo pretinho dobrando a esquina da cozinha, indo para a porta. Ai, que desespero ! Liguei para o então Namorado Gringo, em pânico: alguém tinha que vir me resgatar, já que eu era uma refém no meu próprio lar, ilhada na minha cama ! Ele, meio sonolento e sem acreditar "mas que cor ele era ?" e eu "preto", "ah, então não, que camundongo é branquinho". Gringo pensa que camundongo é só aquele de laboratório ! Mandei logo parar de especular e aparecer lá para dar fim no monstro. Enquanto esperava e não podia nem colocar o pé no chão, liguei para minha irmã no Brasil, que horrorizada só piorou meu pavor: "mas você está aí SOZINHA no mesmo lugar que o rato ?". Depois liguei para uma amiga em Montreal e contei o meu drama, rindo de pura histeria, para passar o tempo.

Quarenta e cinco eternos minutos depois, chega o Herói. Pude ver (da cama, claro) que ele vasculhou todos os cantos do apt e nem sinal do monstro. "Pelo tamanho e pela direção que tomou, deve ter saído por debaixo da porta, por onde provavelmente entrou." - concluí, mas como viver na dúvida ? Liguei para a proprietária do apt, chamei uma firma de "pest control", que cobrou a bagatela de 100 dólares pelos 15 minutos em que ficou lá procurando cocô de rato e instalando ratoeiras em locais estratégicos. Avisei logo que não queria nenhuma ratoeira de desenho animado, daquela que quebra o rato no meio, porque pior do que encontrar um rato é dar de cara com a metade de um rato (tripas para fora e tudo).

A teoria do especialista é que o camundongo não estava morando lá em casa, já que não havia vestígios de excrementos (vai que ele usava o vaso sanitário ?) e, como era dia de mudança no prédio, ele poderia ter vindo dentro de alguma caixa ou móvel velho, assustou-se e entrou debaixo da primeira porta que encontrou: a minha !

Até hoje o Marido acha que eu fiquei mais animadinha no plantão e tomei alguma coisa que deveria ter ido na veia de um paciente doido, para ficar vendo camundongo num apt no décimo nono andar. Eu, hein ? Moro aqui e agüento este frio todo para não ter que aturar barata, agora tenho que enfrentar camundongo (real ou imaginário, é tudo um perigo) !

22 janeiro, 2006

Chove chuva, chove sem parar...

É oficial: NUNCA MAIS vai parar de chover aqui em Raincouver. Já nem sei mais se o céu algum dia foi azul ou se isso é somente uma lenda, como unicórnios e fadas. O guarda-chuva deixou de ser acessório indispensável e virou uma extensão do meu braço. Se chegamos ao dia 22 de janeiro sem sol, talvez São Pedro e as autoridades que tomam conta do clima tenham decidido que podemos viver eternamente sem ele. Eu não posso !

20 janeiro, 2006

Tô Voltando

TÔ VOLTANDO
(Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro)

"Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar
Pode se perfumar
Porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador
Encha a casa de flor
Que eu tô voltando

Pega uma praia aproveita tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando

Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar
Porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando

Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da vó
Que eu tô voltando

Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero la la iá
la la iá iá iá
Porque eu tô voltando"


A notícia mais esperada do mês foi dada hoje, por um técnico de ultrassom com expressões faciais equivalentes à de um peixe morto de aquário: a placenta mudou de lugar, então não preciso ficar de cama e, melhor de tudo, estou liberada para viajar ! Até sonhei que estava no calçadão de Copacabana noite passada, morrendo de calor.

Como o aparelho de ultrassom do meu hospital é daqueles bem primitivos e a regra aqui manda não revelar o sexo do bebê à mãe antes de vinte semanas de gestação, nem ousei perguntar, para não me decepcionar diante da resposta negativa. O Marido resolveu tentar "você consegue saber o sexo ?" e o técnico "vocês querem saber ?". Eu respondi que estava doida para saber, mas que conhecia as regras. Ele disse que normalmente não falaria antes de 20 semanas, mas como eu trabalho lá (unformizada literalmente dos pés à cabeça, que no centro cirúrgico a gente usa touca e protetor para os sapatos e ainda de crachá, incrível que ele tenha notado), disse laconicamente "it's a male". É um menino. Desde o primeiro dia eu disse a todo o mundo que sabia ser um menino, mas principalmente o Marido Descrente da Esposa Vidente que Tem disse que eu não podia ter tanta certeza. Pois é, eu tinha.

Então, meu amado país tropical que nos aguarde: o Marido Gringo, o Zezinho-Ainda-Sem-Nome e eu estaremos, se Deus quiser, aterrisando em terras brasileiras no começo de fevereiro. Recados aos seguintes habitantes da Capital Federal:

Selma, pede pra empregada fazer AQUELE feijão para mim quando eu for almoçar na sua casa.
Lívia, vou querer TODAS as suas sobremesas.
Adolfo, vou cobrar os bolinhos de bacalhau prometidos já no primeiro dia.
Flavinha, vamos passar uns dias no Rio com a gente ? Você é a melhor guia do mundo.
Ju, que Deus proteja as casas de crepe, porque vamos acabar com todo o estoque.
Kiko, vou deixar o Aleks aos seus cuidados quando eu for ao salão.
Daniela, sem chance de você me colocar na cozinha, nem na de um hotel 5 estrelas.

E, como são vários os aniversariantes do mês (Vítor, Flavinha, Lívia e Analu, em ordem cronológica), espero que não falte pão de queijo nem brigadeiro !

17 janeiro, 2006

E Perdemos um "Record"...

Para que Vancouver batesse seu próprio e deprimente "record" de 28 dias consecutivos de chuva, deveria ter chovido no domingo passado. A medição pluviométrica é feita no aeroporto, onde dizem não ter caído água no domingo. Não que eu esteja medindo, aliás torço por sessenta dias consecutivos de sol, mas choveu aqui em casa. Segundo a meteorologia, tivemos SOMENTE 27 dias seguidos de chuva e não quebramos o "record" de mil-novecentos-e-sei-lá-quando. Claro que voltou a chover para todo o lado na segunda-feira e os loucos meteorólogos agora esperam bater o "record" de maior número de dias chuvosos no mês de janeiro.

Minha sanidade mental, que nunca foi muito abundante, está sendo levada pela chuva. Contei hoje três guarda-chuvas dentro do meu armário no hospital, dois dentro do carro, dois secando na banheira e três quebrados no armário de sapatos, mas como ainda abrem, podem ser úteis algum dia. Concluí que, independentemente do tamanho da minha sombrinha, as barras da minha calça sempre ficam ensopadas. E qualquer casaco que não seja impermeável, por mais lindo que seja, não é objeto de desejo atualmente.

12 janeiro, 2006

Coisas de Raincouver

O noticiário de hoje tinha como principal manchete algo de que eu já suspeitava, mas que não contabilizava por medo de cair em depressão: completamos hoje 25 dias consecutivos de chuva nesta terra ! A previsão é de pelo menos mais sete. Se o médico disser que estou liberada para viajar e se eu não estiver completamente mofada até o mês que vem, espero poder torrar o couro no meu país tropical. Ninguém merece mais de 30 dias de chuva e frio sem parar.

E pensar que em Brasília a gente pode passar uma vida inteira com um único guarda-chuva de camelô. Aqui eu tenho vários, de inúmeras cores e tamanhos, alguns com a dimensão de um guarda-sol de praia, para não chegar ensopada no hospital. Nem Mary Poppins !

11 janeiro, 2006

Presente

Hoje é meu aniversário. Lembrei de quando eu era criança e juntava-me com minha melhor amiga de infância (que também faz aniversário hoje - parabéns, Mônica) para juntas ficarmos nos lamentando do quanto era ruim fazer aniversário em pleno janeiro. Perto das festas de final do ano, no meio das férias escolares, nunca pudemos fazer festinha na escola nem convidar ninguém para uma festa em casa, já que Brasília fica deserta nesta época do ano (ou pelo menos era o que pensávamos, antes de termos que passar o mês de janeiro estudando para compensar greve da UnB e ainda não tínhamos que trabalhar). Agora vejo que éramos felizes e não sabíamos. Em primeiro lugar, estávamos muito distantes da casa dos 30 e, em segundo lugar, passávamos nosso aniversário no verão. Atualmente, além de já termos dobrado o Cabo da Boa Esperança, "comemoramos" 11 de janeiro num frio de lascar. Ela, pior ainda do que eu, em Montréal.

Enfim, além dos vários telefonemas, e-mails e das muitas mensagens no Orkut, fora as surpresas do Marido Que Esqueceu Meu Aniversário Uma Vez Há Alguns Anos e Nunca Mais, o melhor presente foi ir ao obstetra e ver o nenenzinho pelo ultrassom chupando o dedo e esticando as pernas, alheio ao aumento da idade de sua mãe. Sem dúvida, Papai do Céu caprichou no presente.

09 janeiro, 2006

Exímia Dona de Casa

Claro que não se trata de mim, porque em matéria de casa, só gosto mesmo de cozinhar, nem limpar a cozinha é comigo ! É mais um caso de paciente que me impressionou.

Foi na semana passada, quando tivemos uma cirurgia de urgência numa senhora de 89 anos que mora sozinha, caiu enquanto limpava a banheira e sofreu isquemia numa das pernas. Pobrezinha, foi encontrada dois dias depois, pela síndica, que estranhou sua ausência e foi ao apartamento dela. A coitada já estava desidratada, não tinha nem conseguido sair da banheira. Abro um parêntese para explicar que aqui os síndicos têm as chaves de todos os apartamentos, para caso de emergência. Fecho o parêntese. Enfim, a senhora italiana que não fala uma palavra de inglês já havia sido internada dois anos atrás, porque caiu quando limpava atrás do fogão. Enquanto a senhora dormia durante a cirurgia, discutia-se na sala o que fazer com ela, que se recusa a ir morar num asilo. Já que ela limpa atrás do fogão e eu não quero limpar nem o topo dele, sugeri ao médico que ela viesse aqui para casa. Com a gravidez, minha eterna pouca disposição para fazer faxina desapareceu completamente. O Marido Limpador Oficial do Apartamento que o diga ! Sorte dele que o rango é bom, para compensar...

03 janeiro, 2006

Português ou Brasileiro ?

Uma colega de Montreal me pergunta hoje:
- Você vai falar em brasileiro com o seu bebê ?
- Português.
- Mas você é do Brasil, não vai falar em brasileiro ?
- A gente fala português no Brasil.
- Por que vocês chamam a língua de português ?
- A gente chama de português porque é português, a mesma língua de Portugal.
- É um dialeto parecido ? Você entende o que eles falam ?
- É a mesma língua, o sotaque e algumas expressões são diferentes.

A ignorância é mais fácil de aceitar que a insistência. E depois são só os americanos que não sabem nada sobre nenhum outro país que não seja o deles...

01 janeiro, 2006

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo, que tudo se realize...

Mais um Réveillon em terras geladas, com a reafirmação de uma certeza: a melhor virada de ano do mundo ocorre num certo país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Até o Marido Gringo, que nunca foi ao Brasil, já concorda com isso.

Sem roupa branca, sem música de carnaval, sem contagem regressiva, sem praia, sem fogos de artifício, sem aquele clima de dia 31 de dezembro no ar, definitivamente não é Réveillon. Os gringos não sabem o que estão perdendo no meu feriado favorito.

Este ano, se Deus quiser, iremos passar a virada do ano no Brasil, com nenenzinho a tiracolo, para já ir treinando a futura geração a festejar de modo apropriado.

Que 2006 traga muita saúde, paz e surpresas boas para todos nós. Ano de Copa do Mundo e de receber a cegonha aqui em casa. Se fosse verdade o que todos me dizem - que grávidas passam calor - seria ano de finalmente parar de sentir frio aqui em Vancouver, mas até agora, estou esperando o calor que não veio, enquanto minhas mãos e pés permanecem eternamente gelados.