Luciana, sou uma das raras exceções dentre a turma dos expatriados que conheço. Eu nunca li nada em inglês pro meu filho. Agora que ele aprendeu a ler, ele é quem lê pra mim os livros em inglês. Eu sempre li somente em português pra ele. E continuamos assim toda noite, ele lê o livro em inglês do dia (como dever de casa, traz sempre um da escola e nos finais de semana pegamos na biblioteca) e eu leio um do nosso acervo particular.
Neste ponto, como o português é limitado pela quantidade de falantes com quem ele convive, eu prefiro que ele leia a versão traduzida comigo e, mais tarde, quando ele se interessar, ele lê no original. Fizemos assim com o Como Treinar Seu Dragão e em breve será o Harry Potter.
Trazemos filmes do Brasil e, nisso temos uma vantagem em relação a quem mora em países onde o idioma não é inglês: os DVDs infantis comprados no Brasil sempre trazem a opção de serem ouvidos em inglês também, a não ser aqueles originalmente brasileiros. Então, na rara ocasião em que ele quer assistir a um filme com um amigo daqui (a regra é: se tem amigo, é pra brincar e não para ver TV), ele pode ver o filme em inglês.
Não se preocupe em ensinar a língua do país onde moram pro seu filho. Como diz um amigo, "a vida" vai ensinar. Seria até pretensão minha querer ensinar um idioma que falo com sotaque de estrangeira a um nativo daqui, o que é o caso dos meus filhos.
Esta preocupação de achar que o filho ficará excluído por não falar a língua local não tem fundamento, porque obviamente a criança sempre vai falar a língua do país onde mora. Meu filho não fica em nada atrás das crianças que só falam inglês. Muito pelo contrário, pela personalidade expansiva dele, por diversas vezes foi escolhido para falar em público na escola. Esta semana fez um anúncio no alto-falante (agora sem hífen?), por ser o representante da turma. Pelo segundo ano consecutivo, novamente selecionado pela professora, numa classe com pelo menos 50% das crianças falantes somente de inglês.
Persista falando, lendo, cantando, contando em português. Não me arrependo e faço novamente igual com a segunda filha, que leva duas vantagens enormes em relação ao irmão na idade dela: tem um irmão e uma babá falantes de português.
28 outubro, 2012
27 outubro, 2012
Aqui se Fala Português
Pacotinho de Atividades Num Sábado Chuvoso colorindo a Cuca (do Sítio do Picapau Amarelo):
- Mãe, eu preciso de verde florestal.
- Verde escuro?
- É.
- Em português, a gente chama de verde-bandeira esta cor, porque é da parte verde da bandeira do Brasil.
- Eu chamo de verde florestal.
Claro, em inglês é "forest green". Mas mesmo assim ele traduziu e não falou em inglês.
Uma amiga no Brasil já tinha ficado surpresa ao ouvi-lo contando um monte de balinhas em português, já que a gente tende a sempre pensar matematicamente na língua em que aprende matemática, ainda que outras línguas tenham sido aprendidas primeiro.
E, como a Mamãe não consegue mesmo bater o olho numa nota na pauta e decidir automaticamente se é um A ou F ao invés de um lá ou um fá, ele aos poucos está aprendendo "dó ré mi" juntamente com o "C, D, E" que escuta na aula de piano e lê nos livros. Porque música é como matemática, a gente também pensa na língua em que aprendeu. A professora até ensina "dó ré mi", mas somente para solfejar, não como o nome das notas na pauta.
Persistência é a alma do negócio.
- Mãe, eu preciso de verde florestal.
- Verde escuro?
- É.
- Em português, a gente chama de verde-bandeira esta cor, porque é da parte verde da bandeira do Brasil.
- Eu chamo de verde florestal.
Claro, em inglês é "forest green". Mas mesmo assim ele traduziu e não falou em inglês.
Uma amiga no Brasil já tinha ficado surpresa ao ouvi-lo contando um monte de balinhas em português, já que a gente tende a sempre pensar matematicamente na língua em que aprende matemática, ainda que outras línguas tenham sido aprendidas primeiro.
E, como a Mamãe não consegue mesmo bater o olho numa nota na pauta e decidir automaticamente se é um A ou F ao invés de um lá ou um fá, ele aos poucos está aprendendo "dó ré mi" juntamente com o "C, D, E" que escuta na aula de piano e lê nos livros. Porque música é como matemática, a gente também pensa na língua em que aprendeu. A professora até ensina "dó ré mi", mas somente para solfejar, não como o nome das notas na pauta.
Persistência é a alma do negócio.
25 outubro, 2012
Passando Mal com Bom Humor
Provavelmente, aos 2 anos, é a única idade na vida em que você pode acordar passando mal, vir pra cama dos seus pais, vomitando trocentas vezes, mantendo um sorriso a cada troca de pijama, de lençol, de fronhas e ainda arrancar gargalhadas quando aponta para o próprio vômito e comenta numa vozinha fofa:
- Tem pedacinhos!
E também somente nesta idade você é capaz de passar a noite em claro, vomitando e tendo sua roupa trocada a cada meia hora e levantar de manhã com o maior bom humor.
Ah, que vontade de congelar a Fofolete!
- Tem pedacinhos!
E também somente nesta idade você é capaz de passar a noite em claro, vomitando e tendo sua roupa trocada a cada meia hora e levantar de manhã com o maior bom humor.
Ah, que vontade de congelar a Fofolete!
21 outubro, 2012
Mozart Não Era Tão Genial Assim
O Pacotinho de Estudos Musicais tem como dever de casa da semana procurar "no google" um fato sobre Mozart. Bendita seja a evolução do ensino de piano às crianças, porque a mãe do Pacotinho, na idade dele, ainda estava decorando os nomes das figuras musicais, sem nunca ter ouvido falar em compositor algum, muito menos Mozart, sem saber que ele viria a ser seu favorito pro resto da vida.
Mamãe vai falando pra ele que Mozart já compunha com 5 anos de idade e tocava piano e violino. E ele:
- Ao mesmo tempo?
Realmente o conceito de genialidade é relativo...
20 outubro, 2012
Heróis Confusos
Fofolete revirando o baú de brinquedos, encontra uma espada do irmão e começa a cantar: Batman, Batman, Batman...
Até outro dia, eram só o Capitão América e o Homem Aranha que mereciam a trilha sonora do Batman. Mas é preciso evoluir sempre.
18 outubro, 2012
Sem Palmadas, Seis Anos Depois
Você sempre foi contra palmadas, desde criança. Com uns 7 ou 8 anos de idade, fez a si mesma a promessa de criar seus filhos sem elas. E aí chegam os filhos e, ao invés de mudar de ideia, como tantos apregoaram (como é mesmo o ditado? O fracasso gosta de companhia?), você fica cada dia mais convencida da sua decisão.
O tempo passa, seu Pacotinho de Agitação cresce, amadurece e já não é mais aquela criatura eternamente saltitante que foi desde que começou a engatinhar. Ele entra na escola e um belo dia você tem uma reunião com a professora. Antes da reunião, ela manda uma ficha para ser preenchida com o que você considera que sejam os pontos fortes do seu filho e o que você gostaria de vê-lo melhorando durante o ano letivo.
E então, a professora experiente tece inúmeros elogios ao seu filho. Diz que ele é amigo, prestativo, sempre se voluntaria pra tudo com boa vontade, escuta com atenção e que são crianças assim que tornam o trabalho de um professor tão gratificante. Comenta que foi ela quem o escolheu para ser o representante da classe, porque ele gosta de falar e de trazer de volta para a turma as notícias do que foi discutido na reunião com a diretora. E ela lista inúmeras características nos pontos fortes dele e nada no que precisa ser melhorado. Você, claro, tinha lá na sua listinha que a ortografia está ruim.
Por algum motivo muito estranho, o ser humano parece acreditar mais em elogios vindos de estranhos do que da própria família. Não que houvesse qualquer coisa que a professora pudesse dizer que fizesse você voltar atrás e passar a acreditar que é batendo que se educa uma criança (ou um marido, um chefe, um colega - se o método educacional é tão eficaz, por que só usá-lo com crianças?), mas ouvir uma professora que convive com seu filho (que é humano e não, não é perfeito) há 1 mês e meio tecer tantos elogios ao comportamento dele é um delicioso reconhecimento.
Então, se você ainda tem filho pequeno e escuta constantemente palpites absurdos como "se não apanhar em casa, apanha da polícia" ou "se não bater nele agora, ele bate em você mais tarde", não pense que é você quem está no caminho errado.
O tempo passa, seu Pacotinho de Agitação cresce, amadurece e já não é mais aquela criatura eternamente saltitante que foi desde que começou a engatinhar. Ele entra na escola e um belo dia você tem uma reunião com a professora. Antes da reunião, ela manda uma ficha para ser preenchida com o que você considera que sejam os pontos fortes do seu filho e o que você gostaria de vê-lo melhorando durante o ano letivo.
E então, a professora experiente tece inúmeros elogios ao seu filho. Diz que ele é amigo, prestativo, sempre se voluntaria pra tudo com boa vontade, escuta com atenção e que são crianças assim que tornam o trabalho de um professor tão gratificante. Comenta que foi ela quem o escolheu para ser o representante da classe, porque ele gosta de falar e de trazer de volta para a turma as notícias do que foi discutido na reunião com a diretora. E ela lista inúmeras características nos pontos fortes dele e nada no que precisa ser melhorado. Você, claro, tinha lá na sua listinha que a ortografia está ruim.
Por algum motivo muito estranho, o ser humano parece acreditar mais em elogios vindos de estranhos do que da própria família. Não que houvesse qualquer coisa que a professora pudesse dizer que fizesse você voltar atrás e passar a acreditar que é batendo que se educa uma criança (ou um marido, um chefe, um colega - se o método educacional é tão eficaz, por que só usá-lo com crianças?), mas ouvir uma professora que convive com seu filho (que é humano e não, não é perfeito) há 1 mês e meio tecer tantos elogios ao comportamento dele é um delicioso reconhecimento.
Então, se você ainda tem filho pequeno e escuta constantemente palpites absurdos como "se não apanhar em casa, apanha da polícia" ou "se não bater nele agora, ele bate em você mais tarde", não pense que é você quem está no caminho errado.
14 outubro, 2012
Palavrinha Mágica
Tentando arrumar o cabelo da Fofolete, Mamãe pede pro Filhote:
- Filhote, dá este brinquedinho aí que está perto do seu pé pra ela.
Ele empurra com o pé e fala:
- Marina, fala obrigado pro meu pé.
Ela fala:
- Obrigada pé Diel.
Eles conversam entre eles em português. Tanta gente falou que isso seria impossível!
- Filhote, dá este brinquedinho aí que está perto do seu pé pra ela.
Ele empurra com o pé e fala:
- Marina, fala obrigado pro meu pé.
Ela fala:
- Obrigada pé Diel.
Eles conversam entre eles em português. Tanta gente falou que isso seria impossível!
13 outubro, 2012
Não basta deixar o filho na escola, tem que participar
No segundo ano de vida escolar como mãe, você promete a si mesma que vai participar mais ativamente na escola do seu filho. No primeiro ano, ainda presa aos seus conceitos (e preconceitos), achando que a experiência de uma vida inteira em escola particular no Brasil era o único modelo aceitável, você participou timidamente, tentando observar e aprender o papel dos pais na escola pública canadense.
Neste ano, você é figurinha carimbada (e esperada) na reunião mensal do Comitê dos Pais. O grupo decide democraticamente quase tudo da escola: festas (quando, onde, que tema), eventos para arrecadar dinheiro, como é gasto o dinheiro arrecadado, que palestras e aulas extracurriculares (sem hífen?) vão fazer parte do ano letivo. Se o parquinho precisa de novos balanços, se vai haver ou não campanha para compra de laptops itinerantes, a serem compartilhados entre todas as turmas. Até o filme que vai passar na noite do cinema (3 vezes por ano) é decidido por votação dos pais.
Você também é a representante dos pais da turma do seu filho junto ao Comitê dos Pais. Claro que o tagarela do seu filho é novamente o representante da turma dele, acompanhado de uma outra colega, porque a do ano anterior agora está em outra classe.
Como no ano passado sempre que tem folga, você vai passar a manhã na turma do seu filho, fazendo as tarefas que a professora precisar no dia.
E você dá o braço a torcer que está maravilhada. Se muitas escolas aqui são caidinhas, ainda em prédios de madeira ao invés dos edifícios chiquérrimos dos colégios caros na terrinha e o conteúdo programático fica muito atrás do equivalente ao ano letivo no Brasil (principalmente em matemática, ó Céus!), as crianças e os adolescentes aqui aprendem com o exemplo dos pais e da escola a serem mais ativos na comunidade, mais solidários, mais responsáveis pelo ambiente em que vivem. Não dá pra negar o orgulho de ver o filho de 6 anos trazendo toda semana 2-4 livros da biblioteca, que sempre são lidos e ouvi-lo dizendo "Mamãe, a gente tem que ter muito cuidado com os livros."
As festas beneficentes da escola são organizadas pelos pais voluntários, mas no dia dos eventos, adolescentes já no segundo grau e, portanto em outra escola(sou velha, não aprendo a antipatia de chamar o segundo grau de ensino médio) aparecem para trabalhar nas barraquinhas, ganhando créditos de serviço voluntário, tão importantes no currículo para conseguir uma vaga universitária num curso cobiçado.
E a matemática "atrasada"? A gente sempre pode compensar de alguma forma o que, na cabecinha de quem decorou os presidentes da República na ordem na sexta série e os afluentes da margem esquerda e da margem direita do Rio Amazonas em algum ano qualquer (e obviamente não se lembra de nenhum, porque depois da prova, isso jamais teve utilidade na vida), é importante. Afinal de contas, o conceito do que é importante aprender na escola é variável. Criar cidadãos conscientes e responsáveis é importante.
Neste ano, você é figurinha carimbada (e esperada) na reunião mensal do Comitê dos Pais. O grupo decide democraticamente quase tudo da escola: festas (quando, onde, que tema), eventos para arrecadar dinheiro, como é gasto o dinheiro arrecadado, que palestras e aulas extracurriculares (sem hífen?) vão fazer parte do ano letivo. Se o parquinho precisa de novos balanços, se vai haver ou não campanha para compra de laptops itinerantes, a serem compartilhados entre todas as turmas. Até o filme que vai passar na noite do cinema (3 vezes por ano) é decidido por votação dos pais.
Você também é a representante dos pais da turma do seu filho junto ao Comitê dos Pais. Claro que o tagarela do seu filho é novamente o representante da turma dele, acompanhado de uma outra colega, porque a do ano anterior agora está em outra classe.
Como no ano passado sempre que tem folga, você vai passar a manhã na turma do seu filho, fazendo as tarefas que a professora precisar no dia.
E você dá o braço a torcer que está maravilhada. Se muitas escolas aqui são caidinhas, ainda em prédios de madeira ao invés dos edifícios chiquérrimos dos colégios caros na terrinha e o conteúdo programático fica muito atrás do equivalente ao ano letivo no Brasil (principalmente em matemática, ó Céus!), as crianças e os adolescentes aqui aprendem com o exemplo dos pais e da escola a serem mais ativos na comunidade, mais solidários, mais responsáveis pelo ambiente em que vivem. Não dá pra negar o orgulho de ver o filho de 6 anos trazendo toda semana 2-4 livros da biblioteca, que sempre são lidos e ouvi-lo dizendo "Mamãe, a gente tem que ter muito cuidado com os livros."
As festas beneficentes da escola são organizadas pelos pais voluntários, mas no dia dos eventos, adolescentes já no segundo grau e, portanto em outra escola(sou velha, não aprendo a antipatia de chamar o segundo grau de ensino médio) aparecem para trabalhar nas barraquinhas, ganhando créditos de serviço voluntário, tão importantes no currículo para conseguir uma vaga universitária num curso cobiçado.
E a matemática "atrasada"? A gente sempre pode compensar de alguma forma o que, na cabecinha de quem decorou os presidentes da República na ordem na sexta série e os afluentes da margem esquerda e da margem direita do Rio Amazonas em algum ano qualquer (e obviamente não se lembra de nenhum, porque depois da prova, isso jamais teve utilidade na vida), é importante. Afinal de contas, o conceito do que é importante aprender na escola é variável. Criar cidadãos conscientes e responsáveis é importante.
02 outubro, 2012
Sobre a Facilidade das Crianças em Aprender Idiomas
Tem um colega novo na classe do Filhote que é chinês e até sexta-feira passada não falava inglês. Hoje pergunto:
- Filhote, o Fulaninho fala nada de inglês?
- Ele aprendeu.
- Ele está aprendendo cada dia mais um pouco?
- Não, Mamãe. Ele está aprendendo cada dia mais um mais.
01 outubro, 2012
Dois Anos de Fofolete no Iglu
"Fofolete,
Ontem foi seu aniversário 'de verdade'. A festa, idealizada e sonhada muitos anos antes da sua existência, foi no sábado. Mamãe sempre dizia que, se tivesse uma filha, a festa de 2 anos seria da Chapeuzinho Vermelho. Tanto que ela sugeriu à sua tia que fizesse o aniversário de 2 anos da sua prima com esse tema. Ela não só fez, como guardou a roupa que você vestiu com tanto orgulho para duas sessões de fotos (com a fotógrafa profissional e com a turma aqui de casa) e para as duas festas (no sábado com os amigos e no domingo com a família do Tata). Quando você está com o vestido e a capa e alguém pergunta cadê a Chapeuzinho, você diz "está aqui", mas se não está caracterizada, responde "perdeu".
Mamãe curtiu muitíssimo todos os meses de preparação, de confecção das lembrancinhas e dos enfeites. E foi na maior empolgação que ela fez e congelou tantos salgadinhos! Nas duas noites anteriores à festa, Mamãe nem dormiu, de tanta expectativa. Fazer festa no Brasil dá menos trabalho, basta contratar todos os serviços, mas Mamãe não trocaria a experiência deliciosa que foi montar a sua festa por nada.
A festa foi deliciosa, teve criança chorando para não ir embora. Você brincou muito e deixou a animadora pintar seu rosto de um jeito que só a Baka gostou (ela recusa usar os óculos para perto, deve ser por isso). Parecia que a Chapeuzinho caiu na lábia do Lobo Mau e foi pra balada, ao invés de visitar a Vovozinha.
Seu irmão foi o Lobo Mau e você dizia "Chapeuzinho Marina, Diel Lobo Mau".
Como a preparação para a festa durou muito tempo, você se acostumou a ver lacinhos e enfeites vermelhos pela casa e dizia "aniversário minha". Quando chegou em casa na sexta à noite e viu sua foto grande acima da lareira, falou "que bonito! Aniversário Fofolete".

Você é absolutamente alucinada por uma piscina. Sabe onde fica guardado o maiô e a fralda aquática. Volta e meia decide que quer ir à piscina, pega os apetrechos, o chinelo de dedo e pede para alguém tirar sua roupa. Vestir a fralda e o maiô, isso você faz sozinha.
Você gosta de implicar com seu irmão, mas se ganha alguma coisa e ele não está por perto, pergunta logo "Diel?". Você e o Tiago, filho do vizinho, vivem se estranhando também, mas nos dias de calor, se tem picolé sendo distribuído, você pega o seu e pergunta "picolé Tiago?".
Você continua boa de garfo, adora sushi, arroz com feijão e muita carne. Como a Mamãe, é louca por tomates. Vive arrancando os tomates do jardim, que nem sempre conseguem amadurecer antes de você puxá-los do pé. E fazia a mesma coisa com os morangos, no verão.
Você gosta de música, tem facilidade para aprender as letras e adora livros. Tem um específico que compramos para seu irmão, quando você ainda morava na barriga da Mamãe, sobre um bichinho (Little Critter, nunca especificam que bicho realmente ele é) que ganha uma irmãzinha. Toda noite você pede "vamos ler. Livro neném". Você adora os livros com fotos de bichos e sabe o nome da maioria. Ontem, quando rearrumávamos a sala depois da última festa, você notou o quadro de barcos a vela acima da lareira e comentou "tubarão". Nunca reparamos, mas realmente as velas brancas lembram barbatanas de tubarão.
Você está com a mania de falar "hello everybody", que aprendeu no grupo da biblioteca. Mamãe chega em casa e você diz "Mamãe, hello everybody". Deu para cumprimentar estranhos na rua, "hi". Impressionante, porque ninguém aqui em casa conversa com você em inglês, mas você compreende sempre que alguém de fora faz alguma pergunta na língua local.
Seu presente de aniversário favorito foi um cartão que toca música quando é aberto. Seu irmão se encarregou de desembrulhar todos os presentes, já que você ficou fascinada pelo cartão, abrindo-o incontáveis vezes.
Sua música favorita é o "Sítio do Picapau AmareRo", como você mesma fala, mas também adora cantar "borboletinha está na cozinha fazendo chocolate..." e a da minhoca.
Você adorou o cachorro da sua tia no Brasil e até hoje fala nele praticamente todo dia. "Naruto está lá fora". E, de todos os videos possíveis, seu favorito é, claro, aquele de 2 minutos em que o Naruto está no canil e você está do lado de fora, olhando com um misto de admiração e medo.
Nem dá para colocar em palavras a vontade de congelar você assim, pequenininha, tagarela, espontânea, que fica pedindo "colo, Mamãe" pra ver o que está sendo feito na cozinha. Se é possível ter saudade de algo que ainda não passou, Mamãe já tem saudade de você do jeitinho que ainda está. Mas ela sentia o mesmo com seu irmão, nunca teve pressa de ver os bebês da casa crescerem. Por favor, tente não crescer tão rápido, porque Mamãe já está sofrendo por antecipação.
Milhões de fotos da festa, mas todas no iPad, que neste exato momento, recusa-se a abrir a página do blogger.
Com imenso carinho e gratidão aos Céus por ter colocado você em nossas vidas,
Mamãe".
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