30 outubro, 2011

Um Ano e Um Mês


"Fofolete,

Este último mês não foi de muitas novidades, mas de aperfeiçoamento. Você agora tem passos bem firmes, já não cai com frequência, embora tenha levado um tombo feio no começo de outubro, ralando o nariz no concreto (foi o último). Ao invés de só caminhar, você passou a correr. Aperta o passo quando sabe que alguém vai encerrar a sua farra de arrancar os tomates do tomateiro ou espalhar as vasilhas de plástico da gaveta da cozinha. Fecha a porta atrás de si mesma quando está planejando alguma arte, achando que assim não será interrompida.

Os casacos, que no começo do outono, eram uma luta para serem vestidos, agora já são esperados por você, com o braço esticadinho. Para usar uma palavra bem brasileira que talvez nem esteja registrada num dicionário, você é extremamente rueira. Como sabe que não vai sair sem casaco e sem sapatos, assim que percebe os outros à sua volta paramentando-se com os agasalhos, já corre e pega suas botas e entrega a alguém para calçá-las. Inclusive aceita gorro na cabeça (até o mês passado, a única coisa que parava na sua cabeça além das maria-chiquinhas eram as cuecas do seu irmão, colocadas por você mesma, claro).



Tiramos nossas fotos de Natal num estúdio, onde sempre vamos desde que seu irmão tinha 3 meses de idade e, desta vez, você não chorou, embora tenha sido um desafio conseguir algumas poses sentada (você queria caminhar o tempo todo e mexer nas decorações).

Você ganhou de uma amiga um carrinho de plástico que foi um sucesso. Apesar de seu irmão e os vizinhos disputarem-no, você também tem sua vez. Demorou umas 2 voltas para entender que é preciso levantar os pés do chão quando é empurrada por alguém, mas logo aprendeu. Sabe entrar no carro e sair dele sozinha, mas algumas vezes um pé fica do lado de fora.



Seu brinquedo favorito neste mês foi um capacete. Não o seu próprio, mas o do seu irmão ou o do filho do vizinho. Você o coloca na cabeça e desfila com ele, toda orgulhosa! E fica brava se alguém tenta tirá-lo.



Mamãe sempre teve absoluto pavor a palavras infantilizadas, como "mimi" ao invés de dormir, "papá" no lugar de comida, "auau", "tetê" e etc (por sinal, outro dia seu irmão ouviu pela primeira vez a palavra "dodói" e perguntou o que era, porque desde pequeno, ele só ouvia "machucado"). Sempre chamamos as coisas pelo seu nome correto, mas mesmo assim, quando folheamos um livro com fotos dos animais, tentamos imitar o som de cada bicho. Você associou o latido à foto de um cachorro e toda vez que vê um cão, seja numa foto, num desenho ou ao vivo, começa a dizer "au au". Outro dia seu irmão estava assistindo a um programa com lobos e você começou a falar "au au". Interessante que você nem repete os sons dos outros bichos, já procura pela foto do cachorro quando vê o livro.

Você será uma vaquinha para o Halloween, ficou tão fofinha com a fantasia, lembra muito um antigo comercial de leite na TV, quando a Mamãe ainda morava no Brasil.



Você adora ir à aula de patinação no gelo com seu irmão. Fica de fora, assistindo e apontando-o pelo vidro. Mais uns 2 anos e será sua vez.





Você continua gostando de lavar as mãos no vaso sanitário, espalhar os recicláveis pela cozinha, colocar seus sapatos na lava-louça ou tirar alguma coisa (e sair correndo), enrolar-se nos pijamas do seu irmão, como se fossem cachecóis e desfilar pela casa.



Para o Dia de Ação de Graças, você usou um vestido laranja, com bordado de abóboras, ficou tão linda! Sempre ganha elogios quando está com ele.



Mamãe voltou ao trabalho esta semana e você algumas manhãs acorda junto com ela, noutras dorme e nem vê que ela está de saída. Um dia ficou chamando "Mamã, Mamã", mas tem comido bem, tirado suas sonecas ainda mais longas, parece que se adaptou muito bem, mas claro, quando a Mamãe chega em casa, você logo quer mamar.

Absolutamente tudo o que você vê seu irmão fazendo, também quer fazer. Quando ele dá uma gargalhada, você imediatamente ri também, uma risada forçada, só para garantir que não ficou de fora. Se ele está praticando ao piano, você estica-se na ponta dos pés e toca nas teclas, protestando até que alguém a coloque sentada no banco, como ele. Se ele está escrevendo, você precisa de um lápis também. E fica brava, muito brava, quando pede o estojo dele e alguém o entrega fechado.

Finalmente descobrimos uma forma de você tomar leite de vaca. O problema não era o conteúdo, mas o recipiente. Mamadeira a esta altura, na sua idade, seria andar para trás. Tentamos copinho com bico, mas você parecia não entender para o que servia, só usava para espalhar o leite na mesa. Conseguimos com um copo com canudo ou até uma caneca normal, com ajuda de alguém.

Você agora quer comer de garfo. Come bem mais se a comida estiver espetada no garfo e você levá-lo sozinha até a boca do que se outra pessoa der a comida de colher. Gosta muito de frutas, adora uvas e abacate, finalmente provou e gostou de tâmaras, que sempre temos em casa. Até agora, só não quis comer lasanha, mas talvez tenha sido oferecida num momento em que você não estava com muita fome.

Você aponta para tudo o que quer e fica falando "hum hum", como se fosse o som de uma foca. Muito engraçado.

Você ainda rouba os tomates do tomateiro sempre que tem uma oportunidade (consegue escapar sozinha pra varanda).



Outro dia você teve a sua primeira "discussão" verbal com seu irmão. Ele havia tido um pesadelo e veio dormir na cama do Tata e da Mamãe. Você acordou 5 da manhã, veio também mamar e esticar o sono na cama conosco. Aí você o viu e disse "neném", ele retrucou "não, Fofolete, eu não sou neném. Vocé é que é neném". Às 5 da manhã, não foi muito divertido.

Você não é do tipo que fica agarrada nas pernas dos pais num ambiente estranho. Costuma ir atrás das crianças maiores, explorar o novo lugar e caminhar longas distâncias. Também não é do tipo que se atira nos braços das pessoas desconhecidas, como era seu irmão. Fica muito bem na casa dos avós, sem chorar, mas vem toda feliz, correndo quando é hora de buscá-la.

Você fica muito naquela posição que no Brasil chamamos de "chamando irmãozinho", com os pés no chão e a cabeça entre as pernas. Faz isso em qualquer lugar, principalmente no meio de um restaurante.

Você está muito fofa, achamos que você é esperta, curiosa, observadora, atenta e insistente. Não desiste facilmente do que quer. Tão gostoso ter o privilégio de compartilhar da sua companhia, das suas descobertas! Seu pai fala inúmeras vezes por dia "she's SO cute".

Pena que você está crescendo tão rápido!

Um abraço muito apertado,
Mamãe".

29 outubro, 2011

O Pacotinho de Solução

Não basta ser eternamente desorganizada e bagunceira, é preciso mudar-se durante a licença-maternidade, para um lugar muito maior e com muito mais espaço para que as tralhas fiquem escondidas, a fim de atingir o ápice dos objetos perdidos dentro de casa.

Depois de 1 ano longe do trabalho, você dá falta das sua coleção outono e inverno das toucas para a sala de cirurgia. Esta é a semana de usar as toucas de abóboras, bruxas, morcegos e aranhas, mas você não as encontra. Enquanto procura nos lugares óbvios, comenta com o filho de 5 anos:

- Tão chateada de ter perdido minhas toucas!
- Mamãe, você já procurou no touqueiro?
- Não existe "touqueiro", Filhote.
- Existe sim, é o lugar onde a gente guarda toucas.
(ele vai até a entrada, onde ficam os casacos e os chapéus de inverno nesta época do ano e aponta para o gorro que você tem usado todas as manhãs)
- Ali! Achei sua touca. Está feliz?

PS: As toucas foram encontradas, embaladas, as de outono separadas das de inverno, como se fosse coisa de gente organizada, mas estavam na garagem, dentro de uma mala, como convém a esta família de bagunceiros.

28 outubro, 2011

SAL do Iglu para Keiko

Desculpa decepcioná-la, mas o muffin de aveia vem num pacote, só para acrescentar água (que substituo por leite) e um ovo. Nem precisa de marca especial, compro o genérico do SuperStore, President's Choice.

T.G.I.F

Você sobreviveu à primeira semana de volta ao trabalho. As crianças e o marido também. Ninguém chegou atrasado aos compromissos(quer dizer, você nunca sabe se o marido chega na hora no trabalho dele) ou saiu de casa com camisa de bolinhas e calça listrada (graças às roupas que foram deixadas separadas de véspera).

De segunda a quinta, suas manhãs pareciam saídas do filme O Feitiço do Tempo. O primeiro ônibus passou todo dia pontualmente às 06:10 e, não importava o quanto você corresse pra entrar na estação do metrô, você via o trem saindo assim que descia o último degrau da escada. Diariamente, você chegava na sua estação final correndo esbaforida para não perder o ônibus que já ameaçava sair. Na sexta, miraculosamente, o primeiro ônibus passou 2 minutos mais cedo, você pegou o metrô assim que chegou na estação e o motorista do último ônibus, ao vê-la caminhando até a porta, comentou "chegou cedo hoje, hein?".

A partir do quarto dia, você passou a carregar os pães de queijo no bolso e seu café com leite num balde não descartável do Starbucks, que você comprou há séculos e achou que nunca fosse ter utilidade. Agora toma seu café enquanto espera o ônibus no ponto. Na escuridão total de 6 da matina.

No trabalho, depois de 2 anos acéfalo, o serviço cuja chefia você assumiu tem uma montanha de reclamações e pendências para serem resolvidas. Por você, eventualmente. Seu e-mail foi reativado após 4 dias úteis e não 10! E sua caixa postal tinha 1600 e não mais de 2000 e-mails, como você havia previsto. Nada como ter expectativas pessimistas, como convém a um legítimo capricorniano, assim dá para ser surpreendido para melhor.

Aquele cirurgião de quem você tinha tanto enjoo durante toda a gravidez (incrível não enjoar de cheiro ou comida alguma, só dessa criatura)já não é mais insuportável. Chatinho, mas dá pra levar.

Enfim, no final da semana, você agradece aos Céus pela promoção e fica imensamente feliz cada vez que lembra que não mais terá que trabalhar na cirurgia ortopédica nem na cardíaca. Sim, vai sentir saudades dos transplantes renais e das cirurgias plásticas, mas não se pode ter tudo na vida.

E, mesmo precisando de 3 conduções para ir de casa ao trabalho, você não tem a menor saudade de quando morava no centro e ia a pé. Pela primeira vez em 11 outonos, você consegue curtir a beleza da estação (ajudou muito o fato de ter sido o outubro mais ensolarado da década), com tantas árvores à sua volta. É a mágica de morar numa casa, de frente para um parque.

24 outubro, 2011

A Volta ao Trabalho

Depois de 1 ano, 1 mês e 1 semana, você finalmente volta ao trabalho. Espertinha, desta vez anotou atrás do crachá a combinação do seu cadeado, então não teve que arrombá-lo, como quando retornou da primeira licença-maternidade com seu cérebro transbordando amnésia por todos os neurônios.

Pontual como sempre foi, vivenciou uma noite de ansiedade na véspera, já que pela primeira vez em 10 anos, precisou de condução para ir de casa para o trabalho. Bendito site do translink, que fornece os horários de ônibus, metrôs e dá as possíveis rotas que você pode pegar para o trabalho. Já que é pra pegar o primeiro ônibus às 06:10, você vai do jeito mais fácil e prefere pegar 3 conduções para ir da porta de casa à porta do hospital. Não é por preguiça, mas primeiro porque ficar andando a pé na escuridão de seis da matina nesta época do ano, pra quem mora em frente a um parque cheio de coiotes, gambás, guaxinins e outras criaturas peludas é assustador para uma pessoa urbana como você. Em segundo lugar, como já está um frio danado e a tendência é só esfriar mais a cada dia, você chegará ao final do inverno pelo menos 5kg mais magra se caminhar muito ao ar livre (infelizmente, só funciona para quem já é magrela, anda mais rápido do que o Papa-léguas e não carrega um balde de chocolate quente consigo o tempo todo).

Na véspera, você deixa tudo arrumado. Sua roupa, seu almoço, lancheira do filho, "muffins" de aveia frescos para o café da família, a roupa das crianças, incluindo as meias dentro dos sapatos do filho que precisa ir à escola horas depois que você já terá saído de casa. Você pode criar filhos bagunceiros, difíceis pra comer, agitados, mas jamais se perdoará se um deles for impontual. Você tem preconceito contra pessoas cronicamente atrasadas e, como por uma dessas loucuras do Cupido casou-se com uma, tem que lutar diariamente para que seu gene da pontualidade predomine nas crias.

Você acorda 20 minutos antes de o despertador tocar. Sua filha de 1 ano percebe a energia no ar e decide acordar para mamar no mesmo horário. Você amamenta, passa na cozinha e liga o forno com seus pães de queijo previamente colocados na noite anterior, toma banho, arruma-se, põe as pernas pra cima antes de calçar as meias elásticas, toma café, escova os dentes, passa maquiagem, sai de casa e chega ao ponto de ônibus 6 em ponto. Um breu total lá fora.

Vai de ônibus até a estação do metrô e do metrô para o outro ônibus sem a menor perda de tempo, com menos de 2 minutos de intervalo entre uma conexão e outra. Chega ao trabalho meia hora antes do esperado. Cedo, até para seus padrões.

Você esqueceu muitas coisas neste ano que passou, inclusive os nomes dos colegas que conheceu durante a gravidez. Só lembra dos antigos. Isso seria a maior surpresa do dia, não fosse o fato de que o departamento de informática leva 10 dias úteis (repetindo DEZ dias úteis) para reativar seu e-mail. Você então pede gentilmente à sua chefe que imprima os recados, passe no correio e coloque uma carta endereçada à sua residência, que você vai receber e ler antes que consiga acessar seu e-mail. Ou então que use um pombo-correio! Você se pergunta se no Afeganistão os hospitais dispõem de departamentos de informática menos ineficientes.

Sua sorte é amar seu trabalho. Deve ser bem mais difícil deixar filhos pequenos em casa quando se tem um emprego, mas não uma profissão que traz realização.

21 outubro, 2011

O Pacotinho de Alfabetização

O Pacotinho de Culinária está ajudando sua mãe a fazer bolo de laranja (tem que ser em forma de "cupcakes", senão ele não come). E a mãe pergunta:

- Batedeira. Com que letra começa?
- Ba-B. Começa com B.
- E laranja começa com que letra?
- La-L. Com L.
- E...
- Mãe, agora chega. Vamos parar de ficar falando e só fazer o bolo, senão me atrapalha. O bolo sai errado.

19 outubro, 2011

Mais uma Manhã no Kindergarten

Você tem aos poucos abandonado suas ideias pré-concebidas sobre como deveria ser uma classe escolar para crianças de 5 anos. Depois de 3 ou 4 manhãs passadas na turma do seu filho, algumas coisas mudaram.

Você descobriu que a professora dele é maravilhosa. Fala sempre um tom de voz baixo, evolução que você precisaria de várias vidas para atingir. É uma criatura de paciência infinita e ótimas habilidades para lidar com as diferentes personalidades na sala de aula.

Você viu que demorou, mas finalmente as coleguinhas com necessidades especiais agora tem um assistente na sala de aula.

Você percebeu que, se a parte acadêmica fica a desejar, não é só no "kindergarten". Em qualquer série escolar, se formos comparar, no Brasil as crianças estão aprendendo matérias mais avançadas e as daqui são mais incentivadas em artes e criatividade. O que é melhor? Você não tem a resposta. Talvez a palavra seja "diferente" e não "melhor" ou "pior". Sim, porque se você não se convencer disso vai ser difícil aceitar que no equivalente à antiga sexta série ainda estão ensinando multiplicação por aqui. E sem decorar a tabuada, o que você acha inacreditável.

Você se lembra das baboseiras que foi obrigada a decorar na sua própria vida escolar, como os afluentes da margem direita e esquerda do Rio Amazonas, os nomes dos presidentes do Brasil em ordem e conclui que, de decoreba, além da tabuada (sim, você continua defendendo que se decore a tabuada em algum ponto da vida e não fiquem contando nos dedos infinitamente), você só continua sabendo de cor a tabela periódica dos elementos. E, convenhamos que deduzir os elementos a partir de Hoje Li Na Kapa Roberto Carlos Fracassou não lhe serviu em nada um dia após prestar o vestibular.

E, com uma certa melancolia, você também conclui que vai sentir falta destas manhãs de quarta-feira passadas numa sala de aula com 20 crianças cantando, recitando poemas, fazendo seus projetos de arte e sendo alfabetizadas de uma forma completamente diferente da que você vivenciou.

Ah, mas como seu filho não se cansa de cobrar, você ainda voltará lá pelo menos uma manhã, para falar sobre sua profissão, a pedido da professora, que tem uma filha de 22 anos com fobia de agulhas. Sabiamente, a professora quer evitar que as crianças cresçam sendo "squeamish", para usar o adjetivo em inglês.

SAL do Iglu para Cíntia

Atualmente, não é recomendado passar NADA no mamilo para preparar o seio para amamentação. Pensa bem, passar hidratante faz a pele ficar mais macia e fina e passar bucha pode ressecar e ferir a pele. Não faz sentido machucar o mamilo antes de o neném começar a mamar, nem deixar a pele mais fina para que ela tenha mais chance de fazer fissuras. Como diz uma amiga minha "por que passar bucha e não logo uma lixa?" A natureza já se encarrega de escurecer o mamilo e deixar a região bem sensível, o que deveria ser um sinal pra que não se fique futucando, esfregando, ferindo. Há uma teoria de que o bico do peito escurece para facilitar a visualização do mamilo pelo bebê, mas na verdade, um recém-nascido saudável, se tiver a oportunidade, acha sozinho o bico do peito da mãe logo após o nascimento (em inglês, chama-se breast crawl). O neném não necessariamente nasce sabendo a pega correta e costuma precisar de ajuda, mas nasce sabendo sugar.

Se a mãe tem mamilo invertido, algumas pessoas recomendam o uso da concha para formar o bico do peito. Na verdade, o bebê não suga o bico, mas aréola, que é a parte escura do peito. Com uma boa pega, o bebê é capaz de mamar num bico plano, invertido ou pontudo. É mais difícil amamentar com o bico plano ou invertido? Sim, porque a ponta do bico do peito no céu da boca facilita o movimento correto de sucção, mas não é impossível. E uma consultora de lactação experiente num banco de leite pode ajudar.

Recomendo que participe da comunidade Grupo de Amamentação Virtual no orkut e procure um banco de leite de maternidade pública se ainda tiver dúvidas.

Há muitos mitos sobre amamentação e muita orientação ultrapassada, sem embasamento científico. Se for ouvir opinião de amigas, siga aquelas que amamentaram com sucesso.

PS: Parabéns! Eu sou completamente apaixonada pelo universo feminino.

17 outubro, 2011

O Pacotinho da Infância Eterna

Desde o verão, parece que há sempre uma ou duas festas de aniversário todo final de semana. E na segunda-feira o Pacotinho de Eventos Sociais pergunta:

- Mãe, sábado tem qual aniversário?
- Nenhum, Filhote. Agora acabou. Não tem mais nenhum convite.
(faz cara de emburrado)
- Ai, nunca chega o meu aniversário!
- Vai chegar, em junho do ano que vem.
- Assim todas as crianças vão crescer e só eu vou estar pra sempre com 5 anos!

Como ele concluiu isso a partir do fato de não ter recebido outros convites até o momento é um grande mistério.

Este problema de levar uma eternidade para chegar o Natal e o nosso aniversário só permanece até os 15 anos. Depois, parece que a cada 3 meses já é hora de um dos dois eventos. Mas quem acredita nisso aos 5 anos de idade?

15 outubro, 2011

Pumpkin Patch




Uma das coisas boas de morar num país estrangeiro é poder incorporar outras tradições às nossas.

Thanksgiving, o Dia de Ação de Graças, é dia de ceia com amigos e um peru na mesa do Iglu há muitos anos.

Depois de ter filhos, já em preparação para o delicioso Halloween (minha festa norte-americana favorita), uma visita ao Pumpkin Patch torna-se obrigatória. Trata-se de uma fazenda de plantação de abóboras, onde a gente paga para entrar, tendo direito a colher uma abóbora por ingresso, grande ou pequena, contanto que consiga carregá-la de volta. Em Vancouver, recomendo The Pumpkin Patch, muito organizada, com amplo estacionamento, carroças puxadas por tratores, muitos animais para as crianças verem e ótimo atendimento.



Para os novatos no Pumpkin Patch, algumas dicas básicas aqui em Vancouver:

- Se houver um final de semana sem chuva, aproveite e vá colher sua abóbora, ainda que seja o início de outubro. Elas duram bastante e algumas fazendas costumam abrir a temporada no dia primeiro;

- Vista-se com roupas bem quentes e não dispense as botas de borracha para adultos e crianças;

- Se seu filho tem uma roupa de chuva que cobre o corpo todo (conhecida por Muddy Buddy), vale a pena colocar por cima;

- É bem bonitinho levar a criança com a fantasia de Halloween, mas no meio da lama, não é recomendável;

- Abóboras grandes são lindas, mas bem pesadas para carregar de volta até a carroça e difíceis de esculpir;

- Não esqueça de tirar muitas fotos.

13 outubro, 2011

Nossas Crianças Devem Aprender Português?

Uma matéria ('tá, matéria paga com certeza, mas ainda assim válida) do jornal Vancouver Sun desta semana questiona se as crianças canadenses devem aprender português "brasileiro" (o que quer que isso signifique para eles).

Há pouco tempo conhecemos um casal de brasileiros, cujos filhos não falam português. Entendem, mas respondem sempre em inglês. O Pacotinho de Observação não deixou de comentar (a quem terá saído este menino?):
- Mãe, porque Fulano e Beltraninho não falam português?
- Não sei, Filhote.
- Esquisito, né?

Então, se não for por motivos sentimentais, de apego às raízes, de orgulho das origens, de aproximação com os mais velhos da família que não falam inglês, que seja por razões econômicas e de maior chance de sucesso profissional que levem os brasileiros a fazerem questão que seus filhos falem a língua dos pais (ou só de um deles). Se faltava uma razão de força "maior", agora existe.

06 outubro, 2011

E Quando Acaba a Licença-Maternidade? - 2

Claro que a novela do final da licença-maternidade não seria assim resolvida num único capítulo. Afinal de contas, em mais de 100 anos de hospital, você é a primeira e única funcionária a ter filhos.

Você está em casa, curtindo aqueles que seriam os últimos dias da licença, quando toca o telefone.

- Oi, descobrimos que você não pode voltar a trabalhar semana que vem. Tem que tirar as férias agora, senão vai perdê-las.
(Você não está a fim de bate-boca, ficou feliz da vida ao saber por uma colega que finalmente saiu o comunicado oficial da sua promoção e, mesmo estando careca de saber que não existe "perder" as férias e que a simples ameaça causaria um furor no sindicato, parte logo para o que interessa).
- Ah, que dia eu volto então?
- No dia 24 de outubro.
- Mas aí não dá todos os dias de férias...
- Não, você ainda fica com 1 semana e 4 dias, deram a semana de Natal de férias.
(Gata escaldada, você já prevê que não vão comunicar ao setor de pagamento)
- Preciso agora ligar lá no setor de pagamento para comunicar que estou de férias, né?
- Sim, descubra quem é a pessoa que lida com seu pagamento, ligue pra ela e avise.
- Você tem o ramal?
- É por ordem alfabética. Qual é o seu sobrenome, mesmo?

Seria de se imaginar que a pessoa que liga para avisá-la da mudança da sua data de retorno ao trabalho, que é a mesma responsável por calcular todas as suas horas de trabalho nos últimos 8 anos soubesse seu sobrenome, até porque tudo aqui é listado em ordem alfabética do último nome, inclusive a folha de ponto. Pois é, você está querendo demais.

05 outubro, 2011

Uma Manhã no Kindergarten

Pra você que veio do outro lado do planeta, frequentou escola particular e religiosa a vida toda (somente de manhã ou de tarde), ter um filho numa escola pública canadense, de nove da manhã às três e um (sim, o horário é até 15:01 oficialmente) é um choque e tanto.

A decepção começa quando você descobre no ano anterior que não há vaga garantida na escola mais próxima de casa, continua em abril quando na reunião a diretora diz que não há espaço físico para a sala de aula do "kindergarten", nem professor contratado para as aulas em setembro.

No primeiro dia de aula, em plena "job action", a nova sala de aula está construída, mas ainda há poeira da obra no chão. Durante o mês inteiro, você fica ansiosa por ver livros, cadernos, agenda, uma folha de papel que dê alguma luz sobre o que vai ser ensinado a cada semana, na tentativa de ajudar a criança em casa. Chegam vinte e sete folhetos sobre dia da pizza, dia do sanduíche, dia da foto, Terry Fox Run, mas nada sobre conteúdo escolar.

Então, você engole sua decepção para não estragar a boa impressão que quer que seu filho tenha da escola e oferece à professora para passar uma manhã na sala de aula, como voluntária.

É tudo muito diferente das escolas em que você estudou na infância! As crianças não tem uniforme, nem todas chegam no horário, algumas aparecem com o cabelo da mesma forma que estava ao acordarem, ainda amassado pelo travesseiro. Como o "kindergarten" é o primeiro ano escolar obrigatório, muitas crianças nunca frequentaram um ambiente escolar e algumas ainda sofrem de ansiedade de separação, chorando agarradas às pernas da mãe (ou do pai) na entrada.

Numa terra fria e chuvosa, é preciso trocar de sapatos ao entrar na sala de aula e cada criança tem seu lugar de pendurar capas de chuva, toucas e casacos, além dos sapatos para usar somente do lado de dentro.

Em duas horas, você lê um livro para as crianças, acompanha calada a professora ensinando às crianças que "Flávia" tem 3 sílabas e perguntando num cochicho que letras vem depois do V no seu nome, para ensinar aos alunos como se escreve (quem manda ter um nome tão exótico?). Também tenta inutilmente grampear uns livretos com um grampeador quebrado e dobra algumas folhas de papel. Fica muito feliz ao ajudar uma garotinha com algum transtorno do desenvolvimento a completar sua tarefa, numa mesa separada das demais crianças. Descobre que, incrivelmente, seu filho não é o único tagarela da classe e talvez até dispute o segundo lugar na turma. Não se espanta quando descobre que aquele menino cujo nome seu filho sempre cita como o do seu melhor amigo é, na verdade, o mais irrequieto da classe.

Você fica feliz ao encontrar tantos livros na sala de aula, surpresa ao ver tantos brinquedos, satisfeita ao descobrir que os alunos do último ano aparecem todas as manhãs para ajudar os pequenos a vestirem seus casacos e calçarem suas botas antes de saírem para o recreio. "It's an outside day", avisa a voz no interfone imediatamente antes do intervalo. Se com esta chuva toda o aviso é este, você se pergunta que altura de neve é necessária para que seja decretado um "inside day".

Muita coisa para se acostumar, já que você veio de uma terra onde todo dia é dia de brincar lá fora. Ao invés de ficar de longe comparando e reclamando, você já avisa à professora que voltará sempre que tiver uma folga. Caso ainda esteja insatisfeita no final do ano letivo, tentará a escola particular religiosa no ano que vem, mas não vai ser por falta de participação da família.

03 outubro, 2011

E Quando Acaba a Licença-Maternidade?

É sua segunda vez de vivenciando o final da licença-maternidade. Engana-se quem pensa que a maior dificuldade na segunda vez é encontrar alguém confiável para cuidar das crianças.

Depois de 10 anos trabalhando para o mesmo empregador, sendo os últimos 8 lotada num mesmo setor, não deveria haver muitas surpresas na hora de voltar. A única novidade é que você foi promovida durante a licença, vai ocupar um cargo de gerência, sem plantões noturnos e finais de semana, mas ainda no antigo setor. Por via das dúvidas, mesmo sabendo que oficialmente sua data de retorno ainda está a uma semana de distância, você liga para a sua "timekeeper" (a pessoa do Departamento de Recursos Humanos responsável por entrar os dados das folhas de ponto dos funcionários de um setor). E segue-se um diálogo surreal, do tipo que brasileiro revoltado adora finalizar com um "só no Brasil!":

- Oi, estou ligando pra confirmar que minha data de retorno é na próxima terça.
- Sim, estamos esperando você amanhã.
- Terça-feira da semana que vem, dia 11.
- Não, a Poderosa Chefona falou que seria dia 10, que é feriado, então deduzi que será dia 11.
- É amanhã e inclusive já tenho sua escala pro final de semana!
- Final de semana? Eu fui promovida, ficarei no lugar da Fulana Aposentada, não vou mais trabalhar no final de semana!
- Jura? Ninguém me falou nada! Quando saiu sua promoção?
- Há uns três meses, a Poderosa Chefona disse que já iria oficializar no dia seguinte.
- Nossa, ela nunca me mandou um e-mail comunicando e tornando oficial.
- Cadê a Poderosa Chefona?
- De férias, só volta dia 24/10.
- Quem está no lugar dela?
- Depende, a Super Poderosa Chefona e a Chefinha Ocupada, mas quem está lidando com questão de escalas é a Gênia (parênteses para dizer que a Gênia ficou 33 anos na chefia do setor, sabe TUDO de cabeça porque nunca precisou de computador, aposentou-se sob lamentos gerais da torcida do Canucks, foi substituída por 3 pessoas que obviamente não dão conta do recado e ainda aparece uma vez por semana para tentar ensinar o que sabe e colocar ordem no barraco).
- E cadê ela?
- A Gênia só vem na quarta.

Para um pouquinho, estressa um pouquinho, descabela um pouquinho...

- Falei agora com a Chefinha Ocupada e ela disse que você volta quando quiser. Se quer emendar as férias e voltar só em novembro, pode.
- Oi? Eu volto quando EU quiser??? Ai, então vê aí no computador. Meu último dia de trabalho foi 17 de setembro, depois entrei de licença-maternidade e pedi que emendassem minhas férias.
- Não, tenho aqui que seu último dia foi 30 de setembro e agora você tem 5 semanas de férias.
- Eu ganhei neném 30 de setembro, mas parei de trabalhar 2 semanas antes.
- Ah, é?
- Se tenho 5 semanas de férias ainda, por que você acha que tenho que voltar a trabalhar amanhã?
- Boa pergunta. Vou colocar você aqui no cargo novo, senão as férias nem vão ser pagas com o novo salário.
- Eu volto na terça-feira da semana que vem. Chegarei pronta para o treinamento para o novo cargo. Se for um caos a situação das minhas férias, volto e fico mais um mês em casa.
- Então 'tá. Vou agora arrumar alguém pra cobrir o final de semana. Ainda bem que você me ligou hoje!
- Ainda bem que eu sou enfermeira e não "timekeeper"! Não quero seu emprego por nada neste mundo.

Você não sumiu por um ano inteiro. Muito pelo contrário, apareceu no seu setor várias vezes durante a licença-maternidade. Teve muitas reuniões com a Poderosa Chefona até a nomeação para o novo cargo (que, aparentemente, só aconteceu na sua cabeça porque ela não avisou ninguém). Sabiamente, no último ano da Gênia na chefia, todos já sofriam por antecipação e profetizavam: "Ninguém nunca será como ela". E você vai voltar de luto por ter perdido a melhor chefe que já teve na vida.