"E a minha pergunta e a seguite: como consegue escrever com acento no exterior? voce trouxe o teclado do Brasil?"
O teclado é gringo. Não há uma tecla específica para "ç" ou os acentos. Sou péssima em questões de computador, então perdoe minha linguagem leiga. Há um ícone de um teclado (no monitor aqui está no canto inferior direito, mas imagino que varie). Clicando nele, aparecem as opções de "English (United States) ou United States - International". Utilizando a versão "international", basta clicar no ' e depois no c que sai ç. Ou no ' e depois no a que sai á. E assim por diante...
27 fevereiro, 2008
26 fevereiro, 2008
SAL do Iglu para Laura
"gostaria de tomar a liberdade de te perguntar como vocês estão fazendo para ensinar o pequeno a falar mais de um idioma ao mesmo tempo sem causar conflito?"
Nunca tive este receio. Não acredito que exista conflito algum na cabeça de uma criança exposta a vários idiomas, desde que isso seja feito de forma natural, com cada um falando sua língua materna. A confusão existe na mente dos mais velhos, mas para um bebê que está descobrindo o mundo, não há problema no fato de aquele líquido transparente ser chamado de "água" por uma pessoa, de "water" pelas tias da creche e de "voda" pelos avós. A criança não sabe que cada coisa pode ter somente um único nome, isso é um conceito aprendido, não instintivo. Aos poucos a criança passa, por ela mesma, a saber com quem falar o quê. As palavras que ela só sabe numa determinada língua, certamente vai usar em todas as situações.
Eu jamais falo em inglês com meu filho, a não ser que seja para pedir desculpa a algum amiguinho quando há uma disputa por brinquedos no parquinho ou para que ele repita "thank you" ao agradecer alguém que não fale português ou servo-croata. Nunca falo por exemplo "sapato, shoe", só uso os termos na minha língua.
Lembro exatamente que o Pacotinho de Idiomas começou a usar primeiro a linguagem de sinais (recomendo até para os não-bilíngües) para mostrar "mais", com uns 11 meses. Depois, passou a falar "more, more", quando fazia o sinal pedindo mais. Um dia, sentado no sofá, pediu "more, more", aí virou para mim, arregalou os olhos e disse "mais, mais". Deu para ver a hora exata em que deu o "click" e ele entendeu que a Mamãe fala "mais" e não "more". Desde então, só fala "mais" quando pede alguma coisa para mim ou fala tudo "more, mais, josh", se estiver fazendo um pedido geral a um monte de gente junta. Eu sempre atendo se ele fala em qualquer língua (quando não é bebezês e a gente não tem a mínima idéia do que ele quer), mas repito em português o que ele está dizendo. Ele só pede "cracker", mas eu entrego e falo "biscoito". Não acho que ignorar se a criança não fala português seja uma boa idéia, ainda mais quando ela está começando a falar.
Muitas crianças param de falar a língua dos pais quando começam a ir à escola e a só conviver com amigos que falam o idioma local. Mesmo assim, a base fica estabelecida, elas continuam compreendendo, ainda que só respondam no idioma do país onde vivem. Nada que uma temporada de férias no Brasil não refresque.
Peça a sua família no Brasil para mandar livrinhos, DVDs e CDs de música brasileira. Eu falo muito, aponto, canto, repito o nome de tudo, então não é de surpreender que, mesmo passando o dia na creche, ele fale mais português que inglês. Por sorte, uma das tias da creche é sérvia e ela reforça a língua paterna com ele.
Como o Marido Gringo não fala português, de vez em quando tem confusão da parte dele. Ele sempre escuta quando eu pergunto "fez cocô ? Vamos limpar o bumbum ?" Outro dia perguntei ao filhote "está coçando o bumbum ?" Marido Gringo disse de longe "I cannot believe there's more 'bumbum', I just changed him, there was tons of it. It cannot be more 'bumbum'". Tive que explicar que "bumbum" sempre tem, "cocô" é que varia.
Como o Pacotinho de Surpresas só tem um ano meio, ainda tem muito chão pela frente. Algumas mães expatriadas com filhos mais velhos devem ter dicas mais interessantes para o futuro. Boa sorte com o bebê !
Nunca tive este receio. Não acredito que exista conflito algum na cabeça de uma criança exposta a vários idiomas, desde que isso seja feito de forma natural, com cada um falando sua língua materna. A confusão existe na mente dos mais velhos, mas para um bebê que está descobrindo o mundo, não há problema no fato de aquele líquido transparente ser chamado de "água" por uma pessoa, de "water" pelas tias da creche e de "voda" pelos avós. A criança não sabe que cada coisa pode ter somente um único nome, isso é um conceito aprendido, não instintivo. Aos poucos a criança passa, por ela mesma, a saber com quem falar o quê. As palavras que ela só sabe numa determinada língua, certamente vai usar em todas as situações.
Eu jamais falo em inglês com meu filho, a não ser que seja para pedir desculpa a algum amiguinho quando há uma disputa por brinquedos no parquinho ou para que ele repita "thank you" ao agradecer alguém que não fale português ou servo-croata. Nunca falo por exemplo "sapato, shoe", só uso os termos na minha língua.
Lembro exatamente que o Pacotinho de Idiomas começou a usar primeiro a linguagem de sinais (recomendo até para os não-bilíngües) para mostrar "mais", com uns 11 meses. Depois, passou a falar "more, more", quando fazia o sinal pedindo mais. Um dia, sentado no sofá, pediu "more, more", aí virou para mim, arregalou os olhos e disse "mais, mais". Deu para ver a hora exata em que deu o "click" e ele entendeu que a Mamãe fala "mais" e não "more". Desde então, só fala "mais" quando pede alguma coisa para mim ou fala tudo "more, mais, josh", se estiver fazendo um pedido geral a um monte de gente junta. Eu sempre atendo se ele fala em qualquer língua (quando não é bebezês e a gente não tem a mínima idéia do que ele quer), mas repito em português o que ele está dizendo. Ele só pede "cracker", mas eu entrego e falo "biscoito". Não acho que ignorar se a criança não fala português seja uma boa idéia, ainda mais quando ela está começando a falar.
Muitas crianças param de falar a língua dos pais quando começam a ir à escola e a só conviver com amigos que falam o idioma local. Mesmo assim, a base fica estabelecida, elas continuam compreendendo, ainda que só respondam no idioma do país onde vivem. Nada que uma temporada de férias no Brasil não refresque.
Peça a sua família no Brasil para mandar livrinhos, DVDs e CDs de música brasileira. Eu falo muito, aponto, canto, repito o nome de tudo, então não é de surpreender que, mesmo passando o dia na creche, ele fale mais português que inglês. Por sorte, uma das tias da creche é sérvia e ela reforça a língua paterna com ele.
Como o Marido Gringo não fala português, de vez em quando tem confusão da parte dele. Ele sempre escuta quando eu pergunto "fez cocô ? Vamos limpar o bumbum ?" Outro dia perguntei ao filhote "está coçando o bumbum ?" Marido Gringo disse de longe "I cannot believe there's more 'bumbum', I just changed him, there was tons of it. It cannot be more 'bumbum'". Tive que explicar que "bumbum" sempre tem, "cocô" é que varia.
Como o Pacotinho de Surpresas só tem um ano meio, ainda tem muito chão pela frente. Algumas mães expatriadas com filhos mais velhos devem ter dicas mais interessantes para o futuro. Boa sorte com o bebê !
25 fevereiro, 2008
A Saga do Caroço
Confirmado: meu caroço no pescoço está com os dias contados. Mais precisamente, 12 dias. Continua grande, mas incrivelmente ninguém nota à primeira vista. A biópsia foi "inconclusiva", mas pelo tamanho e pelo fato de ser "mais sólido do que líquido" (parece descrição de mãe de primeira viagem falando com o pediatra sobre seu assunto favorito: como está o cocô do neném), o médico acha que tem indicação de ser removido. Claro que ele queria fazer outra biópsia, bla bla bla, mas se precisa tirar mesmo, então prefiro que seja logo.
A cirurgia em si não me assusta. Algumas pessoas falam que têm medo de "não voltarem da anestesia", como se Anestesia fosse Bagdá em plena guerra. Tenho a sorte de conhecer todos os anestesistas e poder escolher a dedo quem me trará "de volta". Outros pacientes têm receio de que o médico esqueça uma gaze dentro do corte. Como medo costuma ser algo muito pessoal e irracional (eu tenho mais medo de barata que de urso), nem dá para julgar que eu fico mesmo pensando se vou ser daquelas que acordam agitadas da anestesia, falando um monte de besteira e sendo empurrada na maca até a sala da recuperação com o bumbum à mostra. O medo é tanto que, como a cirurgia é no pescoço, vou usar uma bermuda por baixo do camisolão e, como trabalho lá, duvido a enfermeira vetar. Pular da mesa eu sei que não vou conseguir, porque há cinto de segurança (quando estou do outro lado, meu maior receio é de um paciente cair da mesa durante ou no final da cirurgia, coisa que nunca vi acontecer ao vivo, mas volta e meia há um caso do estilo na justiça).
O pós-operatório, com uma criança pequena e ativa é o que me preocupa. Mas, como nem tudo é gelo neste longo inverno, a Santa Irmã mais uma vez vem quebrar meu galho. Estou tão feliz com a chegada dela, que ando pensando mais na companhia que na dor física dos primeiros dias. Acho que deveria ser proibido ter uma filha só. As meninas deveriam ver sempre em dupla, no mínimo, assim todas teriam irmãs. "Esperta" mesmo foi esta argentina, que aos 16 anos, teve logo duas barrigas de trigêmeas, para adicionar ao menino que já tinha em casa. Acho que nem eu topo !
A cirurgia em si não me assusta. Algumas pessoas falam que têm medo de "não voltarem da anestesia", como se Anestesia fosse Bagdá em plena guerra. Tenho a sorte de conhecer todos os anestesistas e poder escolher a dedo quem me trará "de volta". Outros pacientes têm receio de que o médico esqueça uma gaze dentro do corte. Como medo costuma ser algo muito pessoal e irracional (eu tenho mais medo de barata que de urso), nem dá para julgar que eu fico mesmo pensando se vou ser daquelas que acordam agitadas da anestesia, falando um monte de besteira e sendo empurrada na maca até a sala da recuperação com o bumbum à mostra. O medo é tanto que, como a cirurgia é no pescoço, vou usar uma bermuda por baixo do camisolão e, como trabalho lá, duvido a enfermeira vetar. Pular da mesa eu sei que não vou conseguir, porque há cinto de segurança (quando estou do outro lado, meu maior receio é de um paciente cair da mesa durante ou no final da cirurgia, coisa que nunca vi acontecer ao vivo, mas volta e meia há um caso do estilo na justiça).
O pós-operatório, com uma criança pequena e ativa é o que me preocupa. Mas, como nem tudo é gelo neste longo inverno, a Santa Irmã mais uma vez vem quebrar meu galho. Estou tão feliz com a chegada dela, que ando pensando mais na companhia que na dor física dos primeiros dias. Acho que deveria ser proibido ter uma filha só. As meninas deveriam ver sempre em dupla, no mínimo, assim todas teriam irmãs. "Esperta" mesmo foi esta argentina, que aos 16 anos, teve logo duas barrigas de trigêmeas, para adicionar ao menino que já tinha em casa. Acho que nem eu topo !
17 fevereiro, 2008
O Pacotinho de Inverno

Depois de gastar 45 dólares num par de meias "extra warm", que o cara da loja especializada explicou serem adequadas para temperaturas de - 20C e terem 2 anos de garantia (onde já se viu meia ter garantia ?), comprar um par de botas "waterproof" próprias para o inverno, arrisquei subir a montanha e levar o Pacotinho de Inverno para tirar umas fotos na neve. Assim ele nunca vai poder acusar a mãe tropical de tê-lo privado das brincadeiras de inverno, até porque terei as fotos para provar. Neve para mim só tem uma finalidade: ser cenário para fotos, de preferência lá no fundo.
Num dia ensolarado como foi hoje, posso até dizer que o passeio foi agradável. Mesmo com a garantia do vendedor de que meus pés ficariam quentes, descobri que as meias são "waterproof", mas não são "flaviaproof". Claro que meia hora depois meus dedos dos pés estavam completamente anestesiados, mas para quem geralmente sente dor 5 minutos depois de pisar na neve, os 45 dólares valeram a pena. Marido Gringo que sabe TUDO de medicações recomendou que eu tomasse ibuprofeno antes de sair de casa, porque ajuda na circulação. Quando ouviu que quem afina o sangue é aspirina, sugeriu que eu tomasse aspirina então. Nada como um bando de gringos entendidos para esquentar pés tropicais congelados com péssima circulação !
Para quem detestou a areia e o mar maravilhosos em Cancún, o Pacotinho de Inverno encontrou a sua praia: estava todo serelepe jogando neve para cima e dando gargalhadas. Papai foi só sorrisos ao decretar "seu filho é gringo mesmo !"
Qualquer semelhança com os Oompa-loompas da versão original do filme "A Fantástica Fábrica de Chocolates" é mera coincidência.

16 fevereiro, 2008
SAL do Iglu para Carla
Carla, é uma questão de pronúncia. A piada foi feita para ser ouvida e não lida. Em inglês, "tulips" pronuncia-se como "two lips".
14 fevereiro, 2008
Dirty Valentine's Day Jokes

Dizem que a gente só é mesmo bilíngüe quando entende as piadas de duplo sentido, sem precisar de explicação.
Se você, por motivos políticos, religiosos ou puritanos, não pode ouvir (nem ler) piadinhas sujas, por favor pare por aqui. Testar os conhecimentos de inglês não é tão importante assim.
Então, sem tradução porque não faz sentido em português, aqui vão as piadinhas do Dia dos Namorados que ouvi hoje no trabalho e que arrancaram gargalhadas gerais (a segunda principalmente). Elas me fizeram comprovar que sou mesmo bilíngüe:
"What's sexier than a dozen roses on the piano ?
Tulips on the organ".
"- I say a word, you tell me which bird it reminds you of.
- Eagle.
- Freedom.
- Wisdom.
- Owl.
- Love.
- Dove.
- True love.
- Swallow."
Happy Valentine's Day everyone !
PS: A vantagem de falar bobagens numa segunda língua é que é bem mais fácil, já que as palavras nunca têm o mesmo peso que na língua materna. E quem jamais contaria tais piadinhas em português, escreve essas coisas no blog, sem vergonha.
11 fevereiro, 2008
Na Sessão Coruja: O Pacotinho da Tecla SAP
Algumas mães muito sortudas não têm casos para contar de longas noites em claro embalando um bebê choroso. Dá uma raiva, né ? Você descabelada, exausta, com a camisola cheirando a leite azedo, olheiras abissais, as pernas mais peludas que as do Tony Ramos, hemorróidas em couve-flor, aquela barriga com a mesma consistência da autêntica geléia de mocotó. Sente-se premiada quando emenda 2 horas de sono consecutivas e a amiga vem contar vantagem que o bebê dela, mais novo que o seu, nunca teve cólica e dorme a noite inteira. Como se não bastasse, aquela insuportável com um filho de 3 meses já cabe na calça jeans 36 há algum tempo e nem hemorróida tem ! Muito prazer, a amiga incoveniente sou eu, com a barriga de gelatina devidamente contida na calça.
Até posso dizer que a meia dúzia de livros que li sobre o assunto deram umas dicas excelentes, mas a verdade é que o Pacotinho de Sono já nasceu programado para dormir muito de noite, desde recém-nascido. Desde que chegou da maternidade, ele fazia "nhéim", era colocado para mamar no peito, ali mesmo chapava e voltava para o berço em sono profundo, toda noite. De dia dava um baile para dormir, mas vivia pendurado no sling ou no canguru e assim garantia suas sonecas. Levei uns 2 meses e meio para descobrir que "dormir como um bebê" significa fazer mil caretas com cara de quem está sentindo um cheiro de gambá, emitir vários ruídos sem motivo nenhum e que "nhéim" em bebezês não necessariamente significa "ei, você aí, me dá o peito aí" (o Carnaval já passou, mas não resisti). Na semana em que completou 3 meses de vida, ele passou a adormecer às 19:00 e só fazer "nhéim" às 06:00. É o santo DNA dos tios maternos, que dormem até em ensaio de escola de samba, debaixo de goteira ou com obra no quarto ao lado.
Agora, apesar da avançada idade de 1 ano e meio, o Pacotinho de Gripe acorda de noite quando está com o nariz muito entupido. Invariavelmente o Papai chega com ele lá no quarto "abre espaço aí para ele dormir com a gente" (já viu pobre ter cama "king size" ?). Na semana passada, numa dessas acordadas por conta da gripe, o Pacotinho da Tecla SAP senta na cama e fala: "Water, água, voda". Se há alguma dúvida de que o problema dele era sede, ele deixa claro em todas as línguas faladas na casa. Depois de tomar um gole, ele faz com as mãozinhas o sinal e avisa: "more, more, mais, mais, jos, jos". Até um surdo-mudo entenderia !
Ele não é trilíngüe para todas as palavras. Também não sabe álgebra, não fica sentado por 1 hora no restaurante, escala sofás e ainda por cima é analfabeto. Não é um absurdo ?
Até posso dizer que a meia dúzia de livros que li sobre o assunto deram umas dicas excelentes, mas a verdade é que o Pacotinho de Sono já nasceu programado para dormir muito de noite, desde recém-nascido. Desde que chegou da maternidade, ele fazia "nhéim", era colocado para mamar no peito, ali mesmo chapava e voltava para o berço em sono profundo, toda noite. De dia dava um baile para dormir, mas vivia pendurado no sling ou no canguru e assim garantia suas sonecas. Levei uns 2 meses e meio para descobrir que "dormir como um bebê" significa fazer mil caretas com cara de quem está sentindo um cheiro de gambá, emitir vários ruídos sem motivo nenhum e que "nhéim" em bebezês não necessariamente significa "ei, você aí, me dá o peito aí" (o Carnaval já passou, mas não resisti). Na semana em que completou 3 meses de vida, ele passou a adormecer às 19:00 e só fazer "nhéim" às 06:00. É o santo DNA dos tios maternos, que dormem até em ensaio de escola de samba, debaixo de goteira ou com obra no quarto ao lado.
Agora, apesar da avançada idade de 1 ano e meio, o Pacotinho de Gripe acorda de noite quando está com o nariz muito entupido. Invariavelmente o Papai chega com ele lá no quarto "abre espaço aí para ele dormir com a gente" (já viu pobre ter cama "king size" ?). Na semana passada, numa dessas acordadas por conta da gripe, o Pacotinho da Tecla SAP senta na cama e fala: "Water, água, voda". Se há alguma dúvida de que o problema dele era sede, ele deixa claro em todas as línguas faladas na casa. Depois de tomar um gole, ele faz com as mãozinhas o sinal e avisa: "more, more, mais, mais, jos, jos". Até um surdo-mudo entenderia !
Ele não é trilíngüe para todas as palavras. Também não sabe álgebra, não fica sentado por 1 hora no restaurante, escala sofás e ainda por cima é analfabeto. Não é um absurdo ?
07 fevereiro, 2008
Problemas Inexistentes no Primeiro Mundo
A solução definitiva para muitas das aflições que perturbam a vida dos moradores do Brasil é a imigração para um país de Primeiro Mundo mas, enquanto isso não acontece, poderíamos criar uma rede de apoio a estas pessoas que levam uma vida tão sofrida na terrinha:
"Minha nova empregada é muito gulosa. Hoje ela já comeu meio panetone no café da manhã, acabou com um doce de figo que a minha sogra fez (levou 4 dias para ficar pronto) e tomou todo o suco de polpa de fruta congelada que eu compro somente para mim. Ainda traçou um pacote de doce de abóbora em rodelas. Você não acha um abuso ? É mesquinharia mandá-la embora, sendo que ela é eficiente ?"
Dona-de-casa Confusa
Prezada Dona-de-casa Confusa,
Esta sua sogra é uma piada mesmo, hein? Fala sério! Se houve abuso, foi da parte da sogra. Com tanta receita maravilhosa que inclui leite condensado, ela aparece na sua casa com um doce de figo! Foi depois de alguma discussão ? Imagina só ficar 4 dias tramando isso! Ela é gringa, por acaso? Está parecendo a minha, que faz uma "baklava" cheia de castanhas, sem um pingo de leite condensado e chama de "sobremesa". E quem foi que comprou doce de abóbora? Vou adivinhar: a sua cunhada, né? Acertei? Olha, tenho uma amiga que diz que cunhada é pior do que sogra... Opa! O assunto aqui é empregada e não família do marido.
Anyways, uma empregada que come um doce de figo feito pela sogra (e que leva 4 dias para ficar pronto) não se acha em qualquer esquina. Doce de abóbora dispensa comentários (foi a cunhada quem trouxe, aposto). Panetone, principalmente aqueles queimados por fora, nesta época do ano, é difícil achar quem queira. Se ela é eficiente, acho que você deveria sim relevar este gosto duvidoso da coitada. Nem todos têm o seu paladar refinado, não é mesmo? E, com uma sogra dessas, é melhor ter alguém por perto caso ela resolva dar uma de "chef" novamente. Quanto à polpa de frutas, quem tem empregada em casa precisa mesmo comprar fruta em polpa no Brasil? Fruta custa tão barato por aí, por que não comprar um saco imenso de laranjas, um monte de abacaxi no caminhão e colocar a moça para trabalhar?
***
"Domingo, que é a folga da empregada, iremos a um churrasco e 'pedi' a ela pra ir com a gente pra ela me ajudar com o meu filho. Oferecemos até um dinheirinho a mais pra ela ir. Ela disse não. Mas poxa, custava ela ir? Vamos conversar com ela e ser duros. Tipo dizer que SE a gente precisar, vai sair com a gente sim, mesmo no domingo. Será que estamos sendo duros demais?"
Patroa Chateada
Querida Patroa Chateada,
Você tem toda razão de estar assim. Então a empregada trabalhou a semana inteira e quer tirar uma folga no domingo? Que cara-de-pau! Diga a ela que, se ela quisesse folgar toda semana, deveria ter esperado para nascer em outro século, quando a escravidão já estivesse abolida (dizem que vai ser, mas também dizem que haverá viagens tripuladas a Marte, então quem garante?). Enfim, ela tem que ir sim, onde já se viu um casal ir sozinho a um churrasco com uma criança? Três adultos para cuidar de uma criança é o mínimo que as leis internacionais exigem, até por questões de segurança. O Unicef já foi comunicado?
***
"Estou contratando uma babá. Eu tenho três filhos e não trabalho fora, mas gostaria que alguém me acompanhasse em passeios, viagens e festas. Ela é bem mais alta que eu, novinha, tipo morenão. Ela é gostosa pra caramba, tem um bundão lindo e NENHUMA celulite ! (E veste 36!). Meu marido faz questão que ela nos acompanhe de branco, deixando claro que ela é a responsável pelas crianças. Eu quero é sombra e água fresca, sem precisar ficar correndo atrás dos meninos. Não quero me sentir ameaçada por um morenaço seminua ao meu lado (decote, calça apertada e transparente, com fio dental aparecendo) mas não quero bancar a fresca. Qual a sua opinião para o meu dilema?
Mamãe Preocupada
Cara Mamãe Preocupada,
Você não está bancando a fresca. Babá gostosona é um perigo. Você corre o risco de ter tempo de sobra para sair, malhar na academia, ir ao salão de beleza, fazer umas massagens, passear pelas lojas e voltar linda e descansada para casa. Já pensou ter a chance de sair sozinha com o marido para um programinha apimentado a dois, toda noite, porque ela é quem é responsável pelas crianças? Que medo! E nada de uniforme branco. Tente convencê-la a usar um hábito de freira, daqueles pretinhos básicos e vá levando as coisas assim até vocês se mudarem do Brasil. No Primeiro Mundo, com três filhos e sem emprego, você certamente não terá tal problema. Aliás, com o seu perfil, a adaptação por aqui será moleza. Nada como um pouco de civilização!
Só uma dúvida: se ela é tão irresistível assim, por que precisa trabalhar como babá? Quando eu morava no Brasil, as mulheres que correspondiam à sua descrição eram chamadas de modelo/cantora/atriz, assim mesmo, com barras entre uma palavra e outra.
***
Sua criadagem está causando problemas? Seus vassalos não correspondem às suas expectativas? Envie suas reclamações para o CVM - Centro de Valorização da Mordomia. No final do ano, será sorteada uma faxina completa para um sortudo ganhador. O Iglu estará bagunçado como sempre e um felizardo terá a oportunidade de finalmente colocar as coisas no lugar. Promoção por tempo ilimitado!
"Minha nova empregada é muito gulosa. Hoje ela já comeu meio panetone no café da manhã, acabou com um doce de figo que a minha sogra fez (levou 4 dias para ficar pronto) e tomou todo o suco de polpa de fruta congelada que eu compro somente para mim. Ainda traçou um pacote de doce de abóbora em rodelas. Você não acha um abuso ? É mesquinharia mandá-la embora, sendo que ela é eficiente ?"
Dona-de-casa Confusa
Prezada Dona-de-casa Confusa,
Esta sua sogra é uma piada mesmo, hein? Fala sério! Se houve abuso, foi da parte da sogra. Com tanta receita maravilhosa que inclui leite condensado, ela aparece na sua casa com um doce de figo! Foi depois de alguma discussão ? Imagina só ficar 4 dias tramando isso! Ela é gringa, por acaso? Está parecendo a minha, que faz uma "baklava" cheia de castanhas, sem um pingo de leite condensado e chama de "sobremesa". E quem foi que comprou doce de abóbora? Vou adivinhar: a sua cunhada, né? Acertei? Olha, tenho uma amiga que diz que cunhada é pior do que sogra... Opa! O assunto aqui é empregada e não família do marido.
Anyways, uma empregada que come um doce de figo feito pela sogra (e que leva 4 dias para ficar pronto) não se acha em qualquer esquina. Doce de abóbora dispensa comentários (foi a cunhada quem trouxe, aposto). Panetone, principalmente aqueles queimados por fora, nesta época do ano, é difícil achar quem queira. Se ela é eficiente, acho que você deveria sim relevar este gosto duvidoso da coitada. Nem todos têm o seu paladar refinado, não é mesmo? E, com uma sogra dessas, é melhor ter alguém por perto caso ela resolva dar uma de "chef" novamente. Quanto à polpa de frutas, quem tem empregada em casa precisa mesmo comprar fruta em polpa no Brasil? Fruta custa tão barato por aí, por que não comprar um saco imenso de laranjas, um monte de abacaxi no caminhão e colocar a moça para trabalhar?
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"Domingo, que é a folga da empregada, iremos a um churrasco e 'pedi' a ela pra ir com a gente pra ela me ajudar com o meu filho. Oferecemos até um dinheirinho a mais pra ela ir. Ela disse não. Mas poxa, custava ela ir? Vamos conversar com ela e ser duros. Tipo dizer que SE a gente precisar, vai sair com a gente sim, mesmo no domingo. Será que estamos sendo duros demais?"
Patroa Chateada
Querida Patroa Chateada,
Você tem toda razão de estar assim. Então a empregada trabalhou a semana inteira e quer tirar uma folga no domingo? Que cara-de-pau! Diga a ela que, se ela quisesse folgar toda semana, deveria ter esperado para nascer em outro século, quando a escravidão já estivesse abolida (dizem que vai ser, mas também dizem que haverá viagens tripuladas a Marte, então quem garante?). Enfim, ela tem que ir sim, onde já se viu um casal ir sozinho a um churrasco com uma criança? Três adultos para cuidar de uma criança é o mínimo que as leis internacionais exigem, até por questões de segurança. O Unicef já foi comunicado?
***
"Estou contratando uma babá. Eu tenho três filhos e não trabalho fora, mas gostaria que alguém me acompanhasse em passeios, viagens e festas. Ela é bem mais alta que eu, novinha, tipo morenão. Ela é gostosa pra caramba, tem um bundão lindo e NENHUMA celulite ! (E veste 36!). Meu marido faz questão que ela nos acompanhe de branco, deixando claro que ela é a responsável pelas crianças. Eu quero é sombra e água fresca, sem precisar ficar correndo atrás dos meninos. Não quero me sentir ameaçada por um morenaço seminua ao meu lado (decote, calça apertada e transparente, com fio dental aparecendo) mas não quero bancar a fresca. Qual a sua opinião para o meu dilema?
Mamãe Preocupada
Cara Mamãe Preocupada,
Você não está bancando a fresca. Babá gostosona é um perigo. Você corre o risco de ter tempo de sobra para sair, malhar na academia, ir ao salão de beleza, fazer umas massagens, passear pelas lojas e voltar linda e descansada para casa. Já pensou ter a chance de sair sozinha com o marido para um programinha apimentado a dois, toda noite, porque ela é quem é responsável pelas crianças? Que medo! E nada de uniforme branco. Tente convencê-la a usar um hábito de freira, daqueles pretinhos básicos e vá levando as coisas assim até vocês se mudarem do Brasil. No Primeiro Mundo, com três filhos e sem emprego, você certamente não terá tal problema. Aliás, com o seu perfil, a adaptação por aqui será moleza. Nada como um pouco de civilização!
Só uma dúvida: se ela é tão irresistível assim, por que precisa trabalhar como babá? Quando eu morava no Brasil, as mulheres que correspondiam à sua descrição eram chamadas de modelo/cantora/atriz, assim mesmo, com barras entre uma palavra e outra.
***
Sua criadagem está causando problemas? Seus vassalos não correspondem às suas expectativas? Envie suas reclamações para o CVM - Centro de Valorização da Mordomia. No final do ano, será sorteada uma faxina completa para um sortudo ganhador. O Iglu estará bagunçado como sempre e um felizardo terá a oportunidade de finalmente colocar as coisas no lugar. Promoção por tempo ilimitado!
06 fevereiro, 2008
SAL do Iglu para a galera
O Serviço do Atendimento ao Leitor do Iglu responde para:
Todo o mundo que deixou recadinho nos últimos dias : ainda bem que existe gente bem humorada no mundo ! Faz tanto tempo que não "ouvia" as palavras "forevis" e "fiofó" que caí na gargalhada sozinha.
Marília: Você sabe que eu acho o Quadradinho o melhor lugar do mundo (depois de Cancún), mas o seu prédio superou minhas expectativas. Nas quadras dos meus pais e da minha irmã, eles só separam lixo orgânico do lixo seco, até hoje. Talvez agora, 8 anos depois, os hospitais onde trabalhei por lá tenham aderido à reciclagem também. E coleta de lixo na porta do apartamento, duas vezes por dia, acabou de tornar-se meu novo sonho de consumo !
Dani: Uma amiga canadense é fã do copinho. Vou pesquisar, valeu a dica.
Mariana: Não perca tempo traduzindo as bobagens que eu escrevo não ! O site do Dr. Carlos González é ótimo, vá direto à fonte: Crianza Natural
Carol, Ênio e Leila: Não ignorei seu comentário, apenas levei uns dias pensando em como responder, porque as lembranças dos primeiros dias pós-parto costumam despertar emoções fortes mesmo anos depois. De forma alguma queria passar a impressão de que menosprezo o sofrimento das mães que tiveram problema para amamentar. Sinto muito pelo que aconteceu com sua filhinha, imagino seu desespero. Já são tão difíceis os primeiros dias pós-parto, mesmo quando tudo vai bem (eu mesma não sei como é "quando tudo vai bem") !
Não sou especialista no assunto (um dia ainda estudarei bastante e serei consultora da La Leche League), mas posso dizer que no hospital onde eu trabalho, eles dão a mesma orientação que você recebeu na maternidade. A diferença é que a mãe sai de alta com as informações sobre o que observar para ter certeza de que a criança está recebendo colostro/leite em quantidade suficiente, justamente para evitar hipoglicemia e desidratação. Uma enfermeira da comunidade vai à casa do bebê no dia seguinte ao da alta, para certificar-se de que tudo está bem. Se qualquer coisa estiver fora do "normal", ela continua a visita diariamente e encaminha para o médico. Uma bênção na terra sem pediatra do outro lado do celular.
Meu leite também só desceu lá pelo quinto dia (sem Plasil, que aqui nem vende sem prescrição). Até lá, o neném mamava no peito de hora em hora durante o dia. Minha irmã inclusive achava que eu tinha paranóia demais com medo de o menino desidratar, por deixá-lo de braços e pernas de fora o tempo todo, mas ele suava muito (coisa de gringo, que nem faz este calor todo no verão em Vancouver) e eu tinha ouvido várias vezes durante o curso de gestantes para tomar cuidado com a desidração.
Desejo que as coisas sejam bem mais fáceis da próxima vez. Parabéns pela perseverança, muita gente no seu lugar teria desistido, compreensivelmente.
Todo o mundo que deixou recadinho nos últimos dias : ainda bem que existe gente bem humorada no mundo ! Faz tanto tempo que não "ouvia" as palavras "forevis" e "fiofó" que caí na gargalhada sozinha.
Marília: Você sabe que eu acho o Quadradinho o melhor lugar do mundo (depois de Cancún), mas o seu prédio superou minhas expectativas. Nas quadras dos meus pais e da minha irmã, eles só separam lixo orgânico do lixo seco, até hoje. Talvez agora, 8 anos depois, os hospitais onde trabalhei por lá tenham aderido à reciclagem também. E coleta de lixo na porta do apartamento, duas vezes por dia, acabou de tornar-se meu novo sonho de consumo !
Dani: Uma amiga canadense é fã do copinho. Vou pesquisar, valeu a dica.
Mariana: Não perca tempo traduzindo as bobagens que eu escrevo não ! O site do Dr. Carlos González é ótimo, vá direto à fonte: Crianza Natural
Carol, Ênio e Leila: Não ignorei seu comentário, apenas levei uns dias pensando em como responder, porque as lembranças dos primeiros dias pós-parto costumam despertar emoções fortes mesmo anos depois. De forma alguma queria passar a impressão de que menosprezo o sofrimento das mães que tiveram problema para amamentar. Sinto muito pelo que aconteceu com sua filhinha, imagino seu desespero. Já são tão difíceis os primeiros dias pós-parto, mesmo quando tudo vai bem (eu mesma não sei como é "quando tudo vai bem") !
Não sou especialista no assunto (um dia ainda estudarei bastante e serei consultora da La Leche League), mas posso dizer que no hospital onde eu trabalho, eles dão a mesma orientação que você recebeu na maternidade. A diferença é que a mãe sai de alta com as informações sobre o que observar para ter certeza de que a criança está recebendo colostro/leite em quantidade suficiente, justamente para evitar hipoglicemia e desidratação. Uma enfermeira da comunidade vai à casa do bebê no dia seguinte ao da alta, para certificar-se de que tudo está bem. Se qualquer coisa estiver fora do "normal", ela continua a visita diariamente e encaminha para o médico. Uma bênção na terra sem pediatra do outro lado do celular.
Meu leite também só desceu lá pelo quinto dia (sem Plasil, que aqui nem vende sem prescrição). Até lá, o neném mamava no peito de hora em hora durante o dia. Minha irmã inclusive achava que eu tinha paranóia demais com medo de o menino desidratar, por deixá-lo de braços e pernas de fora o tempo todo, mas ele suava muito (coisa de gringo, que nem faz este calor todo no verão em Vancouver) e eu tinha ouvido várias vezes durante o curso de gestantes para tomar cuidado com a desidração.
Desejo que as coisas sejam bem mais fáceis da próxima vez. Parabéns pela perseverança, muita gente no seu lugar teria desistido, compreensivelmente.
05 fevereiro, 2008
Going Green At Work (or trying, at least)

Estou atrasadíssima para escrever alguma coisa sobre a campanha deste ano para preservação do meio-ambiente (alguns líderes mundiais já deixaram recado na secretária eletrônica, cobrando minha participação). Vi umas fotos lindas da campanha no blog do Danilo.

Um dos melhores hábitos que adquiri com os canadenses é o de reciclar o lixo. Com triturador na pia, fica fácil dar fim nas cascas de laranja e restos de comida. Aí é só separar as garrafas, latinhas e papéis (há 3 latas diferentes de "lixo" na cozinha). Também carrego minhas sacolinhas reutilizáveis para o supermercado, tentando diminuir a quantidade de sacos de plástico, já que eles são super férteis e reproduzem-se numa velocidade impressionante embaixo da pia da cozinha.
Ainda estou longe de ser a garota-propaganda da preservação ao meio-ambiente. No fim dos tempos, imagino que eu vá arder na fogueira do inferno das fraldas descartáveis. Não dá vontade de fazer nada com uma fralda imunda a não ser jogá-la no lixo. Nem se eu tivesse criadagem e área de serviço com tanque, conseguiria imaginar baldes com fraldas fedidas submersas. Há empresas que recolhem as fraldas sujas e repõem com outras limpas, mais ou menos pelo mesmo custo das fraldas descartáveis. Uma amiga gringa garante que a caixa não espalha uma catinga pelo apartamento até o dia da reposição. E fora de casa então ? Duas mães do grupo de bebês da biblioteca saíam de casa com uma mochila daquelas de escalar o Everest, que invariavelmente voltava cheia de fraldas sujas e eu não as invejava nadinha. Se eu tivesse um bebê alérgico, que vivesse com o bumbum assado, talvez cogitaria a idéia (da empresa que entrega fraldas limpas, porque sem chance de eu esfregar fralda de cocô na pia do banheiro !).
Outra idéia que também não me apetece é a dos tais "bioabsorventes". Eu sou do tempo em que "quem ficava incomodada era a sua avó", imagina se vou usar e lavar paninho ! A alternativa mais ecológica seria ficar eternamente grávida, mas aí o neném nasce e é mais fralda descartável no planeta.
O hospital onde eu trabalho foi provavelmente o último estabelecimento da cidade a aderir à reciclagem, no mês passado. Ordens superiores, porque a cúpula interna sempre foi contra. Logo no primeiro dia, uma hora depois do início do plantão, o único baldinho servindo as 14 salas de cirurgia já estava lotado (o meu da cozinha é do mesmo tamanho e três pessoas enchem-no em meia hora depois da compra do supermercado, imagina num lugar onde trabalham mais de 80 pessoas somente no turno da manhã). Passa a enfermeira que há 30 anos é responsável pelas compras e adivinha com quem ela resolve implicar:
- A gente não vai reciclar tudo quanto é papel não !
- Como assim ? O responsável pela reciclagem falou que, se rasgar, é papel e pode ser reciclado.
- Pois é, mas se a gente reciclar tudo, o balde enche muito rápido.
- A gente precisa de mais baldes !
- Flávia, você sabe quanto custa um balde desses ?
- Os lá de casa são idênticos e comprei na loja de 1 dólar.
- De forma alguma vamos comprar mais baldes ! É um balde só e pronto.
Como o paciente anestesiado não tem culpa alguma do preço dos baldes e está no hospital para ter a válvula mitral substituída e não reciclada, tive que deixar para lá.

No plantão noturno, enquanto separo os plásticos dos papéis, vira meu colega filipino:
- Eu não sabia que de noite a gente também tinha que reciclar !
Não sei como é no resto do país, mas aqui em Vancouver, depois da meia-noite, os materiais recicláveis transformam-se em abóbora. E abóbora, como todos sabem, é matéria orgânica, portanto, não reciclável.
03 fevereiro, 2008
SAL do Iglu para Anônimo
"Acho que vc deveria tomar cuidado com uma incoerencia: se é tão bvom o metodo como vc educa seu filho porque nos seus posts vc sempre tenta passar a imagem de uma criança mal educada, que te faz passar vergonha, que é cheia de "pequenos defeitos"? Vc afirma que deve respeitar a natureza da criança mas se mostra incomodada com o jeito quase rebelde do seu filho: vive lamentando não ter aquela menina educadinha. Acho que vc deveria repensar se realmente concorda com os livros que vc lê e se os resultados que esta obtendo estão te deixando satisfeita com a educação que esta dando a ele."
Em primeiro lugar, é muito chato responder para uma pessoa que nem ao menos se identifica, mas não serei omissa, que não é do meu feitio.
"porque nos seus posts vc sempre tenta passar a imagem de uma criança mal educada, que te faz passar vergonha, que é cheia de 'pequenos defeitos'". EU tento passar essa imagem ? JAMAIS disse ou escrevi em qualquer lugar que meu filho tenha me envergonhado ou que ele tenha qualquer "defeito", pequeno ou grande (aqui uma informação chocante para você: todo ser humano tem defeitos, embora eu não considere as características do meu filho "defeitos"). Talvez porque eu tenha sensibilidade e conhecimento suficientes para saber o que esperar de uma criança ativa de 1 ano e meio, não considere nada do que ele faz como "má educação". Estou satisfeitíssima com o fato de ele ser uma criança saudável, feliz e carinhosa, que tem as atitudes esperadas para o desenvolvimento neuromotor e psicológico típicos da idade. Se eu quisesse ter menos trabalho, teria gatos ao invés de um bebê.
Ter senso de humor e saber achar graça das situações cotidianas inerentes aos pais de uma criança saudável e ativa de 1 ano e meio não é lamentar-se. Não é todo o mundo que entende ironia, sarcasmo ou humor (estou acostumada a ser minoria). Além disso, interpretação de texto não é o forte de muitos conterrâneos brasileiros, mas fazer o quê ? Nem Jesus Cristo foi compreendido por todos, quem sou eu ?
Concordo plenamente com as idéias dos autores que recomendo, inclusive com a de que não há uma criança mal educada na idade em questão. Há crianças mais calminhas, outras mais ativas, que merecem ser igualmente amadas e não tolhidas o tempo todo. Educada, com 1 ano de idade, nenhuma criança é.
Não tenho a pretensão de ser uma mãe perfeita, sou uma mãe "suficientemente boa", como diz Dr. Winnicott.
De qualquer forma, agradeço pelo comentário. Fez-me rever algumas idéias e acrescentar à lista do que pretendo ensinar ao meu filho certas coisas que antes eu julgava óbvias:
- assumir a responsabilidade pelo que diz, porque assinar embaixo do que se escreve é o mínimo que se espera de uma pessoa COERENTE e confiante nas próprias idéias;
- interpretar textos (se ele não tiver herdado o senso de humor típico da minha família, que ao menos consiga entender o que lê);
- escrever "por que" sempre separado nas perguntas.
Em primeiro lugar, é muito chato responder para uma pessoa que nem ao menos se identifica, mas não serei omissa, que não é do meu feitio.
"porque nos seus posts vc sempre tenta passar a imagem de uma criança mal educada, que te faz passar vergonha, que é cheia de 'pequenos defeitos'". EU tento passar essa imagem ? JAMAIS disse ou escrevi em qualquer lugar que meu filho tenha me envergonhado ou que ele tenha qualquer "defeito", pequeno ou grande (aqui uma informação chocante para você: todo ser humano tem defeitos, embora eu não considere as características do meu filho "defeitos"). Talvez porque eu tenha sensibilidade e conhecimento suficientes para saber o que esperar de uma criança ativa de 1 ano e meio, não considere nada do que ele faz como "má educação". Estou satisfeitíssima com o fato de ele ser uma criança saudável, feliz e carinhosa, que tem as atitudes esperadas para o desenvolvimento neuromotor e psicológico típicos da idade. Se eu quisesse ter menos trabalho, teria gatos ao invés de um bebê.
Ter senso de humor e saber achar graça das situações cotidianas inerentes aos pais de uma criança saudável e ativa de 1 ano e meio não é lamentar-se. Não é todo o mundo que entende ironia, sarcasmo ou humor (estou acostumada a ser minoria). Além disso, interpretação de texto não é o forte de muitos conterrâneos brasileiros, mas fazer o quê ? Nem Jesus Cristo foi compreendido por todos, quem sou eu ?
Concordo plenamente com as idéias dos autores que recomendo, inclusive com a de que não há uma criança mal educada na idade em questão. Há crianças mais calminhas, outras mais ativas, que merecem ser igualmente amadas e não tolhidas o tempo todo. Educada, com 1 ano de idade, nenhuma criança é.
Não tenho a pretensão de ser uma mãe perfeita, sou uma mãe "suficientemente boa", como diz Dr. Winnicott.
De qualquer forma, agradeço pelo comentário. Fez-me rever algumas idéias e acrescentar à lista do que pretendo ensinar ao meu filho certas coisas que antes eu julgava óbvias:
- assumir a responsabilidade pelo que diz, porque assinar embaixo do que se escreve é o mínimo que se espera de uma pessoa COERENTE e confiante nas próprias idéias;
- interpretar textos (se ele não tiver herdado o senso de humor típico da minha família, que ao menos consiga entender o que lê);
- escrever "por que" sempre separado nas perguntas.
01 fevereiro, 2008
Vai uma salada aí ?
Depois de seis plantões noturnos seguidos, chego em casa de manhã só o crachá, para ser recebida por um abraço apertado Pacotinho de Carinho e pelo Marido-Que-Acabou-de-Acordar (o primeiro saltitante como se já estivesse de pé há horas, o segundo cambaleante como se ainda precisasse de duas horas de sono, sendo que ambos acordaram juntos):
- Como foi o plantão ?
- Moleza, a gente não fez nada, ainda bem. As últimas noites foram de lascar.
- Não tinha paciente na Emergência ?
- Tinha um cara com uma cenoura entalada lá onde o sol não bate, mas como não havia leito para ele, passou a noite numa maca na Emergência.
- Cenoura ?
- Pois é, e eu achando que já tinha visto de tudo !
- E ele ficou lá a noite toda ?
- Ficou, não dá para tentar tirar no Pronto Socorro, o troço pode subir mais ainda e precisar de uma cirurgia para ser retirado pela barriga.
- Como é que o cara se mete numa dessas ?
- O de sempre: Ele foi ao supermercado comprar ingredientes para uma salada. De repente, uma cenoura pulou da gôndola, correu atrás dele e enfiou-se dentro da cueca. Esses alimentos transgênicos são um perigo !
PS: Até queria fazer um bolo com calda de chocolate, mas perdi o apetite por cenoura, compreensivelmente.
- Como foi o plantão ?
- Moleza, a gente não fez nada, ainda bem. As últimas noites foram de lascar.
- Não tinha paciente na Emergência ?
- Tinha um cara com uma cenoura entalada lá onde o sol não bate, mas como não havia leito para ele, passou a noite numa maca na Emergência.
- Cenoura ?
- Pois é, e eu achando que já tinha visto de tudo !
- E ele ficou lá a noite toda ?
- Ficou, não dá para tentar tirar no Pronto Socorro, o troço pode subir mais ainda e precisar de uma cirurgia para ser retirado pela barriga.
- Como é que o cara se mete numa dessas ?
- O de sempre: Ele foi ao supermercado comprar ingredientes para uma salada. De repente, uma cenoura pulou da gôndola, correu atrás dele e enfiou-se dentro da cueca. Esses alimentos transgênicos são um perigo !
PS: Até queria fazer um bolo com calda de chocolate, mas perdi o apetite por cenoura, compreensivelmente.
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