18 outubro, 2013

Outono Colorido em Vancouver

Imagens que dispensam explicações. O Criador estava inspirado quando imaginou o outono.

Prioridades na Vida Escolar

- Fofolete, você fez alguma coisa pra Mamãe na escola hoje?
- Sim. Uma aranha vermelha.
- E pro seu pai?
- Uma aranha vermelha também.
- E pro Daniel.
- Pro Daniel, não fez. Daniel não é pai, é só irmão.

30 setembro, 2013

Três Anos

"Fofolete,

Hoje você completa 3 anos de vida. Como a festa aconteceu há alguns dias, quando Mamãe comentou que seu aniversário seria na segunda-feira, você deduziu que já estaria completando 4 anos! Se algum dia você quiser saber, Mamãe prefere comemorar no início do mês, no mais tardar em meados de setembro, quando a chance de chuva é menor (e ela não errou, choveu absurdamente no final de semana seguinte). Como seu avô materno, Mamãe também abomina superstições e não acredita que dá azar comemorar o aniversário antes do dia.

Você ficou tão feliz na sua festinha! Falou por muitos meses que queria uma festa de bailarina e um bolo rosa. Mamãe curtiu muito preparar tudo. Aliás, ela se entristece pensando que o tempo voa, logo você será uma adolescente e não vai mais querer docinhos e decoração no seu aniversário. Teremos que descobrir outros prazeres nesta fase.

Você ganhou de aniversário um jogo de esquilo, próprio para sua idade, que fez o maior sucesso. Praticamente todo dia, alguém tem que jogar com você.

Você é bem maternal. Adora carregar suas bonecas molinhas, que você chama de "bebês". Coloca pra ninar, uma graça. Também ganhou uma de presente, que é a nova filha preferida.

Você já fala tudo muito certinho há algum tempo. Antes de completar 2 anos, já falava o R do seu nome corretamente. Há vários meses fala todos os encontros consonantais. Outro dia, na rua, você viu um carro amassado e comentou "olha, o carro prateado está quebrado". Inacreditavelmente, ainda fala "picoca" ao invés de pipoca.

Você fala português fluentemente. Costuma errar os plurais dos verbos e os passados. Como seu irmão na mesma idade, fala "eu fazei" ao invés de "eu fiz" ou "eu fazi", como falam tantas crianças. E, como ele, também diz "a gente fizeram".

Você adora as aulas de português aos domingos! Costuma participar ativamente e é uma das mais falantes na turma. Sempre observadora, comenta que coleguinhas estão ausentes e anuncia alto o nome de quem está chegando atrasado.

Você também fala servo-croata muito bem. Mamãe está sempre pegando no pé do seu pai e dos seus avós, pra que eles repitam na língua deles o que você diz em inglês. Impressionante como você não se confunde. Se diz uma palavra em inglês quando conversa com eles, é porque não sabe a tradução em servo-croata. Semana passada, você acordou de noite e chamou pela Mamãe, que a trouxe pra cama. Aí você se sentou na cama e começou a falar com seu pai na língua dele. Mesmo caindo de sono, não tem mistura, não tem confusão.

Suas aulas na pré-escola começaram no início do mês. Para surpresa de todos, você chorou bastante nos primeiros dias e ainda chora ou na entrada ou na saída. A professora diz que é só no começo, porque depois fica feliz na aula. Você já tem uma amiga preferida, a Isabella. Hoje seus colegas cantaram "happy birthday" e você trouxe pra casa uma foto da turma toda sentada no tapete, com você no centro.

Você ama nadar, é uma sereia! A professora de natação vive tecendo mil elogios. Não se pode dizer a palavra "piscina" sem que você corra pra arrumar a sacola com maiô e toalha. Não saiu à Mamãe, que aprendeu a nadar na marra e detesta entrar na piscina ou no mar até hoje.

Você continua bem arteira. Passou da fase de se lavar com a água do vaso sanitário, mas volta e meia ainda o entope com excesso de papel higiênico e de lencinhos de limpar o bumbum. Hoje mesmo chegou em casa toda carimbada. Achou um carimbo ninguém-sabe-onde e carimbou-se na testa, no nariz e nas mãos. A tinta foi tanta que não saiu com banho, mesmo esfregando muito.

Você gosta muito de dançar. Pediu pra fazer aula de ballet, adora vestir a roupa, mas ficou meio decepcionada com as primeiras aulas. Passou a gostar mais no final, perto da apresentação.

Você tem mania de guardar roupas em sacolas e mochilas. Está sempre empacotando uma muda de roupas, geralmente as sapatilhas de ballet e o collant, que carrega numa mochila quando sai de casa. Se houver necessidade de dançar de improviso, você estará preparada no quesito vestuário.

Você adora o momento de ler livros de noite! Escolhe o livro que quer ler e fica brava quando seu irmão lê alguns trechos em voz alta. Seriam ciúmes, por não saber ler ainda? Seus favoritos do momento são Cachorros Não Dançam Ballet e Papai É Meu!

Você pergunta o porquê de tudo. E assim que obtém a resposta, pergunta "por que?", numa investigação infinita. Seu pai adora ficar repetindo depois de você "por que?".

Você continua comendo bem. Talvez nem seja tão bem assim, mas comparada com um irmão mais velho que vive de fotossíntese, seu cardápio e apetite são excelentes. Você adora arroz e feijão, carne de todo tipo, com exceção de peixe(é absolutamente carnívora), farofa de ovo, lasanha, macarrão, "pizza de molho", tomate, várias frutas... Como seu irmão não come nada desta lista, você deve compreender a satisfação de ter uma criança em casa que aprecie a mãe cozinheira e os pratos nos restaurantes. Pra surpresa da Mamãe, não gosta de queijo (nem seu irmão, mas ele é um caso ímpar). E você adora ajudar na cozinha! Mamãe também sempre foi assim. Você gosta de descascar ovos cozidos, separar as forminhas pra fazer bolinhos e ama arrumar a mesa pro jantar.

Você tem um ótimo senso de organização. Separa sozinha a camisola e calcinha antes de tomar banho e tem o cuidado de pegar cueca e pijama pro seu irmão. Fica, inclusive, muito brava se ele mesmo pega a roupa dele.

Você parece gostar de implicar com seu irmão. Costuma arrumar briga pra sentar na cadeira dele na hora do jantar. Já houve mês de a cadeira ser confiscada e escondida, pra evitar briga. Se é a hora de ele praticar a lição de piano, você corre na frente e senta-se no banco antes, pra tocar primeiro. Coisas de irmã caçula? Ele às vezes tem bastante paciência, mas nem sempre.

Você adora a cor rosa. E vestidos. E tiaras. E sapatos. E brilhos. Como diz seu pai, Mamãe sonhou muito com uma menina e você veio como a encomenda. Bem menininha.

Já faz um tempo que ninguém além de você mesma decide o que você vai vestir. Mas até que aceita negociações e, no domingo passado, diante do dilúvio que caiu em Vancouver, até concordou em colocar um casaco e meia-calça pra usar com um vestido frente única que tinha recebido de presente. Sem chance de não usar o vestido novo, imagina! Como sua mãe e sua prima, tem o problema de "costas estreitas demais". Todo vestido frente única fica sobrando um tantão nas costas!

Na TV, você curte Max & Ruby (claro, você é i-gual-zi-nha ao Max) e Meu Querido Pônei.

Você adora cantar. No carro, canta muito e sabe várias músicas dos nossos CDs brasileiros de cor.

Você tem obsessão por band-aid. É raro o dia em que você não tem nenhum no corpo. As pessoas sempre perguntam com pena como foi o machucado, para ouvirem de resposta, em 90% das vezes, que não houve machucado algum. Há quem use maquiagem pra se enfeitar, há quem use band-aid. Hoje mesmo, na sua perna, tem um do Super Homem. E não foi por falta de band-aid da Hello Kitty no armário do banheiro! No desespero, você encara até o band-aid bege, de adultos.

Fomos à consulta de 3 anos de um estudo sobre alergias na infância, do qual Mamãe faz parte desde a gravidez. A moça mediu e pesou você. Está no percentil 50 de peso e de altura, mas pelo jeito vai ser bem magrinha. A quem será que puxou?

Você é muito carinhosa. Abraça, beija, diz que ama. Mamãe ganhou na loteria com você e seu irmão, dois fofos amorosos.

Queridíssima, você não tem ideia do quanto nossa vida ficou mais alegre, mais feminina, mais divertida, mais adorável desde a sua chegada. Mamãe A-DO-RA todas as suas manias de menina, ama arrumar seu cabelo mesmo que seja pra você despentear N vezes. E sua personalidade decidida, de lutar pelo que você quer, poderia ser vista como um defeito, mas Mamãe acha isso positivo. Papai do Céu foi muito generoso.

Obrigada por existir em nossas vidas,
Mamãe"

27 setembro, 2013

Por que?

Às vésperas de completar 3 anos, Fofolete é uma máquina perguntadeira:

- A gente vai sair, Mamãe?
- Sim, a gente vai ao shopping.
- Por que?
- Pra comprar o presente da sua amiga.
- Por que?
- Porque amanhã é aniversário dela.
- Por que?
- Porque foi o dia em que ela nasceu.
- Por que?
- Por que você fica perguntando 'por que' pra tudo?
- Porque eu sou pequenininha.

Contra fatos, não há argumentos.

24 setembro, 2013

Crescendo na Torre de Babel

Fofolete ganha uma boneca que, como todos os brinquedos da atualidade, vem amarrada com metal na caixa pelo pescoço, tornozelos e punhos. Pede ajuda à Mamãe para retirar o pobre brinquedo da sua cama de torturas. Mamãe consegue soltar os pulsos da coitada com a tesoura, mas a libertação do pescoço exige ferramentas específicas. Então, Fofolete escuta:

- Isso aqui só com alicate. Vai lá perguntar pro seu pai onde está o alicate.

Ela sai caminhando pelo corredor e repetindo: "a-ba-ca-te, a-ba-ca-te". É corrigida:

- Não! É A-LI-CA-TE!

Chega até o pai e fala, na língua dele:

- Bla bla bla alicate.

O pai pergunta:

- Bla bla bla "alicate"?

E ela, sem saber como se diz alicate em servo-croata ou em inglês, vibra de felicidade:

- Mamãe, o Tata falou "alicate"!

Nossa Língua Difícil

Fofolete, com quase 3 anos de idade, passa pela mesma dificuldade que o irmão teve por muitos anos para aprender em português quando usar "eu", "meu" e "mim". Surpreendentemente, nenhum dos dois comete o erro clássico de falar "pra mim fazer", mas usa "mim" como se usa em inglês.

E ela diz:

- Isso aqui é de mim?
- A professora não gosta de eu.

E, se alguém pergunta:
- Quem fez isso?
- Mim, foi mim.

15 setembro, 2013

SAL do Iglu para Anna

Tem farinha de mandioca (ruim, pro meu gosto), numa loja chamada Latin Market, perto da Commercial Drive. Também tem no Union Market, que fica em Strathcona, numa rua chamada Union St.

Farinha de mandioca gostosa, baiana, nunca vi aqui em Vancouver para vender em lugar algum.

Aprendendo Através da Música

Voltando da biblioteca a caminho do estacionamento, aparece um bando de gansos selvagens. Mamãe avisa:

- Gente, cuidado pra não pisar nos cocôs de ganso. A grama está cheia de cocô de ganso!

O Pacotinho de Vocabulário comenta:
- O parque está infestado de cocô de ganso!
- Infestado? Nem sabia que você conhecia esta palavra. Aprendeu no Brasil?
- Não, Mamãe. Tem naquela música "fui morar numa casinha infestada de cupim..."

13 setembro, 2013

Primeira Aula: Noções de Orientação Espacial


A pessoa decide voltar a estudar. O maior desafio é:

a) Ser a mais velha da turma
b) Encarar matemática do segundo grau
c) Pensar matemática em inglês
d) Ter aulas de noite, depois de trabalhar e cuidar dos filhos
e) Encontrar o carro na garagem e a saída da garagem

Resposta: E
Totalmente disléxica para direção.

Mas, já na segunda aula, a pessoa fica esperta e repara que o elevador que vai até a garagem fica DENTRO do prédio e não do lado de fora, como ela suspeitou depois de rodar 20 minutos pelo quarteirão no final da primeira aula. Claro, ninguém se torna orientado no espaço de uma hora pra outra, então, mesmo encontrando a garagem, ela leva um tempão pra encontrar o carro. Mas, logo que vê outro carro saindo, aproveita pra segui-lo e encontrar a saída.

E não é que tem muita coisa legal na matemática do segundo grau e você nem se lembrava?

08 setembro, 2013

Vida de Estudante - Prólogo

O Ministério da Saúde determina que a partir de um determinado dia, todos os centros cirúrgicos de hospitais públicos devem passar a calcular os preços de tudo o que é consumido em cada procedimento. Parece incrível, mas até este ano, ninguém sabia ao certo quanto custava uma cirurgia (qualquer uma) num hospital público em Vancouver. Então, se o cirurgião A quisesse usar os equipamentos mais caros para o mesmo procedimento que o Dr B sempre fazia somente com "um garfo, uma colher e uma faca", ninguém ficava sabendo.

Apesar de extremamente necessário, o projeto só faltou ser recebido com tomates e vaias. Na falta de um sistema universal de código de barras (sim, qualquer caixa do mercadinho da esquina pode usar, mas os materiais hospitalares não são produzidos com código universal de barras), os enfermeiros (quem mais?) vão registrar tudo manualmente, por isso a resistência. Na verdade, a turma dos reclamantes de plantão teria resistido até à maquininha do código de barras, mas o fato de ser tudo manual aumentou a raiva da turma contra o projeto. Por sinal, "projeto" é modo de dizer, porque vai ser eterno.

Então, você, ao invés de juntar-se ao grupo dos reclamadores, decide abraçar a causa, inevitável e compulsória. Como líder do seu departamento, você precisa preparar muita coisa meses antes que a primeira cirurgia seja calculada. E você se dedica, cumpre todos os prazos com antecedência e mantém uma atitude positiva e otimista. As suas chefes imediatas, duas ausentes e medíocres, só comparecem às reuniões do projeto depois que você sugere que uma delas participe para ao menos ficar sabendo em que pé estão as coisas e não fique inventando outras prioridades. Mas a diretora encarregada do projeto fica impressionada com seu trabalho. A chefe dela, uma mulher poderosa, fina, elegante, brilhante (quando você crescer, quer ser igual a ela), aparece numa das reuniões dizendo que você é "the bees knees" (o máximo). E, depois de duas semanas cheias de elogios por todos os lados (menos das suas chefes imediatas, que continuam alheias a tudo), uma das diretoras chama você ao final de uma reunião para dizer "you're a star. You REALLY are!" E sugere, quase num tom de ordem, que você faça um mestrado. Afinal de contas, a era das chefias hospitalares sem cursos de graduação (sim, a chefe do seu setor, que ocupou o cargo por 33 anos e é a melhor chefe que você já teve na vida não tem diploma universitário e sua chefe atual não tem mestrado) está com os dias contados. À medida em que forem se aposentando, as "líderes de operações", como são chamadas as chefias de um grande setor e as diretorias hospitalares, serão substituídas por pessoas bem mais jovens, mas academicamente mais bem preparadas.

E é assim que você chegou à sua situação atual: às voltas com matemática do segundo grau, preparando-se para prestar o GMAT. O primeiro passo de uma longa e cansativa caminhada até o mestrado. Na sua vida já corrida, arrumar tempo para estudar está sendo um desafio. Que bom, porque a gente costuma dar mais valor àquilo que nos chega com dificuldade.

Conversas do Iglu

No carro, passando perto de ummuseu, Mamãe vê um rapaz vestido de noivo e uma senhora carregando um buquê de noiva. Então comenta com o Pacotinho de Passatempo no banco de trás:

- Olha, tem um casamento ali.
- Como você sabe?
- Eu vi o noivo e uma pessoa com um buquê de noiva.
- Você viu o bolo?
- Não.
- Então não era casamento. Pode ser uma dança..

28 agosto, 2013

Nossa Língua Complicada

Versão Pacotinho de Neologismo:

- Mãe, a Fofolete me atropeçou!
- Não existe "atropeçou". O que ela fez?
- Colocou o pé na minha frente, eu quase caí. Como se fala em português?
- Assim mesmo: "colocou o pé na minha frente".

Versão Fofolete, quase 3 anos:

- Mãe, a bicicleta astropelou meu pé.

19 agosto, 2013

O Pacotinho de Comparações

Você vai pela primeira vez à casa muito chique de uma amiga que é uma mistura da Martha Stewart com a Glorinha Kalil. Sendo quem é, você esquece o casaco lá e volta no dia seguinte, com as crianças, para buscar. E, no caminho, dá mil recomendações:

- A casa desta tia (antes que o Anônimo implique que brasileiro tem mania de fazer os filhos chamarem os amigos de "tio" e "tia", explico que é hábito de brasiliense e eu faço questão de mante) é toda arrumada, chique, fina, bem decorada... Não é pra largar o sapato em qualquer lugar, nem ficar correndo...

E ele conclui:

- A casa dela é como uma biblioteca de adultos?
- Biblioteca de adultos?
- Sim, porque biblioteca de criança tem livro espalhado, tem barulho, mas a de adulto tem tudo arrumado, ninguém fala muito...

Eu diria que é como uma página da revista Casa e Decoração, mas cada um compara do seu jeito...

18 agosto, 2013

Por Que Sou Ativista da Amamentação?



Na foto, minha prima Beta amamentando Pablo e Arthur, na imagem mais linda de amamentação que já vi.



Agosto é o mês mundial da amamentação, mas sou ativista muito antes de ter filhos. Como nunca tomei mamadeira na vida, numa família onde os outros irmãos tomaram até depois de grandinhos, provavelmente já nasci uma defensora da causa.

Inegavelmente, é mais fácil falar com propriedade depois de já ter amamentado e ter conhecido na pele os perrengues por que a gente passa no começo. Ao contrário de 90% das mulheres (chutando, não pesquisei dados reais), não tive nenhuma dificuldade com o primeiro filho e tive muitas com a amamentação da segunda. Definitivamente, apoio professional na hora certa pode salvar uma amamentação (e a sanidade mental da mãe).

Como aprendi nestes anos como mãe, poucos assuntos no universo feminino causam tanta polêmica. Não há nestas linhas a menor intenção de ofender ou diminuir a mãe que queria muito e não conseguiu amamentar. Não há qualquer vontade de julgar aquela que optou por nem tentar, porque a história de cada uma é válida e importante nas suas escolhas de vida. A mulher que não amamentou por qualquer motivo não ama menos seus filhos.

Por que sou ativista da amamentação?

Porque os benefícios do leite materno já foram comprovados, mas a amamentação é um dos poucos aspectos da maternidade em que realmente a informação correta e o apoio podem fazer toda a diferença para a mãe e seu bebê. Saber onde procurar ajuda é fundamental. No Brasil, procure um banco de leite humano de um hospital público, já que nem sempre os pediatras estão atualizados. Pediatras não fazem aulas sobre o assunto durante sua formação universitária, ao contrário dos profissionais que trabalham num banco de leite. Em Vancouver (não sei sobre o resto do Canadá), procure uma consultora de lactação. Serei eternamente grata a Kathleen Mochoruk, que me ensinou o que eu precisava saber em termos práticos para amamentar meu primeiro filho, no curso de gestantes. O Pacotinho de Informação parece ter prestado atenção às aulas e sabia tudo já nos primeiros 5 minutos de vida, quando mamou pela primeira vez. E, no segundo puerpério, com uma recém-nascida que nasceu com a língua presa, não sabia sugar, não conseguia esvaziar o peito completamente, fez sangrar o bico do peito, mastite, novela mexicana, etc etc etc, Santa Kathleen veio à minha casa incontáveis vezes para mostrar como ensinar a pega a um bebê que se debatia no peito cheio com a língua no lugar errado.

Porque a amamentação ocorre primeira e principalmente no cérebro. Depois de ter visto minha irmã no puerpério, num leito de UTI, separada do seu bebê, ordenhando leite com a bomba elétrica e afirmando com toda convicção "eu vou amamentar quando eu sair daqui", tive a certeza de que a determinação é fundamental para conseguir amamentar. Nem o estresse, nem as medicações, nem a morte do paciente no leito ao lado (separado só com uma cortina, com mínima privacidade) nem a separação do bebê, nem o risco de vida, nem o fato de o médico intensivista ter feito pouco dela "você aí tirando leite com esta bombinha da feira do Paraguai!", NADA minou a confiança dela. E, sem surpresa, o bebê jamais tomou complemento e aprendeu a mamar direto na fonte quando teve oportunidade, na semana seguinte. A experiência de ir várias vezes por dia ajudar a ordenhar o leite e mostrar fotos da filha ausente foi fundamental para que eu acreditasse na importância de ser uma mãe que confia no poder do próprio corpo de alimentar sua cria. Então, depois de ter vivido isso, quando meu Pacotinho de Saúde nasceu com 3,820 kg de uma mãe que pesava 47kg numa altura de 1,67 m antes da gravidez e uma tia do marido veio dizer "você logo vai ter que dar complemento pra este menino grande", pude responder com confiança "a única coisa além do meu leite que ele vai tomar até 6 meses vai ser vitamina D". E assim foi, ele parou de mamar no peito aos 2 anos, quando achei que tinha cumprido minha missão.

Porque eu conheço mães que amamentaram exclusivamente seus bebês gêmeos até 6 meses de idade e depois continuaram até 2 anos ou mais, então a esmagadora maioria que tem um bebê só deveria conseguir se tivesse informação e apoio.

Porque a única vez na vida em que usei a palavra "desesperada" para nomear meu próprio estado de espírito foi quando liguei pra uma amiga especialista em amamentação pedindo ajuda, com as mamas cheias de leite e minha filha faminta com 4 dias de vida no colo. Porque ouvi da minha amiga "esta fase ruim vai passar e, daqui alguns meses, vai ser uma lembrança distante na sua memória". Porque minha Fofolete, que só foi desmamada com 1 ano e meio por conta de sua mania de querer mamar em pé, detonando a coluna da mãe (quem mandou ter filho depois de velha?), mereceu o esforço das 2 primeiras semanas.
Ela precisou vir "destreinada" para eu aprender a lidar com as dificuldades que só conhecia de ouvir falar, mesmo já tendo amamentado outro filho por 2 anos.

Porque tive a satisfação de ajudar algumas amigas que ligaram "desesperadas" no começo da amamentação e TODAS, sem exceção, amamentaram seus bebês até quando quiseram. Porque uma palavra de encorajamento ao invés de "dê mamadeira, entregue o bebê pra alguém e vá descansar" pode salvar meses de aleitamento materno bem sucedido.

Porque em tempos de ecologicamente correto, de incentivo ao consumo de alimentos produzidos o mais perto de casa, de esforço para diminuição de lixo no planeta, de formol e sei-lá-o-quê adicionados ao leite de vaca, a amamentação preenche todos os requisitos do Greenpeace, da OMS e muitos mais.

Porque, mesmo sendo difícil e cansativo no começo, lágrimas saudosas ainda me enchem os olhos quando lembro daqueles momentos de paz intensa no silêncio da madrugada, sentada numa cadeira de balanço segurando um bebê saciado e adormecido ao seio. Porque este contato pele a pele com a cria traz à tona nosso lado animal, mas também uma intimidade deliciosa com aquela criatura que ainda nem sorri, nem sabe mostrar que gosta da gente. Porque (os homens que não me leiam) ser capaz de alimentar e fazer crescer aquele bebê somente com leite materno faz a gente se sentir superpoderosa.







17 agosto, 2013

Coisas da Vida com Quintal

Então você está lá no seu quintal, toda prosa colhendo cebolinhas e orégano fresco pro jantar e escuta sua filha de quase 3 anos comentar com uma voz forçadamente dengosa:

- Mãe, olha que bonitinho o ratinho!

Você se vira pra olhar e não consegue conter o grito ao ver a menina quase encostando num camundongo preto, morto.

- AAAAAAAAAI!

Você sai correndo (sabe lá se o bicho veio de turma) e sobe as escadas pra cozinha. A pobre criança, assustada com seu berro, corre atrás chorando (se a adulta está assustada, vai que o camundongo mutante se transforma no Godzilla...)

E entram em casa, a menina às lágrimas:

- Mamãe, o ratinho do bumbum preto me assustou.
- Não, foi o grito da Mamãe que assustou você.

E lá se vai o herói, seu filho de 7 anos, "resolver" o problema:

- Mãe, joguei uma pedra no ratinho e ele continuou morto.

Já não se fazem pedras como antigamente...

SAL do Iglu Coletivo

Para Saulo:

Trago na mala, Saulo. Não é ilegal trazer produto industrializado. Inclusive a mala onde estava a farinha foi aberta na inspeção e não foi retirada.

***
Para Luma Rosa:

Participo com prazer. Só li hoje seu pedido.

***

Para Renata Pernambucana:

"Bater bafo" não é uma expressão, é um jogo de figurinhas viradas, em que a criança bate nelas com a mão em forma de concha e ganha aquelas que conseguir virar. É muito comum (eu achava que no Brasil inteiro), nas revistinhas do Mauricio de Souza, o Cebolinha e o Cascão batem muito bafo.

E não foi um garotinho de Pernambuco que falou isso, ele era paulista e estava hospedado no mesmo hotel, na praia de Muro Alto.

04 agosto, 2013

SAL do Iglu para Anonimo

Brasileiros referem-se a si mesmos como "brazucas" e sabem que vao ser entendidos, assim como canadenses usam a palavra "canucks" para referirem-se a si mesmos e pessoas provenientes da antiga Iugoslavia chamam-se de "iugos". E certamente quase todas as nacoes devem ter seu apelido proprio.

SAL do Iglu para Marilia

Marilia,

Eu sei que tem farinha pra vender em Vancouver, mas eu sou "gourmand" de farinha de mandioca. Sempre compro da marca Amelia, amarela, torrada, da Bahia. Sou exigente, por isso trago do Brasil.

27 julho, 2013

Viagem à terrinha em números

Foram 3 voos na ida, 3 voos na volta. E você jura que jamais, em tempo algum, nem de graça, você faz o mesmo percurso na volta. Brasília-Miami-Los Angeles-Vancouver nunca mais. Com exceção do retorno, o saldo da viagem foi ótimo:

- 3 semanas de Brasil
- 1 dia de chuva
- 1 final de semana no Rio de Janeiro
- 1 semana no litoral de Pernambuco
- 1 jogo ao vivo da liga mundial de vôlei (Brasil vencedor)
- 1 jogo do Flamengo ao vivo no estádio Mané Garrincha em Brasília (você ignora solenemente o novo nome dado pela Fifa - o estádio sempre foi Mané Garrincha - e o Flamengo ganhou)
- 1 festa junina em que você conversou com pessoas que não via há 20 anos
- 1 festa de família em que você encontrou amigos queridos
- 1 filha que perdeu o sotaque de paranaense do interior (sem a menor intenção de ofender os paranaenses, mas o lugar mais ao sul em que você e sua família já moraram no Brasil é o Rio de Janeiro - como explicar sua gringuinha falando poRtuguês com aquele R?)
- 30 ou mais livros infantis em português na mala e farinha de mandioca suficiente até a chegada do próximo portador

Nem tudo foram flores. O Pacotinho de Globalização foi chamado de burro no "cuBLInho" (como diz a Fofolete) do hotel onde se hospedou com a família em Pernambuco porque não sabia o que era "bater bafo". Obviamente, ele ficou muito triste e você idem. Apesar do português fluente e sem sotaque de estrangeiro, ele não mora no Brasil e as aulas de português e cultura brasileira aos domingos não conseguem cobrir todas as parlendas, brincadeiras, músicas e gírias de um país tão imenso quanto o Brasil. Mas ele não só aprendeu o que é "bater bafo" ("é um jogo que só existe em Pernamubuco, Mamãe?"), como aprendeu a jogar 007 (que você jamais tinha visto) e voltou cantando músicas novas que ouviu na colônia de férias.


Não havia colônia de férias pra idade da Fofolete, mas no ano que vem, isso já não será um problema.

Claro que não é impossível manter o português fluente dos filhos gringuinhos sem ir ao Brasil todo ano, mas é inegável que cada viagem dá um impulso de vocabulário, de cultura, de amor pela terrinha.

24 junho, 2013

Desculpas Esfarrapadas Aos Dois Anos e Meio

Você está na cozinha preparando uma lasanha pro jantar. Aí vê sua filha de 2 anos e meio apoiada na última gaveta do armário da cozinha, para poder alcançar a primeira. Calmamente, ela tira o rolo de durex e avisa:

- Eu preciso de durex pro bebê.
- E pra que seu bebê precisa de durex?
- Porque a mão dele está toda grudada.

Ela sempre tem uma razão sem pé nem cabeça, mas das coisas de que certamente você vai sentir falta é da vozinha infantil, pronunciando corretamente todas as sílabas: "gru-da-da". Sim, ela fala "daGRÃO", "PRAtícia", "PREdo" e diz o S com a língua entre os dentes, como o saudoso Cazuza, mas ainda assim tem uma dicção muito boa pra idade dela (considerando que fala 3 idiomas). Quer dizer, tinha, porque alguns meses em companhia da babá de Londrina e agora você precisa corrigir o R de poRta, pra ela falar como brasiliense (ou carioca), ao invés daquele R do interior do Paraná ou de São Paulo...

22 junho, 2013

Conversa de Criança

Papo de aniversário. Mamãe comenta com Fofolete:

- Vamos pegar o bolo do seu irmão.
- Bolo de chocolate?
- Não, ele não gosta de chocolate. Bolo todo branco. Se você quiser, no seu aniversário, a gente compra um bolo de chocolate.
- Não! Eu não quero bolo de chocolate! Eu quero bolo de BAI-LA-RI-NA.

21 junho, 2013

Sete Anos!

O tempo voa e, na correria do dia-a-dia, detalhes importantes e curiosos da infância vão ficando esquecidos na cabeça ocupada dos pais. Se algum dia o Pacotinho de Idade quiser saber como ele era aos 7 anos, vai poder pesquisar por aqui.

"Filhote,

Terça-feira você completou 7 anos de idade. Ficou super animado, contando os dias que faltavam desde maio. Marcou no calendário da geladeira o dia 18 de junho.

Infelizmente, sua professora maravilhosa (provavelmente será pra sempre a melhor da sua vida)teve um pequeno derrame e não esteve presente na aula deste dia. Fofa que só ela, mandou email do hospital pedindo desculpas por isso. Mamãe foi com você à escola, já estava combinado que faríamos a apresentação do projeto "Flat Daniel". Toda a classe leu o livro Flat Stanley , desenhou um boneco de si mesmo e enviou a um amigo ou familiar que mora fora de Vancouver. O seu foi a Brasília e dia 18/06 era a data marcada para você ler as aventuras que o boneco viveu tão longe daqui, registradas pelos seus primos. Mamãe foi vestida com a camisa da seleção, falou um pouco sobre a construção de Brasília para seus colegas e a professora substituta ficou empolgadíssima. Ela adora vôlei de praia e sonha há anos em visitar o Brasil. Mamãe é extremamente orgulhosa da cidade dela, adora falar sobre os monumentos e a história do lugar.

Um dos seus incisivos superiores está mole há várias semanas. Ainda não caiu, volta e meia sangra um pouco. Você é muito corajoso com os dentes moles. Ao contrário da Mamãe, que engoliu alguns porque não deixava ninguém arrancar e teve outros tantos arrancados no dentista com anestesia, você balança o seu e puxa até cair, sem o menor drama. Agora você tem os dois incisivos centrais inferiores permanentes e todos os demais ainda são de leite.

Aos 7 anos, você já foi o representante de classe 2 vezes e também fez o solo na apresentação de Natal 2 vezes. É porque só está na escola há 2 anos. Como o Vovô e a Mamãe, claramente você ama falar em público e o faz com desenvoltura. Uma das tarefas do representante de classe é ler avisos no sistema de autofalante da escola e você não tem inibição alguma quando é o seu dia de transmitir os comunicados da diretora.

Você tem muitos amigos na escola, brinca com os meninos e as meninas. Mamãe fica sempre surpresa ao ver que tanto as crianças menores como as mais velhas sabem seu nome quando você passa no pátio da escola e as cumprimenta.

Você adora ler. Traz para casa diariamente livros "de capítulos", como dizem aqui, geralmente entre 150-200 páginas, que você leva em média 2-3 dias para acabar. Ninguém precisa mandá-lo ler, você lê com prazer toda noite até pegar no sono. Além dos livros da escola, já leu a série inteira do Zac Power nos finais de semana. Continuamos com nossa leitura diária dos livros em português, que você também consegue ler em voz alta. É a hora favorita do dia pra Mamãe. Você, Fofolete e Mamãe debaixo das cobertas lendo os livros do Brasil que vocês escolhem toda noite.

Você não gosta muito de escrever. Precisa ser "lembrado" de praticar as palavras para o ditado semanal e de fazer uma letra caprichada.

Você começou em maio aulas particulares de natação. Como a Mamãe, você detesta passar frio e não morre de amores por piscina. Este método de natação em aulas individuais foi ótimo pra você. Em pouco tempo, seu progresso foi notável. Mamãe não faz questão de ter nenhum atleta em casa, ela acha que esporte deve ser praticado por prazer. Sabendo nadar o suficiente para não se afogar e eventualmente poder ajudar alguém que esteja se afogando, isso já é o suficiente.

Em poucos dias, estaremos no Brasil. Mamãe fica tão orgulhosa de ver o quanto você se sente conectado com o Brasil! Você fica super empolgado com a viagem e com o fato de poder reencontrar a família e os amigos de lá.

Suas calças não duram mais que 3 meses sem ficarem rasgadas no joelho. Os tênis também ficam destruídos muito antes de ficarem apertados no seu pé. Mamãe acha que isso é sinal de infância bem aproveitada. Ter mudado pra esta casa aumentou a qualidade de vida desta família de uma forma tão imensa que é impossível quantificar. Se está sol, você fica lá fora brincando com os vizinhos e sua irmã. Se está chovendo, ou você vai brincar na casa dos vizinhos ou eles ficam aqui. O Nikko continua sendo seu melhor amigo, embora vocês sejam completamente diferentes. Ele é tímido, você é tagarela. Ele é calmo, você é agitado. Você adora ler, ele detesta. Ele é ginasta e não gosta de patinar no gelo, você ama patinar e não curte ginástica. Mas vocês brincam e conversam por horas a fio e nunca brigam.

Você ganhou uma guitarra elétrica de presente de aniversário. Foi de supresa, você nem tinha pedido, mas uma amiga da Mamãe cujo filho não toca mais ofereceu e aqui ela está. Provavelmente em setembro vamos procurer aulas de violão para você aprender a tocar. Por agora, está escondida porque a Fofolete queria tocá-la com os pés.

Na aula de piano, você continua empolgado. Não é sempre que quer praticar em casa sem resmungar, mas adora praticar a música do recital e tocar em público.

Pra comer, você continua extremamente difícil e seletivo, mas é muito saudável. Jamais faltou um dia sequer de aula desde que começou o "kindergarten". Dois anos ininterruptos sem uma única gripe ou mal estar que o impedissem de ir à aula. E lá se vão 6 anos (no primeiro você comia de tudo) sem carne, arroz, feijão, macarrão, legumes... A lista beira o infinito.

Você não é nem o mais alto, nem o mais baixo da turma. É magrinho, mas bem menos do que a Mamãe era na sua idade.

Você fica bem emburrado quando está com fome e quando tem que acordar cedo. Mas a professora deste ano falou que nunca o viu de cara amarrada na escola.

Você se preocupa com os outros, tem um forte senso de justiça e faz amigos facilmente.

Você e sua irmã às vezes brigam por umas besteiras, como quem vai sentar em tal cadeira na hora do jantar. Mamãe agora não entende, mas ela já fez isso com os irmãos dela, que hoje são grandes amigos.

Tente não crescer tão rápido, pode ser?

Um abraço bem apertado, como aquele que você lembra de dar toda noite,
Mamãe"





12 junho, 2013

Você sabe que é publicamente desorientada no espaço quando...

...entra na garagem subterrânea de um prédio e seu filho de quase 7 anos comenta preocupado:

- Ih, a gente não vai conseguir voltar pra casa.
- Por que, meu filho?
- Porque o GPS falou "lost satellite reception".
- É porque a gente está no subsolo. Quando sair pro térreo, a conexão volta.
- Ainda bem.

Nada como saber a mãe que tem e as habilidades que ela não tem.

05 junho, 2013

Coisas que escuto no Iglu

Fofolete montando sozinha o quebra-cabeças do "daGRÃO". Começa a encontrar as peças do unicórnio e avisa:

- Mamãe, o cabelo do unicórnio chama crina.

E fala os "erres" perfeitamente. Como vou sentir saudade desta voz tão engraçadinha aos 2 anos e meio!

26 maio, 2013

SAL do Iglu pra Cíntia

Você está no caminho certo, a recomendação geral é de ler em voz alta para as crianças desde bebês.

Procure livros de páginas duras, próprios para a idade da sua filha. Poucas palavras e ilustrações grandes. Tente ler várias vezes os mesmos, crianças gostam de repetições.

O Pacotinho de Energia não conseguia ficar sentado e prestar atenção a uma história na idade da sua filha, mas adorava folhear livros de figuras. Já a Fofolete, por ter um irmão mais velho que lê muito ou por ser menos agitada, adora ouvir livros longos, já memorizou alguns favoritos. Mas ela é tem mais que o dobro da idade da sua filha.

Não fique ansiosa. Tenha livros em casa, leia pra ela, leia muito você também, que o exemplo ajuda. Ela é novinha ainda, nesta idade é difícil ficar sentada, porque andar e correr ainda são novidades.

Um livro fofo pra esta idade, bem duro e resistente, é Uma Lagarta Muito Comilona.

Coisas Que Escuto no Iglu

Fofolete está no quintal, tentando sentar no balanço. Ela não alcança e grita:
- Mamãe, me ajude! (a gente fala ajudA, não se sabe de onde saiu ajudE).
- Mamãe está ocupada.

Quando Mamãe pode ajudar, vê a menina de barriga no balanço, indo pra frente e pra trás.
- Ainda precisa de ajuda?
- Já estou me ajudando.

***
Na cama, lendo antes de dormir, Fofolete comenta:
- Eu vou pro Brasil sozinho.
Mamãe pergunta:
- Você vai soziNHA? Não quer ir com a gente?
- Não, eu vou sozinho.
O Pacotinho de Bom Senso alerta:
- Você não pode ir sozinha, não sabe chegar lá.
- Eu vou com a C. (a prima de 9 anos)
Ele não se contenta:
- Mas o Vovô não vai ficar esperando você, ele não sabe que você vai chegar.
- O Tio P. (pai da prima) vai chegar.

Não só é independente, como tem solução pra tudo.

19 maio, 2013

A Fase do Cadê

O Pacotinho de Curiosidade Infinita certamente teve a fase de perguntar o porquê de tudo. Provavelmente a maioria das crianças tagarelas passa por ela. Agora ele está na fase de inventar explicações quando alguém faz uma pergunta e nenhum dos presentes sabe a resposta.

Fofolete está atualmente na fase do "cadê". Para alguém que acredita piamente que, ao tapar os olhos com as mãos, ela está completamente invisível, é compreensível que "cadê" seja informação de suma importância.

Um exemplo típico é quando alguém vem visitar, despede-se, sai, a porta se fecha. Exatos treze segundos depois ela começa:
- Cadê Fulano?
- Foi embora.
- Mas cadê?
- Foi pra casa dele.
- Cadê?

E durante a semana ela pergunta pelos coleguinhas da oficina de português (acontece todos os domingos, merece um post à parte):
- Cadê Beltraninha?
- Está na casa dela.
- Mas cadê?
- Não dá pra ver, está na casa dela.
- Cadê?

Hoje, quando saiu com o pai e viu que a mãe ficou em casa, perguntou no caminho:
- Cadê Mamãe?
- Mamãe está em casa.
- Não. Está no Brasil.
- Mamãe está em casa.
- No Brasil.
- Está em casa...
E, depois de ouvir o caminho todo que a Mamãe está no Brasil, quando chegam na garagem e o pai ouve pela trocentésima vez "cadê Mamãe?", ele responde que Mamãe está no Brasil e escuta:
- Não, o carro dela está na garagem. Ela está em casa.

Por que ela pergunta mesmo quando já sabe a resposta?


17 maio, 2013

Dia das Mães (pelos filhos)




Sábado de noite, véspera do Dia das Mães. O Pacotinho de Planejamento pede:

- Mãe, você pode acordar bem tarde amanhã?
- Por que?
- Pra gente poder colocar os presentes em cima da sua cama, aí quando você acordar, tem a surpresa.

***
Domingo de manhã. A mãe já acordada vai ler um livro no sofá e escuta os prantos da Fofolete enquanto organizam a entrega dos presentes (já que não foram colocados na cama).

Aí a Fofolete vem com o rosto banhado em lágrimas, ainda fungando, entrega uma caixa e diz:

- Aqui, Mamãe, pro seu aniversário.
- E por que a Fofolete está chorando?

O pai explica:
- Ela não encontrou o cartão dela do Dia das Mães.
- Ai, não precisa chorar. Depois você encontra e dá pra Mamãe. (que fofa, chateada porque perdeu o cartão que ia dar pra mãe, tão sensível!)

Aí, logo depois o cartão aparece e a Fofolete vem toda contente mostrar o cartão que toca música. Mamãe elogia:
- Que legal este cartão! Adorei.
- É meu, não é pra você.

E o pai confirma:
- Este ela escolheu pra ela, o do gato gordo que toca música. Este é dela, por isso ela estava chorando. O que ela escolheu pra você está com o presente.

Melhor Dia das Mães de todos! Vontade de congelar as crianças nesta idade em que estão (exceto quando tinham entre 1-2 anos, sempre quis congelá-los, antes e depois).

30 abril, 2013

O Pacotinho de Geografia (ou de Ortografia?)

O Pacotinho de Leitura vê numa revista uma lista de várias cidades, em diferentes países. Lê "Kyoto" e comenta com ar de vitória:

- Ah, já sei! É uma charada com letras misturadas. Na verdade, querem dizer Tokyo, no Japão.

18 abril, 2013

Antes que eles cresçam...

Antes que os filhos cresçam (e eles sempre crescem rápido demais), é preciso curtir as delícias de cada fase (e rezar pra que todas as fases tenham delícias, inclusive a adolescência).

Mas, pelo jeito, o Pacotinho de Precocidade está crescendo ainda mais rápido que a média. Antes de completar 7 anos, comenta com o pai:

- Estou virando homem!
- Por que você está falando isso?
- Porque já tem cabelinho crescendo debaixo do meu braço.
(não tem, mas o pai entra na onda)
- É mesmo?
- Sim, posso ver debaixo do seu braço?
(o pai mostra)
- Nossa! Você tem CENTO E VINTE cabelos aí!!!

É, o negócio é abraçar e beijar muito, ler livro de noite espremidinha com ele debaixo das cobertas, porque daqui a pouco ele vai ter cento e vinte cabelos no sovaco também... E, certamente, a hora da leitura antes de dormir é uma das coisas de que vou mais sentir saudade.

14 abril, 2013

SAL do Iglu para Simone

Simone, estou escrevendo do telefone, sem acentos. Voce perguntou como eu consegui, mas imagino que queira saber como conseguir trabalhar como voluntaria. Basta ir ao local onde voce deseja ser voluntaria (ou visitar a pagina da instituicao na internet) para saber como fazem a selecao. Aquarium, Science World, escolas, hospitais, asilos, Food Bank, SPCA, as opcoes sao quase infinitas.

27 março, 2013

Coisas Que Escuto Aqui no Iglu

Pacotinho de Viagens sonhando com a ida ao Rio de Janeiro:

- A gente pode ir ver a estátua?
- Do Cristo Redentor? Claro!
- Não tem uma montanha que se chama Pão de Queijo?
- Pão de Açúcar.

***

Fofolete cai na escada, levanta sozinha, olha pro joelho e choraminga ao ver a meia-calça furada:
- A tampa da meia quebrou!

E nem reclama do joelho ralado, sangrando.

24 março, 2013

The Croods



Fazia tempo que um desenho animado tão criativo e tão divertido não era lançado. Eu, pelo menos, não ria tanto no cinema desde Shrek ou Procurando Nemo e lá se vai uma década. Marido Gringo acrescenta neste tempo Como Treinar Seu Dragão, que também foi original e engraçado.

The Croods tem sequências rápidas, de tirar o fôlego e algumas cenas meio assustadoras, mas Fofolete, com quase 2 anos e meio, assistiu a tudo sem piscar e sem ficar com medo. O Pacotinho de Animação Digital deu altas gargalhadas e também não se assustou em nenhuma cena (mas bem que apareceu para dormir na cama dos pais no meio da noite, coisa que não fazia há muitos meses - será que tem ligação com o filme?).

Com piadas para todas as idades, as mudanças na vida desta nova família das cavernas são garantia de entretenimento para a família toda.

21 março, 2013

SAL do Iglu para Nanny

Claro que pode compartilhar.

19 março, 2013

Vaidade, Teu Nome é Fofolete

Você, antes de ter filhos, olhava horrorizada para aqueles meninos com as calças rasgadas no joelho e pensava consigo mesma "que mãe desleixada!". Agora que você sabe que em 3 meses no máximo uma calça nova (de qualquer tecido) estará rasgada no joelho e que sim, seu filho vai continuar usando-a do mesmo jeito, passou a observar que "aqueles meninos com as calças rasgadas" são todos os meninos entre 5 e 8 anos (você ainda não prestou atenção na faixa etária muito longe da do seu filho). Mães desleixadas de meninos ativos unidas jamais serão vencidas.

E, da mesma forma que você criticava mentalmente as mães desleixadas dos meninos, ouvia com ceticismo os casos das garotinhas que se recusavam a sair de casa se não estivessem de vestido. E você ainda pensava que isso seria a partir dos 5, 6 anos. Ha ha ha, diria você hoje para alguém que pensasse assim.

Fofolete, antes de completar 2 anos e meio, decidiu que só dorme de camisola. Não tem frio, nem cobertor caído no chão, nem pijama bonitinho que a faça mudar de ideia. Não tem conversa, nem nada. Ganhou 2 camisolas "de princesa" do tio, que ficaram devidamente escondidas desde o Natal, mas foram encontradas por ela no fundo da gaveta. E, desde a descoberta, os pijamas foram todos aposentados. E outra noite ela chorou por 40 minutos, enquanto o pai ainda achava que conseguiria convencê-la a pelo menos vestir uma calça de pijama por baixo da camisola. E ele perdeu.

No domingo, voltando da "aula de pocudês" (português, para os maiores de 2 anos), ao perceber que o carro estava no caminho de casa, Fofolete adiantou-se "dormir de camisola de princesa. Camisola ROSA". Ela já avisa a vários quarteirões de distância, para evitar a discussão depois do banho.

Ela abre as gavetas, descobre vestidos de verão escondidos e decide que, apesar dos 6 graus Celsius, é hora de "vestido de florzinha" ou "vestido de bairalina" (assim mesmo, com o R no lugar do L). Para convencê-la a colocar a meia-calça por baixo do vestido, somente apelando para o único argumento que funciona: o da vaidade. Enquanto o verão não chega (cá pra nós, nem a primavera de verdade), tem funcionado distraí-la com a escolha dos sapatos para calçar a meia. Ela vai pensando no sapato, alguém calça as meias rapidamente. E as botas de chuva cor-de-rosa são as eleitas mesmo em dia de sol.

A ditadura do rosa nem sempre é escolha das mães, como você tem comprovado. Com 2 anos, ela gravita em torno desta cor e, sempre que há opção, ela opta pelo rosa, mesmo tendo todas as cores (inclusive preto) no armário. E quando alguém sugere qualquer outra cor, ela responde "não combina".

Mesmo com a discussão matinal diária com o pai na hora de decidir o que vestir, todos estão de acordo num ponto: esta idade em que eles falam tudo, manifestam sua própria opinião com aquela vozinha deliciosa é trabalhosa mas é uma delícia! Vontade de filmar todo dia as conversas dela (o que seria fácil na era do iPhone, iPad e etc, mas ela é quem quer filmar e fotografar tudo sozinha).

17 março, 2013

Tem Como Não Ficar Orgulhosa?

Um dia, a Professora Maravilhosa (ela merece um blog inteiro só de elogios) do Pacotinho de Aprendizagem leu na sala um livro chamado The Empty Pot. Sendo quem ele é, levantou logo o braço para dizer que tinha em casa um exemplar em português. Ela perguntou se ele gostaria de trazer e ler para a classe e ele topou.



Passaram-se várias semanas do episódio, que encheu a Mãe do Pacotinho de Leitura de orgulho, mas que ela pensou ser um evento comum nesta terra de imigrantes e de crianças poliglotas em potencial.

Eis que chega o dia da entrega do boletim e a Professora Maravilhosa fez questão de escrever que o Pacotinho de Leitura deixou todos impressionados quando leu em português e que parece que ele lê tão bem em português quanto em inglês (quem é ela, sul-africana, cercada por 19 crianças, a maioria canadenses entre um vietnamita, três chinesas e um venezuelano, mas nenhum falante de português para julgar?). A verdade é que ele ainda não lê tão bem em português quanto em inglês, mas ultrapassou o esperado em todos os conceitos do boletim relacionados à leitura e comunicação oral em inglês, comprovando na prática o que dizem os estudos sobre crianças criadas em ambientes em que mais de um idioma é falado. O(s) idioma(s) extras falado(s) em casa não confundem nem atrapalham o aprendizado da língua majoritária (a falada fora de casa). O fato de o cérebro aprender desde cedo a processar informação em diferentes línguas torna-o mais eficiente e menos propenso a déficit de atenção. Um dos outros comentários da professora no boletim foi justamente sobre o fato de o Pacotinho de Interesse estar sempre atento a tudo e ter uma memória excelente.

E o livro que ele leu? Uma fábula chinesa sensacional sobre honestidade, recomendada para crianças em qualquer idioma.

11 março, 2013

Depois da Alfabetização

O Pacotinho de Leitura, depois de ler o livro diário da escola ("de capítulos", com mais de 100 páginas!), decide ouvir pela enésima vez O Dono da Bola, da Ruth Rocha. E ele lê em voz alta uma das linhas que diz algo sobre "o nosso time". E, com aquela cara típica de quem acabou de ter uma ficha caindo, comenta com um sorriso:

- Em português é time, se fosse em inglês, a gente falava "taime", mas escreve igual!

Ainda bem que há gosto para tudo nesta vida. Se eu fosse professora, só iria quer dar aula pra turma de 6 anos. Que idade deliciosa!

14 fevereiro, 2013

Fofoletices aos 2 anos e 4 meses

Nesta fase em que a criança aprende várias palavras novas todo dia, ela se torna, além de uma tagarela, uma fonte inesgotável de tiradas hilárias. E, como não sai filho calado neste Iglu, Fofolete não é exceção.

A Mamãe Desafinada cantarola (ou tenta):
- Eis aqui este sambinha feito de uma nota só, outras notas vão entrar, mas a base é uma só...
E Fofolete completa:
- Rá rá rá, ró ró ró, ela tem é uma só.

***

O Pacotinho de Valentine's Day sai da aula e mostra, orgulhoso, o pacote cheio de cartões e balinhas que ganhou no dia de hoje. Fofolete não vacila e grita animada:
- Trick or Treat!

***

Fofolete enrola pra tomar o café da manhã e é advertida:
- Come sua comida, porque a gente vai sair e você vai ficar com fome, pedindo pra comprar comida na rua.
- Sim, por favor. É mais gostoso!

***

A amada, idolatrada, salve salve super eficiente moça que toma conta das crianças pra Mamãe trabalhar tem uma pasta de documentos e Fofolete pergunta:
- O que é isso?
- São os currículos, porque a V. está procurando emprego.
- A V. vai trabalhar no Safeway! (rede de supermercados).

PS: Não, a V. não vai trabalhar no Safeway, que ela merece coisa muito melhor. E a gente vai sentir muita falta dela, depois de 1 ano e meio de impecáveis serviços, mas quem diria que Fofolete sabe o significado da palavra "emprego"?






11 fevereiro, 2013

Livros e Mais Livros



Muito bom ter uma resolução de Ano Novo que possa ser cumprida antes da metade de janeiro. Não por não exigir empenho, mas por envolver muitas pessoas interessadas em colaborar na missão. Ajuda bastante ser capricorniana (pela cabeça-dura e pelo fato de poder usar o aniversário logo no começo do ano como desculpa para fazer seu projeto decolar).

É fácil continuar falando somente sua língua materna com seus filhos nascidos fora do Brasil (pelo menos pras mães obstinadas), mas é difícil para a mãe sozinha manter nas crianças um vocabulário atual e rico, à medida em que elas vão crescendo. E, para isso, os livros brasileiros são fundamentais. É um prazer tão grande ter um livro novo pra ler de noite, fazendo as diferentes vozes dos personagens e apreciando as gargalhadas infantis e a curiosidade dos filhos!

A cada ano que passa, você fica mais convencida de que a rede de bibliotecas públicas da província é o melhor serviço público oferecido no Canadá. Um belo dia, alguém comenta que o acervo brasileiro na biblioteca local é bem pequeno e você decide juntar a fome com a vontade de comer: terá como missão dobrar a quantidade de livros infantis brasileiros até o final do ano. E não aceita somente quantidade, mas procura por títulos de qualidade. Se a estante dos seus filhos volta e meia recebe novidades, com a ajuda dos familiares e amigos na terrinha, por que a da biblioteca não poderia?

Como em tudo na vida, a turma do contra dá seus pitacos. E, sendo quem você é, continua ignorando os palpites negativos.

Em novembro, você decide que fará sua festa de aniversário com o tema "biblioteca infantil". E festa de adulto tem tema? A festa é sua, quem decide é você. Então, você pede às amigas que tragam, ao invés de presentes, uma doação coletiva de livros infantis ou de dinheiro para que novos títulos sejam comprados. E você se diverte na Estante Virtual escolhendo delícias literárias da Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Ziraldo e até da edição mais recente Série Vaga-Lume, uma favorita de quem foi criança na sua geração.

Ao invés de reclamar de que há poucos livros em português na biblioteca (e quase tudo luso), cabe à brasileirada residente aqui preencher as prateleiras com material de qualidade, não só para nossos filhos, mas para as futuras gerações de brasileirinhos nascidos aqui. Afinal, a quem interessam os livros dos nossos autores?

Para quem está em Vancouver ou nas imediações, continue pesquisando na rede de bibliotecas públicas por livros em português, porque em fevereiro e em março vai ter muita novidade aparecendo. E lembre-se de trazer das férias no Brasil um livro bem legal para doar. As doações estão sendo concentradas na sede da biblioteca central de Vancouver e, uma vez cadastrado, o livro pode ser retirado ou devolvido em qualquer filial.

Ah, e como é que a missão foi cumprida tão rapidamente? Com o apoio e o interesse de outras famílias brasileiras ou mistas, na primeira doação o acervo brasileiro existente foi triplicado. Como disse a Margareth Mead, numa inspiração de dar inveja, "nunca duvide de que um pequeno grupo de cidadãos bem intencionados e comprometidos consiga mudar o mundo. Na verdade, o mundo sempre mudou desta forma".

SAL do Iglu para Phophina

O Pacotinho de Porquice toma banho sozinho sim,(e até gosta depois que entra, embora negocie sempre a lavagem do cabelo) o problema é o trabalho de convencimento que antecede a entrada na banheira. A TV no Iglu é o seguinte: um desenho por dia, somente após o banho, se não tiver enrolado demais para entrar na banheira. A primeira coisa a ser cortada em caso de desobediência é sempre a TV.

22 janeiro, 2013

Resolução de Ano Novo


Toda noite você tem que falar pro seu filho oito mil, quatrocentas e noventa e três vezes que é hora de tomar banho. Ele acaba indo, mas quando isso finalmente acontece, você já está cansada de ouvir sua própria voz. Você acha que tudo vai continuar assim noite após noite pela próxima década. Até que, um belo dia, você está de folga, vai buscá-lo na escola e vê no mural da turma a resolução de ano novo de todos os alunos. E a dele diz:


Achando-se muito esperta, você tira uma foto para poder usar a "prova da promessa" a seu favor. Funciona na primeira noite e, na segunda, você escuta:

- Mamãe, resolução de ano novo é pra gente tentar, não é pra fazer!

SAL do Iglu para Lu Azevedo

Infelizmente é assim mesmo e a espera para uma consulta com dermatologista é uma das mais longas entre todas as especialidades médicas. Como não é caso de visita ao hospital, recomendo que tente uma clínica no estilo "walk-in" que tenha pediatras. Existe uma em Burnaby, que eu nunca frequentei. Se você escrever na Brasileirinhos em Vancouver, com certeza vai aparecer alguém que já levou os filhos lá.

Boa sorte.