30 janeiro, 2007

Igual a uma cesárea ?

Antes da cirurgia, a médica definiu o pós-operatório da miomectomia assim: “ a recuperação é melhor que a de uma cesárea, já que você não tem um recém-nascido para cuidar”. Como nunca fui submetida a uma cesárea, fiquei pensando na comparação. Realmente, tenho o ônus da dor na incisão sem o bônus de um novo bebê, mas tirando o fato de que não estou passando pelos primeiros dias de amamentação, tudo o mais é potencializado quando se tem um bebê mais velho para cuidar: mais pesado, não pára quieto no colo nem no chão, dorme menos durante o dia... Por que será que ela achou que seria mais fácil ? Talvez porque a flutuação hormonal não esteja mais no circuito. Hoje mesmo não consegui encontrar a roupinha que queria vestir no neném e nem chorei por causa disso. Três dias após o parto, só isso seria motivo para derramar um aguaceiro suficiente para causar as enchentes lá em Minas.

Então, uma miomectomia é como se fosse uma cesárea, mas com uma menor atenção dos amigos, já que ninguém quer visitar o que foi retirado do seu útero (ainda bem, porque você deixou lá mesmo no hospital). Menos visitas significam menos guloseimas, mas também menos palpites !

As noites são mais tranqüilas, apesar de que meu Pacotinho de Tranqüilidade nunca foi dado a serestas noturnas, nem quando era recém-nascido. Sua hora de cantoria costumava ser o final da tarde. A diferença é agora eu já sei que ele vai dormir a noite toda, fazendo barulhos ou não, enquanto no começo, eu acordava a cada miado dele, que só passou a dormir em silêncio após os dois meses.

A barriga fica bem inchada, mas não tanto quanto nos primeiros dias pós-parto e não está com aquela consistência de geléia de mocotó. Os peitos não empedram a cada manhã nem vazam a cada duas horas. A cinta já fecha logo no dia seguinte e roupas também !

Física e psicologicamente, esta recuperação em nada se compara ao que eu passei nas primeiras semanas pós-parto. Ainda bem ! Mas depois de 7 meses, sentir a barriga inchando novamente arruinou de vez a minha carreira de modelo...

28 janeiro, 2007

Já de volta

Graças ao Papai do Céu, à equipe médica e ao Santo Dormonid, a cirurgia correu bem (meu maior medo não se concretizou: de perder o útero) ,já estou em casa e, o melhor de tudo: não lembro de xongas. O inventor do Dormonid deveria receber um prêmio Nobel de Química ou algo do tipo. A gente toma aquilo (se for na veia, ainda melhor e mais rápido) e transforma-se num ser pacífico, cordato, que fala e obedece aos comandos, mas depois esquece de tudo. Aliás, para ficar melhor, só faltam inventar pequenas doses, embrulhadas em papel de bala, para a gente tomar antes de uma reunião chata de trabalho ou para ir àquele jantar na casa dos parentes menos chegados do lado da sogra.

Papai do Céu ainda me deu amigas maravilhosas, que se revezaram lá no hospital, acompanhando-me desde a sala de cirurgia até a alta. E, como enfermeira de centro cirúrgico, claro que fiz questão de que a amiga que assistiu à cirurgia tirasse fotos. Se tirassem alguma coisa de dentro de você, iria querer ver depois ? Pois eu quis sim ! O Marido Gringo já avisou por telefone que não quer nem ver as fotos, mas tem gosto para tudo, né ?

E, enquanto não posso pegar peso, tem um Pacotinho de Movimentos arrastando-se pelo meu pé e puxando os fios do computador. Ainda dizem que recém-nascido dá trabalho... Os bebês mais velhos dão muito mais !

26 janeiro, 2007

De Molho em Dose Dupla

Finalmente a Santa Irmã conseguiu fazer um transplante de córnea, que ela já aguardava há mais de uma década. Como sempre nestes casos, a notícia pegou a todos de surpresa. Então ela está de molho em casa, sem poder abaixar a cabeça nem levantar peso. Apesar da dor dos primeiros dias pós-transplante, seria só alegria não fosse um pequeno detalhe: aproveitando as férias no Brasil, onde se pode consultar vários especialistas e fazer todos os exames necessários para uma cirurgia eletiva em dois ou três dias (coisa impossível lá em terras canadenses), fora o apoio da adorada, idolatrada, salve salve criadagem doméstica, euzinha aqui também entro na faca cirúrgica amanhã. Não, ainda não é o aguardado levantamento de pelancas pós-parto, é só uma tentativa de acabar com um mioma grande que me causou tanto problema na gravidez e no parto.

Dá um aperto no coração deixar meu Pacotinho de Saudade sem a Mamãe, mas ele estará em boas mãos (se bem que, ultimamente, ele prefere estar em bom chão a ficar preso no colo de alguém). E, como o hospital é pertinho daqui, haverá almas motorizadas e caridosas para garantir que ele não vai perder as mamadas.

E quem tem boas ligações com o pessoal do Andar Superior, por favor peça por todos nós.

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde para Eva Barriguda:

Os palpites não vai parar nunca mais. Eu tenho aversão a eles, então li muito e sempre fiz o que eu achava certo, com base em informações de especialistas. E eu não sou insegura.

O melhor filtro são os filhos das pessoas que dão os palpites. Então, só dê ouvidos aos conselhos de como fazer um bebê dormir daqueles amigos cujos filhos dormem a noite toda desde novinhos e só dê atenção aos pitacos sobre alimentação daquelas pessoas cujos filhos comem bem e não estão com sobrepeso. Amigas e parentes que não amamentaram também não são boas para dar dicas sobre o assunto. Aqueles que têm filhos malcriados também não merecem que você perca tempo ouvindo suas palestras sobre educação infantil. E por aí vai. Observe os filhos que você saberá que pais terão sugestões úteis.

Então, leia MUITO sobre amamentação, procure informação no banco de leite mais próximo ou no grupo Amigas do Peito, se houver um na sua cidade. O site da La Leche League também é ótimo.

Só para aumentar a lista dos palpiteiros, vou dar uns palpites de livros lidos, aprovados e postos em prática com sucesso:
- O Bebê Mais Feliz do Pedaço – Dr. Karp – IMPERDÍVEL !
- The Lull-A-Baby Sleep Plan – Dr. Kathryn Tobin (sem tradução em português)
- Soluções Para Noites Sem Choro – Elizabeth Pantley

20 janeiro, 2007

SAL do Iglu - II

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde:

Para Magna:
Problemas para comer ? Eu introduzi primeiro as papinhas salgadas (já com carne, cebola, alho, muita salsinha e fui adicionando um legume ou verdura por dia). Meu Pacotinho de Gula levou 3 dias para aprender a comer com a colher. Depois disso, introduzi o jantar e as frutas e no quarto dia ele já chegava a comer o equivalente a 2 a 4 potinhos da Nestlé no almoço e no jantar. Não bato nada no liqüidificador. Banana ? Ele come 2 inteiras amassadas e não houve até agora fruta, legume, verdura ou sopinha industrializada (ele provou todos os sabores lá em Fortaleza) que ele recusasse. Também não teve assadura, problema para dormir de noite e, tirando uma fatia de melancia que causou um leve piriri resolvido com goiaba no dia seguinte, não houve nenhuma intercorrência. Nosso problema parece ser saber quando ele está satisfeito !

Quanto ao pediatra ter dito isso, que furo, hein ! Desculpe meu preconceito, mas eu prefiro pediatras que também sejam mães. Por mais experiência que ele tenha na clínica, quantos bebês ele amamentou ? Pediatra que dá palpite errado contra a amamentação (nem a OMS respalda o que ele sugeriu) é dose.

A minha médica no Canadá queria que eu introduzisse um cereal enriquecido com ferro no quarto mês e ainda disse que ele ficaria anêmico se eu estivesse anêmica. Como eu sou muito carnívora, nem liguei e não introduzi nada. Hoje fiz um hemograma por outros motivos e minha hemoglobina está lá no topo. Do jeito que meu Pacotinho de Saúde come e mamando no peito (o ferro do leite materno é muito bem absorvido pelo organismo), é ruim de ele ficar anêmico.

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor "conversa":

Com Eva Cristina, da Bahia:
Parabéns pelo aviso da visita da cegonha ! Não deixe que as Mães de Santo de plantão façam previsões escabrosas de enjôos, azia, hemorróidas, varizes e outras tantas alegrias da gravidez. Eu não tive nada disso ! Serão meses de pura felicidade e sensação de plenitude. Eu nunca me senti tão maravilhosa quanto durante a gravidez. Curta muito e tire trocentas fotos.

Com Magna:
Quando a mãe tem prazer em amamentar, quem mais sofre com o desmame é ela. Ainda nem pensei nisso. Apesar de comer pratos de estivador, meu Pacotinho de Gula ainda mama muito e não pretendo que ele sequer prove outro leite que não seja o meu antes de completar 1 ano de idade. Só vai depender da vontade dele de continuar, já que alguns se auto-desmamam.

O pior de amamentar uma criança que já caminha é a chuva de palpites e críticas. Curta e grossa como só eu sei ser, vou sair de casa já com a metralhadora giratória ligada.

Ninguém Segura Este Bebê

Após um mês na terrinha, quase totalmente adaptado (gringo que só ele, sua horrores no calor de 32 graus do Quadradinho), o Pacotinho de Liberdade nem se lembra daquela montanha de roupas em que era colocado todo santo dia no seu passado remoto lá no Canadá. Já não morde as meias nem os sapatos, mas os próprios pés, que delícia !

E, comprovando a teoria que diz que “filho é igual a videogame: a próxima fase é sempre mais difícil”, ele dá mais trabalho agora do que quando era recém-nascido e ficava quietinho no sofá. Arrastando-se pela casa toda, mostrando uma notável preferência por colocar na boca as coisas mais sujas, requer supervisão durante o todo o tempo em que está acordado. Não contente, ainda fica de pé com apoio e agarra o que estiver dando sopa em cima do sofá.

O Pacotinho de Gula já come absolutamente de tudo o que lhe é oferecido e bate dois a quatro pratinhos de sopa com carne, legumes e verduras, arroz, feijão (até quiabo e mamão, que Mamãe Fresca detesta, ele traça sem reclamações).

E, entre a comida que é oferecida a ele e o que ele encontra nas seus passeios pelo chão da casa, acontecem misturas inusitadas. Mamãe Que Fala Demais conversa com uma Amiga Preocupada Demais sobre os hábitos “alimentares” do Pacotinho de Novidades, que se arrastava pelo chão:

- Cuidado com seus pés, que ele vai direto no sapato. Ele não pode ver um sapato pelo chão que lambe a sola.
- E você deixa ?

Mamãe Cuca Fresca esclarece que ela não é paranóica, como muitas mães de primeira viagem, e realmente não se estressa por pouca coisa, mas também não oferece solas de sapato de sobremesa para o Pacotinho de Gosto Alimentar Duvidoso. Deixar, ela não deixa, mas nem sempre chega a tempo de evitar uma lambidinha. E viva a vitamina S !
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17 janeiro, 2007

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu informa:

Para Carol (Brancas Nuvens):

Eu NUNCA vi coco verde para vender em Vancouver e acho pouco provável que exista no resto do país, já que os canadenses em geral sequer sabem da existência de água dentro do coco. Quando eu falo "água de coco", eles logo me corrigem "leite de coco", pois é a única coisa que eles conhecem. Talvez exista aquela de caixinha, com gosto duvidoso. Já leite de coco existe em lata em qualquer supermercado.

16 janeiro, 2007

Frio Cearense ?

Doido para escapar da neve e do frio, que este ano chegaram em Raincouver, já que o que aquecimento global só vale para o resto do planeta, o Pacotinho de Inverno Canadense veio passar uma temporada de verão no Brasil.

No Ceará, o Pacotinho da Madrugada acordava às 6 da manhã, já incorporando Pavarotti com sua cantoria matinal. Para evitar acordar as companheiras de quarto com suas óperas, saía para passear logo cedo. Certo dia, ao tentar dar seu passeio à beira-mar, topou com um funcionário do hotel que, surpreso com a audácia da Mamãe, comentou:
- A senhora vai passear com ele lá fora ? Mas está neblinando !

Não se sabe ao certo o que chocou mais a Mamãe Cambaleante de Sono:
a) o fato de ser chamada de “senhora” (não, isso foi o que mais a deprimiu);
b) o fato de ser criticada por fazer o filhote passar “frio” quando o termômetro já marcava 28 graus positivos (depois de 7 anos no Canadá, adiciona-se “positivo” ou “negativo” após uma temperatura qualquer, mesmo que sejam dois dígitos);
c) o novo verbo que ela jamais havia ouvido: “neblinar”.

14 janeiro, 2007

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde:

Para Karla:
É difícil dar dicas sobre como convencer alguém que a gente nem conhece. O Marido Gringo morre de saudades, mas compreendeu meus vários motivos para vir ao Brasil, já que vão muito além de rever a família e os amigos.

Com MSN, Skype, câmeras aqui e lá, fotos, e-mail, dá para aliviar um pouquinho da saudade de quem fica. Ontem mesmo o Marido Gringo disse que, diante da neve e do frio horrível lá em Vancouver, está feliz por estarmos aqui.

13 janeiro, 2007

O Pacotinho de Férias Tropicais

"Tenho visto tanta coisa
Nesse mundo de meu Deus
Coisas que prum cearense
Não existe explicação
Qualquer pinguinho de chuva
Fazer uma inundação
Moça se vestir de cobra
E dizer que é distração
Vocês cá da capital
Me adesculpe esta expressão:
No Ceará não tem disso não,
Não tem disso não, não tem disso não"
(Luiz Gonzaga)

Pacotinho de Aventuras fez sua estréia na praia em grande estilo: no belíssimo litoral cearense. Mamãe Tropical fez questão de iniciá-lo cedo nos prazeres das praias paradisíacas da terrinha, antes que ele fosse corrompido pelos Avós Gringos a preferir o inverno congelante e eterno ao verão maravilhoso (o Pai Gringo já foi devidamente apresentado ao verão brasileiro e confessou que está lá em Snowcouver, morrendo de frio e invejando nossas férias).

Então a primeira areia de praia comida pelo Pacotinho de Fase Oral foi a da Praia Morro das Dunas. Ele também provou e aprovou a água de coco e diversas frutas locais, mas infelizmente uma semana foi pouco tempo para aprender a dormir na rede.

Num daqueles mistérios que nunca serão esclarecidos, o Pacotinho de Relações Públicas fez sucesso no resort. Que a Mamãe saiba, ele não usou crachá nem saiu andando pelas dependências sozinho e apresentando-se às pessoas. Então, como explicar que estranhos vinham cumprimentá-lo pelo nome, na piscina, no restaurante, nos corredores ? Por que a amiga da Mamãe não conseguiu encontrá-la no hotel fornecendo o número do quarto e o nome dela, mas assim que mencionou “ela está com um bebezinho”, a moça imediatamente falou o nome dele e apontou para onde estavam ?

Para quem gostava de passar o dia deitada sob o sol, feito uma lagartixa, Mamãe Tropical mudou muito. Ir à praia com um bebezinho é muito diferente. Às seis da manhã (ele ignorou solenemente o fato de não haver horário de verão no Ceará), já estava de pé, passeando com o Pacotinho Pavarotti, para evitar que a cantoria matinal dele acordasse as amigas no quarto. Entre dez da manhã e quatro da tarde, só sombra. E, depois das quatro é que dava para tomar um banho de mar, naquela água morna maravilhosa. E, mesmo assim, aproveitaram bastante, já que "no Canadá não tem disso não."

O Pacotinho de Simpatia acredita que o povo cearense é o mais apaixonado por bebezinhos neste planeta. Dos funcionários do hotel aos vendedores, o que houve de barbado falando mole com ele nem dá para ser calculado. Naquele sotaque típico local, a moça no guichê do aeroporto, quando o viu sacudindo braços e pernas, pendurado no canguru, decretou: “Que coisa alegre, Jésuis !"

06 janeiro, 2007

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde:

Para Ana (Xará):
Obrigada pela dica das fraldas, uma amiga já tinha sugerido a Turma da Mônica Soft Touch e eu comprei. Realmente são de papel, mas muito menores que as norte-americanas. Tenho usado somente durante o dia, porque depois de vazarem duas noites seguidas, concluí que, para agüentar mais de 12 horas, somente as que eu trouxe do Canadá.

Não sabia da Pompom !

05 janeiro, 2007

Você Tem Peito Pra Isso ?

O Pacotinho de Viagens amanhã embarca para sua primeira temporada de férias numa praia tropical. Despreocupado e folgado que só ele, nem ajudou Mamãe a arrumar sua própria bagagem, que aumentou consideravelmente em quantidade de tralhas desde que ele passou a alimentar-se de outras coisas além do leite materno.

Já Mamãe, coitadinha, teve que penar por várias lojas da Capital Federal, à procura de um biquíni que misturasse o sutiã da Fafá de Belém e a calcinha de alguma modelo magricela. Procura inútil, já que tal combinação inexiste nas lojas de roupas de banho, mesmo as que vendem as peças separadas. Quando achou que a atual barriga, que em nada lembra a barriguinha dividida de outrora (leia-se “2 anos atrás”), seria sua maior fonte de tristeza nas praias cearenses, Mamãe deparou-se com a deprimente arara de roupas de banho com a plaquinha “senhoras”, numa loja de departamento. Sutiãs medonhos, de cores que variam entre roxo, preto e verde-bandeira, fazem par com calcinhas com tecido suficiente para serem usadas como pára-quedas. Arrasada, ela nem ousou entrar nas suas antigas lojas favoritas, com aqueles modelos modernos e estilosos, já que a certeza de que nada serviria nela afastava até a vontade de dar uma espiadinha. O pior é a cara das vendedoras quando ouvem a pergunta “tem sutiã extra grande ?”. O choque delas é tão grande que elas devolvem com outra pergunta “mas é para você ?” "Sim, e eu só estou pedindo 'extra grande' porque sei que vocês não têm nada maior que isso".

Aborrecimentos com o mundo da moda-praia à parte, passaram-se somente cinco dias do Ano Novo e Mamãe já pôde cortar um sonho realizado da sua lista. O Pacotinho de Gula começou a comer “comida de menino grande” há quase três semanas e a bater dois, três e até quatro pratos de sopa no almoço e no jantar (estima-se que ao menos um prato inteiro vá parar no seu estômago, já que o restante está dividido entre seus cabelos, os dedões do pé que ele chupa entre uma colherada e outra, seu pescoço, o chão, etc). Com a diminuição da demanda de leite em pouco tempo, Mamãe pôde ordenhar e estocar o excesso, que foi orgulhosamente doado a um banco de leite.

O conjunto de bancos de leite de Brasília (não posso falar pelo resto do país) provavelmente constitui o serviço público mais eficiente do Brasil. Atendimento a domicílio, orientação adequada, controle de qualidade rigoroso, realmente um orgulho nacional. Não se vê nada no Primeiro Mundo (Europa incluída) que chegue aos pés do que temos aqui. Pouquíssimas pessoas por lá sequer conhecem o termo “banco de leite humano”, inclusive os profissionais de saúde.

E foi com lágrimas nos olhos, ao ver aqueles prematuros minúsculos passeando com as mães pelos corredores do hospital, que a Mamãe do Pacotinho de Amor entregou orgulhosamente dois vidros de leite, coisa que infelizmente ela não teria oportunidade de fazer se não estivesse no seu amado e complicado país. Para a satisfação ser ainda maior, só falta o banco de leite dar de brinde um biquíni que literalmente eleve a fábrica do leite à altura da sua produção.

03 janeiro, 2007

Ano Novo, Gente Velha

A virada de 2006 para 2007 foi meu primeiro Reveillon na categoria dos “com prole”. Tentei lembrar de todos os outros anos em que estava no Brasil (revoltada e esclerosada porque não consigo recordar onde passei a virada de 94 para 95) e esta última foi a primeira vez em casa, sem grandes farras e baile até o amanhecer. Sinal dos tempos, é a velhice chegando.

Como sempre quando na terrinha, a agenda social vive lotada. Eu AMO isso aqui ! Ontem fomos a um aniversário de 18 anos, da filha de uma amiga. Outro sinal dos tempos, há coisa de poucos meses, eram meus amigos mais velhos que estavam atingindo a idade mínima para dirigir legalmente. Nunca me senti tão velha.

Na festinha, além dos pais da menina, a Santa Irmã, o Cunhado e eu éramos definitivamente “os tios”. Nada sabíamos da moda e das músicas que a garotada de hoje aprecia.

Na fila do crepe feito na hora (festa no Brasil é sempre mais bem produzida que lá no Canadá), uma das meninas mostra a tatuagem nova. Uma outra elogia e comenta que a mãe vive insistindo para que ela faça uma, mas ela mesma ainda não se convenceu. Diante da admiração das amigas, ela explica “minha mãe, depois de velha, resolveu fazer uma tatuagem”. Ao fazer mentalmente os cálculos e concluir que, biologicamente, nada impediria que a tal moça fosse minha filha, tenho ímpetos de dar-lhe uns tapas, mas somente alerto “sua mãe iria ficar muito brava se soubesse que você está chamando-a de velha”.

E a Santa Irmã faz o comentário que parece ter sido tirado dos meus próprios pensamentos “sabe o que mais nos diferencia dessas meninas ?”. “A pele”. Diante daqueles rostos sem corretivo nem base e ainda assim sem manchas nem olheiras, não dá para não se sentir idosa. Nada que uma alisada básica na barriga gelatinosa não me lembre que, apesar de o manequim ainda ser o mesmo ou até menor que o de muitas meninas ali, há muitas outras coisas que nos diferenciam delas. Buááááá...

SAL do Iglu

O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu esclarece:

Para Marcelo:
Depois de mais de 10 anos trabalhando como enfermeira, já tendo passado por enfermarias como Pediatria, Lesado Medular, Lesado Cerebral, Cirurgia Geral (a grande maioria de intestino) e atualmente há 4 anos no Centro Cirúrgico, é preciso muito mais que um simples bumbunzinho sujo de neném para me causar nojo.

E, mesmo sem que você tenha perguntado, é com arrepios pelo corpo que o DI3 (Departamento de Informações Inúteis do Iglu) avisa que nada costuma causar mais nojo do que aspirar secreção na traquéia de um paciente, mas a campeã mundial de gastura na equipe na sala de cirurgia é defintivamente a remoção de unhas do pé. Uuuuiiiii ! Uma amputação de perna ou um aneurisma de aorta não causa um décimo das caras feias, palavra de enfermeira.