30 setembro, 2011

Um Ano Cheio de Surpresas




"Fofolete,

Há exatamente 1 ano, às 15:15 (hora de Vancouver), ouviu-se um choro forte de recém-nascido e a frase que seria a maior surpresa de uma vida "it's a girl!" E que surpresa maravilhosa, que se desdobrou em inúmeras outras tantas a cada semana, todos os meses.

Você nasceu bem diferente do seu irmão e foi ficando mais parecida com ele fisicamente a cada dia que passou. Quando você chegou, sua tia disse que você era bem mais morena que seu irmão, mas a pele e os cabelos bem pretos foram clareando à medida em que o tempo passou. Você não nasceu sabendo mamar, levou o que pareceu uma eternidade para aprender, mas com 1 ano de idade, é bem mais apegada ao peito do que ele jamais foi.

Contrariando a crença popular de que a criança ou começa a caminhar antes de 1 ano de idade ou a falar cedo, você anda pela casa toda desde a semana em que completou 11 meses. Já caminhava distâncias curtas sem apoio desde 10 meses. Balbucia muito, mas já tem algumas palavras compreensíveis para qualquer um (e não somente os pais corujas). Fala claramente "água", "mamãe", "tata" (seu pai), "neném" (qualquer boneca), "Deda" (avô na língua do seu pai). Também diz "uz" (luz) e "bobo" (borboletas na parede do seu quarto). Ao contário do que Mamãe achava que aconteceria, você ainda não tem uma palavra específica para chamar seu irmão. Ajuda muito que servo-croata é uma língua em que as palavras "avô" (deda) e "avó"(baka) são compostas por sílabas que os bebês naturalmente falam, ao contrário dos difíceis "vovô" e "vovó", cujo som a criança só aprende mais tarde.

Você se expressa muito bem. Balança a mão dando adeus somente quando você é quem deixa o local e joga beijos também. Quando alguém faz "shhh", você coloca o indicador na frente dos lábios e sopra como se fosse uma vela. Aponta tudo o que quer, tem interjeições de espanto e de dúvida (seu pai a chama de Jack Jack, o personagem bebê do filme Os Incríveis), porque como ele, você balbucia o tempo todo, sempre com uma entonação apropriada à situação.



Você adora dançar. Dobra os joelhos rapidamente quando escuta qualquer música e bate palmas quando a música começa. Para o seu aniversário, um dos presentes foi um CD que tem uma canção em que seu nome é citado várias vezes. Sucesso total no carro, o samba Se a Alegria Existe.

Você demorou a aprender a comer sólidos, ficava com a língua pra fora, dificultando a entrada da colher. Assim que passamos a dar a mesma comida dos adultos, passou a comer de tudo. Só não gosta de banana. Completa 1 ano com 2 dentes superiores e 4 inferiores, ao contrário do que é o mais comum (seu pai diz que você gosta de ser "do contra"). Adora tomate, abacate, arroz e feijão, sushi, comida mexicana, churrasco, pizza e atualmente não pode ver pão de queijo que não quer nem provar mais nada. Volta e meia, quando alguém se distrai, corre na varanda ou no quintal e rouba um tomate verde do tomateiro, enfiando rapidamente na boca.

Você adora "ajudar" nos serviços domésticos. Não pode ver a lava-louças aberta que corre para pegar algumas coisas. Idem para a secadora e a lavadora.

Estamos cadastradas desde a gravidez num estudo (CHILD study) para determinar as influências do meio externo no surgimento de alergias nas crianças. Ontem, ao preencher o questionário de 1 ano, foi com muita satisfação que marcamos "não" para todas as perguntas. Nenhuma alergia, reação de pele, uso de antibiótico, assadura, diarreia, uso de leite artificial, até agora. Na consulta de 1 ano, você pesou 9,3kg e mediu 65cm. Como seu irmão, nasceu grandinha, ganhou peso acima da média nos primeiros meses e foi se ajustando ao biotipo da família, que é do tipo magro.

Durante a consulta do "CHILD study", você começou a vibrar a língua fazendo o som de "R" e a equipe da pesquisa ficou surpresa. Ainda não encontramos uma só pessoa que tenha presenciado você fazendo isso e tenha dito "conheço outra criança que faz/fazia assim também". Até agora, só vimos você e o Kiko do programa do Chaves.

Há um mês, tivemos a sorte de compartilhar a casa com uma moça brasileira, que cuidará de você e do seu irmão quando Mamãe voltar a trabalhar, em poucos dias. No começo você protestava para ir levar seu irmão na escola sentada no carrinho, mas já é coisa do passado. Agora você mesma procura o carrinho de manhã e tenta entrar nele sozinha. Vai feliz da vida e volta adormecida. Tem dormido longamente (para os padrões diurnos dos bebês elétricos desta casa) de manhã e de tarde. Você não imagina a sorte que tem, porque seu irmão, na sua idade, já estava na creche havia mais de 1 mês. Uma tranquilidade saber que você ficará na sua casa, no seu ambiente familiar, em boas e carinhosas mãos.

Pelo menos uma vez por dia, você vai ao armário do seu irmão e abre as gavetas. Costumava espalhar tudo pelo chão, mas agora já chega lá com um objetivo em mente. Abre somente a terceira gaveta, a dos pijamas, pega uma calça e sai passeando pela casa com ela em torno do pescoço. Ficamos preocupados porque a outra perna da calça costuma ficar arrastando pelo chão e tornando-se um risco para tropeços e quedas.



Diariamente também você tem sua sessão de leitura, espalhando os livros da estante.



Você já parou de desenrolar o rolo de papel higiênico. No banheiro, o alvo agora é o vaso sanitário. Você abra a tampa e brinca com a água.

Você adora ficar no quintal. Mantemos a porta da varanda sempre fechada, com medo de que você caia da escada. Ainda assim, num descuido, esta semana você foi encontrada sentada sozinha no meio dela. Você é cuidadosa, já sobe as escadas sozinha desde 10 meses, mas sempre procura a mão de um adulto para descer. Estamos tentando ensiná-la a descer de costas, exatamente da forma como você sobe, ainda sem muito sucesso. Na dúvida, você deixa de caminhar e engatinha toda vez que vê um desnível na entrada de algum lugar, mesmo que seja somente o batente da porta.

No quintal, sua atividade favorita é colocar na boca as inúmeras pedras do jardim. Pega uma, já coloca a língua pra fora salivando por antecipação, dá uma olhada em volta para ver se alguém vai proibir e, mesmo com a proibição, coloca assim mesmo. De vez em quando, ouve "não" e joga a pedra fora, digamos que em 2% das vezes. Sua diversão número 2 é esvaziar o cesto de brinquedos, arremessando um por um para trás, exatamente como gosta de fazer com as roupas no cesto.



Como a maioria das crianças que começam a caminhar antes de 1 ano, você já teve muitas quedas. Perdemos a conta de quantas vezes cortou a língua, as bochechas, o lábio... Não falta picolé no congelador para tais momentos. Na última queda feia, seu irmão estava carregando você no colo (sim, já falamos zilhões de vezes que não pode) e os dois caíram. Você cortou seriamente a língua, foi muito sangue pelo chão, língua roxa e inchada por uns dias, mas nem isso tirou seu apetite. Depois disso, ele mesmo diz "eu não posso carregar a Fofolete porque ela caiu e cortou a língua". Seu hábito de andar constantemente com a língua pra fora não ajuda em nada na hora da queda.

Tiago, o filho dos vizinhos, adora você. Não chama a mãe, nem o pai, nem o irmão, mas assim que a vê, começa a chamar "Ma". A mãe dele disse que ele começou na aula de ginástica esta semana e passou a chamar todas as meninas de Ma. Vocês disputam os mesmos brinquedos de vez em quando, nem tudo são flores. Você gosta mesmo é do Nikko, o irmão dele.

Comemoramos seu aniversário uma semana antes, para tentar diminuir a chance de chuva no dia da festa e as crianças poderem brincar no quintal. Deu certo! Foi tão gostoso fazer tudo, Mamãe já tem na cabeça exatamente como vai ser a festinha do ano que vem (convites, decoração, lembrancinhas). Você curtiu muito, deu gritinhos de entusiasmo quando viu os balões. Limitamos o número de convidados, porque se tivesse chovido teria sido difícil entreter a criançada dentro de casa. O irmão da vizinha emprestou um pula-pula, Mamãe conseguiu as borboletas de graça no final da primavera de uma vitrine e o resultado foi muito divertimento.









No sábado da sua festa de aniversário, você passou o dia na casa dos seus avós. Não chorou, comeu bem, tirou longas sonecas. Ficou apegadíssima à Baka e, pra felicidade geral da nação, parou de ser arisca com o Deda. Mamãe fica tão feliz de você e seu irmão desfrutarem da experiência de conviverem com os avós! E tão orgulhosa de você ser capaz de passar um dia inteiro fora, pela primeira vez na vida e isso não ser um sofrimento para ninguém.

Queridíssima, o dia é todo seu. Do resto da família, só há o que agradecer. Por ter enchido nossa vida de mais ternura, mais gargalhadas, mais bagunça (sim, não dá pra inventar que a casa era toda arrumadinha antes da sua chegada). Mamãe, que sempre foi apaixonada pelo universo feminino, curte imensamente vesti-la, penteá-la e observá-la brincando com seus "nenéns" (cá pra nós, o Conselho Tutelar está para ser chamado, porque você sempre joga a boneca no chão e empurra o carrinho vazio). A festa é sua, o presente é nosso. Deus foi tão generoso colocando você nas nossas vidas! Muita saúde e muito amor pra você e, por favor, tente não crescer tão rápido! Foi tão gostoso planejar e fazer as coisas pra sua festinha, esperamos que nem tão cedo você vá querer somente um cinema com as amigas para comemorar seu aniversário.

Com imenso orgulho, satisfação e gratidão ao Papai do Céu por permitir que partilhássemos com você seu primeiro ano neste planeta,

Mamãe".

29 setembro, 2011

O Pacotinho de Desculpas

- Filhote, como foi na escola hoje?
- Foi bem.
- Você se comportou bem?
- Sim.
- A professora não chamou sua atenção nenhuma vez?
- Só duas.
- Por que, Filhote?
- Porque eu não lembrei.
- Não lembrou do quê?
- Não lembrei de comportar!

26 setembro, 2011

O Mistério da Multiplicação dos Brinquedos



Não vou dizer que eu não tinha muitos brinquedos quando era criança porque isso não seria verdade. Tínhamos, meus irmãos e eu, uma estante lotada deles. Playmobil, bonecas, inúmeros carrinhos de Matchbox, jogos de tabuleiro e até um Etch A Sketch, coisa rara no Brasil da minha infância. Ganhávamos brinquedos no Natal, no aniversário e no dia da criança. A diferença para os dias de hoje é que nossos brinquedos não se reproduziam.

Os brinquedos aqui do Iglu tem uma taxa de fecundidade muito acima do normal. Até entendo os Playmobil se multiplicarem, já que há bonecos meninos e meninas. Mas como se explica o fato de estarem sozinhos o Homem de Ferro e o Homem Aranha por um único final de semana e, quando a mãe volta para olhar, encontra espalhados também o Super Homem, o Lanterna Verde e mais oitenta e três outros super heróis feiosos de quem ela nunca ouviu falar? Isso vai totalmente contra a lei da biologia.

E o que dizer dos legos que os parentes e amigos insistem em comprar para uma idade 3 anos superior à do seu filho que não, não é um gênio e não vai saber montar aquelas pecinhas minúsculas que terminarão certamente espalhadas pelo chão? A caixa diz 70 peças quando na verdade serão 777 no final de uma semana.

Outra diferença dos brinquedos da minha infância é que eles eram menos tagarelas. Eletrodomésticos de plástico não falavam, por exemplo. Fofolete ganhou um fogão que canta! Absolutamente tudo quanto é joaninha, pato, sapo, quebra-cabeça, criaturas reais ou imaginárias reproduzidas em brinquedos para crianças bem pequenas falam, cantam, piscam luzes ou fazem tudo isso ao mesmo tempo. E são ativados por movimento (leia-se um bater de pálpebras num raio de cinco quilômetros que dispara o sensor do caminhão do Transformers e o troço começa a falar ainda antes do café da manhã).

Não havia brinquedo no drive-thru (nem conhecíamos esta expressão), a dentista não dava uma porcaria "made in China" se você se comportasse na cadeira e as sacolinhas-surpresa de aniversário, quando existentes, continham apenas guloseimas.

Atualmente, estamos na era descrita no livro Too Many Toys. Não sei quanto às outras mães, mas tem dias em que me sinto refém dos brinquedos, mesmo doando um monte antes de cada Natal e aniversário, sem o menor apego. Quem souber de algum anticoncepcional EFICIENTE para Playmobil, carrinhos, super-heróis e Transformers, por favor deixe uma dica. Isso porque ainda nem entramos na era das Polly, Barbies e seus 1001 acessórios.

Enquanto isso, vou me sentindo uma bruxa enquanto faço o jantar e peço "pelamordedeus, desliga isso por favor!" E exatos 3 minutos e 15 segundos depois escuto "Mãe, agora já pode ligar de novo?"

21 setembro, 2011

O Pacotinho de Sinalização

Você sobe a escada e nota um desenho no portão que divide o último degrau entre o quintal e a varanda. Exatamente assim:



Como tem um filho de 5 anos em casa, você faz a pergunta retórica:
- Filhote, foi você quem desenhou isso aqui?
- Foi. Meu pai já brigou comigo e falou que não posso desenhar no portão.
- O que significa isso?
- É uma placa. Está dizendo "bebezinhos não podem subir a escada".

É tão óbvio, que nem precisava de explicação, embora o desenho pareça estar alertando para a proibição da entrada do filhote de um daqueles robôs do Guerra nas Estrelas (você não sabe o nome, já que é uma das 3 pessoas do mundo que nunca viram os filmes - e sim, você conhece as outras duas pessoas). Pena que os bebezinhos em questão (a irmã de 11 meses e o filho do vizinho de 1 ano e 9 meses) não alcancem o topo do portão para verem o aviso e, mesmo que conseguissem, já estariam lá em cima. Mas, o que vale é a intenção.

19 setembro, 2011

O Pacotinho da Tecla SAP

Do alto de seus 11 meses de tagarelice, Fofolete balbucia sílabas incompreensíveis enquanto caminha pela casa. E aí o Pacotinho da Tecla SAP avisa:

- Mãe, ela falou em inglês!
- Falou? O que ela disse?
- A guard, my darling.
- Ah, foi isso mesmo.

***

Chegando da escola, Mamãe pergunta:
- Como foi o dia na escola hoje?
- Foi bom.
- Você se comportou bem?
- Sim.
- Se eu perguntar pra professora, o que ela vai dizer?
- Vai dizer "O Daniel foi ótimo, mas o resto das crianças descomportaram".

SAL do Iglu para Sara

Nome de filho é um assunto extremamente pessoal. A gente pode desgostar de um que lembra alguém desagradável com aquele nome. Nunca pedi palpite a ninguém na hora de decidir, até porque a gente aqui só escolheu nome depois que os bebês já estavam no colo.

Em geral, nomes universais de menino são mais fáceis de escolher porque há poucas opções. Os mais populares para imigrantes costumam ser os bíblicos, como Benjamin, Daniel, Samuel, Lucas, Gabriel... De meninas, há zilhões de opções de nomes universais. Escolha um nome que vocês gostem e que não seja de pronúncia difícil. Guilherme, por exemplo, é bem complicado para os gringos.

Eu jamais colocaria num filho meu um nome que minha tia velhinha lá no interior de Minas Gerais não soubesse pronunciar mas, novamente isso é muito pessoal e tem brazuca que opta por nomes estrangeiros incomuns no Brasil. Gosto não se discute e, ao contrário do que ocorre na terrinha, aqui é bem fácil trocar de nome mais tarde, caso a pessoa esteja insatisfeita.

17 setembro, 2011

O Pacotinho de Mensagens Incompletas

Se seu filho tem 2 anos de idade, você sabe quando ele brigou com o amigo se ele chega perto de você chorando.

Na adolescência, você não vai saber se ele brigou com o amigo porque entrou em casa emburrado e bateu a porta do quarto. Isso pode até ser o normal dele, num dia em que conquistou a namorada nova.

Aos 5 anos de idade, a pergunta aparentemente sem contexto e sem lógica não deixa dúvidas de que ele brigou com o amigo. Com o lápis na mão e um pedaço de papel na outra, o menino que só sabe escrever o próprio nome e nada mais pergunta:

- Mãe, como se escreve "você não está convidado pro meu aniversário?"

Faltando 10 meses pro aniversário dele, só pra não deixar dúvidas.

Música para Crianças Pequenas


Posso falar por experiência própria que, mesmo os amantes da música desde a mais tenra idade, podem ficar desencorajados a aprendê-la se o método de ensino for entediante e o professor ruim.

Lembro perfeitamente das intermináveis tardes de frente para um piano, sozinha, aos 6 anos de idade, com uma professora ranzinza que fazia terrorismo psicológico. Mesmo com um piano na sala de casa, tomei pavor da música e só voltaria a estudar novamente aos 15 anos, com outra professora. E fui exceção, já que a maioria costuma não retornar aos estudos musicais nunca mais.

Sempre soube que gostaria que meus filhos tivessem uma experiência diferente com o estudo da música.

Impossível imaginar o Pacotinho de Movimentos Incansáveis sentado de frente para um piano ouvindo uma professora dizer o quanto ele era ingrato e não praticava em casa a lição, sendo que a mãe dele gastava tanto dinheiro com as aulas. Sim, porque eu realmente não praticava e depois de 4 anos, nas palavras da própria professora, "só era capaz de reconhecer o dó porque ele tem um tracinho". Mais madura, aprendi em 1 mês o que não tinha sido capaz de entender em 4 anos de aulas chatas.

O Pacotinho de Introdução Musical começou na semana passada as aulas com o método
Music for Young Children. Tão divertido, interativo, contagiante! As aulas são em grupo de 5 crianças, com os pais presentes. Há atividades com canções e gestos, a teoria é explicada de forma lúdica e simples, com a ajuda de personagens com os quais as crianças se identificam, embora os nomes oficiais sejam também ensinados. Ninguém fica sentado o tempo todo, o senta/levanta necessário a uma criança ativa desta idade está incorporado no plano do método.

O método é para o ensino de piano, mas há outros instrumentos envolvidos e também aulas de canto. No site, é possível encontrar o professor mais perto da sua casa.

E, ao contrário da experiência que tiveram sua mãe e sua tia, o Pacotinho de Empolgação chega em casa avisando: "a professora falou pra praticar 5 a 7 vezes por semana, mas eu quero praticar 9!" O dever de casa da aula de música tornou-se uma atividade divertida, assim como num passe de mágica. Ainda bem que muita coisa evoluiu no ensino de música para crianças desde a minha infância. Não, nem tudo era melhor antigamente.

Difícil só vai ser a mãe acostumar-se a chamar as notas de C, D, E ao invés dó, ré, mi... Linguagem universal na música coisa nenhuma!

Aniversário, ô troço confuso!


Para aumentar em 1% que seja a chance de não chover torrencialmente no dia do aniversário da Fofolete, Mamãe decide antecipar a festinha em uma semana. Com 11 meses de idade, ela obviamente não está nem aí, mas o irmão de 5 anos aguarda ansiosamente a data.

Não sei exatamente a partir de que idade as crianças começam a ter noção do tempo. Lembro que os Natais e aniversários da minha infância demoravam séculos para chegar até 15 anos, depois parece que passaram a chegar a cada 3 meses.

Sábado de manhã, Mamãe avisa:
- Hoje tem aniversário do Fulaninho.
- Oba!
- E sábado que vem tem aniversário de quem?
- Da Sophia?
- Não, da Fofolete!
- Ela já vai fazer 1 ano?
- A festa vai ser sábado, mas o aniversário dela mesmo é só depois.
- Entendi. Primeiro é o aniversário de brincadeira, depois que é o aniversário de verdade, né?
- Não, Filhote. A festa a gente pode fazer antes ou depois do aniversário de verdade.
- E de bebezinho é sempre antes, né?

Realmente, muito difícil de entender. Ano que vem, cai num sábado e aí a gente faz num dia chuvoso mesmo.

12 setembro, 2011

SAL do Iglu para Sara

Sara, não entendi muito bem o que você deseja saber. Você é magra e está grávida? Se estiver com sobrepeso e viver de dieta, tome agora um antiácido para evitar a gastrite por raiva de mim antes de continuar a ler.

Eu sou uma sedentária assumida, nunca fiz dieta na vida, jamais tomei um copo de refrigerante diet (embora seja viciada em chiclete sem açúcar). Ganhei 15kg na primeira gravidez e 12kg na segunda. Nunca tive enjoo ou azia e sentia muita fome. Realmente fiquei como na descrição da reportagem, com braços e pernas finos e, de diferente do meu estado permanente, eram só barriga e busto. Fui daquelas grávidas que, de costas, só aparentam a gravidez pelo andar de pinguim. Não inchei nem nos pés até o final.

Meus bebês pesaram 3,820kg e quase 3,5kg. Um mediu 56cm e a outra 52cm. Ou seja, embora magra, eu produzo bebês grandinhos e saudáveis. Com 10 dias do nascimento da minha filha, eu cabia novamente na minha calça jeans 36, mas meu corpo não é o que era antes da primeira gravidez. Fiquei com diastase do reto abdominal e precisarei de uma cirurgia para corrigir, quando pretendo aproveitar e tirar o excesso de pele. Uma coisa é ser magra, outra coisa é ter barriga de tanquinho. Como nunca tive a barriga dura nem antes de engravidar, não poderia esperar um milagre.

Já não fazia atividade física antes de ficar grávida, não haveria de começar durante a gestação. Tenho uma amiga magra que sempre correu diariamente, continuou correndo até o sétimo mês e ninguém notava a barriga até o sexto mês. Ela nem chegou a comprar calça de gestante.

Talvez o problema seja que a reportagem insinue que todas as grávidas magras precisam de dieta e exercícios intensos para permanecerem assim e que isso pode ser prejudicial ao bebê em formação. Ou talvez estejam preocupados com o fato de que os bebês possam nascer com baixo peso se a mãe ganha menos peso do que o esperado na gravidez.

Não sou bom exemplo. A única recomendação que dou é, se você ainda não escolheu o pai dos seus filhos, procure um que não seja muito cabeçudo. Infelizmente, de parir com fórceps neném com cabeção igual ao do pai, eu entendo.

10 setembro, 2011

Sobre Casamentos em Vancouver


Depois de mais de uma década morando em Vancouver, você já sabe o que esperar dos casamentos por aqui. Se houver cerimônia religiosa, ela acontece muitas horas antes da festa. A noiva pode entrar na igreja sozinha, acompanhada só do pai, ou com o pai e a mãe, as opções são infinitas. O noivo não entra, porque quando os convidados chegam, ele já está lá na frente, com um terno idêntico ao de todos os padrinhos. As madrinhas, coitadas, usam roupas iguais, geralmente escolhidas pela noiva.

Você pode ser convidado somente para a parte religiosa, só para a recepção ou para ambos. Em 11 anos, você já assinalou todas as alternativas.

Os convidados merecem um parágrafo separado. A chance de encontrar uma mulher de chinelo de dedo é idêntica à de encontrar uma de blusa clara de alcinha com a alça do sutiã preto aparecendo: 99%. Também haverá muitas que não passaram um pente no cabelo e vão de cara lavada (ou nem isso). Se não houver ninguém que preencha alguma das descrições anteriores, é porque era casamento de brasileiros e não havia gringas entre as convidadas.

No seu primeiro casamento como convidada, você usa uma roupa para a cerimônia de manhã e outra para a recepção de noite. "Rookie", como diriam aqui para uma novata. Ninguém mais troca de roupa, a não ser, em algumas ocasiões, a noiva que tem um vestido longo pra igreja e um leve para a festa. Na recepção, você usa um vestido longo que trouxe do Brasil e vira ponto de referência. Alguém pergunta onde deixar os presentes (sim, eles são trazidos para a recepção e colocados numa mesa) e outra pessoa responde "os presentes estão logo atrás da moça arrumada, aquela mais bem vestida que as 'bridesmaids'.

Depois da cerimônia, começa a interminável sessão de fotos na praia, nas fontes de água dos parques, nos jardins... Como reles convidada, você não precisa participar e fica vagando pela cidade até a hora da festa.

Na recepção, você não pode escolher onde se sentar. De cara, vê a fila de pessoas procurando seus nomes, tal como numa lista de aprovados num concurso, para descobrir em que mesa foram colocadas. Ainda que você seja muito amiga dos dois noivos, não há garantias de sentar com seus outros amigos em comum com o casal. Há uma teoria de que é preciso misturar os convidados e é grande a sua chance de sentar-se à direita daquela tia da noiva que veio de Medicine Hat e à esquerda do amigo de faculdade do noivo que veio de Red Deer somente para a ocasião. Não é licença poética, os nomes das cidades aqui parecem saídos de um faroeste.

Não se espante com os dois bilhetinhos entregues a você na entrada da recepção. São seus dois drinques pagos pelos anfitriões. Mais que isso, é por sua conta. Se seu acompanhante bebum rouba seus dois papeizinhos, pode abrir sua bolsinha que só deveria conter batom e chave para comprar sua coca-cola. Nem sempre é assim, em algumas festas mais chiques, servem vinho à vontade durante o jantar e depois avisam em voz alta "a partir de agora, o bar pago está aberto".

O momento que você aguarda com mais ansiedade não é do bolo, até porque você nunca foi de comer bolo com glacê mesmo. Nem o dos bombons, que quem gosta deles em casamento não deveria nunca sair do Brasil. O melhor dos matrimônios por estas bandas são os discursos. Engraçados, emocionados, emocionantes. Você gosta tanto que até os incorporou ao seu próprio casamento. Amante de um microfone como sempre foi, já fica sonhando com o que vai falar se seus filhos se casarem.

Quando seu marido comenta que recebeu um e-mail do chefe dele, dizendo "houve dois cancelamentos para o nosso casamento no próximo sábado e gostaríamos de saber se você e sua mulher estão disponíveis", você considera um privilégio. Como tudo é muito caro, não é por pão-durismo (e existe esta palavra?) que os convidados são meticulosamente contados.

Então, numa maravilhosa tarde ensolarada, lá vai você toda arrumada procurar literalmente no meio da floresta uma igreja adequadamente chamada St Francis in The Wood (São Francisco no Meio do Mato). A melhor surpresa escondida da cidade! Tão aconchegante e linda de viver, com uma pianista/cantora de tanto talento que dá até vontade de mudar de religião só para frequentá-la. Com exatamente 28 convidados contados a dedo durante a cerimônia, você vê que realmente foi uma honra.

No dia seguinte, você escuta logo cedo:
- Mãe, você foi ao casamento?
- Fui.
- Ontem?
- É, você sabe que eu fui.
- Você beijou meu pai?
- Beijei, mas por que você está perguntando isso?
- Casamento é sempre assim. Com beijo.
- Não foi o MEU casamento com o seu pai ontem.
- Ah, não? Pensei que era o seu.

Moral da história: por mais que estejam economizando, cortando convidados e gastos, lembre-se de convidar seus filhos para seu casamento, caso eles já tenham nascido.

06 setembro, 2011

SAL do Iglu para Jatai

A nossa cadeirinha não é desta marca, mas a ideia é a mesma desta aqui

SAL do Iglu sobre a Babá

Márcia, eu fiz questão de alguém que já estivesse aqui em BC. Não há dificuldade em trazer uma pessoa do Brasil, desde que ela atenda às exigências do programa (explicadas no link), mas eu não queria alguém que nunca tivesse passado um inverno aqui.

A outra pessoa perguntou se a moça vai morar na minha casa. Uma das exigências do programa de Live-in Caregiver é que a pessoa more na casa onde trabalha.

04 setembro, 2011

Onze Meses




Fofolete,

Faz 5 dias que você completou 11 meses. Está tão ativa! Caminha sozinha, sem apoio, chega a atravessar a sala, mas quando está com pressa, decide que engatinhar é mais rápido e seguro.

Ainda não encontramos nenhuma pessoa que tenha escutado seu barulhinho de vibrar a língua e tenha dito "conheci outro bebê que fazia isso", muito pelo contrário, até agora as pessoas sempre se surpreendem e a maioria pergunta "este barulho está vindo dela?". Você atualmente não faz somente quando chora, mas toda vez que escuta um som semelhante a ele, imediatamente começa a vibrar a língua "ARRRRRR". Além disso, você dá gritinhos de prazer, principalmente quando seu irmão está brincando de engatinhar atrás de você e tem um monte de interjeições pra tudo (seu pai diz que você parece o Jack-Jack do filme Os Incríveis, o bebê que responde a tudo com um som que só ele entende). Esta semana, Mamãe teve a impressão de ter ouvido você dizer "bóua", quando ela pegou a bola e falou "BO-LA". Como não repetiu, deve ter sido só impressão mesmo.

Você começou recentemente a dar umas fungadas forçadas, levantando o lábio superior, como se estivesse mostrando os dentes. Tão engraçado!

Você balança a mão dando tchau e joga beijo sempre que uma porta se fecha, algumas vezes quando alguém dá tchau também. Aprendeu a pedir silêncio, coloca o indicador longe da boca e sopra-o, como se fosse uma vela. Basta alguém falar "shhh", que você faz isso. Quando entra no quarto do seu irmão de manhã, já entra fazendo assim.
Mamãe ainda consegue fazer maria-chiquinha no seu cabelo. De vez em quando consegue que deixe uma presilha na franja e, pra isso, já coloca a fivela dizendo "ai, que linda!" (quando faz isso, coloca uma mão em cada bochecha). Agora quando Mamãe vem com a presilha, você já põe as mãos no rosto automaticamente.

Você continua atenta, curiosa, ligadíssima em tudo. Passa um avião no céu (e aqui no quintal passam muitos aviões e helicópteros o tempo todo) e você aponta. Dá altas gargalhadas se alguém espanta os corvos do quintal. Chora de raiva e frustração quando vem engatinhando apressadíssima e alguém fecha a porta da sala de TV, para que você não caia da escada.

Antes de completar 11 meses, você já subia com desenvoltura a escada da sala de TV e o escorregador pequeno do parquinho (pra falar a verdade, sobe o escorregador tanto pela escada quanto pela parte de escorregar, se estiver descalça).

Esta semana finalmente saiu seu quarto dente, você passou um tempo somente com um dente superior e hoje seu irmão anunciou a chegada do quinto, na arcada inferior. Engraçado que foi ele quem notou e comunicou com orgulho o aparecimento de cada um dos seus dentes, um por um. Ele também fica todo entusiasmado quando você dá seus passinhos e conta "a Fofolete deu 8 passos!"

Você ama de paixão ficar do lado de fora, no quintal, brincando na grama. Se estiver entediada, choramingando dentro de casa, basta levá-la pra fora e sentá-la numa toalha na grama. Logo você começa a explorar o ambiente, encontrar uma pedra pra colocar na boca... Também não pode ver alguém se preparando para sair pela porta da cozinha, que já chega perto para garantir que vai junto. Seu irmão sempre diz "Mãe, a Fofolete está tentando fugir de casa".

Você não só compreende como se magoa quando ouve a palavra "não". Muitas vezes, faz sinal de "não", balançando o indicador de um lado pro outro, como que confirmando se entendeu mesmo a ordem. Aí, quando ouve novamente "nããão", obedece, mas já fazendo beicinho e reclamando.

Você adora retirar a roupa do cesto de roupa (suja, limpa, sem discriminação) e ir arremessando uma por uma para trás. Se encontra a secadora com a porta aberta, é certeza de bagunça. Também adora abrir o lixo e encontrar tesouros. Hoje mesmo estava com um copinho de iogurte na cabeça.

Você come muito bem, abre a boca e coloca a língua pra fora, aceitando provar qualquer coisa. Um episódio interessante aconteceu outro dia na hora do jantar. Estávamos comendo sushi e seu pai ia dando para você um pouquinho na colher. Você protestava e recusava, virando o rosto pra trás. Oferecemos água e tudo o que havia de comida na mesa, você continuava resistente. Aí Mamãe entendeu e disse "ela quer imitar a gente, comendo de palitinho". Entregamos os palitinhos e você abriu o maior sorriso, tentando inutilmente agarrar uma ervilha que estava na mesa. E, a partir daí, comeu tudo o que foi oferecido, desde que fosse dado de palitinho na sua boca.
Trouxemos do Brasil uma cadeirinha de pano e metal que fica pendurada na mesa de jantar. Impressionante a mudança! Você jamais gostou do cadeirão, de ficar afastada da mesa e, com esta cadeirinha, fica feliz da vida, fazendo a maior bagunça na hora da refeição, mas sem protestar ou tentar escapadas acrobáticas.

Você adora abacate e tomate (Mamãe ficou tão feliz em ter ao menos um filho que compartilha da paixão dela por tomate, que sempre foi, desde que ela se lembra, a comida favorita dela), mas ultimamente fica de pescoço esticado tentando ver o que está comendo cada pessoa em volta da mesa. Faz questão de provar o que está no prato dos outros.

Você já dormiu bem melhor do que tem dormindo ultimamente. Às 7 da noite, se não tirou um terceiro cochilo naquele dia, já começa a esfregar os olhos. Toma banho, mama e dorme por volta de 19:30. Costuma acordar geralmente 1 hora depois que deita e seu pai vai lá, pega no colo, dá água e você adormece de novo. Em algumas noites, acorda mais uma outra vez, noutras mais duas. Sempre acorda às 5 da manhã, mama e dorme novamente até 7 ou 7:30. Mamãe volta a trabalhar no mês que vem, vamos ver como será. Alguns bebês revertem o ciclo de mamadas e passam a acordar muito de noite para compensar a saudade da mãe durante o dia. Você ainda mama antes dos cochilos durante a semana, mas está acostumada a dormir sem mamar sábado e domingo, com seu pai. Não sofreremos por antecipação.

Você adora literalmente deitar e rolar com seu irmão na cama ou no sofá. Dá risadas de puro prazer. Ultimamente, aprendeu a ficar de pé na cama dele e a abrir as persianas, o que faz todas as vezes que tiver oportunidade.

Semana passada, Mamãe colocou um colar que nunca havia usado. Depois, guardou-o num lugar onde você achou. Coisa mais fofa ver você colocando o colar no pescoço sozinha!
Você já caiu e bateu a boca, sangrando em algum lugar lá dentro (nunca conseguimos ver de onde vem o sangue) várias vezes. Aceita sempre de bom grado, entre lágrimas abundantes e sangue, o picolé oferecido na hora do susto.

Semana passada, na consulta com a dentista, pra surpresa de todos, não chorou. Ela confirmou o que já sabíamos: que você tem o freio labial bem grosso e longo, como era o da Mamãe, antes de passar por uma cirurgia. Se for como a sua mãe, vai querer tirar e, se for como a Madonna, talvez nem se importe e ache um charme.

Nosso vizinho, que nasceu no mesmo ano que você só que em janeiro, tem absoluta adoração por você. A única coisa compreensível que ele diz, além de "oh, man" é "Ma" e não é pra mãe dele, é pra você. Não é correspondido, você gosta muito mais do irmão dele, de 4 anos e meio.

Há poucos dias, começou a trabalhar aqui a moça que ficará com você e seu irmão quando Mamãe voltar a trabalhar. A maior preocupação é a hora dos cochilos, mas certamente tudo vai se ajeitar aos poucos.

Este é o último mês nesta casa de neném "com zero ano", como diz seu irmão. Como é possível já sentir tanta saudade por antecipação? Saudade da pele macia, das risadinhas do "Rabugento" (um personagem de desenho da infância dos seus pais, cuja risada você imita com perfeição), das mãozinhas impacientes batendo para abrirem a porta da sala de TV, daquele sorriso com poucos dentes, da festa que é ter um bebê em casa.


Abraço apertado, daqueles que a Mamãe dá dizendo "eu amasso esta Fofolete".

O Pacotinho do Século XXI

A babá brasileira que vai tomar conta das crianças quando Mamãe voltar a trabalhar está para começar. Então, Mamãe comenta com o Pacotinho de Expectativa:

- Amanhã Mamãe vai mostrar à moça onde ficam os parquinhos que você gosta de ir, a piscina, a biblioteca, para ela poder levar vocês.
- Mãe, quem mostra os lugares não é você. É o GPS!

Com a mãe desorientada no espaço que ele tem, realmente quem mostra tudo é o GPS.

***
Para os curiosos, o programa do governo canadense para contratar babás estrangeiras chama-se
Live in caregiver. É tudo oficial e legal. Para a babá, a vantagem é que, após dois anos trabalhando neste esquema, ela consegue residência permanente no país. Para os pais com uma criança só, é mais barato pagar uma creche. A partir do segundo filho, sai mais em conta ter uma babá em casa, especialmente quando a alternativa é que as duas crianças fiquem na creche em tempo integral.

02 setembro, 2011

SAL do Iglu para Xará

Existe mesmo esta teoria de que, quando exposta a mais de um idioma, a criança demora mais a falar. E também dizem que meninos começam a falar mais tarde. Acho que há tantas variáveis envolvidas que não dá para prever. Com 1 ano e meio, meu filho falava 50 palavras, entre português, inglês e servo-croata e começou na creche (onde só falavam inglês) antes de 1 ano. Sei porque eu costumava fazer uma lista das palavras novas a cada mês. Frases inteiras ele só começou a falar com 2 anos completos. Antes de 3 anos, já pronunciava o R corretamente em todas as palavras e nunca falou como o Cebolinha. Conheço crianças no Brasil, expostas a um único idioma, que com menos de 2 anos falam frases e outras que só falam "mamãe". Meu vizinho tem 1 ano e 8 meses e a única coisa compreensível que diz é "oh, man!" (começou há cerca de 2 semanas), nem a mãe ou o irmão ele chama por um nome específico.

Uma amiga diz que está no mapa astral do Pacotinho de Tagarelice que ele seria assim e eu acho que filho de peixe, peixinho é (eu falo muito e fui do tipo que conversava antes dos 2 anos de idade).

Na verdade, isso costuma ser uma ansiedade dos pais (principalmente da mãe), porque jamais, numa entrevista de emprego, alguém vai perguntar "com que idade você começou a falar?". Se a criança não tem nenhum problema cognitivo, não faz diferença no futuro quando ela começou a pronunciar as primeiras palavras.

Já está provado que o achismo não é uma ciência exata, mas eu acho que a personalidade influencia também, porque os mais tímidos falam menos desde pequenos. Ao menos, na minha família, é assim.

Tenho uma querida amiga fonoaudióloga cujo filho nascido aqui fala português fluente e corretamente e que lê o blog. Talvez ela apareça aqui para fazer algumas considerações e corrigir qualquer besteira que eu tenha dito. De cobras e articulação verbal, não entendo muito...

01 setembro, 2011

SAL do Iglu para Lu de Israel

Você não perguntou nada, eu é que faço a pergunta: se você está numa festa, num parquinho, em qualquer lugar e vê uma mãe sueca falando com o filho pequeno na língua dela, isso ofende você? A mim, jamais. Sou capaz de parabenizá-la, se tiver abertura para tanto. Como eu disse, mesmo convivendo com pessoas de inúmeros países, só vi esta preocupação entre nossos conterrâneos. E até tenho uma teoria para o motivo, mas não é algo que falaria publicamente, ainda mais numa semana polêmica como esta.

SAL do Iglu para Cíntia

Respondendo à sua pergunta: sim, conheço mulheres que foram submetidas a uma mamoplastia redutora e amamentaram seus filhos exclusivamente e algumas que o fizeram dando complemento. Vai depender muito da técnica utilizada na cirurgia, do empenho da mãe, de orientação e apoio e de um possível ajuste de expectativas.

Não dá para prever durante a gravidez se a produção de leite foi afetada ou não. Em alguns casos, o que é afetado é a ejeção (e isso é mais complicado de corrigir que a produção insuficiente). O fato de a mama crescer muito ou pouco, de o colostro começar a ser secretado ou não durante a gestação não são sinais preditivos de sucesso. Eu mesma jamais tive uma gota de colostro visível durante as gestações e nenhum dos meus bebês tomou leite artificial. Produzia muito mais leite com o primeiro filho e somente a segunda engasgava com a quantidade de leite que saía.

Agora, ciente disso, recomendo mais ainda que você visite um banco de leite e leia muito sobre a técnica da sonda de relactação. Compre uma e coloque na mala que vai para a maternidade com as coisas do bebê. Uma amiga que foi submetida à mesma cirurgia que você conseguiu amamentar dois filhos até quase 4 anos de idade usando a sonda de relactação com o primeiro filho, desde a maternidade. Em poucos dias, ela aboliu a sonda e seguiu amamentando sem complemento. Com a segunda filha, nem precisou da sonda. E uma outra amiga de infância conseguiu amamentar 3 filhos, por menos tempo, sem nunca usar a sonda e sem complemento.

Na verdade, a maioria das mulheres enfrenta dificuldades diversas para amamentar nas primeiras semanas e, aquelas que passaram por uma cirurgia na mama acabam desistindo rapidamente (o que é compreensível). Ainda que a produção fique afetada e seja necessário usar complemento, se ele for dado via sonda de relactação, o bebê consegue a sucção no seio materno, cujos benefícios vão muito além dos nutricionais e imunológicos.

Se você lê em inglês, um site com dicas excelentes é oKelly Mom.

O Pacotinho de Lógica Musical

Sempre tivemos no carro CDs de música brasileira para crianças, mas eles só viraram fonte inesgotável de perguntas quando o Pacotinho de Curiosidade completou 4 anos e meio.

A música Piruetas diz "no intervalo tem cheirim de macarrão" e o Pacotinho de Dúvidas pergunta:

- Mãe, o que é intervalo?
- É quando o espetáculo para um pouco, pras pessoas irem ao banheiro, tomarem água...

No dia seguinte, o mesmo CD e ele ainda tem dúvida:

- Mãe, o que é intervalo?
- Esqueceu? Quando a gente está num show, eles param um tempinho para os artistas irem ao banheiro e as pessoas poderem comer alguma coisa, esticar as pernas...

No terceiro dia consecutivo, ainda insatisfeito, ele refaz pergunta e, ao escutar a mesma resposta, conclui:

- Mãe, intervalo não tem cheiro de macarrão. Intervalo não tem cheiro de NADA, porque não é uma coisa com cheiro.

***

Toda vez que começa a Valsa Para Uma Menininha no CD da Arca de Noé, Mamãe pula a música.

- Mãe, eu quero ouvir esta música.
- Ah, tá bom. Mas eu fico triste.
- Por que você fica triste?
- Porque eu fico pensando na Fofolete, esta música é de um pai falando pra filhinha pequena não crescer.

O tempo passa, a música às vezes é pulada, outras vezes é ouvida com a motorista em lágrimas e eventualmente é esquecida, substituída por outro CD. Passam meses sem tocar no assunto. Acontece que no CD Arca de Noé 2, a primeira faixa traz somente o primeiro verso, que diz "Menininha, não cresça mais não" e, assim que começa:

- Mãe, pode pular esta música.
- 'Tá bom.
- Mãe, já sei. Se a gente cantar "Menininha, cresça", você fica feliz, né?

***

Esta lógica tão absurdamente concreta desta faixa etária é genial.