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19 julho, 2009

Quando as Miguxas Ganham Neném

Enquanto na América do Norte e no Brasil, a luta de muitas mulheres é por um nascimento digno e humanizado para seus filhos, tendo garantidas suas necessidades básicas durante o trabalho de parto e o parto (como dizem Dr. Michel Odent e minha ídola, Ina May Gaskin), no Japão, já estão investindo nas maternidades miguxas. É o fenômeno da "hellokittização" do nascimento. As fotos não deixam dúvidas:











Perguntas que não querem calar:

- se a moda pega, os pais brasileiros vão deixar seus meninos em bercinhos cor-de-rosa, embrulhados em cobertores da Hello Kitty?

- num país tão evoluído em outras coisas, os bebês saudáveis ainda ficam todos juntos no berçário e não no quarto com a mãe?

Depois, a menina cresce, a Hello Kitty vomita no quarto dela e fica assim. Aí vão dizer que foi ELA (a menina) quem fez questão de tudo:

06 julho, 2009

Filosofia de Internet






Meu pai sempre diz que o pior tipo de burro é o burro com iniciativa. Pode até ser o pior, mas sem dúvida o mais divertido é o burro filósofo.

Preciso dividir esta pérola de texto que encontrei num fórum virtual de mães. Não foi escrito por Odorico Paraguaçu, mas bem que poderia ter sido, se ele fosse mãe. Garantiu minha gargalhada do dia.

"Meninas, a presopopeia total dessa retundancia da crise existencial que toda Mulher e pós-Mãe passa na sua transformação de reles mortal a Deusa suprema de um mundo proprio de poucas criaturas denomindadas Filhos, é algo dificil de "nomeclaturar", e cabe a cada uma medir a dose certa, então lhes pergunto:

Como vc ve sua desenvoltura como mãe, Zelosa ou Neorotica? Comentem o pq dessa resposta
."



Quem entendeu, faça o favor de explicar, até porque ninguém merece uma "presopopeia parcial dessa retundancia", melhor uma total mesmo.

Pensando bem, se gente famosa pode cantar "açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã", "zabelê, zumbi, besouro, vespa fabricando mel, guarda seu tesouro, jóia marrom, raça como nossa cor" ou "pousa-se toda Maria no varal das 22 fadas nuas lourinhas. Fostes besouro Maria e a aba do Pierrot descosturou na bainha", por que a moça não pode ser "presopopeicamente retundante"?

PS: Nunca tinha reparado como gostam de enfiar um besouro numa letra de música sem pé nem cabeça. Mas os 3 exemplos que vieram à mente primeiro eram todos "entomológicos".

12 junho, 2009

Louca por guaraná

Não é porque estou exilada. Desde criança sempre gostei mais de guaraná (Antarctica) do que de qualquer outro refrigerante. E, como as musiquinhas dos comerciais costumam ficar na memória, aqui no Iglu sempre se canta uma antiga toda vez que tem pipoca. O Pacotinho de Seletividade Alimentar adora pipoca e também canta a música do comercial. Quem se lembra?



PS: Ficou bem mais simples ter guaraná Antarctica na geladeira mesmo morando em Vancouver do que quando me mudei. Muitas lojas vendem e nunca mais faltou no Iglu.

13 maio, 2009

Seu Lulu é Verde?


A princípio, achei que a conversa só poderia ter acontecido num país de Primeiro Mundo, numa das cidades mais "verdes" do planeta, mas estava enganada. Tem Lulu verde no Brasil também.

Uma cirurgia de aneurisma abdominal de aorta é longa, então dá tempo de conversar sobre muita coisa. O cirurgião comenta:

- Minhas filhas adolescentes ganharam um cachorrinho de 1 ano e meio.
- De que raça?
- Um schnoodle.
- Qual?
- Um schnoodle, cruzamento de schnauzer com poodle.
- Nunca tinha ouvido falar.
- E ele é cheio de frescura.
- Como assim?
- Só come carne fresca e orgânica.
- Jura?
- Atravesso a cidade várias vezes por semana para ir comprar a carne do cachorro, de animais recém-abatidos, sendo que nem tem carne em casa para mim.
- Nossa!
- Uma das minhas filhas é vegetariana, agora a minha esposa também se converteu e lá em casa só tem carne pro cachorro, que por sinal custa caro.

E não é que no Brasil também tem cachorro assim? Pelo menos a cachorro verde vende a dieta especial dos cãezinhos ecologicamente corretos.

08 março, 2009

Personagens de Novela Mexicana

Reza a lenda que eu deveria ser registrada Flávia Lentúlia, como a personagem homônima do livro que inspirou o nome. Quis o destino que um avô entendesse Getúlia, uma tia achasse que era Petúnia e, para evitar a confusão, acabou ficando Flávia Lúcia. Quem nasceu para Flávia Lentúlia e acabou Flávia Lúcia não deveria reclamar do nome composto, certo? Errado! Desde criança, eu já achava que nomes assim só deveriam existir nas novelas mexicanas, que eu assistia em preto e branco, na TV pequena da moça que trabalhava lá em casa e não perdia um capítulo. Para minha sorte, havia uma Flávia Regina e um Flávio Homero na mesma classe. Também fiz vestibular numa sala repleta de Flávias Marias, o que me deu a sensação de ser menos anormal.

A não ser que a pessoa tenha as combinações tradicionais, como Ana Alguma-Coisa ou Luís Alguma-Coisa, acaba sendo chamada somente pelo primeiro ou pelo segundo nome (se o primeiro for Maria) ou por algum apelido, na maioria das vezes. Mas basta fazer alguma coisa errada, que a Lu escuta "Lucilene Úrsula", venha aqui agora!"

Acontece que todas as nossas verdades absolutas são culturais. Um amigo sortudo (tem somente um nome e dois sobrenomes) foi morar no Chile e vivia tendo que explicar que não tinha nome composto, o que causava espanto geral. Chegou a ouvir que brasileiro faz tudo errado, a começar pela forma de dar nome aos filhos. Por outro lado, Marido Gringo vem de uma terra onde todas as pessoas são registradas com um nome e o sobrenome do pai. Só foi descobrir que existia a entidade "middle name" depois que mudou para o Canadá e até hoje não se conforma "qual a necessidade de ter mais que um nome e o sobrenome?".

Claro que tem um monte de Frederico Augusto e Carla Patrícia no mundo que adora o próprio nome e ainda repete a tradição com os filhos, numa prova de que realmente há gosto para tudo. Uma amiga com dois nomes que não combinam nadinha entre si ficou cho-ca-da quando eu disse que não gostava. Ela estava torturando-se em culpa porque não havia encontrado um segundo nome para o filho, que acabou ficando com SÓ um. Que sorte a do moleque!

Fico pensando se o Pacotinho de Diversidade Cultural vai reclamar do nome quando crescer. Como eu já havia decidido desde os 8 anos de idade (capricorniano quando criança já pensa na vida adulta), filho meu não vai ter nome composto. Ele ficou com um nome, o sobrenome da mãe e o do pai. Vai ser uma exceção na escola, por ter como "middle name" o sobrenome materno. A regra aqui quando há combinação dos sobrenomes é colocar um hífen. Se eu fosse de dizer "aff", diria "aff! Tem coisa mais brega que tascar um hífen?"

Por via das dúvidas, nunca namorei alguém com nome composto. Era só o que faltava! Uma Flávia Lúcia casada com um Paulo Marcelo!

Nota do Serviço de Utilidade Pública do Iglu: às insatisfeitas com o próprio nome, recomendo casarem-se por aqui. A lei permite retirar qualquer nome, tanto que meu Lúcia foi para o espaço. A maioria dos formulários norte-americanos sequer oferecem espaço suficiente para escrever os nomes completos dos latinos.

08 agosto, 2008

Geléia de Mocotó Caseira - para pessoas sem tempo de sobra

O post de hoje é dedicado à minha amiga Nilde, que encontrou esta receita e deliciou-me com seus comentários. Ela até parece saída da minha família, com seu senso de humor meigo e inocente:



Apesar dos meus 8 anos sem criadagem, confesso ter ficado surpresa quando uma amiga encontrou uma receita "super fácil e prática" de geléia de mocotó caseira na internet:

"GELÉIA DE MOCOTÓ

Ingredientes:

1 pé de boi (peça no açougue para que ele seja cortado em pedaços menores, para caber na panela)
1 xícara de mel, melado ou rapadura ralada
50 g de erva-doce
10 g de cravo da Índia
20 g de canela em casca
1/2 copo de vinho do Porto (opcional)

Modo de Preparo:

Cozinhe o mocotó em água filtrada suficiente para cobrir completamente todos os pedaços, por cerca de duas horas.

Passe no coador de macarrão ou na peneira (para que o líquido fique completamente límpido, forre a peneira com uma fralda de pano limpa).

Ponha o caldo na geladeira e, no dia seguinte, raspe bem para tirar toda a camada de gordura que se forma no topo.

Ponha novamente o caldo no fogo baixo para liqüefazer. Se ainda houver algumas gotas de óleo, retire-as com pedaços de papel.

Faça à parte um chá bem forte com a erva-doce, o cravo e a canela. (Socar bem os ingredientes do chá em um pano antes de prepará-lo). Ponha tudo para ferver e coe o chá no pano. Junte esse chá ao caldo do mocotó.

Adoce mais caso ache necessário, cuidando para não exagerar e apure o caldo apara que ele engrosse um pouco mais - cerca de 30 minutos a mais no fogo normalmente é suficiente. Retire do fogo e junte o vinho do Porto.

Separe a geléia em potinhos individuais ou numa travessa grande. Guarde na geladeira por pelo menos 3 horas antes de servir - ela ficará com uma consistência igual às gelatinhas comerciais. Esta é a verdadeira gelatina, o resto é imitação sem nutriente algum…


Detalhe interessante:

Se você só cozinhar os ossos, sem tempero algum, pode usar o caldo de mocotó para engrossar caldos e molhos, pode acrescentar uma colherinha à mamadeira do seu filho (o que acrescenta uma boa dose de cálcio e outros minerais bem disponíveis à mamadeira dele)."


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Ai que prático, gente! Fiquei super a fim de fazer! Sabe que me deu até água na boca quando li "1 pé de boi"? Na hora me imaginei chegando no açougue chique do supermercado que vende a melancia quadrada a $99,99 e pedindo "one cow foot" cortado em pedaços que caibam na panela. E o que deve ser a visão do pé de boi afundando na panela com água filtrada? Pura poesia culinária. Sou capaz de substituir por água Evian, para ficar ainda mais sofisticado. É o tipo de receita que já empolga na leitura do primeiro ingrediente. Será que o pé de boi vem com o casco e tudo? Tomara que sim! Ou boi não tem casco no pé? Que falha imperdoável nunca ter cozinhado um pé de boi para saber a resposta! E vou exigir que seja o pé de um boi criado livre, leve, solto e feliz no pasto, tomando orvalho fresco da manhã e namorando vaquinhas igualmente felizes, com pezinhos limpos e pedicure semanal.

Outro ponto positivo é que essa receita também leva rapadura ralada, coisa que facilmente se encontra em qualquer supermercado canadense. Eu nem sabia que rapadura era um ingrediente "ralável", mas o que é o poder da leitura para ampliar os limitados horizontes da minha cozinha! Só fico curiosa pensando no que diria agora minha Santa Irmã com Criadagem a respeito da minha receita de fondue (quando me viu ralando queijo para fazer fondue, ela exclamou "quem tem que ralar é o sabão, não você" - a piadinha é só para maiores de 30 anos).

Achei muito poética e ecologicamente correta a utilização de uma fralda de pano para coar o caldo. Let's go green, people! Ops, desculpe a empolgação, não é todo dia que encontro uma receita com a qual me identifico tanto. E a parte de colocar novamente no forno para liqüefazer no dia seguinte? Que prático! É só tirar as gotas de óleo com pedaços de papel... super simples! Cuidado para não exagerar quando adoçar, viu?

E o detalhe interessante de colocar o mocotó na mamadeira da criança? Como não pensei nisso antes? Deve ser porque o Pacotinho de Frescura não toma mamadeira! Mas imagino que vou cozinhar os ossos assim mesmo, por pura diversão, como uma atividade terapêutica num ocioso fim de tarde e oferecer os potinhos de mocotó às mães de bebês que morem na vizinhança. Quem recusaria uma oferta dessas? Dá até para dar como lembrancinha de aniversário, com uma borboletinha na tampa do vidro, não fica um mimo nutritivo e original? DU-VI-DO alguma criança pedir balas e chocolates depois de ganhar uma sacolinha surpresa recheada com caldinho de mocotó caseiro!

A PERGUNTA É:
Com uma receita prática, simples, deliciosa, dessa magnitude... Por que ainda tem gente no Brasil que compra o copinho de geléia no mercado? Será que é por receberem participação nos lucros ou por precisarem de copos em casa?

Comentário da minha amiga Nilde Berenice:
"Gente, tô inconformada com o fato de nunca ter feito essa receita tão supimpa e prática antes!!! Fico aqui comprando copinhos de geléia DUCOPO quando poderia ter simplesmente comprado 1 pé de porco, rapadura ralada , erva doce e cravo da Índia e somente ter que ferver de um dia para o outro e depois colocar na fralda de pano(o que, cá pra nós, é algo tão singelo e pueril!) e separar o óleo com papel.....ah, faz favor, que atraso da minha pessoa esse desconhecimento!!"

Com licença, que vou ali comprar meu pé de boi. Depois da publicação desta receita, provavelmente haverá grande procura.

PS: O leitor mais atento perceberá que, na versão da Nilde, a receita não dá certo. Na sua ignorância culinária, ela confundiu as espécies animais, achou que pé de boi fosse pé de porco e acabou fazendo feijoada ao invés de geléia de mocotó. Perdoe, Pai, ela não sabe o que diz (nem o que cozinha e muito menos o que vai na mamadeira das crianças).

07 novembro, 2007

A diferença entre um gato e "a cat"

O "post" de hoje vai para a minha irmã, que inocentemente deduziu que os gatos seriam iguais no mundo inteiro.

Como assim diferença ? Um não é sinônimo do outro, só que em outra língua ? Não, caro leitor que tem tempo de sobra para ler as bobagens que eu escrevo, não são a mesma coisa. Há diferenças culturais que afetam as vidas dos bichanos, senão a pergunta "quantas vidas tem um gato ?" teria a mesma resposta ao redor do mundo.

"A cat", nascido no Primeiro Mundo, criado com ração chique, que é vendida num corredor imenso do supermercado destinado somente a "pet food", chega a este planeta com nove vidas ("a cat has nine lives", pode pesquisar por aí). Pelo menos quatro delas dedicadas a assistir preguiçosamente aos inúmeros comerciais de TV que mostram produtos exclusivos para eles. Um gato, nascido num país em desenvolvimento (não sei sobre os felinos domésticos de Portugal), tem somente sete vidas. Também pudera, é poluição, estresse no trânsito, medo da violência urbana, leite adulterado com água oxigenada, cachorros andando sem coleira nas ruas, churrasquinho de felino sendo vendido em novela (os mais jovens provavelmente não vão se lembrar, mas numa novela antiga, havia uma senhora que vendia literalmente gato por lebre). Ah ! E ainda tem o Carnaval, com o couro de gato no tamborim (ou será cuíca ? Minha ignorância sambística impede a afirmação).

E o que fazem os "cats" com as duas vidas sobressalentes ? Provavelmente as usam na aposentadoria, quando já gordos e cansados, mudam-se para um lugar tropical, onde aproveitam os anos da velhice cochilando numa rede de casa de praia ensolarada. Antes tarde do que nunca. Talvez, com um pouco de "sorte", até avistem um camundongo ao vivo pela primeira vez (aargh !).

Coitado do gato brasileiro, além de tudo, "sete" é conta de mentiroso ! No fundo, deve ter só umas três vidas e sai por aí contando vantagem. Se ainda houvesse vaga para gato no Congresso Nacional, poderia ao menos viver uma das vidas com mordomia e candidatar-se a várias reeleições, prolongando-a ao máximo.

Eu particularmente não gosto de gatos (como dizem por aqui, "I'm a dog person"), mas mesmo assim acho uma tremenda injustiça os bichanos conterrâneos serem privados de duas vidas só por serem brazucas. Em tempos de globalização e de proteção aos animais, isso é duplamente incorreto. Será que a SPCA sabe disso ?

23 setembro, 2007

Yes, I'm bragging about my cooking

Num dos programas de final de semana mais odiados pelo Marido Gringo, encontramos uma promoção de "prawns" (camarões grandes), "shrimp" (camarões miudinhos) e "scallops" (depois de muitos anos, finalmente descobri o nome em português de algo que eu nunca tinha visto ou provado no Brasil e que se tornou minha "seafood" favorita: vieiras). E, apesar de a vida sem criadagem ser dura e penosa, fazer pratos elaborados sempre esteve na minha lista de preferências (limpar a bagunça depois é que jamais fará parte da lista).

Então o Marido Cansadíssimo arrasta para o parquinho o Pacotinho de Travessuras (cozinhar com criança abrindo todas as gavetas da cozinha e espalhando os sacos vazios de supermercado pelo chão não acrescenta mais sabor ao prato, somente mais aflição ao cozinheiro) e, quando volta e vê o jantar em cima do fogão, comenta:

- Vou tirar uma foto e mandar para o Fulano (um grande amigo que vive reclamando da comida da esposa que, cá para nós, a gente só come quando eles convidam porque são muito amigos).
- Já tirei, mas é para o blog.

Sem querer ofender os que não comem frutos do mar por motivos de religião, de alergia, de convicção vegetariana ou de pura frescura, a panela de risotto estava pedindo para aparecer no blog, então aqui vai o jantar de domingo, para quem quiser ver que hoje eu posso "brag about my cooking":



25 julho, 2007

Dúvidas Rapidinhas

Quase dois meses depois de terminada minha licença-maternidade, o Departamento de Recursos Humanos liga para o meu setor perguntando se retornei ao trabalho. Fica a dúvida: será que os últimos quatro salários (a gente recebe de 15/15 dias) eles depositaram somente por caridade, já que não tinham certeza de que eu estava trabalhando ?

***

A greve dos lixeiros aqui em Vancouver atingiu o Iglu. A quantidade de lixo na cozinha segunda-feira de tarde era absurda. E eu que pensava que os lixeiros recolhiam o lixo do LADO DE FORA das casas ! Marido Gringo pôs a culpa no Pacotinho de Desorganização, mas sei não...


***

Os aspirantes a imigrantes sem noção e sem inglês talvez não sejam tão sem noção assim ! Esta semana, duas pacientes chinesas que falam tanto inglês quanto eu falo javanês foram confundidas pelo padioleiro. Pedi que ele trouxesse Ms. Chen e ele me aparece na sala de cirurgia com o prontuário de Ms. Chen, mas com Ms. Tong deitada na maca. Ele foi lá na sala de espera, chamou por uma, a outra respondeu, não entendeu xongas do que ele disse, mas concordou em deitar na maca e vir para dentro do centro cirúrgico. Benditas tarjas pregadas no pulso ! Não fossem por elas e por uma certa Enfermeira Brasileira que gosta de tudo bem claro, Ms. Chen teria tido as trompas ligadas, quando na verdade só queria retirar um cisto. E como as duas eram praticamente idênticas (chinesinhas, magrinhas, baixinhas, de touca azul e camisolão de hospital), duvido que o cirurgião tivesse notado a diferença !

Então fica a pergunta: como é possível existirem tantos chineses, indianos e vietnamitas que não falam praticamente NADA de inglês morando nesta cidade se para o processo de imigração é exigida ao menos uma noção básica da língua oficialmente falada nesta terra ?