Porque dinossauro que é dinossauro precisa de uma diabinha por perto...
31 outubro, 2009
Feliz Dia das Bruxas!
O Pacotinho de Halloween queria ser um dinossauro para a festa. Chegou na creche e as princesas (todas as poucas meninas da turma) precisavam de um dragão. "Dragon, come here!". Os meninos queriam que ele fosse um crocodilo. Ele não aguentou a pressão e só mesmo muito pirulito, já que ele não suporta chocolate (deve ter alguma mutação genética para não gostar dos Lindt maravilhosos), para sobreviver a este 31 de outubro.

Porque dinossauro que é dinossauro precisa de uma diabinha por perto...
Porque dinossauro que é dinossauro precisa de uma diabinha por perto...
SAL do Iglu para Eva
O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde para Eva:
Eu fico pasma com a pressa dos brasileiros (aqui não é assim, ainda bem) de tirarem as fraldas das crianças! Um texto que eu gosto muito sobre isso (e sobre palmadas) é do Alexander Lowen, que vou postar a seguir.
"Alexander Lowen é um renomado psiquiatra que trabalha com análise bioenergética, uma forma de psicoterapia que combina o trabalho da mente e do corpo.
Nossa inabilidade para vivenciar a resposta orgástica plena é devida à falta de paixão durante o ato sexual. Freqüentemente, a paixão foi minada muito cedo na vida através de experiências dolorosas nos períodos de desenvolvimento denominados fase e edípica. A fase oral refere-se aos primeiros três anos de vida, quando o bebê precisa de nutrição, e contato amoroso que são supridos pela sua mãe. Durante este período, seu nível de energia está elevado ao grau que torna a paixão possível. Estas necessidades podem ser supridas pelo ato da amamentação, uma vez que isso provê o contato mais íntimo, excitante e satisfatório entre a mãe e o filho.
Uma criança não será privada de comida ou carinho se ela não é amamentada. Mas os bebês precisam sentir o corpo da mãe, para sentir a vida materna e absorver a energia dela. O contato com o corpo materno estimula a respiração do bebê metabolismo.
Outro efeito danoso no nível de excitação de uma pessoa vem da inabilidade dos pais de tolerarem o alto nível de energia numa criança. Eles acusam-na de serem exigente demais, ativa demais ou de querer tudo. Eles acreditam que crianças devem ser vistas e não ouvidas. Com a idade de 3 anos, muitas crianças já sofreram uma grande perda da sua vivacidade. Já vi muitas crianças que parecem apáticas, com olhos sem brilhos e voz fraca, sendo empurradas num carrinho por uma mãe ou babá indiferente.
Um corpo livre de ordens do superego – “seja uma boa menina, obedeça seus pais -color: e não levante a mão para eles” – é um corpo livre de tensão. É uma ordem subentendida na nossa cultura que as crianças precisam controlar seus sentimentos. A ordem pode ser dada como “não perca a cabeça e não deixe seus sentimentos controlarem você”. Algum auto-controle é positivo, mas quando o controle torna-se inconsciente, ele é mantido por tensão muscular crônica e é um processo de auto-destruição. De fato, a tensão associada com o medo de perder a cabeça é responsável por artrite nas vértebras cervicais e dor de cabeça por tensão. Uma tensão similar na base da espinha onde se junta com o osso sacro é a base da maioria das dores lombares. Esta tensão crônica, agindo concomitantemente com a tensão nos músculos, como o quadríceps (na coxa), imobiliza a pelve de forma que ela seja incapaz de se mover espontaneamente.
A pelve imóvel é forçada ou para frente ou para trás. Em seu estado normal, a pelve mexe-se de forma livre para frente e para trás, com o movimento natural do corpo e em harmonia com as ondas respiratórias. No ápice da excitação sexual, os movimentos da pelve tornam-se rápidos e poderosos. Eles não ocorrem se a pelve está imobilizada numa posição ou na outra. Na posição fixa posterior (para trás), a pelve parece estar sempre pronta para ação, denotando claramente contenção do desejo sexual. É mais comum em mulheres, já que nelas a ordem de reprimir os desejos sexuais é mais freqüentemente imposta. Em homens, o distúrbio mais comum é a pelve fixa anterior (para frente), que tem um significado pseudo-agressivo. Trazer a pelve para frente é um movimento sexualmente agressivo, mas uma vez que a pelve está fixa nesta posição, a aparência não condiz com a realidade. A pelve precisa ser puxada para trás para que qualquer movimento para frente torne-se possível. Quando a pelve é mantida para frente, as costas estão curvas e em colapso e parece a atitude de um cão com o rabo entre as pernas. Se a pessoa tem a pelve nesta posição, é geralmente porque foi maltratada. Qualquer forma de abuso físico diminui a natural auto-confiança de alguém, tornando-a medrosa e submissa, mas a forma mais comum de punição que consegue tal efeito é a palmada. Uma criança que leva palmadas vai inevitavelmente trazer a pelve para frente e contrair as nádegas em resposta à dor. Mas o dano vai além do físico. Levar palmadas é uma experiência humilhante que traz severos danos narcisísticos ao ego da criança. Em alguns casos, a criança é forçada a assistir à própria punição ao expor as nádegas nuas, dobrar o corpo para frente, deitar no colo dos pais ou buscar o cinto. No meu ponto de vista, há outras formas de disciplinar uma criança sem recorrer a essa forma sádica de punição. Levar palmadas torna muito difícil para o indivíduo caminhar ereto com orgulho ou caminhar com uma pelve livre.
A maioria das pessoas não está ciente de que tem a pelve fixa. Às vezes elas podem mover-se de forma que aparente estar livre, mas quando não estão fazendo um efeito consciente, voltam à posição fixa. No ato sexual, as pessoas que têm a pelve fixa para frente têm que fazer força para os movimentos sexuais. Os que têm a pelve fixa para trás tendem a restringir seus movimentos.
Aqui um exercício simples para ajudar você a sentir se sua pelve é fixa:
Fique de pé em frente a um espelho, de forma que você possa ver suas costas quando vira a cabeça para trás. Suas costas parecem retas, sua cabeça está erguida, sua pelve para trás? Agora coloque seus pés paralelos um com o outro e cerca de 15 cm de distância separando-os, depois force a pelve para frente. Você consegue ver ou sentir como sua coluna curva-se ou dobra-se, fazendo com que você fique mais baixo? Qual a sensação associada com cada posição? Qual a sua posição habitual?
Agora, quando ficar de pé, dobre seus joelhos levemente e tente deixar sua pelve livre, mexendo como sua mão ao redor do punho. Respire fundo e devagar, tentando sentir a onda respiratória ir profundamente até a pelve. Você sente algum movimento nesta estrutura? Como sente? Consegue sentir ansiedade ao realizar o movimento? Pelas razões mencionadas anteriormente, isso não ocorre com a maioria das pessoas”.
Como vimos, a resposta sexual é afetada pela tensão em qualquer parte do corpo. Mas a habilidade de entregar-se ao orgasmo é particularmente afetada pela tensão no assoalho pélvico. Na maioria das pessoas o assoalho pélvico é mantido tenso por um medo inconsciente de que relaxá-lo pode resultar numa evacuação involuntária. Este medo vem de experiências de desfralde precoce. Quando o treinamento para o desfralde ocorre antes de 2 anos e meio, a criança usa os músculos do assoalho pélvico e as nádegas para controlar a função excretória, já que o esfíncter anal não se torna funcionante antes dessa idade. Mesmo depois que o esfíncter anal já funciona, o medo persiste e mais tarde estende-se para o orgasmo. Uma pessoa não consegue permitir a descarga sexual do orgasmo de forma total porque isso requer livrar-se do auto-controle. Quanto mais cedo uma criança é treinada para o desfralde, maior a tensão no assoalho pélvico. Como resultado, tal treinamento muitas vezes resulta em distúrbios intestinais. Se os pais reagem com o uso de enemas e supositórios, o problema da criança aumenta pela invasão e violação do seu corpo. Já tratei de duas mulheres que foram treinadas para largar as fraldas aos 9 meses de idade e, como conseqüência, sofriam de perda quase completa de sensação na pelve e no assoalho pélvico.
Dois esfíncteres circundam o ânus. O esfíncter interno, que não está sob controle consciente, permanece fechado até que o bolo fecal esteja acumulado e encha o reto. Até este ponto, o esfíncter externo permanece aberto e relaxado. Quando o reto está cheio de fezes e a pessoa sente vontade de evacuar, o esfíncter interno relaxa, enquanto o externo fecha-se bem apertado até que a pessoa esteja em posição de evacuar apropriadamente. Isso significa que na ausência de vontade de defecar, podemos manter o assoalho pélvico relaxado e o esfíncter externo aberto, mas muitas pessoas vivem amedrontadas de que deixar-se levar pela liberação da energia sexual durante o orgasmo poderia resultar numa evacuação involuntária. Em alguns casos, este medo é generalizado em uma ansiedade constante de que “o bumbum vai cair”, como se um evacuação acidental fosse eternamente uma possibilidade.
Na verdade, todos os medos afetam o assoalho pélvico. Um susto pode causar uma contração aguda. Medo contido, por outro lado, pode causar tensão crônica. Mas se não estamos conscientes do medo, não sentiremos a tensão. Para relaxar o assoalho pélvico, precisamos primeiramente estar cientes da extensão em que o mantemos tenso."
Do livro The Spirituality of The Body, Alexander Lowen, M.D."
PS: Mesmo com a reforma ortográfica, nunca se acentuaram as oxítonas terminadas em u ou i, então, pela norma culta, Pituaçu não tem acento, ainda que na placa do parque esteja escrito assim.
Eu fico pasma com a pressa dos brasileiros (aqui não é assim, ainda bem) de tirarem as fraldas das crianças! Um texto que eu gosto muito sobre isso (e sobre palmadas) é do Alexander Lowen, que vou postar a seguir.
"Alexander Lowen é um renomado psiquiatra que trabalha com análise bioenergética, uma forma de psicoterapia que combina o trabalho da mente e do corpo.
Nossa inabilidade para vivenciar a resposta orgástica plena é devida à falta de paixão durante o ato sexual. Freqüentemente, a paixão foi minada muito cedo na vida através de experiências dolorosas nos períodos de desenvolvimento denominados fase e edípica. A fase oral refere-se aos primeiros três anos de vida, quando o bebê precisa de nutrição, e contato amoroso que são supridos pela sua mãe. Durante este período, seu nível de energia está elevado ao grau que torna a paixão possível. Estas necessidades podem ser supridas pelo ato da amamentação, uma vez que isso provê o contato mais íntimo, excitante e satisfatório entre a mãe e o filho.
Uma criança não será privada de comida ou carinho se ela não é amamentada. Mas os bebês precisam sentir o corpo da mãe, para sentir a vida materna e absorver a energia dela. O contato com o corpo materno estimula a respiração do bebê metabolismo.
Outro efeito danoso no nível de excitação de uma pessoa vem da inabilidade dos pais de tolerarem o alto nível de energia numa criança. Eles acusam-na de serem exigente demais, ativa demais ou de querer tudo. Eles acreditam que crianças devem ser vistas e não ouvidas. Com a idade de 3 anos, muitas crianças já sofreram uma grande perda da sua vivacidade. Já vi muitas crianças que parecem apáticas, com olhos sem brilhos e voz fraca, sendo empurradas num carrinho por uma mãe ou babá indiferente.
Um corpo livre de ordens do superego – “seja uma boa menina, obedeça seus pais -color: e não levante a mão para eles” – é um corpo livre de tensão. É uma ordem subentendida na nossa cultura que as crianças precisam controlar seus sentimentos. A ordem pode ser dada como “não perca a cabeça e não deixe seus sentimentos controlarem você”. Algum auto-controle é positivo, mas quando o controle torna-se inconsciente, ele é mantido por tensão muscular crônica e é um processo de auto-destruição. De fato, a tensão associada com o medo de perder a cabeça é responsável por artrite nas vértebras cervicais e dor de cabeça por tensão. Uma tensão similar na base da espinha onde se junta com o osso sacro é a base da maioria das dores lombares. Esta tensão crônica, agindo concomitantemente com a tensão nos músculos, como o quadríceps (na coxa), imobiliza a pelve de forma que ela seja incapaz de se mover espontaneamente.
A pelve imóvel é forçada ou para frente ou para trás. Em seu estado normal, a pelve mexe-se de forma livre para frente e para trás, com o movimento natural do corpo e em harmonia com as ondas respiratórias. No ápice da excitação sexual, os movimentos da pelve tornam-se rápidos e poderosos. Eles não ocorrem se a pelve está imobilizada numa posição ou na outra. Na posição fixa posterior (para trás), a pelve parece estar sempre pronta para ação, denotando claramente contenção do desejo sexual. É mais comum em mulheres, já que nelas a ordem de reprimir os desejos sexuais é mais freqüentemente imposta. Em homens, o distúrbio mais comum é a pelve fixa anterior (para frente), que tem um significado pseudo-agressivo. Trazer a pelve para frente é um movimento sexualmente agressivo, mas uma vez que a pelve está fixa nesta posição, a aparência não condiz com a realidade. A pelve precisa ser puxada para trás para que qualquer movimento para frente torne-se possível. Quando a pelve é mantida para frente, as costas estão curvas e em colapso e parece a atitude de um cão com o rabo entre as pernas. Se a pessoa tem a pelve nesta posição, é geralmente porque foi maltratada. Qualquer forma de abuso físico diminui a natural auto-confiança de alguém, tornando-a medrosa e submissa, mas a forma mais comum de punição que consegue tal efeito é a palmada. Uma criança que leva palmadas vai inevitavelmente trazer a pelve para frente e contrair as nádegas em resposta à dor. Mas o dano vai além do físico. Levar palmadas é uma experiência humilhante que traz severos danos narcisísticos ao ego da criança. Em alguns casos, a criança é forçada a assistir à própria punição ao expor as nádegas nuas, dobrar o corpo para frente, deitar no colo dos pais ou buscar o cinto. No meu ponto de vista, há outras formas de disciplinar uma criança sem recorrer a essa forma sádica de punição. Levar palmadas torna muito difícil para o indivíduo caminhar ereto com orgulho ou caminhar com uma pelve livre.
A maioria das pessoas não está ciente de que tem a pelve fixa. Às vezes elas podem mover-se de forma que aparente estar livre, mas quando não estão fazendo um efeito consciente, voltam à posição fixa. No ato sexual, as pessoas que têm a pelve fixa para frente têm que fazer força para os movimentos sexuais. Os que têm a pelve fixa para trás tendem a restringir seus movimentos.
Aqui um exercício simples para ajudar você a sentir se sua pelve é fixa:
Fique de pé em frente a um espelho, de forma que você possa ver suas costas quando vira a cabeça para trás. Suas costas parecem retas, sua cabeça está erguida, sua pelve para trás? Agora coloque seus pés paralelos um com o outro e cerca de 15 cm de distância separando-os, depois force a pelve para frente. Você consegue ver ou sentir como sua coluna curva-se ou dobra-se, fazendo com que você fique mais baixo? Qual a sensação associada com cada posição? Qual a sua posição habitual?
Agora, quando ficar de pé, dobre seus joelhos levemente e tente deixar sua pelve livre, mexendo como sua mão ao redor do punho. Respire fundo e devagar, tentando sentir a onda respiratória ir profundamente até a pelve. Você sente algum movimento nesta estrutura? Como sente? Consegue sentir ansiedade ao realizar o movimento? Pelas razões mencionadas anteriormente, isso não ocorre com a maioria das pessoas”.
Como vimos, a resposta sexual é afetada pela tensão em qualquer parte do corpo. Mas a habilidade de entregar-se ao orgasmo é particularmente afetada pela tensão no assoalho pélvico. Na maioria das pessoas o assoalho pélvico é mantido tenso por um medo inconsciente de que relaxá-lo pode resultar numa evacuação involuntária. Este medo vem de experiências de desfralde precoce. Quando o treinamento para o desfralde ocorre antes de 2 anos e meio, a criança usa os músculos do assoalho pélvico e as nádegas para controlar a função excretória, já que o esfíncter anal não se torna funcionante antes dessa idade. Mesmo depois que o esfíncter anal já funciona, o medo persiste e mais tarde estende-se para o orgasmo. Uma pessoa não consegue permitir a descarga sexual do orgasmo de forma total porque isso requer livrar-se do auto-controle. Quanto mais cedo uma criança é treinada para o desfralde, maior a tensão no assoalho pélvico. Como resultado, tal treinamento muitas vezes resulta em distúrbios intestinais. Se os pais reagem com o uso de enemas e supositórios, o problema da criança aumenta pela invasão e violação do seu corpo. Já tratei de duas mulheres que foram treinadas para largar as fraldas aos 9 meses de idade e, como conseqüência, sofriam de perda quase completa de sensação na pelve e no assoalho pélvico.
Dois esfíncteres circundam o ânus. O esfíncter interno, que não está sob controle consciente, permanece fechado até que o bolo fecal esteja acumulado e encha o reto. Até este ponto, o esfíncter externo permanece aberto e relaxado. Quando o reto está cheio de fezes e a pessoa sente vontade de evacuar, o esfíncter interno relaxa, enquanto o externo fecha-se bem apertado até que a pessoa esteja em posição de evacuar apropriadamente. Isso significa que na ausência de vontade de defecar, podemos manter o assoalho pélvico relaxado e o esfíncter externo aberto, mas muitas pessoas vivem amedrontadas de que deixar-se levar pela liberação da energia sexual durante o orgasmo poderia resultar numa evacuação involuntária. Em alguns casos, este medo é generalizado em uma ansiedade constante de que “o bumbum vai cair”, como se um evacuação acidental fosse eternamente uma possibilidade.
Na verdade, todos os medos afetam o assoalho pélvico. Um susto pode causar uma contração aguda. Medo contido, por outro lado, pode causar tensão crônica. Mas se não estamos conscientes do medo, não sentiremos a tensão. Para relaxar o assoalho pélvico, precisamos primeiramente estar cientes da extensão em que o mantemos tenso."
Do livro The Spirituality of The Body, Alexander Lowen, M.D."
PS: Mesmo com a reforma ortográfica, nunca se acentuaram as oxítonas terminadas em u ou i, então, pela norma culta, Pituaçu não tem acento, ainda que na placa do parque esteja escrito assim.
29 outubro, 2009
SAL do Iglu para Maxie
O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde para Maxie, que perguntou Aqui no Brasil podemos entrar em uma farmácia e comprar um remédio para resfriado, um xarope, um antialérgico sem precisar de receita, o que facilita na hora de comprar os medicamentos de uso comum. Como isso funciona no Canadá? Eu posso entrar e comprar ou preciso de receita médica para tudo?
Aqui não se vende antibiótico sem receita médica. Você pode comprar sem receita analgésicos, alguns anti-inflamatórios (paracetamol e ibuprofeno, mas não tem dipirona), xaropes para tosse e alguns antialérgicos.
Se me permite, acho que uma das maiores vantagens de morar aqui é que a gente fica menos hipocondríaco, passa a depender menos de médicos e de automedicação. Criança saudável nem tem pediatra que a acompanhe e passa meses sem ir a médico nenhum. Eu sempre fui contra medicamentos para resfriado, que afinal de contas é uma virose e cura-se em 7 dias com medicação e em uma semana sem medicação. Também nunca fui a favor de xarope para diminuir a tosse, que é a forma do organismo de colocar para fora as secreções. O conceito de "medicamentos de uso comum" varia de uma família para outra, mas acho que os que você citou são encontrados aqui com facilidade.
Aqui não se vende antibiótico sem receita médica. Você pode comprar sem receita analgésicos, alguns anti-inflamatórios (paracetamol e ibuprofeno, mas não tem dipirona), xaropes para tosse e alguns antialérgicos.
Se me permite, acho que uma das maiores vantagens de morar aqui é que a gente fica menos hipocondríaco, passa a depender menos de médicos e de automedicação. Criança saudável nem tem pediatra que a acompanhe e passa meses sem ir a médico nenhum. Eu sempre fui contra medicamentos para resfriado, que afinal de contas é uma virose e cura-se em 7 dias com medicação e em uma semana sem medicação. Também nunca fui a favor de xarope para diminuir a tosse, que é a forma do organismo de colocar para fora as secreções. O conceito de "medicamentos de uso comum" varia de uma família para outra, mas acho que os que você citou são encontrados aqui com facilidade.
28 outubro, 2009
Carta de Outubro
"Filhote,
Passamos quase o mês de outubro inteiro no Brasil. Você foi muito bem comportado em todos os voos. Nos da volta, parecia um adulto paciente e compenetrado. Não tivemos nenhum incidente com Tic-Tac no nariz, como na viagem anterior, ufa! Você estava feliz da vida por voltar, dizia a todos os funcionários do aeroporto "eu mora na Canadá, vou pro meu casa". No último dos 3 voos, você abraçou muito a Mamãe, dizendo "é meu, é meu, é meu". "O que é seu?" "É meu Mamãe, eu te amo". Visivelmente agradecido por ela estar trazendo-o de volta para sua casa.
Mamãe ficou surpresa ao perceber que você reconheceu todas as nossas malas na esteira de bagagem, tanto na ida quanto na volta. Em Salvador, sabia que só tínhamos levado uma, nem procurou pelas outras!
Você sentiu muito a falta do seu pai. Antes da viagem, quando percebeu que ele não ia, reclamou e ficou bravo. Passou a fazer xixi na cama de noite por uns 10 dias e voltamos com as fraldas. Sem chance de sua mãe deixar você acordar frio e molhado, tendo que trocar de pijama no meio da noite (lembre-se disso quando ela estiver velhinha e molhando a roupa de noite). Uma amiga da Mamãe que é terapeuta explicou que era a sua forma de expressar a raiva porque seu pai não iria conosco, algo positivo, porque não é saudável sentir raiva e não manifestar de alguma forma. E ela estava certa, porque foi só embarcar no avião que você não fez mais xixi na cama, acordava e pedia para ir ao banheiro. As fraldas noturnas foram reaposentadas.
Você perguntou pelo seu pai todos os dias. Bastava alguém falar nele, que você dizia "eu quero meu pai". Repetia "meu pai está na Europa". Na última semana, passou a dizer diariamente "eu quero meu casa, eu quero meus brinquedos".
Você adorou seus primos, houve poucas brigas desta vez. A maioria envolvendo brinquedos. O saldo final foi de muito mais abraços do que conflitos.
Estas foram as férias dos pernilongos. Em Brasília, mesmo com aquele repelente nas tomadas, você levou inúmeras picadas nos braços e nas pernas. Aí fomos a Salvador, Mamãe passou repelente nas suas pernas e braços, então eles atacaram sua testa. Foram umas 15 picadas, que ficaram vermelhas e inchadas, quentes, pareciam início de catapora. Dava pena. De volta a Brasília, foi picado no olho, que ficou roxo e inchado, como se tivesse levado um murro. Como havia caído da escada do beliche dias antes e já estava com uma bochecha roxa, Mamãe ficou preocupada que alguém chamasse o Conselho Tutelar. Fomos ao médico e ele passou um antialérgico, em dois dias já estava normal.
Em Salvador, você se apaixonou pelas cadelinhas dos nossos anfitriões. Passava o dia procurando pela Clarinha, mas quando ela chegava perto e dava aquelas mordidinhas de filhote de cachorro com 45 dias de vida, você ficava com medo. E gostou muito da Morena, uma cadela mais velha, que já não morde nem arranha ninguém.
Também viveu uma relação de tapas e beijos (mais tapas que beijos) com o Luã, o filho dos donos da casa, alguns meses mais novo que você, que disputava os mesmos brinquedos. Até hoje, quando vê as fotos, fala "Luã bateu". Luã fala tatibitáti e você pegou o hábito de corrigi-lo. Ele dizia "téio Tainha" e você já falava "não é Tainha, é CLA-RI-NHA". Definitivamente não nega o DNA, que Mamãe na sua idade fazia a mesma coisa, segundo a lenda familiar. Por outro lado, você caiu de amores pelo Ravi, o bebezinho da casa. Com ele, foram só beijos e amassos. Também adorou o Apagão, o rapaz jardineiro-eletricista-faz tudo da casa, que Mamãe adoraria importar para o Iglu e que tem a maior paciência e energia com crianças pequenas.
Em Salvador, o Luã queria cantar uma música da capoeira. Pediu a do sapo, a mãe dele disse que não sabia e você, no mesmo instante, interrompeu: "meu mãe sabe. Sapo cururu, na beira do rio, quando o sapo canta, ó maninha, é porque tem frio..." Santos CDs de música brasileira que ouvimos no carro!
Até hoje, quando alguém fala em peixes, você diz "eu vi peixe na Salvador". Foi no parque de Pituaçu (espero que seja este mesmo o nome), onde vimos muitos peixes no lago.
Na casa em que ficamos em Salvador, aparecem pela manhã alguns saguis, que moram na mata ao lado e surgem nas árvores querendo pedaços de bananas. Você nunca tinha visto macaquinhos soltos antes. Na volta, no aerporto, havia um cartaz do IBAMA, com um mico engaiolado e uma mensagem que, obviamente, você não sabia ler. Você comentou "macaquinho está triste. Não quer ficar na gaiola, quer ficar com mamãe dele, na árvore da casa da Tia Dany". Nota 10 para a sensibilidade, provavelmente a maior lição que você aprendeu nesta viagem.
Na praia, você nem chegou perto do mar. Ficou brincando numa piscinha de plástico, fornecida pela barraca, que também serviu deliciosos petiscos e água de coco fresca, o tipo da mordomia da qual Mamãe tanto sente falta nas praias daqui.
Seu português melhorou muito. Você voltou pensando em português, formando frases bem longas. Como diz sua Santa Tia, mesmo com 50% de chance de acertar os artigos e pronomes, você erra em quase 100% das vezes. É "meu barriga está doendo", "este é meu mochila", "quero ver uma desenho", mas isso é um detalhe. Você chegava no balcão da padaria e pedia "quero um picolé de morango" e a moça nem percebia seu sotaque de gringo. Mamãe fica muito orgulhosa de você, que conseguiu se comunicar no Brasil, entendeu tudo o que falavam e aprendeu frases novas todos os dias. É interessante notar as expressões que você adquiriu lá, já que aqui, a maior fonte de contato com a língua vem somente da Mamãe. Ontem mesmo tivemos o seguinte diálogo, às cinco da manhã (acordamos todos muito cedo pela diferença do fuso horário):
- Mamãe vai trabalhar.
- Não pode trabalhar de noite. Está escuro. Só pode de dia.
- Mas vai ficar de dia.
- Não pode sair de pijama.
- Mamãe vai trocar de roupa.
- Isso mesmo!
Ontem você vestiu um pijama com vários bichos e comentou "um monte de bichinho. Tem jacaré, leão, macaco, gato..." Não tinha gato, Mamãe explicou que era um guaxinim e você "é guaxinim, é uma gato bem legal". Sua voz é uma graça, fininha, sua Santa Tia diz que parece de personagem de desenho animado.
Nunca usamos os termos "inglês" e "português", então Mamãe achou interessante que você tenha descoberto por si mesmo. Assistindo à TV em Brasília, ao ver um mesmo personagem que já conhecia do Canadá, comentou "O Mr. Maker sabe falar inglês".
Você voltou falando com seu pai em português e misturando um pouco as línguas, mas nada que em 2 dias não mude.
Nos últimos dias em Brasília, você ficou bem grudado na Mamãe. Se ela saía de casa, você queria ir junto. Foi com ela ao salão, à padaria, ao supermercado... Parecia que estava com medo de ela ir embora e você ficar para trás.
Amanhã é a festa de Halloween na creche. Você será um dragão, mas chama a fantasia de dinossauro.
Todos no Brasil ficaram impressionados com seu pouco apetite e o limitado cardápio. Baka ontem já falou que você emagreceu durante a viagem e passou o dia oferecendo as coisas que você come.
Hoje você foi à creche. Não queria ir, mas chegou lá e ficou feliz ao rever os amigos. Houve um caso de H1N1 lá, mas Mamãe confessa que ficou estressada mesmo quando informaram que tinha havido um caso de piolhos. Coisas de uma mãe nada hipocondríaca, mas que morre de nojo de pilhos!
Mamãe curtiu muito a viagem, reviu muitas amigas de infância e adolescência, mas você estava doido para voltar. Da próxima vez, seu pai vai junto e aí talvez você aproveite mais.
Como diria você, com sua vozinha deliciosa, "eu te amo também",
Mamãe."
De Volta ao Iglu
Chegamos! Felizmente, não somente nós, mas também todas as malas identificadas com buquês de fitinhas coloridas do Senhor do Bonfim, as muambas culinárias (azeite de dendê, farinha de Nazaré das Farinhas, queijo coalho - sim, nós passamos por Salvador) e outras muambas em geral (livros, DVDs infantis, esmaltes transparentes, acetona e algodão de verdade - sempre me perguntei o porquê de existir aquela bolinha sintética vendida aqui, que não é algodão coisa nenhuma).
Havia carregador de malas em Toronto! Quase pulei no colo do homem de felicidade, mesmo cobrando 10 dólares e não dando troco para uma nota de 20, o trabalho de tirar as malas enormes da esteira e levar para o outro lado vale o preço inflacionado.
Vancouver nos recebeu com um céu maravilhoso, nem foi preciso vestir casaco extra.
Humm... O Pacotinho de Saudade (passou 3 semanas repetindo "quero meu pai, quero meu casa") comportou-se como um adulto paciente e educado a viagem inteira, as malas todas chegaram direitinho, o vidro de cachaça para o sogro não quebrou, estava fazendo um dia lindo em outubro, a cidade ainda está com cara de outono exibindo árvores multicoloridas... Alguma coisa tinha que dar errado, senão seriam a vida e o blog de outra pessoa.
A Telus, a companhia telefônica que em 2005 ficou em greve e me deixou sem telefone por eternos 60 dias (juro que tentei encontrar o post de 2005, mas não achei), resolveu dar pau no telefone do Iglu. Como sou o equivalente a um reles protozoário na cadeia de evolução dos conhecimentos tecnológicos, jamais imaginaria que meu indispensável amigo TiVo era dependente da linha telefônica. Conclusão: nenhum programa gravado nesta temporada longe do Iglu! Nada de The Biggest Loser, Grey's Anatomy, Desperate Housewives... Já foi tudo consertado, mas o que foi perdido não é recuperável.
São 3:30 da manhã e, depois de ter apagado às 17:30 por conta da diferença do fuso e do cansaço, só me resta esperar um pouquinho e ir trabalhar.
Havia carregador de malas em Toronto! Quase pulei no colo do homem de felicidade, mesmo cobrando 10 dólares e não dando troco para uma nota de 20, o trabalho de tirar as malas enormes da esteira e levar para o outro lado vale o preço inflacionado.
Vancouver nos recebeu com um céu maravilhoso, nem foi preciso vestir casaco extra.
Humm... O Pacotinho de Saudade (passou 3 semanas repetindo "quero meu pai, quero meu casa") comportou-se como um adulto paciente e educado a viagem inteira, as malas todas chegaram direitinho, o vidro de cachaça para o sogro não quebrou, estava fazendo um dia lindo em outubro, a cidade ainda está com cara de outono exibindo árvores multicoloridas... Alguma coisa tinha que dar errado, senão seriam a vida e o blog de outra pessoa.
A Telus, a companhia telefônica que em 2005 ficou em greve e me deixou sem telefone por eternos 60 dias (juro que tentei encontrar o post de 2005, mas não achei), resolveu dar pau no telefone do Iglu. Como sou o equivalente a um reles protozoário na cadeia de evolução dos conhecimentos tecnológicos, jamais imaginaria que meu indispensável amigo TiVo era dependente da linha telefônica. Conclusão: nenhum programa gravado nesta temporada longe do Iglu! Nada de The Biggest Loser, Grey's Anatomy, Desperate Housewives... Já foi tudo consertado, mas o que foi perdido não é recuperável.
São 3:30 da manhã e, depois de ter apagado às 17:30 por conta da diferença do fuso e do cansaço, só me resta esperar um pouquinho e ir trabalhar.
08 outubro, 2009
Os Pássaros
Em sua temporada na Capital Nacional das Cigarras (quiçá, capital mundial), os moradores locais inconvenientes que atormentaram o Pacotinho de Férias foram, quem diria, uns passarinhos.
Enquanto passava pelo parquinho, a Mamãe achou estranho um passarinho pouco maior que um pardal dar um voo rasante sobre sua cabeça, encostando as asas no cabelo dela. Seria um passarinho cego? Geralmente eles fogem da gente, não voam ao nosso encontro. Mais duas esbarradas depois, ficou óbvio que se tratava de um ataque à la Hitchcock e não de um passarinho estabanado.
E aí, quando o Pacotinho de Macaquices pendura-se no trepa-trepa, vem de novo um dos passarinhos (estavam trabalhando em dupla) e dá uma bicada nas costas do menino. Ele ameaça choramingar, faz cara de medo e desce. No chão, já cheio de coragem (por julgar-se em posição segura) levanta o dedo indicador e fala com voz de autoridade:
- Pára com isso, Passarinho!
Chegando em casa, narra para todos o ocorrido:
- Foi o passarinho bravo.
- O que ele fez?
- Mordeu.
(vira-se para mostrar as costas)
- O que você falou pra ele?
- Não pode morder meu camisa.
Bom mesmo foi o parecer do nosso enviado especial de Paris, o Pai do Pacotinho de Férias, que entende tanto de ornitologia quanto eu de Física Quântica e concluiu:
- Que estranho, lá em Vancouver também tem uns passarinhos que atacam no parquinho, mas só avançam nas mulheres.
Em tempo: um entendido de verdade avisou tratar-se de um Quero-quero, uma espécie que faz ninhos no chão e ataca os passantes, para proteger os ovos ou os filhotes no ninho.
Como está mudado este Quadradinho! Vim preparada para as picadas de pernilongo e os inevitáveis xixis de cigarra na primavera, mas ataque de passarinho é uma modernidade que não existia aqui na minha áurea juventude. Teria sido coisa do Lula?
Enquanto passava pelo parquinho, a Mamãe achou estranho um passarinho pouco maior que um pardal dar um voo rasante sobre sua cabeça, encostando as asas no cabelo dela. Seria um passarinho cego? Geralmente eles fogem da gente, não voam ao nosso encontro. Mais duas esbarradas depois, ficou óbvio que se tratava de um ataque à la Hitchcock e não de um passarinho estabanado.
E aí, quando o Pacotinho de Macaquices pendura-se no trepa-trepa, vem de novo um dos passarinhos (estavam trabalhando em dupla) e dá uma bicada nas costas do menino. Ele ameaça choramingar, faz cara de medo e desce. No chão, já cheio de coragem (por julgar-se em posição segura) levanta o dedo indicador e fala com voz de autoridade:
- Pára com isso, Passarinho!
Chegando em casa, narra para todos o ocorrido:
- Foi o passarinho bravo.
- O que ele fez?
- Mordeu.
(vira-se para mostrar as costas)
- O que você falou pra ele?
- Não pode morder meu camisa.
Bom mesmo foi o parecer do nosso enviado especial de Paris, o Pai do Pacotinho de Férias, que entende tanto de ornitologia quanto eu de Física Quântica e concluiu:
- Que estranho, lá em Vancouver também tem uns passarinhos que atacam no parquinho, mas só avançam nas mulheres.
Em tempo: um entendido de verdade avisou tratar-se de um Quero-quero, uma espécie que faz ninhos no chão e ataca os passantes, para proteger os ovos ou os filhotes no ninho.
Como está mudado este Quadradinho! Vim preparada para as picadas de pernilongo e os inevitáveis xixis de cigarra na primavera, mas ataque de passarinho é uma modernidade que não existia aqui na minha áurea juventude. Teria sido coisa do Lula?
05 outubro, 2009
Chegamos!
Depois de desativar a maluquice do corretor do google, nova tentativa:
Receita para uma viagem longa incluindo vários voos, com uma criança ativa de 3 anos de idade:
"- Uma mochila de escalar o Himalaia;
- Vários brinquedinhos silenciosos, na embalagem original, espalhados pelos diversos bolsinhos da mochila;
- Massinha de modelar que não gruda e forminhas para fazer o-que-quer-que seja;
- Folhas de papel;
- Adesivos Diversos;
- Giz de cera;
- Barrinhas de cereais, pipoca (se você não é neurótica com engasgo e já sobreviveu a um voo com a mesma criança que entalou uma balinha Tic Tac no nariz);
- Cereal seco ou biscoitos e frutas;
- Uma muda de roupas para trocar, porque reza a Lei de Murphy que, se você tiver levado só uma camisa, o anjinho vai derramar suco na roupa;
- O cobertor favorito da criança;
- Um iPod com desenhos animados;
- Um travesseiro;
- Um carrinho de passeio (sim, ele já tem 3 anos e sabe andar, mas acompanha o passo da mãe ligada no 220V? Ele vai caminhar em 10 minutos uma distância equivalente do Leme ao Pontal, que é quase a mesma do portão de onde o avião chega em Toronto e de onde sai o próximo?)
Modo de fazer:
Nos dias que antecedem a viagem, vá à loja de 1 dólar e compre as bugigangas. Esconda tudo. Se a criança vir, vai querer abrir os brinquedos na hora. A massinha compre numa loja boa, porque massinha vagabunda gruda mais.
Arrume tudo na mochila. Encaixe o travesseiro na alça da mochila superior, pendure uma garrafinha de metal no fecho e ensaie pela casa, carregando-a nas costas. Sua aparência não importa, contanto que nada caia enquanto você caminha. Leve também uma mochilinha para a criança, com coisas que ela gosta de comer e um livrinho para colorir.
Recipientes com líquidos que ultrapassem 100 ml serão confiscados, porque a regra diz que somente crianças abaixo de 2 anos sentem sede antes de passar para a área de embarque. Nem perca tempo, leve uma garrafinha vazia e encha-a depois da fiscalização.
Chegue ao aeroporto com 3 horas de antecedência, após discutir com a sogra e o sogro que não é exagero chegar tão cedo, que você é mineira e não perde o trem (mesmo se os sogros forem gringos que não sabem português, nunca ouviram falar em Minas Gerais e que ainda acham que a fiscalização é rápida, mesmo tantos anos após o atentado de NY).
Bote seu pimpolho para brincar e gastar energia pelo aeroporto. Não caia na besteira de ser a primeira a embarcar. Deixe o moleque correr bastante, o lugar está marcado mesmo, suas tralhas vão sob o banco do passageiro da frente e não lá em cima no bagageiro, onde ficam inalcançáveis quando o aviso de colocar o cinto de segurança está ligado. Agora sim, para que pressa de entrar?
E aí, calmamente sentada e acomodada, comece a distrair a criança. Se der sorte e estiver numa daquelas aeronaves com monitores individuais em cada poltrona, nem precisa gastar a bateria do iPod, guarde para o voo num avião que não tenha esta facilidade. Coloque no canal infantil e relaxe, que o voo diurno é o pior de todos.
No voo noturno, arrume seu travesseiro no colo, o cobertor e não mencione a palavra dormir. O menino deve capotar até depois que o avião pousar, sem medicação alguma.
O pior voo é geralmente o último, então garanta que alguns brinquedos só sejam abertos no final."
PS: Convença, insista, peça que seu rebento vá ao banheiro antes de entrar na fila. Provavelmente não vai adiantar nada e, assim que chegar na fila infinita da fiscalização, ele vai falar bem alto "Eu preciso de ir fazer xixi" e mesmo assim ninguém vai ceder a vez, porque a criança não vai ter a consideração de fazer isso já em território brasileiro, aquela criaturinha inconveniente.
*
A viagem foi um sucesso. O Pacotinho de Viagens Múltiplas comportou-se como um lorde. Não chorou para se despedir do pai, não entornou nada na roupa ou reclamou. Assistiu a seus desenhos favoritos, colocou o cinto, dormiu 9 horas seguidas no voo noturno, carregou sua mochila e entregou-a direitinho na fiscalização. E ainda entrou no voo até Toronto avisando a todos, em tradução capenga "I´m going to THE Brazil". Chegou meio emburrado em São Paulo, mas foi o primeiro a reconhecer nossas malas na esteira (nem são estampadas de oncinha, mas pretas e vermelhas básicas). E duvidou que o avião não estivesse pousando Brasil quando chegamos a Brasília, espiando pela janelinha, "cadê o Brasil? Não estou vendo". É nisso que dá mostrar para a criança uma bandeira do Brasil, ele pensa que Brasil é só uma bandeira, nem é um lugar.
Agradecimentos especiais aos inventores do iPod, dos monitores de TV individuais no avião e dos kits portáteis de massinha com vários moldes pequenos.
E continua Pasárgada verde e linda, com seu barulho típico desta época do ano, o das cigarras como fundo musical.
Receita para uma viagem longa incluindo vários voos, com uma criança ativa de 3 anos de idade:
"- Uma mochila de escalar o Himalaia;
- Vários brinquedinhos silenciosos, na embalagem original, espalhados pelos diversos bolsinhos da mochila;
- Massinha de modelar que não gruda e forminhas para fazer o-que-quer-que seja;
- Folhas de papel;
- Adesivos Diversos;
- Giz de cera;
- Barrinhas de cereais, pipoca (se você não é neurótica com engasgo e já sobreviveu a um voo com a mesma criança que entalou uma balinha Tic Tac no nariz);
- Cereal seco ou biscoitos e frutas;
- Uma muda de roupas para trocar, porque reza a Lei de Murphy que, se você tiver levado só uma camisa, o anjinho vai derramar suco na roupa;
- O cobertor favorito da criança;
- Um iPod com desenhos animados;
- Um travesseiro;
- Um carrinho de passeio (sim, ele já tem 3 anos e sabe andar, mas acompanha o passo da mãe ligada no 220V? Ele vai caminhar em 10 minutos uma distância equivalente do Leme ao Pontal, que é quase a mesma do portão de onde o avião chega em Toronto e de onde sai o próximo?)
Modo de fazer:
Nos dias que antecedem a viagem, vá à loja de 1 dólar e compre as bugigangas. Esconda tudo. Se a criança vir, vai querer abrir os brinquedos na hora. A massinha compre numa loja boa, porque massinha vagabunda gruda mais.
Arrume tudo na mochila. Encaixe o travesseiro na alça da mochila superior, pendure uma garrafinha de metal no fecho e ensaie pela casa, carregando-a nas costas. Sua aparência não importa, contanto que nada caia enquanto você caminha. Leve também uma mochilinha para a criança, com coisas que ela gosta de comer e um livrinho para colorir.
Recipientes com líquidos que ultrapassem 100 ml serão confiscados, porque a regra diz que somente crianças abaixo de 2 anos sentem sede antes de passar para a área de embarque. Nem perca tempo, leve uma garrafinha vazia e encha-a depois da fiscalização.
Chegue ao aeroporto com 3 horas de antecedência, após discutir com a sogra e o sogro que não é exagero chegar tão cedo, que você é mineira e não perde o trem (mesmo se os sogros forem gringos que não sabem português, nunca ouviram falar em Minas Gerais e que ainda acham que a fiscalização é rápida, mesmo tantos anos após o atentado de NY).
Bote seu pimpolho para brincar e gastar energia pelo aeroporto. Não caia na besteira de ser a primeira a embarcar. Deixe o moleque correr bastante, o lugar está marcado mesmo, suas tralhas vão sob o banco do passageiro da frente e não lá em cima no bagageiro, onde ficam inalcançáveis quando o aviso de colocar o cinto de segurança está ligado. Agora sim, para que pressa de entrar?
E aí, calmamente sentada e acomodada, comece a distrair a criança. Se der sorte e estiver numa daquelas aeronaves com monitores individuais em cada poltrona, nem precisa gastar a bateria do iPod, guarde para o voo num avião que não tenha esta facilidade. Coloque no canal infantil e relaxe, que o voo diurno é o pior de todos.
No voo noturno, arrume seu travesseiro no colo, o cobertor e não mencione a palavra dormir. O menino deve capotar até depois que o avião pousar, sem medicação alguma.
O pior voo é geralmente o último, então garanta que alguns brinquedos só sejam abertos no final."
PS: Convença, insista, peça que seu rebento vá ao banheiro antes de entrar na fila. Provavelmente não vai adiantar nada e, assim que chegar na fila infinita da fiscalização, ele vai falar bem alto "Eu preciso de ir fazer xixi" e mesmo assim ninguém vai ceder a vez, porque a criança não vai ter a consideração de fazer isso já em território brasileiro, aquela criaturinha inconveniente.
*
A viagem foi um sucesso. O Pacotinho de Viagens Múltiplas comportou-se como um lorde. Não chorou para se despedir do pai, não entornou nada na roupa ou reclamou. Assistiu a seus desenhos favoritos, colocou o cinto, dormiu 9 horas seguidas no voo noturno, carregou sua mochila e entregou-a direitinho na fiscalização. E ainda entrou no voo até Toronto avisando a todos, em tradução capenga "I´m going to THE Brazil". Chegou meio emburrado em São Paulo, mas foi o primeiro a reconhecer nossas malas na esteira (nem são estampadas de oncinha, mas pretas e vermelhas básicas). E duvidou que o avião não estivesse pousando Brasil quando chegamos a Brasília, espiando pela janelinha, "cadê o Brasil? Não estou vendo". É nisso que dá mostrar para a criança uma bandeira do Brasil, ele pensa que Brasil é só uma bandeira, nem é um lugar.
Agradecimentos especiais aos inventores do iPod, dos monitores de TV individuais no avião e dos kits portáteis de massinha com vários moldes pequenos.
E continua Pasárgada verde e linda, com seu barulho típico desta época do ano, o das cigarras como fundo musical.
04 outubro, 2009
O que é isso?
Tentando escrever de Pasárgada, sobre os voos tranquilos eo Pacotinho de Comportamento Exemplar três voos em, com uma lista de tralhas para uma viagem de sucesso com criança de 3 anos uma Tiracolo, mas este computador da terrinha tem uma coisa antipática chamada "A Barra de Ferramentas Google fez uma tradução automática desta página para o Português ", que fica mudando uma das palavras de ordem, traduzindo tudo, substituindo todos os" um "por" uma ". Depois de corrigir tudo pensando "será que eu escrevi isso nesta ordem maluca? Gringa virado Terei?", Percebi que era um complô dos astros contra mim, desenvolvi toda uma teoria da conspiração dos Criadores do Google e desisti.
Qualquer palavra fora de ordem, aspas fora de lugar e bagunça espalhada pela casa da Santa Irmã, favor reclamar com os responsáveis pelo Blogger e pelo Google.
Qualquer palavra fora de ordem, aspas fora de lugar e bagunça espalhada pela casa da Santa Irmã, favor reclamar com os responsáveis pelo Blogger e pelo Google.
01 outubro, 2009
Vou-me Embora pra Pasárgada

Cada hora do último dia de trabalho antes das férias pareceu durar 300 minutos.
Teve reunião para falar dos transtornos das futuras Olimpíadas. O comitê "olímpico" do hospital vai organizar uma página na internet para que as pessoas possam ir trabalhar de carona umas com as outras, mas o melhor foi a sugestão de usar a bicicleta. Só esqueceram de avisar ao comitê que os jogos são em fevereiro e que ano passado na mesma época nevou muito.
Na reunião, foi avisado que um dos maiores medos de quem trabalha em sala de cirurgia concretizou-se na semana passada. Ali, na sala ao lado e a Rádio Corredor nem divulgou. Um paciente que chegou para ter um pé operado acabou por engano tendo a cirurgia do outro lado. Por sorte, a pessoa tinha o mesmo problema dos dois lados e eventualmente precisaria da intervenção no outro pé. Ainda assim, que susto! Geralmente quem chega para uma cirurgia costuma ter medo da anestesia, mas meu medo era de que me deixassem cair da cama ou me operassem do lado errado, porque como diria Michael Jackson, um sono com Propofol é muito gostoso.
Como parecia que o dia jamais acabaria, teve até Code Black. "E que diabos é code black?" - perguntavam-se todos, procurando no verso do crachá a descrição de todas as cores. "Ameaça de bomba no prédio". Ai, justamente hoje, ainda aparece isso para atrasar tudo! "Culpa das Olimpíadas", disse algum dos muitos que culparão os jogos até se a avó escorregar na banheira de casa e quebrar o quadril daqui para frente. A orientação era de cada um voltar para o seu departamento e procurar por uma bomba. "E eu lá sei como uma bomba de verdade se parece? Só conheço aquelas do desenho do Papaléguas!" Em seguida, avisaram um Code Red, que é incêndio e já não assusta mais ninguém, ocorrendo no mínimo 2 vezes toda semana. "Será que a bomba explodiu?" Passados 10 minutos, avisaram um Cod Yellow, que é paciente desaparecido. "Teria sido ele o autor da denúncia ou o próprio terrorista?" No final das contas, nem tinha bomba nenhuma, era só para o dia ficar mais arrastado.
Mas o dia acabou. Já dá para sentir o aroma na churrascaria a rodízio e cheiro de acetona da manicure baratinha.
Você sabe que é hora de voltar para Pasárgada quando alguém oferece de esperá-la no aeroporto, alegando que mora perto de Cumbica e você, num surto de gringuice, diz "ah, mas eu vou passar pelo aeroporto de Guarulhos, que deve ficar muito longe de Cumbica". É o tipo da leseira que só se cura com pão de queijo fresco e água de coco direto da fonte, de preferência, trazidos na bandeja pela empregada de alguém. Nem me venha falar que por aqui dá para fazer pão de queijo com parmesão e que tem água de coco de caixinha no supermercado!
Morrendo de medo de ultrapassar o limite de peso nas bagagens, já dá para lembrar Manoel Bandeira, "vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei". E das empregadas do rei!
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