Eu também levei um choque ao descobrir que os pacientes não precisam tomar banho antes das cirurgias ou durante a internação. Digamos que banho é tido como um conceito "highly overrated" por aqui.
No caso do rapaz com apendicite supurada e rota, ainda há uma desculpa porque foi uma cirurgia de emergência e, entre a vida e o risco de infecção aumentado, opta-se pela vida. A gente esfrega o local da cirurgia com uma solução antisséptica antes de o corte ser feito e o anestesista dá uma dose básica de antibiótico profilático. O fato de ele ter saído de alta 3 dias depois, ainda fedendo a lixo é algo não incomum por estas bandas.
"Don't even get me started" no controle de infecção hospitalar por aqui ! Todos os quatro hospitais onde trabalhei no Brasil (dois privados e dois públicos) davam de dez neste quesito, em comparação com o hospital onde trabalho.
29 setembro, 2007
28 setembro, 2007
I spy with my little eye...
Quem, como eu, assistiu ao episódio de Grey's Anatomy ontem e ficou decepcionado com a monotonia e com aquela besteirada da Izzie (ou Izzy ?) ressuscitando um veado atropelado deveria ter ido trabalhar comigo hoje.
O hospital onde eu trabalho fica no centro de Vancouver. É um prédio quadrado, com vista para quatro direções diferentes. Sou péssima em pontos cardeais, então vou dizer que a minha antiga enfermaria no décimo andar tinha uma vista de 1 milhão de dólares para o mar e as montanhas (na verdade, com o preço dos imóveis aqui, a vista era de uns 10 milhões de dólares). Ah ! Lembrei que as montanhas são sempre no norte aqui, então a vista era pro norte. Fiquei tão chateada quando mudei pro centro cirúrgico, no terceiro andar, de frente para um beco feio, virado para o boroeste da PQP !
Acontece que no beco há um pequeno pátio encostado num prédio comercial de uns 3 andares. Não parece haver porta que dê para o local, mas volta e meia tem gente por lá. E tem dias que é mais divertido observar o pátio que assistir à TV !
O centro cirúrgico tem a forma de um quadrado, com um total de 14 salas de cirurgias nos quatro lados, sendo que somente 3 delas dão para um corredor com vista para fora do prédio. E, estava eu passando justamente por tal corredor por volta de meio-dia, quando vejo a fisioterapeuta respiratória, uma anestesista e o padioleiro olhando para fora do vidro, concentrados.
- O que vocês estão olhando ?
- "They're making love ! They're having sex on the patio !"
( Achando que se trata um casal de gambás, de esquilos, de pombos, algo digno de Discovery Channel, na minha inocência, pergunto onde, olhando para as árvores. Mal sabia eu que era mais para o Porn Channel... )
- Lá no pátio !
(Viro minha cabeça para a direita para tentar ver).
E não é que havia mesmo um cara só de cueca em cima de outra pessoa, em movimentos explícitos ? E não é que a notícia espalhou rapidamente e juntou tanta gente quanto se houvesse uma parada cardíaca no corredor ? E veio gente lá do corredor oposto e de todas as outras direções !
E o melhor das situações inusitadas não é observar o ato em si, mas a reação da platéia, já que os diálogos são impagáveis. Quando já éramos cerca de uma dúzia de curiosos espiando, chega a chefe:
- Por que tem um monte de gente parada aqui ?
- Tem um casal transando ali no pátio.
- Já estão nisso há uma hora (informação do padioleiro, o único que realmente fica transitando pelo corredor por força do trabalho).
(A chefe fica irritada, mas olha).
- Voltem já para o trabalho que temos mais a fazer do que espiar dois homens transando !
- São dois homens ?
(Todas as cabeças pendem para a direita).
- Ai, que nojo !
(Três filipinas da limpeza abandonam o posto de espionagem com cara de náusea e fingem voltar ao trabalho, quando na verdade estão recrutando mais curiosos).
- Ai, que preconceito ! Vocês esperavam o quê ? Estamos na Gayvie Street !
(Chega mais gente)
- O que vocês estão olhando ?
- Tem dois homens transando ali no pátio. Faz uma hora.
- UMA HORA ?
(Alguns olham com admiração e inveja pelo "uma hora")
- São dois homens mesmo ? Fulano, você já viu ?
(Alguns saem, chega o cirurgião vascular que eu sempre achei com jeito de pervertido)
- Será que eles não estão com frio ? Estava uns 10 graus lá fora hoje de manhã.
- Frio nada, que eles têm um ao outro para esquentar.
- Estão tão drogados que nem sentem frio.
(A dupla muda de posição, quem estava embaixo fica em cima)
- Gente, é uma mulher e ela está de blusa, mas sem calcinha !
- É mulher mesmo ?
- Claro, o bumbum não é cabeludo !
- Isso não quer dizer nada, mas ela tem seios.
- Ah, bom !
(Alguns voltam para ver se é mulher mesmo, as filipinas espiam agora sem culpa ou nojo)
- Será que eles sabem que a gente pode vê-los ?
- Claro que não, os vidros aqui são daqueles escuros por fora !
- Ah, bom !
Eu largo o posto e vou encontrar o paciente que eu tinha ido checar para a cirurgia cardíaca. E, depois de cumprimentar o senhor e a esposa dele, ouço a voz do padioleiro lá do meio do corredor "Próximo show às 13:00" e caio na gargalhada. O paciente pergunta se estou rindo dele, que está sem dentadura e eu explico o motivo. Ele dá uma risada banguela feia, mas tão gostosa:
- Dá para você estacionar a minha maca lá ? Quero ver também !
- Ih, a chefe já deu um espalho na gente.
- Ela é brava ?
- Não, mas já é chefe aqui há 30 anos, todo o mundo respeita o que ela diz.
Eu volto para a minha sala e, lá pelas tantas, o paciente já adormecido, entra um anestesista saído não sei de onde, fazendo beicinho, um dos que perderam a cena por estarem trabalhando:
- Alguém aqui viu os dois caras transando ? Passei lá agora, mas estão dormindo.
- Não eram dois caras ! Eram um homem e uma mulher.
- Você foi uma testemunha ocular ?
- Fui.
(O cirurgião vira para mim)
- Flávia, isso acontecendo e você não me bipou ?
- Ficaram lá por uma hora, você não apareceu porque não quis.
- Eu não sabia ! Uma hora ? Será que tem continuação ? Depois de uma hora, o cara precisa de descanso, né ? Eu preciso pelo menos de 8 horas de descanso (isso porque a esposa dele trabalha com a gente também, sorte que ela não foi hoje).
(O residente da anestesia entra no papo)
- Ai, eu que não fui ver.
- Aposto que era um monte de mulher olhando.
- Tinha homem também.
- Quantos homens ?
- Umas dez mulheres, o Fulano (padioleiro) e o Beltrano (o pervertido).
- Sortudos !
- E eu queria ter visto, mas a Flávia não me bipou. Era pelo menos um casal horroroso e gordo, tipo aqueles filmes nojentos ?
- Que nada, novinhos, magrinhos, tudo em cima.
- Flávia, você está sabendo detalhes demais...
- Pois é, eu sou bem informada.
(E a enfermeira chinesa, solteira, que praticamente cabe no meu bolso, dá a sua contribuição, com sotaque cantonês)
- Eu trabalho neste hospital há mais de 20 anos e nunca tinha visto nada disso !
O hospital onde eu trabalho fica no centro de Vancouver. É um prédio quadrado, com vista para quatro direções diferentes. Sou péssima em pontos cardeais, então vou dizer que a minha antiga enfermaria no décimo andar tinha uma vista de 1 milhão de dólares para o mar e as montanhas (na verdade, com o preço dos imóveis aqui, a vista era de uns 10 milhões de dólares). Ah ! Lembrei que as montanhas são sempre no norte aqui, então a vista era pro norte. Fiquei tão chateada quando mudei pro centro cirúrgico, no terceiro andar, de frente para um beco feio, virado para o boroeste da PQP !
Acontece que no beco há um pequeno pátio encostado num prédio comercial de uns 3 andares. Não parece haver porta que dê para o local, mas volta e meia tem gente por lá. E tem dias que é mais divertido observar o pátio que assistir à TV !
O centro cirúrgico tem a forma de um quadrado, com um total de 14 salas de cirurgias nos quatro lados, sendo que somente 3 delas dão para um corredor com vista para fora do prédio. E, estava eu passando justamente por tal corredor por volta de meio-dia, quando vejo a fisioterapeuta respiratória, uma anestesista e o padioleiro olhando para fora do vidro, concentrados.
- O que vocês estão olhando ?
- "They're making love ! They're having sex on the patio !"
( Achando que se trata um casal de gambás, de esquilos, de pombos, algo digno de Discovery Channel, na minha inocência, pergunto onde, olhando para as árvores. Mal sabia eu que era mais para o Porn Channel... )
- Lá no pátio !
(Viro minha cabeça para a direita para tentar ver).
E não é que havia mesmo um cara só de cueca em cima de outra pessoa, em movimentos explícitos ? E não é que a notícia espalhou rapidamente e juntou tanta gente quanto se houvesse uma parada cardíaca no corredor ? E veio gente lá do corredor oposto e de todas as outras direções !
E o melhor das situações inusitadas não é observar o ato em si, mas a reação da platéia, já que os diálogos são impagáveis. Quando já éramos cerca de uma dúzia de curiosos espiando, chega a chefe:
- Por que tem um monte de gente parada aqui ?
- Tem um casal transando ali no pátio.
- Já estão nisso há uma hora (informação do padioleiro, o único que realmente fica transitando pelo corredor por força do trabalho).
(A chefe fica irritada, mas olha).
- Voltem já para o trabalho que temos mais a fazer do que espiar dois homens transando !
- São dois homens ?
(Todas as cabeças pendem para a direita).
- Ai, que nojo !
(Três filipinas da limpeza abandonam o posto de espionagem com cara de náusea e fingem voltar ao trabalho, quando na verdade estão recrutando mais curiosos).
- Ai, que preconceito ! Vocês esperavam o quê ? Estamos na Gayvie Street !
(Chega mais gente)
- O que vocês estão olhando ?
- Tem dois homens transando ali no pátio. Faz uma hora.
- UMA HORA ?
(Alguns olham com admiração e inveja pelo "uma hora")
- São dois homens mesmo ? Fulano, você já viu ?
(Alguns saem, chega o cirurgião vascular que eu sempre achei com jeito de pervertido)
- Será que eles não estão com frio ? Estava uns 10 graus lá fora hoje de manhã.
- Frio nada, que eles têm um ao outro para esquentar.
- Estão tão drogados que nem sentem frio.
(A dupla muda de posição, quem estava embaixo fica em cima)
- Gente, é uma mulher e ela está de blusa, mas sem calcinha !
- É mulher mesmo ?
- Claro, o bumbum não é cabeludo !
- Isso não quer dizer nada, mas ela tem seios.
- Ah, bom !
(Alguns voltam para ver se é mulher mesmo, as filipinas espiam agora sem culpa ou nojo)
- Será que eles sabem que a gente pode vê-los ?
- Claro que não, os vidros aqui são daqueles escuros por fora !
- Ah, bom !
Eu largo o posto e vou encontrar o paciente que eu tinha ido checar para a cirurgia cardíaca. E, depois de cumprimentar o senhor e a esposa dele, ouço a voz do padioleiro lá do meio do corredor "Próximo show às 13:00" e caio na gargalhada. O paciente pergunta se estou rindo dele, que está sem dentadura e eu explico o motivo. Ele dá uma risada banguela feia, mas tão gostosa:
- Dá para você estacionar a minha maca lá ? Quero ver também !
- Ih, a chefe já deu um espalho na gente.
- Ela é brava ?
- Não, mas já é chefe aqui há 30 anos, todo o mundo respeita o que ela diz.
Eu volto para a minha sala e, lá pelas tantas, o paciente já adormecido, entra um anestesista saído não sei de onde, fazendo beicinho, um dos que perderam a cena por estarem trabalhando:
- Alguém aqui viu os dois caras transando ? Passei lá agora, mas estão dormindo.
- Não eram dois caras ! Eram um homem e uma mulher.
- Você foi uma testemunha ocular ?
- Fui.
(O cirurgião vira para mim)
- Flávia, isso acontecendo e você não me bipou ?
- Ficaram lá por uma hora, você não apareceu porque não quis.
- Eu não sabia ! Uma hora ? Será que tem continuação ? Depois de uma hora, o cara precisa de descanso, né ? Eu preciso pelo menos de 8 horas de descanso (isso porque a esposa dele trabalha com a gente também, sorte que ela não foi hoje).
(O residente da anestesia entra no papo)
- Ai, eu que não fui ver.
- Aposto que era um monte de mulher olhando.
- Tinha homem também.
- Quantos homens ?
- Umas dez mulheres, o Fulano (padioleiro) e o Beltrano (o pervertido).
- Sortudos !
- E eu queria ter visto, mas a Flávia não me bipou. Era pelo menos um casal horroroso e gordo, tipo aqueles filmes nojentos ?
- Que nada, novinhos, magrinhos, tudo em cima.
- Flávia, você está sabendo detalhes demais...
- Pois é, eu sou bem informada.
(E a enfermeira chinesa, solteira, que praticamente cabe no meu bolso, dá a sua contribuição, com sotaque cantonês)
- Eu trabalho neste hospital há mais de 20 anos e nunca tinha visto nada disso !
26 setembro, 2007
Dumpster Diving - um esporte de Vancouver
"Binners Beware: Crackdown looms on dumpster diving". Isso foi a manchete do jornal gratuito Vancouver 24 hours na semana passada. Hein ??? De que estão falando ?
Estão dando um aviso para os "binners" (catadores informais de lixo) de que há uma ameaça de acabar com os "dumpsters" (enormes caixas onde os sacos de lixo são depositados nas ruas).
Aprendi sobre "dumpster diving" com um paciente. Eu chegando cheirosa, de banho tomado, às oito da manhã na enfermaria, vendo o rapaz pela primeira vez e obviamente sentindo o cheiro horrível que exalava por todos os poros da imunda criatura. Benditas máscaras descartáveis ! Ele havia sido submetido a uma cirurgia de retirada do apêndice na noite anterior e pelo cheiro era possível adivinhar seu endereço: a rua. Enquanto eu trocava o curativo, ele pedia desculpas por feder tanto (e olha que eu estava de máscara, se fiz cara de nojo, foi escondida) e me contava que estava "dumpster diving" quando desmaiou e foi trazido ao hospital. Como eu não sabia do que se tratava, ele explicou o óbvio: "você mergulha num 'dumpster' para procurar tesouros no lixo. Você deveria tentar ao menos uma vez, Enfermeira. Eu já encontrei 300 dólares uma vez !" Apesar de a tentação ter sido imensa, não aceitei a sugestão. Os tesouros encontrados costumam ser as embalagens recicláveis, que eles retornam nos supermercados em troca de alguns centavos.
Interessante é o argumento que os "binners" estão usando para protesto contra o fim dos "dumpsters" nas ruas: "A gente faz isso porque é uma forma legal de ganhar a vida. Se eles acabarem com isso, vai haver muito mais gente arrombando carros e casas". Palavras de Doug Trache, que "has been binning in Vancouver for 18 years".
E, quem diria, tenho em casa um "dumpster diver". O Pacotinho de Coleta de Lixo ADORA espalhar tudo pela cozinha...
Estão dando um aviso para os "binners" (catadores informais de lixo) de que há uma ameaça de acabar com os "dumpsters" (enormes caixas onde os sacos de lixo são depositados nas ruas).
Aprendi sobre "dumpster diving" com um paciente. Eu chegando cheirosa, de banho tomado, às oito da manhã na enfermaria, vendo o rapaz pela primeira vez e obviamente sentindo o cheiro horrível que exalava por todos os poros da imunda criatura. Benditas máscaras descartáveis ! Ele havia sido submetido a uma cirurgia de retirada do apêndice na noite anterior e pelo cheiro era possível adivinhar seu endereço: a rua. Enquanto eu trocava o curativo, ele pedia desculpas por feder tanto (e olha que eu estava de máscara, se fiz cara de nojo, foi escondida) e me contava que estava "dumpster diving" quando desmaiou e foi trazido ao hospital. Como eu não sabia do que se tratava, ele explicou o óbvio: "você mergulha num 'dumpster' para procurar tesouros no lixo. Você deveria tentar ao menos uma vez, Enfermeira. Eu já encontrei 300 dólares uma vez !" Apesar de a tentação ter sido imensa, não aceitei a sugestão. Os tesouros encontrados costumam ser as embalagens recicláveis, que eles retornam nos supermercados em troca de alguns centavos.
Interessante é o argumento que os "binners" estão usando para protesto contra o fim dos "dumpsters" nas ruas: "A gente faz isso porque é uma forma legal de ganhar a vida. Se eles acabarem com isso, vai haver muito mais gente arrombando carros e casas". Palavras de Doug Trache, que "has been binning in Vancouver for 18 years".
E, quem diria, tenho em casa um "dumpster diver". O Pacotinho de Coleta de Lixo ADORA espalhar tudo pela cozinha...
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Inglês que não se aprende na escola,
Vida de enfermeira
25 setembro, 2007
SAL do Iglu para Marilia
Escrevendo do computador gringo do hospital, "therefore" sem acentos.
Encontro o arroz arborio no supermercado aqui perto de casa, mas se voce tiver dificuldade, pode comprar na Commercial Drive, no Santa Barbara ou em qualquer casa de produtos italianos.
Colher de sobremesa foi coisa de brasileira exilada que esqueceu o nome oficial das colheres em portugues e misturou colher de cha, com colher de sobremesa e omitiu o ingrediente, que era massa de tomate ! Corrigi.
Encontro o arroz arborio no supermercado aqui perto de casa, mas se voce tiver dificuldade, pode comprar na Commercial Drive, no Santa Barbara ou em qualquer casa de produtos italianos.
Colher de sobremesa foi coisa de brasileira exilada que esqueceu o nome oficial das colheres em portugues e misturou colher de cha, com colher de sobremesa e omitiu o ingrediente, que era massa de tomate ! Corrigi.
24 setembro, 2007
A Pedidos: Receita do Risotto de Camarão
Atendendo às milhares de cartas, telegramas e sinais de fumaça enviados à redação do Iglu, aqui vai a receita do jantar de domingo. O mérito não é todo meu, já que tirei a receita do risotto básico da minha coleção favorita de livros de culinária, Williams-Sonoma. Infelizmente ainda não tenho todos os exemplares, mas estão abrindo uma loja deles aqui em Vancouver e aí ninguém segura (nem eu na cozinha, nem o Marido Acima do Peso na dieta, já que ele adora a minha comida). Até hoje não fiz um único prato dos livros que não tenha ficado delicioso e eu tenho nove volumes. O de sopas e o de culinária francesa engordam o leitor só de olhar a capa, mas cada caloria é um deleite. Só não morro de amores pelos de doces, já que todo brasileiro sabe que leite condensado é essencial a uma sobremesa e os gringos ainda não descobriram isso, coitados.
Para quem não sabe fazer o risotto básico, aqui vai:
"- 6 xícaras de caldo de galinha (eu faço em casa, mas tem para vender pronto, inclusive orgânico, numa caixinha longa-vida. O de lata é muito salgado e aqueles cubinhos da Knorr são artificiais demais)
- 1/4 xícara de azeite extra-virgem
- 1 cebola picada
- 2 dentes de alho amassados
- 2 xícaras de arroz Arborio ou Carnaroli
- 1 xícara de vinho branco seco
- 1-2 colheres de manteiga
- sal e pimenta do reino moída na hora
Leve o caldo de galinha ao fogo até ferver, depois mantenha a panela em fogo baixo, para continuar borbulhando.
Esquente o azeite numa panela separada, no fogo médio. Acrescente a cebola e refogue até ficar macia, sem dourar. Junte o alho, depois o arroz. Mexa até que cada grão esteja untado com o azeite e esteja transparente, com uma mancha branca no centro (cerca de 3-5 minutos). Acrescente o vinho e mexa até absorver completamente.
Adicione uma concha de caldo de galinha fervendo de cada vez, mexendo sempre à cada adição. Espere até que o caldo esteja quase totalmente absorvido (mas o arroz nunca seco em cima) antes de adicionar a próxima concha. Reserve 1/4 de xícara de caldo para adicionar no final.
Quando o arroz estiver macio e parecer cremoso (cerca de 30 minutos), remova do fogo, misture a manteiga e o resto do caldo de galinha. Adicione sal e pimenta a gosto."
Nas minhas receitas, vai tudo no olhômetro. Então eu cozinhei o arroz no caldo de peixe ao invés do de galinha (refoguei peixe picado e camarão com casca na cebola, alho e cebolinha, depois acrescentei uns 2 litros de água, 1 pitada de açafrão e 1 cenoura, deixando ferver em fogo baixo por 1 hora). Depois de preparar o arroz conforme a receita, acrescentei:
- 300g de camarão miudinho cozido
- 2 tomates sem pele picados
- 1 colher de chá de massa de tomate
- 1 xícara de ervilha
No final, coloquei por cima bastante cebolinha e salsinha picada, rodelas de tomate-cereja, 8-10 camarões grandes previamente refogados na manteiga e no alho e 200 g de "scallops" (vieiras) refogadas na manteira.
Os "scallops" não devem ser cozidos (desmancham-se facilmente), mas passados numa frigideira bem quente com manteiga derretida e um pouco de azeite, no máximo uns 2 minutos de cada lado, até dourarem.
O risotto só fica cremoso se for feito com arroz apropriado e o único segredo é cozinhá-lo lentamente, mexendo sempre, além de usar ingredientes de boa qualidade.
Para quem não sabe fazer o risotto básico, aqui vai:
"- 6 xícaras de caldo de galinha (eu faço em casa, mas tem para vender pronto, inclusive orgânico, numa caixinha longa-vida. O de lata é muito salgado e aqueles cubinhos da Knorr são artificiais demais)
- 1/4 xícara de azeite extra-virgem
- 1 cebola picada
- 2 dentes de alho amassados
- 2 xícaras de arroz Arborio ou Carnaroli
- 1 xícara de vinho branco seco
- 1-2 colheres de manteiga
- sal e pimenta do reino moída na hora
Leve o caldo de galinha ao fogo até ferver, depois mantenha a panela em fogo baixo, para continuar borbulhando.
Esquente o azeite numa panela separada, no fogo médio. Acrescente a cebola e refogue até ficar macia, sem dourar. Junte o alho, depois o arroz. Mexa até que cada grão esteja untado com o azeite e esteja transparente, com uma mancha branca no centro (cerca de 3-5 minutos). Acrescente o vinho e mexa até absorver completamente.
Adicione uma concha de caldo de galinha fervendo de cada vez, mexendo sempre à cada adição. Espere até que o caldo esteja quase totalmente absorvido (mas o arroz nunca seco em cima) antes de adicionar a próxima concha. Reserve 1/4 de xícara de caldo para adicionar no final.
Quando o arroz estiver macio e parecer cremoso (cerca de 30 minutos), remova do fogo, misture a manteiga e o resto do caldo de galinha. Adicione sal e pimenta a gosto."
Nas minhas receitas, vai tudo no olhômetro. Então eu cozinhei o arroz no caldo de peixe ao invés do de galinha (refoguei peixe picado e camarão com casca na cebola, alho e cebolinha, depois acrescentei uns 2 litros de água, 1 pitada de açafrão e 1 cenoura, deixando ferver em fogo baixo por 1 hora). Depois de preparar o arroz conforme a receita, acrescentei:
- 300g de camarão miudinho cozido
- 2 tomates sem pele picados
- 1 colher de chá de massa de tomate
- 1 xícara de ervilha
No final, coloquei por cima bastante cebolinha e salsinha picada, rodelas de tomate-cereja, 8-10 camarões grandes previamente refogados na manteiga e no alho e 200 g de "scallops" (vieiras) refogadas na manteira.
Os "scallops" não devem ser cozidos (desmancham-se facilmente), mas passados numa frigideira bem quente com manteiga derretida e um pouco de azeite, no máximo uns 2 minutos de cada lado, até dourarem.
O risotto só fica cremoso se for feito com arroz apropriado e o único segredo é cozinhá-lo lentamente, mexendo sempre, além de usar ingredientes de boa qualidade.
23 setembro, 2007
Yes, I'm bragging about my cooking
Num dos programas de final de semana mais odiados pelo Marido Gringo, encontramos uma promoção de "prawns" (camarões grandes), "shrimp" (camarões miudinhos) e "scallops" (depois de muitos anos, finalmente descobri o nome em português de algo que eu nunca tinha visto ou provado no Brasil e que se tornou minha "seafood" favorita: vieiras). E, apesar de a vida sem criadagem ser dura e penosa, fazer pratos elaborados sempre esteve na minha lista de preferências (limpar a bagunça depois é que jamais fará parte da lista).
Então o Marido Cansadíssimo arrasta para o parquinho o Pacotinho de Travessuras (cozinhar com criança abrindo todas as gavetas da cozinha e espalhando os sacos vazios de supermercado pelo chão não acrescenta mais sabor ao prato, somente mais aflição ao cozinheiro) e, quando volta e vê o jantar em cima do fogão, comenta:
- Vou tirar uma foto e mandar para o Fulano (um grande amigo que vive reclamando da comida da esposa que, cá para nós, a gente só come quando eles convidam porque são muito amigos).
- Já tirei, mas é para o blog.
Sem querer ofender os que não comem frutos do mar por motivos de religião, de alergia, de convicção vegetariana ou de pura frescura, a panela de risotto estava pedindo para aparecer no blog, então aqui vai o jantar de domingo, para quem quiser ver que hoje eu posso "brag about my cooking":

Então o Marido Cansadíssimo arrasta para o parquinho o Pacotinho de Travessuras (cozinhar com criança abrindo todas as gavetas da cozinha e espalhando os sacos vazios de supermercado pelo chão não acrescenta mais sabor ao prato, somente mais aflição ao cozinheiro) e, quando volta e vê o jantar em cima do fogão, comenta:
- Vou tirar uma foto e mandar para o Fulano (um grande amigo que vive reclamando da comida da esposa que, cá para nós, a gente só come quando eles convidam porque são muito amigos).
- Já tirei, mas é para o blog.
Sem querer ofender os que não comem frutos do mar por motivos de religião, de alergia, de convicção vegetariana ou de pura frescura, a panela de risotto estava pedindo para aparecer no blog, então aqui vai o jantar de domingo, para quem quiser ver que hoje eu posso "brag about my cooking":

21 setembro, 2007
Mamãe, eu quero !
O que comprar para aquela amiga grávida cujo futuro pimpolho já tem TUDO ? Aqui vai uma lista com alguns dos produtos mais inúteis já inventados para bebês. Não vou cobrar nada pela consultoria de presentes, mas quem tiver outras sugestões, por favor, compartilhe para enriquecer a amostra. E pensar que você estava sentindo a maior culpa por ver o armário tão cheio de roupinhas que só foram usadas uma única vez !
Perucas para bebês carecas (de 0 a 9 meses)

Aspirador de Pó/Velotrol para o bebê aspirar a casa (excelente para presentear as amigas sem criadagem, exiladas no Primeiro Mundo)

Mamadeira que o bebê não precisa segurar (nem ele nem ninguém, que já devia ter nascido sabendo mamar sozinho, aquele folgado !)

Bercinho que transforma qualquer bebê estressado num baiano bom de rede (para um efeito completo, o bebê deve tomar água de coco na mamadeira que não precisa ser segurada, ao som de "Tarde em Itapoã")

Chupeta dentuça (Bebê banguela ? Coisa mais ultrapassada !)

Suporte para pendurar o bebê na porta do banheiro público (porque mãe também esvazia a bexiga no shopping center)

Mãos que enganam o bebê adormecido enquanto mamãe faz as unhas

Vovó Eletrônica (pela bagatela de 369 reais, tenha em casa o identificador de choros do bebê. O fabricante promete 98% de acerto no tipo de choro, sem os palpites extras da vovó !)

Ficou faltando uma foto das joelheiras para engatinhar, mas não encontrei nenhuma de tamanho adequado. Bom chá de bebê !
Perucas para bebês carecas (de 0 a 9 meses)

Aspirador de Pó/Velotrol para o bebê aspirar a casa (excelente para presentear as amigas sem criadagem, exiladas no Primeiro Mundo)

Mamadeira que o bebê não precisa segurar (nem ele nem ninguém, que já devia ter nascido sabendo mamar sozinho, aquele folgado !)

Bercinho que transforma qualquer bebê estressado num baiano bom de rede (para um efeito completo, o bebê deve tomar água de coco na mamadeira que não precisa ser segurada, ao som de "Tarde em Itapoã")

Chupeta dentuça (Bebê banguela ? Coisa mais ultrapassada !)

Suporte para pendurar o bebê na porta do banheiro público (porque mãe também esvazia a bexiga no shopping center)

Mãos que enganam o bebê adormecido enquanto mamãe faz as unhas

Vovó Eletrônica (pela bagatela de 369 reais, tenha em casa o identificador de choros do bebê. O fabricante promete 98% de acerto no tipo de choro, sem os palpites extras da vovó !)

Ficou faltando uma foto das joelheiras para engatinhar, mas não encontrei nenhuma de tamanho adequado. Bom chá de bebê !
20 setembro, 2007
SAL do Iglu - esclarecendo
Acho que não ficou muito claro o tópico sobre "bad juju". "Juju" não é azar em si, nem patuá, nem mau pensamento. "Juju" seria um amuleto do mal, já que não me ocorre agora um sinônimo em português. Da mesma forma que uma figa é um objeto que, para quem acredita, traz sorte, "juju" seria um objeto que traz azar ao seu portador.
Marte, Vênus e o Lançamento do Videogame
O noticiário na TV mostra um cara vestido de Robocop na guerra do Iraque desfilando pela rua comercial mais badalada do centro de Vancouver: "O videogame Halo 2 será lançado. O Halo original vendeu 2,38 milhões de cópias nas primeiras 24 horas após o lançamento". E o Marido, que já não estava prestando atenção à conversa desde que viu o Robocop Verde na TV, comenta de queixo caído:
- Mais de dois milhões de cópias no primeiro dia de lançamento ! UAU !
- É para você ver a quantidade de homem desocupado que existe neste mundo.
- Quem falou que é só homem desocupado que joga ?
- Se eles tivessem uma lista de tarefas a serem executadas, como por exemplo jogar o lixo fora, não sobraria tempo para jogar sei-lá-o-quê no computador.
- Eu não sou desocupado e jogo no computador !
- Pois é, mas o lixo continua lá na cozinha...
PS: O Marido joga Civilization IV, não Halo 2. E eu, orgulhosamente, não tenho a menor idéia de qual seja a diferença, caso exista alguma.
- Mais de dois milhões de cópias no primeiro dia de lançamento ! UAU !
- É para você ver a quantidade de homem desocupado que existe neste mundo.
- Quem falou que é só homem desocupado que joga ?
- Se eles tivessem uma lista de tarefas a serem executadas, como por exemplo jogar o lixo fora, não sobraria tempo para jogar sei-lá-o-quê no computador.
- Eu não sou desocupado e jogo no computador !
- Pois é, mas o lixo continua lá na cozinha...
PS: O Marido joga Civilization IV, não Halo 2. E eu, orgulhosamente, não tenho a menor idéia de qual seja a diferença, caso exista alguma.
19 setembro, 2007
Juju
"Yo non creo en las brujas, pero que las hay...!las hay!"
Não se trata do apelido da sua amiga Juliana, Júlia, Judith ou Jurema (aliás, se fosse, eu falaria da minha grande amiga Juliana, só que na nossa idade, "Ju" soa mais apropriado que "Juju", ou será preconceito meu ?), mas de uma palavra que tenho ouvido ultimamente com uma certa freqüência por aqui: juju.
Primeiro foi no Grey's Anatomy (após rever 3 anos da série em 2 semanas, a gente fica íntimo dos personagens e precisa descobrir exatamente de tudo o que eles estão falando), quando disseram que não se deve guardar aliança depois do divórcio porque é "bad juju". E depois no trabalho: um tal de "this is bad juju" pra cá e pra lá. E eu nunca tinha ouvido falar em "juju", "good or bad", mas não deixei por menos:
- juju: 1. Um objeto venerado supersticiosamente e usado como fetiche ou amuleto por tribos do oeste da África. 2. O poder mágico atribuído a tal objeto.
E, claro, na América do Norte, onde em muitos prédios omite-se o número 13 (no meu hospital mesmo, temos 14 salas de cirurgia, de números 1 a 12, depois 14 e 15), não há escassez de quem acredite em "bad juju". No meu prédio, construído por chineses, ignora-se solenemente o número 4. Não há andares 4, 14 ou 24, nem apartamentos com o final 4. Imagina um gringo desses de frente com um despacho de macumba, com farofa e tudo, num cruzamento ! "Bad juju", hein ? Ainda não viram nada...
Não se trata do apelido da sua amiga Juliana, Júlia, Judith ou Jurema (aliás, se fosse, eu falaria da minha grande amiga Juliana, só que na nossa idade, "Ju" soa mais apropriado que "Juju", ou será preconceito meu ?), mas de uma palavra que tenho ouvido ultimamente com uma certa freqüência por aqui: juju.
Primeiro foi no Grey's Anatomy (após rever 3 anos da série em 2 semanas, a gente fica íntimo dos personagens e precisa descobrir exatamente de tudo o que eles estão falando), quando disseram que não se deve guardar aliança depois do divórcio porque é "bad juju". E depois no trabalho: um tal de "this is bad juju" pra cá e pra lá. E eu nunca tinha ouvido falar em "juju", "good or bad", mas não deixei por menos:
- juju: 1. Um objeto venerado supersticiosamente e usado como fetiche ou amuleto por tribos do oeste da África. 2. O poder mágico atribuído a tal objeto.
E, claro, na América do Norte, onde em muitos prédios omite-se o número 13 (no meu hospital mesmo, temos 14 salas de cirurgia, de números 1 a 12, depois 14 e 15), não há escassez de quem acredite em "bad juju". No meu prédio, construído por chineses, ignora-se solenemente o número 4. Não há andares 4, 14 ou 24, nem apartamentos com o final 4. Imagina um gringo desses de frente com um despacho de macumba, com farofa e tudo, num cruzamento ! "Bad juju", hein ? Ainda não viram nada...
17 setembro, 2007
Qual vai ser o nome do neném ?
Se eu pensava que tal pergunta abria um leque quase infinito de respostas quando eu morava no Brasil, agora vejo que era um lequinho minúsculo, com opções bem limitadas e até previsíveis. Havia tantos Maykon Jakson quando eu morava em São Luís ! Morando num país multicultural, literalmente, em termos de nome próprio, TUDO é possível.
Só para dar uma pequena amostra, vou citar os nomes de alguns colegas somente do meu setor (e quem quiser brincar de adivinhar a nacionalidade, vou escrever no final de onde vem cada um, na mesma ordem, mas nem perca seu tempo tentando descobrir se é nome de homem ou de mulher): Gurdiesh, Su-Jin, Soo Goh, Shadi, Rhavi, Hannife, Zinaida, Rupinder. Do meu antigo setor, meu favorito era Thankamma.
Mesmo assim ainda me surpreendo com alguns amigos canadenses, já que nunca sei que tipos de nomes eles escolhem para os seus filhos. A galera riponga opta por nomes da natureza, como as duas meninas chamadas Sky no grupo de mães que eu freqüentava. Alguns só dão aos bebês como nomes os sobrenomes de outras pessoas, como um casal amigo cujo filho chama-se MacKenzie e a menina, Griffin. Outros copiam de algum filme, como o nome Maddison, muito popular por aqui, mas que antes do filme Splash, não era nome de gente.
Então, quando minha amiga canadense avisou que está esperando uma menina, achei que não fosse me surpreender com os nomes, esperava algum dos mais populares dos últimos anos, como Sienna, Sophia ou Isabella. E a conversa:
- Já escolheram o nome da neném ?
- Acho que sim.
- E qual vai ser ?
- Emerson.
- Emerson ? Interessante, no Brasil, é nome de homem.
- Aqui também pode ser, inclusive é o segundo nome do meu ex-marido.
- Ah...
- Eu queria Poppy, Pepa ou Lola.
(mordendo a língua para não dizer que parece tudo nome de cachorro).
- Ah ! Parecem apelidos, né ?
- Pois é, meu marido falou que nenhuma mulher bem sucedida chama-se Poppy, mas que há esperança para uma Emerson.
- E ele não se importa que seja o nome do seu ex-marido ?
- Não, ele está tão feliz que arrumei um nome que não fará a filha dele parecer uma dançarina de casa de strip-tease que nem ligou !
Cada um com seus motivos e é uma questão em que eu não ofereço palpites, mas Poppy !? E pensar que a professora do Pacotinho de Amizades na creche, que por sinal é da Eritréia e chama-se Netsanet, perguntou, mesmo morando no Canadá, onde "Danny" é um apelido tão comum: "Daniel. Este é um nome brasileiro ?"
Aos curiosos:
1. Indiana
2. Coreana
3. Chinesa
4. Jordaniano
5. Indiano
6. Turca
7. Russa
8. Indiana
9. Sri-Lanka (quem nasce no Sri-Lanka é o quê ?)
Só para dar uma pequena amostra, vou citar os nomes de alguns colegas somente do meu setor (e quem quiser brincar de adivinhar a nacionalidade, vou escrever no final de onde vem cada um, na mesma ordem, mas nem perca seu tempo tentando descobrir se é nome de homem ou de mulher): Gurdiesh, Su-Jin, Soo Goh, Shadi, Rhavi, Hannife, Zinaida, Rupinder. Do meu antigo setor, meu favorito era Thankamma.
Mesmo assim ainda me surpreendo com alguns amigos canadenses, já que nunca sei que tipos de nomes eles escolhem para os seus filhos. A galera riponga opta por nomes da natureza, como as duas meninas chamadas Sky no grupo de mães que eu freqüentava. Alguns só dão aos bebês como nomes os sobrenomes de outras pessoas, como um casal amigo cujo filho chama-se MacKenzie e a menina, Griffin. Outros copiam de algum filme, como o nome Maddison, muito popular por aqui, mas que antes do filme Splash, não era nome de gente.
Então, quando minha amiga canadense avisou que está esperando uma menina, achei que não fosse me surpreender com os nomes, esperava algum dos mais populares dos últimos anos, como Sienna, Sophia ou Isabella. E a conversa:
- Já escolheram o nome da neném ?
- Acho que sim.
- E qual vai ser ?
- Emerson.
- Emerson ? Interessante, no Brasil, é nome de homem.
- Aqui também pode ser, inclusive é o segundo nome do meu ex-marido.
- Ah...
- Eu queria Poppy, Pepa ou Lola.
(mordendo a língua para não dizer que parece tudo nome de cachorro).
- Ah ! Parecem apelidos, né ?
- Pois é, meu marido falou que nenhuma mulher bem sucedida chama-se Poppy, mas que há esperança para uma Emerson.
- E ele não se importa que seja o nome do seu ex-marido ?
- Não, ele está tão feliz que arrumei um nome que não fará a filha dele parecer uma dançarina de casa de strip-tease que nem ligou !
Cada um com seus motivos e é uma questão em que eu não ofereço palpites, mas Poppy !? E pensar que a professora do Pacotinho de Amizades na creche, que por sinal é da Eritréia e chama-se Netsanet, perguntou, mesmo morando no Canadá, onde "Danny" é um apelido tão comum: "Daniel. Este é um nome brasileiro ?"
Aos curiosos:
1. Indiana
2. Coreana
3. Chinesa
4. Jordaniano
5. Indiano
6. Turca
7. Russa
8. Indiana
9. Sri-Lanka (quem nasce no Sri-Lanka é o quê ?)
15 setembro, 2007
No restaurante depois do neném
Aquela imagem do bebezinho sentado na cadeirinha do carro ou no carrinho, quietinho, olhando os pais comerem no restaurante já faz parte de um passado distante. Atualmente você olha com inveja para os pais cujo filho tem menos de 7 meses de idade, já que eles podem conversar enquanto comem e você, nem uma coisa nem outra.
Como você teve que fazer hora extra (ficou com pena da chefe, que não tinha ninguém para terminar a cirurgia cardíaca) e chegou tarde em casa, não teve tempo de fazer o jantar (quem manda não ter empregada ?). Aí você decide ir a um restaurante perto de casa, embora o Marido Preocupado tivesse achado impossível que o Pacotinho de Bons Modos fosse colaborar.
O trajeto até o restaurante é uma luta à parte, já que existe alguma regra subentendida no mundo dos bebês que dita "uma vez que aprende a caminhar, a criança tem o direito de não mais sentar no carrinho e de não ser carregada no colo, se assim desejar". E, a menos que você tenha uma princesinha comportada em casa, vai identificar a seguinte seqüência de eventos (embora a ordem dos tratores não altere o viaduto e talvez alguns itens estejam fora de ordem na sua experiência):
1. Chegam, a "hostess" (aqui tem esta frescura de não poder escolher onde sentar no restaurante, um dos costumes canadenses que eu mais abomino) sorri, brinca com o neném e encaminha sua família para a mesa mais afastada do estabelecimento. Se houvesse uma mesa dentro de uma bolha, seria lá mesmo, mas na falta, aquela lá do canto serve.
2. Ela traz o cadeirão para o neném e os cardápios, mas você ainda não pode pedir nada, porque ela não é a sua garçonete.
3. Seu filho começa a morder os cardápios, desenrolar os talheres, jogar tudo o que estiver ao alcance dele no chão, antes que você tenha tempo de esconder as coisas.
4. A garçonete traz 3 baldes de água repletos de cubos de gelo (a quantidade de gelo num copo é diretamente proporcional ao frio no país: no Brasil, colocam menos, no Canadá, quase não colocam bebida por cima da montanha de "icebergs"). Seu filho aponta e resmunga, você dá um canudo para ele, que o arremessa no chão, indignado. Ele quer enfiar a mão no copo, então você entrega uma pedra de gelo para ele sossegar e começa o drama: coloca uma na boca, cospe, ela cai dentro da camisa, você tira, ele chora porque quer outra, pega mais uma, morde até triturá-la, pega outra, cai na calça... Antes que a última pedra seja atacada, ele já está todo molhado e o chão idem. A mesa parece um chiqueiro, com guardanapos de papel mastigados e rasgados.
5. Muito antes de chegar a comida, a criança já está impaciente e você comete o desatino de colocá-la no chão para "gastar energia". Ela sai correndo, puxando assunto com os outros clientes. Os mais idosos sorriem, os mais jovens reviram os olhos, o gerente parece desesperado. Você tenta fingir que o filho não é seu, mas ele encontra a escada e seu instinto materno é mais forte, mas como a fome está maior ainda, você manda o marido atrás dele.
6. O casal na mesa ao lado, com uma bebezinha de no máximo 4 meses, quietinha no bebê conforto, ri e pensa "que pais incompetentes, olha a nossa filha, bem mais nova e já comportada".
7. Seu filho sobe a escada e lá em cima encontra algum tipo de Convenção da Terceira Idade. E sai falando alto, na língua que só ele entende (mas você reconhece cá do andar de baixo, na sua última mesa lá do canto). E faz o maior sucesso entre a galera de cabelos brancos. Se gostaram tanto dele, por que não o levaram para casa como fonte de entretenimento ?
8. Sua comida não chega, somente o que você pediu para o filhote. O marido volta à mesa, com aparência de quem perdeu uma luta de vale-tudo e tenta inutilmente colocar aquele cruzamento de polvo com jumento dando pinote dentro do cadeirão. Desiste, pede para você embrulhar a comida dele e trazê-la para casa.
9. O marido volta a pé com o menino, você pode tranqüilamente saborear sua refeição e não liga a mínima para o que vão pensar as pessoas na rua ao verem você empurrando um carrinho de bebê vazio no caminho de casa. Aliás, tem horas em que empurrar um carrinho vazio é tão mais divertido !
Como você teve que fazer hora extra (ficou com pena da chefe, que não tinha ninguém para terminar a cirurgia cardíaca) e chegou tarde em casa, não teve tempo de fazer o jantar (quem manda não ter empregada ?). Aí você decide ir a um restaurante perto de casa, embora o Marido Preocupado tivesse achado impossível que o Pacotinho de Bons Modos fosse colaborar.
O trajeto até o restaurante é uma luta à parte, já que existe alguma regra subentendida no mundo dos bebês que dita "uma vez que aprende a caminhar, a criança tem o direito de não mais sentar no carrinho e de não ser carregada no colo, se assim desejar". E, a menos que você tenha uma princesinha comportada em casa, vai identificar a seguinte seqüência de eventos (embora a ordem dos tratores não altere o viaduto e talvez alguns itens estejam fora de ordem na sua experiência):
1. Chegam, a "hostess" (aqui tem esta frescura de não poder escolher onde sentar no restaurante, um dos costumes canadenses que eu mais abomino) sorri, brinca com o neném e encaminha sua família para a mesa mais afastada do estabelecimento. Se houvesse uma mesa dentro de uma bolha, seria lá mesmo, mas na falta, aquela lá do canto serve.
2. Ela traz o cadeirão para o neném e os cardápios, mas você ainda não pode pedir nada, porque ela não é a sua garçonete.
3. Seu filho começa a morder os cardápios, desenrolar os talheres, jogar tudo o que estiver ao alcance dele no chão, antes que você tenha tempo de esconder as coisas.
4. A garçonete traz 3 baldes de água repletos de cubos de gelo (a quantidade de gelo num copo é diretamente proporcional ao frio no país: no Brasil, colocam menos, no Canadá, quase não colocam bebida por cima da montanha de "icebergs"). Seu filho aponta e resmunga, você dá um canudo para ele, que o arremessa no chão, indignado. Ele quer enfiar a mão no copo, então você entrega uma pedra de gelo para ele sossegar e começa o drama: coloca uma na boca, cospe, ela cai dentro da camisa, você tira, ele chora porque quer outra, pega mais uma, morde até triturá-la, pega outra, cai na calça... Antes que a última pedra seja atacada, ele já está todo molhado e o chão idem. A mesa parece um chiqueiro, com guardanapos de papel mastigados e rasgados.
5. Muito antes de chegar a comida, a criança já está impaciente e você comete o desatino de colocá-la no chão para "gastar energia". Ela sai correndo, puxando assunto com os outros clientes. Os mais idosos sorriem, os mais jovens reviram os olhos, o gerente parece desesperado. Você tenta fingir que o filho não é seu, mas ele encontra a escada e seu instinto materno é mais forte, mas como a fome está maior ainda, você manda o marido atrás dele.
6. O casal na mesa ao lado, com uma bebezinha de no máximo 4 meses, quietinha no bebê conforto, ri e pensa "que pais incompetentes, olha a nossa filha, bem mais nova e já comportada".
7. Seu filho sobe a escada e lá em cima encontra algum tipo de Convenção da Terceira Idade. E sai falando alto, na língua que só ele entende (mas você reconhece cá do andar de baixo, na sua última mesa lá do canto). E faz o maior sucesso entre a galera de cabelos brancos. Se gostaram tanto dele, por que não o levaram para casa como fonte de entretenimento ?
8. Sua comida não chega, somente o que você pediu para o filhote. O marido volta à mesa, com aparência de quem perdeu uma luta de vale-tudo e tenta inutilmente colocar aquele cruzamento de polvo com jumento dando pinote dentro do cadeirão. Desiste, pede para você embrulhar a comida dele e trazê-la para casa.
9. O marido volta a pé com o menino, você pode tranqüilamente saborear sua refeição e não liga a mínima para o que vão pensar as pessoas na rua ao verem você empurrando um carrinho de bebê vazio no caminho de casa. Aliás, tem horas em que empurrar um carrinho vazio é tão mais divertido !
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Coisas de Pai e Mãe,
Pacotinho de Aventuras
10 setembro, 2007
O Pacotinho Borralheiro
Era uma vez um garotinho de 1 ano e 2 meses, que morava no Reino do Primeiro Mundo. No castelo dele, não havia fada doméstica para tocar com uma varinha de condão e transformar a bagunça em organização e limpeza, então seus pais, o Rei Desorganizado e a Rainha Bagunceira obrigavam o pobrezinho a cuidar do serviço.


Depois de chegar da escola, onde estudava bastante e comportava-se como o príncipe que era, tinha que varrer o castelo, arrumar as gavetas dos seus aposentos, fazer coleta seletiva do lixo na cozinha e inspecionar se a banheira real ainda estava limpa, como ele havia deixado. A Rainha Atarefada costumava pintar os cabelos e largar as luvas esquecidas no canto da banheira, dando mais trabalho ainda para o coitadinho.
Como ele vivia no Reino do Primeiro Mundo e não num Reino Encantado qualquer, a estória não tem um final feliz para o nosso herói. Ele não fugiu de casa, a mãe dele não ganhou na loteria (nem para pintar os cabelos sempre no salão, muito menos para ter uma fada-madrinha doméstica). Ele não se casou com uma princesinha encantadinha e mudou-se para um castelo com criadagem, então continuou fazendo todo o serviço de casa. Isso é que exploração de mão-de-obra infantil !



Depois de chegar da escola, onde estudava bastante e comportava-se como o príncipe que era, tinha que varrer o castelo, arrumar as gavetas dos seus aposentos, fazer coleta seletiva do lixo na cozinha e inspecionar se a banheira real ainda estava limpa, como ele havia deixado. A Rainha Atarefada costumava pintar os cabelos e largar as luvas esquecidas no canto da banheira, dando mais trabalho ainda para o coitadinho.
Como ele vivia no Reino do Primeiro Mundo e não num Reino Encantado qualquer, a estória não tem um final feliz para o nosso herói. Ele não fugiu de casa, a mãe dele não ganhou na loteria (nem para pintar os cabelos sempre no salão, muito menos para ter uma fada-madrinha doméstica). Ele não se casou com uma princesinha encantadinha e mudou-se para um castelo com criadagem, então continuou fazendo todo o serviço de casa. Isso é que exploração de mão-de-obra infantil !

O Pacotinho de Tecnologia
Com um ano e dois meses, o Pacotinho de Tecnologia já dá sinais da sua futura profissão. Acho que vai ser operador da bolsa de valores, porque não há objeto que ele mais ame na vida que um telefone sem fio. Se deixar, passa o dia inteiro caminhando pela casa com o telefone no pescoço (não coloca exatamente no ouvido) e balbuciando palavras incompreensíveis, que certamente são as siglas das companhias cujas ações ele negocia. Vovó Gringa veio falar que ele vai trabalhar com telemarketing, mas ela não sabe que para isso a pessoa tem que ficar sentada enquanto fala ao telefone, coisa que ele não faz.
O mais interessante é que o Pacotinho de Suspeitas acredita que está sendo enganado o tempo todo. Para ele, tudo o que pode ser levantado com uma mão é um telefone disfarçado, mas os adultos utilizam de formas diferentes para enganá-lo. Então ele coloca a máquina fotográfica no ouvido (uma luta para tirar uma única foto, ele sempre quer segurar a câmera) e dá ordens aos seus subalternos. De vez em quando eles fazem alguma besteira, porque ele faz que "não" com o dedo indicador e repete "nanana" ou "nonono", isso se o seu funcionário fala português ou inglês. Enquanto brincava com o termômetro digital, ouviu um apito (depois de 2 minutos, o bicho apita) e não teve dúvidas: tirou-o da boca e colocou no ouvido, para saber de quem era a ligação.
Os controles remotos são uma honrosa exceção. Ele jamais os usa como telefone, aponta-os para a TV e urra de raiva quando nada acontece. Aí ele os esconde debaixo da almofada do sofá (vai que alguém os encontra, já pensou o estrago ?) e vai diretamente à TV trocar o canal ou desligá-la e religá-la quatrocentas e vinte e nove vezes.
E por que ele brinca com essas coisas ? A indústria de brinquedos ainda não percebeu a necessidade de uniformizar os telefones, máquinas fotográficas, computadores e outros apetrechos destinados ao público menor de 2 anos. Deveriam ser todos pretos ou prata, de acordo com o que os pais têm em casa. Um telefone colorido, que acende luz e canta "Old MacDonald" não engana nenhum macaco velho que já passou de um ano de idade.
Perguntei ao meu pai com o que será que brincavam os avós e bisavós desta geração que já nasce digitando no laptop e ele, caçula de seis filhos numa família pobre, respondeu na lata: com sabugo de milho.
PS: Você, sem filhos, aposto que está pensando "por que não dar um controle remoto sem pilhas ou um celular estragado para o menino brincar ?". Porque a criança só morde a isca nos primeiros 10 segundos da sua primeira tentativa e, assim que ela percebe que ninguém reclama quando ela tenta mudar o canal com o controle ou que o telefone não faz barulho, já era.
O mais interessante é que o Pacotinho de Suspeitas acredita que está sendo enganado o tempo todo. Para ele, tudo o que pode ser levantado com uma mão é um telefone disfarçado, mas os adultos utilizam de formas diferentes para enganá-lo. Então ele coloca a máquina fotográfica no ouvido (uma luta para tirar uma única foto, ele sempre quer segurar a câmera) e dá ordens aos seus subalternos. De vez em quando eles fazem alguma besteira, porque ele faz que "não" com o dedo indicador e repete "nanana" ou "nonono", isso se o seu funcionário fala português ou inglês. Enquanto brincava com o termômetro digital, ouviu um apito (depois de 2 minutos, o bicho apita) e não teve dúvidas: tirou-o da boca e colocou no ouvido, para saber de quem era a ligação.
Os controles remotos são uma honrosa exceção. Ele jamais os usa como telefone, aponta-os para a TV e urra de raiva quando nada acontece. Aí ele os esconde debaixo da almofada do sofá (vai que alguém os encontra, já pensou o estrago ?) e vai diretamente à TV trocar o canal ou desligá-la e religá-la quatrocentas e vinte e nove vezes.
E por que ele brinca com essas coisas ? A indústria de brinquedos ainda não percebeu a necessidade de uniformizar os telefones, máquinas fotográficas, computadores e outros apetrechos destinados ao público menor de 2 anos. Deveriam ser todos pretos ou prata, de acordo com o que os pais têm em casa. Um telefone colorido, que acende luz e canta "Old MacDonald" não engana nenhum macaco velho que já passou de um ano de idade.
Perguntei ao meu pai com o que será que brincavam os avós e bisavós desta geração que já nasce digitando no laptop e ele, caçula de seis filhos numa família pobre, respondeu na lata: com sabugo de milho.
PS: Você, sem filhos, aposto que está pensando "por que não dar um controle remoto sem pilhas ou um celular estragado para o menino brincar ?". Porque a criança só morde a isca nos primeiros 10 segundos da sua primeira tentativa e, assim que ela percebe que ninguém reclama quando ela tenta mudar o canal com o controle ou que o telefone não faz barulho, já era.
09 setembro, 2007
Inglês para falar dos filhos dos outros

Quem já foi ao supermercado e torceu o nariz para aquela criança de aproximadamente dois anos, rolando pelo chão e berrando sem parar que tenha o primeiro filho. Se você é daqueles que acham que o seu filho fica chato quando está com fome ou com sono, mas o dos outros é cronicamente insuportável e sem educação, aqui vão algumas palavras básicas para poder falar do pestinha "in English":
"Bully" = metido a valentão, mas covarde e cruel, que tem prazer em agredir e humilhar os menores e mais fracos. É o filho daquela nova namorada do seu primo divorciado (que por sinal você queria apresentar à sua amiga recém-separada), que aterroriza as crianças pequenas nas festas da família. Bate, empurra, abaixa as calças delas em público, coloca pedras de gelo dentro da camisa do seu afilhado e inventa musiquinhas imbecis com os nomes dos seus sobrinhos. Se for o seu filho que faz isso, coitadinho, ele é hiperativo (em inglês, usa-se a sigla ADHD).
"Brat" = pestinha, criança mimada ou irritante. Não é por acaso que o filho do Homer Simpson atende por Bart, é um jogo de letras com "brat".
"Cheeky" = insolente, impertinente, atrevido, malcriado. Aquela pessoinha agradável, que sempre tem uma resposta para tudo na ponta da língua, contrariando o que você educadamente acabou de sugerir é "cheeky" (como eu era assim, sou tentada a dizer que só os mais "smart" conseguem ser "cheeky", mas estamos falando do filho dos outros, então é pura falta de educação mesmo).
"Crabby" ou "grumpy" = mal humorado, rabugento. O anãozinho Ranzinza da Branca de Neve atende por Grumpy, na versão original. Talvez seja regionalismo, mas pelo menos por aqui, "cranky" é mais usado para crianças e "grumpy" para adultos. "Crabby" para todas as idades.
"Cranky" = de mau humor ou, como dizem em algumas regiões do Brasil, "abusado". Alguém cronicamente rabugento pode ser "cranky pants" (adultos inclusive, quem não conhece um Mr. Cranky Pants ?). Um bebezinho chorando por tudo está "cranky" se for filho do vizinho, mas o seu só tem cólica. Uma expressão comum por aqui, que é um jogo de palavras com "crock pot" (panela elétrica que cozinha lentamente) é "crank pot". É difícil numa casa com "toddlers" (crianças de 18 meses a 3 anos) não haver um "crank pot" no final da tarde mas, na sua casa, o mal deles é sono.
"Spoiled" = mimado, estragado. Uma boa combinação é "spoiled brat" ou para meninas mimadas, fresquinhas e consumistas, "spoiled little princess". Se algum dia você achar que seus filhos são "spoiled", certamente é culpa das avós que fazem todas as vontades deles, porque você é uma mãe impecável.
"Sulky" = emburrado. A típica criança pequena que está "sulking" tem os braços cruzados, recusa-se a dizer uma palavra e ainda faz beicinho ("pout"). A típica esposa que está "sulking" é acometida por uma terrível enxaqueca quando o marido, após ter esquecido o aniversário de casamento, decide tentar uma comemoração íntima no quarto (isso duas semanas depois do esquecimento).
"Tantrum" ou "hissy fit" = aquela birra homérica, com direito a uma levantada de pescoço do freguês que estava lá no corredor das verduras, para espiar de onde vêm os gritos histéricos do menino de frente para a gôndola de chocolates. E a expressão utilizada é "to throw a tantrum", então para criticar a filha mimada da sua vizinha, diga, enquanto revira os olhos, com ar de quem tem PhD em Psicologia Infantil, "she is such a spoiled little princess, she's always throwing a tantrum".
"To whine" = gemer, choramingar, fazer manha. Aquele garotinho que fica abraçado com o brinquedo caríssimo na loja, falando com voz chorosa "por favor, compra para mim, compra agora" está "whinning". Você pode cochichar com seu namorado sem filhos "he's a whiner" ou "what a whiny boy" ("whiney" também é correto). Como a pronúncia é a mesma que a da palavra "wine" (vinho), se você quiser levar um chute na canela, pode perguntar ao menino "would you like some cheese with your whine ?"
Resumindo: a adorável criatura, que além de ser um "spoiled brat", é uma "bully" famosa na creche, sai de casa já "cranky", passa no supermercado com o pai e começa a ficar "whiny" pedindo um brinquedo que sabe que não vai ganhar. O pobre pai tenta argumentar, mas quem nasce "cheeky" morre "cheeky". Não convencendo ninguém, ela "throws a tantrum". O pai arrasta o polvo (sim, criança pequena dando birra é mais difícil de ser carregada que um polvo epiléptico) até o carro. E aí ela passa o resto do dia "sulking".
Gente, o intuito do post era falar de vocabulário em inglês, não de servir como método para controle de natalidade !
08 setembro, 2007
Inglês que não se aprende na escola: "grow-op"
Sou uma apaixonada por idiomas. Não sei se já nasci assim ou se foi influência do meu pai. Tenho preocupação em escrever corretamente e os poucos erros ortográficos que cometo em inglês envolvem palavras que nunca vi escritas. Uma vez que alguém me corrige, não esqueço mais. Foi assim com a a palavra "Rumanian" (romeno), que também aceita a forma "Romanian", mas eu tinha escrito "Romenian" e fui salva por um amigo "native speaker".
Em sete anos morando em Vancouver, aprendi a nunca perguntar a um canadense como soletrar uma palavra, já que dependendo dela, poucos poderão ajudar. Já cansei de dizer a duas colegas que "tomorrow" tem dois "r" e não dois "m", mas desisti. A verdade é que inglês é uma língua cuja pronúncia e ortografia nem sempre andam juntas, então muita gente nem tenta escrever certo. Ou alguém acha que faz sentido "bored" (entediado) e "board" (inúmeros significados) serem pronunciados de forma idêntica ? Só depois de morar no Canadá entendi o porquê de existirem tantos concursos de soletrar palavras nas escolas.
Tudo isso para dizer que vou criar um espaço aqui no blog para falar das palavras e expressões úteis em inglês (úteis, porque "it's raining cats and dogs" é uma palhaçada que só se lê em livros para estrangeiros e pode acreditar, morando em Raincouver, o que não falta é expressão para dizer "está chovendo muito"). Isso sem a pretensão de querer ensinar inglês (quem sou eu, vivo com medo de esquecer o português), somente para expandir o vocabulário e compartilhar certas curiosidades.
E hoje vou falar de uma palavra bem popular nos noticiários sobre Vancouver, mas que duvido que sua professora de inglês no Brasil tenha mencionado: "grow-op". "Op" costuma ser a forma curta de "operation". E "grow-op" é o esquema de plantação ilegal de maconha, seja dentro de casa (por incrível que pareça, há 18.000 residências suspeitas em Vancouver) e até dentro de um carro .
Interessante é a forma como a polícia descobre as "grow-ops": pela absurda conta de luz. Na escuridão e no frio que acometem esta terra grande parte do ano, o único jeito de plantação de Cannabis vingar é com holofotes ligados dia e noite. Então, para saber se a casa dos sonhos que você pretende alugar ou comprar aqui já foi uma "grow-op", fique ligado nas pistas . Um filme super interessante que mostra a situação e que não sei como NÃO foi filmado aqui é Saving Grace , que em português recebeu o apropriado título de "O Barato de Grace".
Vou tentar escrever ao menos semanalmente sobre "inglês que não se aprende na escola". Se eu esquecer, alguém aí me dá uma chamada.
Em sete anos morando em Vancouver, aprendi a nunca perguntar a um canadense como soletrar uma palavra, já que dependendo dela, poucos poderão ajudar. Já cansei de dizer a duas colegas que "tomorrow" tem dois "r" e não dois "m", mas desisti. A verdade é que inglês é uma língua cuja pronúncia e ortografia nem sempre andam juntas, então muita gente nem tenta escrever certo. Ou alguém acha que faz sentido "bored" (entediado) e "board" (inúmeros significados) serem pronunciados de forma idêntica ? Só depois de morar no Canadá entendi o porquê de existirem tantos concursos de soletrar palavras nas escolas.
Tudo isso para dizer que vou criar um espaço aqui no blog para falar das palavras e expressões úteis em inglês (úteis, porque "it's raining cats and dogs" é uma palhaçada que só se lê em livros para estrangeiros e pode acreditar, morando em Raincouver, o que não falta é expressão para dizer "está chovendo muito"). Isso sem a pretensão de querer ensinar inglês (quem sou eu, vivo com medo de esquecer o português), somente para expandir o vocabulário e compartilhar certas curiosidades.
E hoje vou falar de uma palavra bem popular nos noticiários sobre Vancouver, mas que duvido que sua professora de inglês no Brasil tenha mencionado: "grow-op". "Op" costuma ser a forma curta de "operation". E "grow-op" é o esquema de plantação ilegal de maconha, seja dentro de casa (por incrível que pareça, há 18.000 residências suspeitas em Vancouver) e até dentro de um carro .
Interessante é a forma como a polícia descobre as "grow-ops": pela absurda conta de luz. Na escuridão e no frio que acometem esta terra grande parte do ano, o único jeito de plantação de Cannabis vingar é com holofotes ligados dia e noite. Então, para saber se a casa dos sonhos que você pretende alugar ou comprar aqui já foi uma "grow-op", fique ligado nas pistas . Um filme super interessante que mostra a situação e que não sei como NÃO foi filmado aqui é Saving Grace , que em português recebeu o apropriado título de "O Barato de Grace".
Vou tentar escrever ao menos semanalmente sobre "inglês que não se aprende na escola". Se eu esquecer, alguém aí me dá uma chamada.
07 setembro, 2007
Mudando a Língua
"Encaro com grande ceticismo esse acordo ortográfico. É uma reforma tímida, que não traz grandes inovações. Mas não gostei. Queria que meus tremas ficassem onde estão."
João Ubaldo Ribeiro
Segundo reportagem da revista Veja desta semana, estão querendo reformar a língua portuguesa e as mudanças propostas são, a meu ver, um pecado. Tirar os tremas porque as pessoas têm preguiça de escrever "lingüiça" corretamente é o fim. Uma das vantagens do português é justamente ser uma língua cuja escrita torna a pronúncia bem óbvia (com exceção do "x", que tem inúmeras variações, mas comparada com a ortografia do inglês, nossa língua é facílima de escrever). Se for assim, teremos que passar a escrever "moro aqui a sete anos", já que pouquíssimas pessoas utilizam a forma correta "há sete anos". Também teríamos que eliminar a crase, outra vítima crônica dos agressores da língua.
Há uns dez anos, lembro de alguém ter dito a um amigo meu que escreveu "cinqüenta" corretamente num cheque (aliás, além do povo lá de casa, só sei dele e de mais dois amigos que colocam os dois pontinhos no "u" do coitado do número e olha que meu primeiro emprego foi como caixa de banco, então já li muito cheque na vida) que o trema já havia caído e ele perguntou "e quem o derrubou ? A Folha de São Paulo ?"
Eu adoro ler um texto bem escrito, sem agressões ortográficas ou ataques à concordância. Independentemente do conteúdo, fico logo fã do autor, como é o caso do Leandro e da Denise . Enquanto tem gente que se diverte com Sudoku , eu passo tempo encontrando erros em textos (de jornais, revistas e livros, que da internet é covardia). Há gosto para tudo ! Se o Marido Gringo enche metade da estante com livros que têm dragões voadores (será uma redundância ? Todos os dragões são voadores ? Ai, como posso viver com esta dúvida ?), eu gosto de ler livros de autores que sabem escrever.
Se houver por aí outros malucos como eu, este site é um ótimo passatempo para longas noites insones: Nossa língua portuguesa.
E, mesmo exilada há tanto tempo, gostaria de não fazer Machado de Assis revirar-se no túmulo. Aliás, este é um dos meus maiores medos de brasileira longe da terrinha. Se alguém perceber alguma besteira, favor dar um toque.
João Ubaldo Ribeiro
Segundo reportagem da revista Veja desta semana, estão querendo reformar a língua portuguesa e as mudanças propostas são, a meu ver, um pecado. Tirar os tremas porque as pessoas têm preguiça de escrever "lingüiça" corretamente é o fim. Uma das vantagens do português é justamente ser uma língua cuja escrita torna a pronúncia bem óbvia (com exceção do "x", que tem inúmeras variações, mas comparada com a ortografia do inglês, nossa língua é facílima de escrever). Se for assim, teremos que passar a escrever "moro aqui a sete anos", já que pouquíssimas pessoas utilizam a forma correta "há sete anos". Também teríamos que eliminar a crase, outra vítima crônica dos agressores da língua.
Há uns dez anos, lembro de alguém ter dito a um amigo meu que escreveu "cinqüenta" corretamente num cheque (aliás, além do povo lá de casa, só sei dele e de mais dois amigos que colocam os dois pontinhos no "u" do coitado do número e olha que meu primeiro emprego foi como caixa de banco, então já li muito cheque na vida) que o trema já havia caído e ele perguntou "e quem o derrubou ? A Folha de São Paulo ?"
Eu adoro ler um texto bem escrito, sem agressões ortográficas ou ataques à concordância. Independentemente do conteúdo, fico logo fã do autor, como é o caso do Leandro e da Denise . Enquanto tem gente que se diverte com Sudoku , eu passo tempo encontrando erros em textos (de jornais, revistas e livros, que da internet é covardia). Há gosto para tudo ! Se o Marido Gringo enche metade da estante com livros que têm dragões voadores (será uma redundância ? Todos os dragões são voadores ? Ai, como posso viver com esta dúvida ?), eu gosto de ler livros de autores que sabem escrever.
Se houver por aí outros malucos como eu, este site é um ótimo passatempo para longas noites insones: Nossa língua portuguesa.
E, mesmo exilada há tanto tempo, gostaria de não fazer Machado de Assis revirar-se no túmulo. Aliás, este é um dos meus maiores medos de brasileira longe da terrinha. Se alguém perceber alguma besteira, favor dar um toque.
06 setembro, 2007
Na Creche Nova
O Pacotinho de Adaptação começou na creche nova terça-feira, logo após o feriado do Dia do Trabalho. Como Mamãe não tem mais férias para tirar, ele foi acompanhado pelo Papai (aliás, adorei os três dias tendo um marido "stay-at-home dad", que é uma maravilha chegar em casa do trabalho e poder fazer o jantar em paz enquanto alguém leva o Pacotinho de Destruição da Casa para brincar no parquinho. Maravilha mesmo seria chegar em casa e encontrar o jantar pronto, mas aí teria que ser uma empregada, porque a comida do Marido Gringo só foi testada uma vez e quando a gente fica na dúvida se o que está no prato é carne ou o carvão da churrasqueira, o melhor é jejuar).
No primeiro dia, eles ficaram lá por duas horas e no segundo, Papai foi dispensado, porque o Pacotinho de Relações Sociais estava tão bem adaptado que parecia já fazer parte daquela creche por muito tempo.
Tirando o que Mamãe e Papai acham que não está bom, está tudo ótimo por lá. O Pacotinho de Frescura hoje não quis almoçar, sendo que o cardápio era chique, com sopa de cogumelo e pão de alho (ele tem 1 ano e 2 meses, sem comentários). Por outro lado, como o lanche geralmente é fruta e ele decidiu que vai viver somente de frutas esta semana, atacou o prato de melão "cantaloupe" (aquele laranja) com a delicadeza de um javali faminto.
Como de hábito, apareceu lá com uma roupa e voltou para casa com outra. É que tinha uma bacia para as crianças lavarem as mãos e adivinha quem foi o único que subiu na mesa e entrou nela ? Também trouxe para casa metade da areia do parquinho dentro dos sapatos, mas isso faz parte. Se fui uma mãe fresca, foi em alguma das minhas vidas passadas, nas quais não acredito.
E hoje de manhã, a professora mais antiga lá da creche perguntou ao Marido Gringo Seu Conterrâneo: "A sua esposa está mais tranqüila ? Quando ela veio aqui da primeira vez, ficou com uma cara de quem estava em pânico". Pois é, quem me conhece sabe que interpretação nunca foi o meu forte.
No primeiro dia, eles ficaram lá por duas horas e no segundo, Papai foi dispensado, porque o Pacotinho de Relações Sociais estava tão bem adaptado que parecia já fazer parte daquela creche por muito tempo.
Tirando o que Mamãe e Papai acham que não está bom, está tudo ótimo por lá. O Pacotinho de Frescura hoje não quis almoçar, sendo que o cardápio era chique, com sopa de cogumelo e pão de alho (ele tem 1 ano e 2 meses, sem comentários). Por outro lado, como o lanche geralmente é fruta e ele decidiu que vai viver somente de frutas esta semana, atacou o prato de melão "cantaloupe" (aquele laranja) com a delicadeza de um javali faminto.
Como de hábito, apareceu lá com uma roupa e voltou para casa com outra. É que tinha uma bacia para as crianças lavarem as mãos e adivinha quem foi o único que subiu na mesa e entrou nela ? Também trouxe para casa metade da areia do parquinho dentro dos sapatos, mas isso faz parte. Se fui uma mãe fresca, foi em alguma das minhas vidas passadas, nas quais não acredito.
E hoje de manhã, a professora mais antiga lá da creche perguntou ao Marido Gringo Seu Conterrâneo: "A sua esposa está mais tranqüila ? Quando ela veio aqui da primeira vez, ficou com uma cara de quem estava em pânico". Pois é, quem me conhece sabe que interpretação nunca foi o meu forte.
05 setembro, 2007
Laughing Blog Award
A Deby , a Carla e a Keiko indicaram este despretensioso blog para o Laughing Blog Award. Se fosse Immigration Information Blog Award, elas iriam levar uns chacoalhões virtuais (só dou tapa em pernilongo), mas como a intenção foi outra, fiquei muito lisonjeada pensando que talvez eu de vez em quando possa animar um pouquinho o dia de alguém com TPM, filho com catapora, pelanca na barriga, empregada de férias e sogra em casa (ilusão minha que ninguém é TÃO espirituoso assim). Isso foi há uns trocentos milênios, mas só aprendi a colocar os links há 5 minutos, então não pude participar antes, 'tá ? A gente faz o que pode ! Eu aqui me sentindo metida como se fosse a entrega do Oscar e o povo já pensando em reclamar da demora.
A votação é um lance tão complicado quanto a eleição para presidente dos USA, pelo menos para os quase ignorantes em assuntos bloguísticos, de cujo sindicato infelizmente faço parte. É preciso aparecer lá no blog da Meiroca para votar.
Aqui vão aqueles que me fazem rir nas longas noites insones de plantão tranqüilo:
Drops da Fal
O Diabo dá os Toques
Era uma vez e é ainda
Manazinha, a Égua da Ciça
Tirando o Sapato
Boa diversão.
A votação é um lance tão complicado quanto a eleição para presidente dos USA, pelo menos para os quase ignorantes em assuntos bloguísticos, de cujo sindicato infelizmente faço parte. É preciso aparecer lá no blog da Meiroca para votar.
Aqui vão aqueles que me fazem rir nas longas noites insones de plantão tranqüilo:
Drops da Fal
O Diabo dá os Toques
Era uma vez e é ainda
Manazinha, a Égua da Ciça
Tirando o Sapato
Boa diversão.
SAL do Iglu
O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu informa:
Para Suzana:
As notícias foram excepcionais mesmo. Para você ter uma idéia, a "massagista" morta atrás do prédio onde trabalhava foi a décima quinta pessoa assassinada no ano de 2007 aqui em Vancouver, isso no mês de agosto.
Quanto ao garotinho morto, tudo indica que foi o pai dele quem matou a família e depois se suicidou. Ele estava separado da mãe e já havia tentado matá-la, num suposto "acidente" de carro. A notícia nem entrou para a minha lista porque fiquei sabendo depois de ter escrito o post.
Para Deby:
Parece que a cultura dos noivos envolve uma caminhada longa depois da recepção de casamento. Os convidados estavam caminhando no escuro, numa estrada sem iluminação e foram atropelados por um senhor indiano já idoso, que não esperava encontrar um bando de gente numa ladeira na estrada. Lembrei do Drummond "no meio do caminho havia uma pedra".
Para Suzana:
As notícias foram excepcionais mesmo. Para você ter uma idéia, a "massagista" morta atrás do prédio onde trabalhava foi a décima quinta pessoa assassinada no ano de 2007 aqui em Vancouver, isso no mês de agosto.
Quanto ao garotinho morto, tudo indica que foi o pai dele quem matou a família e depois se suicidou. Ele estava separado da mãe e já havia tentado matá-la, num suposto "acidente" de carro. A notícia nem entrou para a minha lista porque fiquei sabendo depois de ter escrito o post.
Para Deby:
Parece que a cultura dos noivos envolve uma caminhada longa depois da recepção de casamento. Os convidados estavam caminhando no escuro, numa estrada sem iluminação e foram atropelados por um senhor indiano já idoso, que não esperava encontrar um bando de gente numa ladeira na estrada. Lembrei do Drummond "no meio do caminho havia uma pedra".
04 setembro, 2007
SAL do Iglu para Deby
Garantidas por lei são somente duas semanas de férias remuneradas por ano, mas muitos empregos concedem mais do que isso (eu tinha quatro semanas até 2006, agora tenho um dia a mais de férias por cada ano trabalhado, sem limite máximo). É costume por aqui considerar o salário anual e não mensal ou semanal. Visto desta forma, o salário dos professores é dividido em 10 meses ao invés de 12, porque eles recebem de setembro a junho. Na minha mentalidade de quem recebe pagamento a cada duas semanas durante o ano inteiro, os dois meses de férias deles não são remunerados.
03 setembro, 2007
Deu a louca nas notícias
De uns dez dias para cá as manchetes nos jornais locais têm sido tão estranhas ! Sexta-feira passada uma colega de trabalho me perguntou: "por que será que está todo o mundo sendo morto em Vancouver ?" Depois a exagerada sou eu !
Algumas notícias incomuns que estamparam a primeira página dos jornais nas últimas duas semanas:
"Duas pessoas morrem e onze ficam feridas em acidente com balão"
"Seis pessoas morrem atropeladas e dezessete ficam feridas numa procissão de casamento"
"Dois pés direitos encontrados em praias perto de Vancouver"
"Mulher encontrada morta atrás de um prédio residencial em Kitsilano era massagista de um prostíbulo que funcionava no edifício"
"Polícia encontra plantação de maconha em duas casas de agentes imobiliários"
"Procura-se um canadense simpático para casar com uma
americana com câncer "
Para quem lê o The Province, hoje teve uma reportagem de página inteira sobre Lula e o combate aos assassinatos no Brasil (estranho é o fato merecer mais espaço no jornal do que o usado para noticiar o acidente com o avião da TAM há pouco tempo).
Mas a notícia que mais me intrigou não saiu em jornal algum. Hoje a minha chefe comunicou à equipe que uma colega enfermeira está desaparecida há mais de duas semanas. Ela vinha ligando diariamente, dizendo que não viria trabalhar por estar doente, mas parou de manter contato. Inclusive quem atendeu à última ligação dela para o hospital fui eu. Sabe-se que ela não estava doente, mas não podia trabalhar por estar em situação irregular com o Conselho de Enfermagem local (não renovou a licença, que é uma facada todo mês de fevereiro). O hospital avisou à polícia, que foi ao suposto endereço da moça, onde por sinal ela não mora. Os três filhos dela estão com o pai, que por sinal trabalha lá no hospital também (não falo que meu emprego é tão interessante quanto "Grey's Anatomy" ?). Uma pessoa que tem irmão, cunhada, pai e mãe, ex-marido, duas filhas adolescentes precisa que o trabalho entre em contato com as autoridades para avisar do seu desaparecimento ? E o endereço dela era falso ? Logo ela, que nunca nem entrou para a minha lista de "colegas mais esquisitas" !
Considerando que se trata da cidade novamente eleita como sendo a de melhor qualidade de vida do mundo, os vizinhos talvez não sejam sempre da melhor qualidade. Eu já tive vizinho traficante morando no meu andar, mas pelo menos ele não plantava maconha dentro do apartamento. Eu sempre via um pessoal esquisitíssimo saindo do elevador junto comigo, mas só caiu a ficha no dia em que vi o cara saindo do apartamento algemado e escoltado por dois policiais. Prostíbulo aqui no meu atual prédio acho pouco provável, até porque é uma luta conseguir vaga para estacionar por perto (ia dizer que o aluguel aqui é caro, mas o bairro onde a moça morreu também tem aluguéis caros). Agora não dá para negar que os dois pés direitos na praia enterraram de vez o meu já falecido desejo de mergulhar nas águas escuras e geladas desta terra !
P.S.: Depois que eu aprendi a colocar os links no blog, a leitura de um post agora leva uma hora.
Algumas notícias incomuns que estamparam a primeira página dos jornais nas últimas duas semanas:
"Duas pessoas morrem e onze ficam feridas em acidente com balão"
"Seis pessoas morrem atropeladas e dezessete ficam feridas numa procissão de casamento"
"Dois pés direitos encontrados em praias perto de Vancouver"
"Mulher encontrada morta atrás de um prédio residencial em Kitsilano era massagista de um prostíbulo que funcionava no edifício"
"Polícia encontra plantação de maconha em duas casas de agentes imobiliários"
"Procura-se um canadense simpático para casar com uma
americana com câncer "
Para quem lê o The Province, hoje teve uma reportagem de página inteira sobre Lula e o combate aos assassinatos no Brasil (estranho é o fato merecer mais espaço no jornal do que o usado para noticiar o acidente com o avião da TAM há pouco tempo).
Mas a notícia que mais me intrigou não saiu em jornal algum. Hoje a minha chefe comunicou à equipe que uma colega enfermeira está desaparecida há mais de duas semanas. Ela vinha ligando diariamente, dizendo que não viria trabalhar por estar doente, mas parou de manter contato. Inclusive quem atendeu à última ligação dela para o hospital fui eu. Sabe-se que ela não estava doente, mas não podia trabalhar por estar em situação irregular com o Conselho de Enfermagem local (não renovou a licença, que é uma facada todo mês de fevereiro). O hospital avisou à polícia, que foi ao suposto endereço da moça, onde por sinal ela não mora. Os três filhos dela estão com o pai, que por sinal trabalha lá no hospital também (não falo que meu emprego é tão interessante quanto "Grey's Anatomy" ?). Uma pessoa que tem irmão, cunhada, pai e mãe, ex-marido, duas filhas adolescentes precisa que o trabalho entre em contato com as autoridades para avisar do seu desaparecimento ? E o endereço dela era falso ? Logo ela, que nunca nem entrou para a minha lista de "colegas mais esquisitas" !
Considerando que se trata da cidade novamente eleita como sendo a de melhor qualidade de vida do mundo, os vizinhos talvez não sejam sempre da melhor qualidade. Eu já tive vizinho traficante morando no meu andar, mas pelo menos ele não plantava maconha dentro do apartamento. Eu sempre via um pessoal esquisitíssimo saindo do elevador junto comigo, mas só caiu a ficha no dia em que vi o cara saindo do apartamento algemado e escoltado por dois policiais. Prostíbulo aqui no meu atual prédio acho pouco provável, até porque é uma luta conseguir vaga para estacionar por perto (ia dizer que o aluguel aqui é caro, mas o bairro onde a moça morreu também tem aluguéis caros). Agora não dá para negar que os dois pés direitos na praia enterraram de vez o meu já falecido desejo de mergulhar nas águas escuras e geladas desta terra !
P.S.: Depois que eu aprendi a colocar os links no blog, a leitura de um post agora leva uma hora.
Dia do Trabalho
Na primeira segunda-feira de setembro comemora-se o Dia do Trabalho no Canadá. A data tem muitos outros significados por aqui.
Para os pais significa sossego, porque no dia seguinte ao feriado recomeçam as aulas. Para as crianças a partir de cinco anos significa o fim das férias e a volta à escola. Para os professores significa ver o salário de volta (as longas férias deles não são remuneradas). Para todos os mortais com ou sem filhos, significa o fim do verão propriamente dito (embora oficialmente o outono só comece dia 21 de setembro, na prática, conte com a chuva eterna daqui para frente que qualquer dia de sol em Raincouver depois do Dia do Trabalho é lucro) e uma gripe cavalar que ataca quase toda a população logo após a volta às aulas. A gripe de setembro é famosa e precede a vacina, que é aplicada a partir de outubro. Para os trabalhadores de hospital que têm a sorte de dar plantão neste dia, significa uma boa grana extra, porque é um dos três feriados do ano que valem duas vezes e meia a hora trabalhada (os outros dois são Sexta-Feira Santa e dia de Natal e como tem gente que prefere não trabalhar nesses dois dias por motivos religiosos, o dia de hoje é o feriado mais disputado, chegando a causar brigas entre os "não-escolhidos"). Para o Pacotinho de Mudanças, significa o começo da adaptação à creche nova.
Para mim, significa melancolia. É o fim do verão e o início da escuridão. A chuva constante de Raincouver de outubro a maio até é irritante, mas o pior mesmo do inverno é o fato de amanhecer tão tarde e anoitecer tão cedo. Mas antes do inverno tem o outono ! Eu sei, mas para quem cresceu adorando os quatro meses de seca no Planalto Central, outono e inverno por aqui "é tudo a mesma coisa". A diferença é que até o Halloween ainda há folhas coloridas nas árvores e depois nem isso. A partir de novembro eu passo a assistir à TV e a ler sentada debaixo de uma lâmpada para evitar o mofo nas idéias e a SAD ("seasonal affected disorder", ou no popular, depressão de país frio), aos quais sou altamente propensa. De dezembro a março, caminho para o trabalho no escuro e volto para casa pouco antes de anoitecer novamente.
Tem uma única coisa boa para mim depois do feriado de setembro: a TV volta à sua programação normal e todos os seriados recomeçam a nova temporada. Só assim para sobreviver ao longo e tenebroso inverno mantendo a sanidade mental ! Como passei as últimas semanas revendo todos os episódios desde a primeira temporada de Grey's Anatomy, a última de Desperate Housewives e não tenho mais nenhum episódio não visto, acho que já era tempo de acabarem as férias na TV. Marido Gringo Que Só Gosta de Filme de Guerra, Ficção Científica ou Fantasia acusou-me de estar "viciada" em DVD's toda noite. Pelo menos os que eu gosto não têm duendes como personagens nem espaçonaves como meio de transporte !
Aquele papo de que "com o tempo, a gente se acostuma com o inverno", para uma amante de sol e calor, é lenda. Deve ter sido inventado pelo mesmo homem que disse que, depois do parto, a mãe esquece a dor que passou. Se não der para visitar meu adorado Quadradinho em janeiro, Cancún, aí vamos nós ! Ninguém merece os longos meses de inverno sem sol. Ao menos, EU não mereço.
Para os pais significa sossego, porque no dia seguinte ao feriado recomeçam as aulas. Para as crianças a partir de cinco anos significa o fim das férias e a volta à escola. Para os professores significa ver o salário de volta (as longas férias deles não são remuneradas). Para todos os mortais com ou sem filhos, significa o fim do verão propriamente dito (embora oficialmente o outono só comece dia 21 de setembro, na prática, conte com a chuva eterna daqui para frente que qualquer dia de sol em Raincouver depois do Dia do Trabalho é lucro) e uma gripe cavalar que ataca quase toda a população logo após a volta às aulas. A gripe de setembro é famosa e precede a vacina, que é aplicada a partir de outubro. Para os trabalhadores de hospital que têm a sorte de dar plantão neste dia, significa uma boa grana extra, porque é um dos três feriados do ano que valem duas vezes e meia a hora trabalhada (os outros dois são Sexta-Feira Santa e dia de Natal e como tem gente que prefere não trabalhar nesses dois dias por motivos religiosos, o dia de hoje é o feriado mais disputado, chegando a causar brigas entre os "não-escolhidos"). Para o Pacotinho de Mudanças, significa o começo da adaptação à creche nova.
Para mim, significa melancolia. É o fim do verão e o início da escuridão. A chuva constante de Raincouver de outubro a maio até é irritante, mas o pior mesmo do inverno é o fato de amanhecer tão tarde e anoitecer tão cedo. Mas antes do inverno tem o outono ! Eu sei, mas para quem cresceu adorando os quatro meses de seca no Planalto Central, outono e inverno por aqui "é tudo a mesma coisa". A diferença é que até o Halloween ainda há folhas coloridas nas árvores e depois nem isso. A partir de novembro eu passo a assistir à TV e a ler sentada debaixo de uma lâmpada para evitar o mofo nas idéias e a SAD ("seasonal affected disorder", ou no popular, depressão de país frio), aos quais sou altamente propensa. De dezembro a março, caminho para o trabalho no escuro e volto para casa pouco antes de anoitecer novamente.
Tem uma única coisa boa para mim depois do feriado de setembro: a TV volta à sua programação normal e todos os seriados recomeçam a nova temporada. Só assim para sobreviver ao longo e tenebroso inverno mantendo a sanidade mental ! Como passei as últimas semanas revendo todos os episódios desde a primeira temporada de Grey's Anatomy, a última de Desperate Housewives e não tenho mais nenhum episódio não visto, acho que já era tempo de acabarem as férias na TV. Marido Gringo Que Só Gosta de Filme de Guerra, Ficção Científica ou Fantasia acusou-me de estar "viciada" em DVD's toda noite. Pelo menos os que eu gosto não têm duendes como personagens nem espaçonaves como meio de transporte !
Aquele papo de que "com o tempo, a gente se acostuma com o inverno", para uma amante de sol e calor, é lenda. Deve ter sido inventado pelo mesmo homem que disse que, depois do parto, a mãe esquece a dor que passou. Se não der para visitar meu adorado Quadradinho em janeiro, Cancún, aí vamos nós ! Ninguém merece os longos meses de inverno sem sol. Ao menos, EU não mereço.
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