O Departamento de Informação da Vida Alheia do Iglu fofoca:
Para Eva Jucá
Aqui a mordomia é total, já que o Marido Gringo tem um carro com câmbio manual (há gosto para tudo neste mundo), mas o Irmão Prestativo está na Austrália e quem dirige seu carro chique com câmbio automático sou eu.
Os Baby Wipes ainda estou usando os que trouxe daí, grandes, grossos e SEM perfume. Deveria ter trazido vários pacotes...
Brasília está linda com as luzes de Natal !
26 dezembro, 2006
Você sabe que já está morando há muito tempo longe do Brasil quando...
... acha o máximo existirem carrocinhas vendendo água de coco a cada esquina;
... aprecia acordar com o canto dos passarinhos;
... fica impressionada ao ver um caminhão no meio da rua, vendendo 30 bananas a 2 reais;
... na mercearia, compra 3 ameixas, 1 mamão papaya e 2 peras e ainda se pergunta o porquê dos olhares surpresos do caixa;
... diz “thank you” ao japonês da mercearia;
... automaticamente tenta abrir as portas para dentro e não para fora;
... não sabe mais o que está na moda por aqui;
...fica revoltada ao ver que seu bebezinho levou 7 picadas de pernilongo num só braço, apesar de haver repelente na tomada e de ter lembrado de dar complexo B;
...fica chocada ao descobrir que as fraldas descartáveis brasileiras são de plástico e não de papel, inclusive as que são da mesma marca que as estrangeiras;
...fica feliz ao ouvir tanta MPB na rádio;
...acha estranho que, apesar de tomar 3 banhos por dia, seu filhotinho vive suado;
...fica maravilhada com as árvores “exóticas” da sua cidade: mangueiras, jaqueiras, mamoeiros e coqueiros;
...fica surpresa com a quantidade de crianças pequenas usando somente uma peça de roupa: a de baixo;
...se surpreende com a pilha de roupas que as ajudantes da sua anfitriã têm para passar (passar roupa ? Ainda existe isso ???);
... considera "mordomia" ter uma cabeleireira, uma massagista e uma manicure que atendam a domicílio, mas como as férias não são eternas, aproveita.
Não importa quanto tempo a gente passa longe do Brasil, de certas coisas EU jamais sentirei falta: baratas, lagartixas, sapos e demais anfíbios, morcegos e Cia. Por sorte, não fizeram sua visitinha.
... aprecia acordar com o canto dos passarinhos;
... fica impressionada ao ver um caminhão no meio da rua, vendendo 30 bananas a 2 reais;
... na mercearia, compra 3 ameixas, 1 mamão papaya e 2 peras e ainda se pergunta o porquê dos olhares surpresos do caixa;
... diz “thank you” ao japonês da mercearia;
... automaticamente tenta abrir as portas para dentro e não para fora;
... não sabe mais o que está na moda por aqui;
...fica revoltada ao ver que seu bebezinho levou 7 picadas de pernilongo num só braço, apesar de haver repelente na tomada e de ter lembrado de dar complexo B;
...fica chocada ao descobrir que as fraldas descartáveis brasileiras são de plástico e não de papel, inclusive as que são da mesma marca que as estrangeiras;
...fica feliz ao ouvir tanta MPB na rádio;
...acha estranho que, apesar de tomar 3 banhos por dia, seu filhotinho vive suado;
...fica maravilhada com as árvores “exóticas” da sua cidade: mangueiras, jaqueiras, mamoeiros e coqueiros;
...fica surpresa com a quantidade de crianças pequenas usando somente uma peça de roupa: a de baixo;
...se surpreende com a pilha de roupas que as ajudantes da sua anfitriã têm para passar (passar roupa ? Ainda existe isso ???);
... considera "mordomia" ter uma cabeleireira, uma massagista e uma manicure que atendam a domicílio, mas como as férias não são eternas, aproveita.
Não importa quanto tempo a gente passa longe do Brasil, de certas coisas EU jamais sentirei falta: baratas, lagartixas, sapos e demais anfíbios, morcegos e Cia. Por sorte, não fizeram sua visitinha.
23 dezembro, 2006
SAL do Iglu
O Serviço de Informação ao Leitor do Iglu responde:
Para Rachel:
Eu acredito que os pais devem tomar decisões bem informadas, sem culpa. Uma das maiores controvérsias atuais é a das vacinas.
Ao invés de induzi-la com a minha decisão, vou sugerir que pesquise sobre BCG e tuberculose (acha-se de tudo no Google e na biblioteca) e descubra como age a esta vacina (algumas garantem imunidade total, outras não, mas levam a uma doença mais branda, como a da catapora/varicela).
Ao contrário do que se costuma pensar, existe SIM tuberculose no Canadá. Num mundo globalizado, como não existiria ? Eu mesma já tive alguns pacientes com tuberculose (a maioria viciados em drogas e portadores de HIV). Ouvi de uma pessoa na mesma situação que você a seguinte pérola "eu me arrependi de ter dado a vacina para a minha filha quando fui ao Brasil, o braço vai ficar marcado para sempre. E não há tuberculose no Canadá. Aliás, nem no Brasil, eles obrigam a vacina só por conta da tuberculose no resto da América Latina !".
Saiba que, uma vez vacinado, eternamente seu filho terá uma reação positiva quando fizer o teste para tuberculose (aquele com injeção no braço). No Brasil, isso não é problema, porque que todos somos vacinados. Já na América do Norte, é uma dor de cabeça só. Como eu trabalho em hospital, todo ano faço o teste, dá sempre positivo (fraco, mas dá), tenho que fazer raio-X de tórax e até provar que focinho de porco não é tomada...
Não sei se você sabe, mas hoje em dia há famílias optando por não dar vacina ALGUMA a seus filhos (inclusive as obrigatórias). E também há mães que, se pudessem, vacinariam os filhos até contra unha encravada. Cabe a nós decidirmos em que extremo queremos ficar ou se o meio-termo nos convém.
Para Rachel:
Eu acredito que os pais devem tomar decisões bem informadas, sem culpa. Uma das maiores controvérsias atuais é a das vacinas.
Ao invés de induzi-la com a minha decisão, vou sugerir que pesquise sobre BCG e tuberculose (acha-se de tudo no Google e na biblioteca) e descubra como age a esta vacina (algumas garantem imunidade total, outras não, mas levam a uma doença mais branda, como a da catapora/varicela).
Ao contrário do que se costuma pensar, existe SIM tuberculose no Canadá. Num mundo globalizado, como não existiria ? Eu mesma já tive alguns pacientes com tuberculose (a maioria viciados em drogas e portadores de HIV). Ouvi de uma pessoa na mesma situação que você a seguinte pérola "eu me arrependi de ter dado a vacina para a minha filha quando fui ao Brasil, o braço vai ficar marcado para sempre. E não há tuberculose no Canadá. Aliás, nem no Brasil, eles obrigam a vacina só por conta da tuberculose no resto da América Latina !".
Saiba que, uma vez vacinado, eternamente seu filho terá uma reação positiva quando fizer o teste para tuberculose (aquele com injeção no braço). No Brasil, isso não é problema, porque que todos somos vacinados. Já na América do Norte, é uma dor de cabeça só. Como eu trabalho em hospital, todo ano faço o teste, dá sempre positivo (fraco, mas dá), tenho que fazer raio-X de tórax e até provar que focinho de porco não é tomada...
Não sei se você sabe, mas hoje em dia há famílias optando por não dar vacina ALGUMA a seus filhos (inclusive as obrigatórias). E também há mães que, se pudessem, vacinariam os filhos até contra unha encravada. Cabe a nós decidirmos em que extremo queremos ficar ou se o meio-termo nos convém.
Bate o Sino Pequenino
É tão bom estar de volta à terra da gente ! Eu sou suspeita para falar da Capital Federal, porque eu AMO isso aqui. Quanto mais conheço outros lugares, mais adoro Brasília. A organização da cidade, as facilidades de metrópole com aquela coisa de interior, já que todo o mundo conhece alguém que conhece a gente, o céu mais maravilhoso que já vi e até a seca (sim, ainda mais morando em Raincouver, eu adoro a seca, apesar de que não é época disso).
Depois de sete anos passando o Natal fora do Quadradinho (a gente sabe que na verdade é um retângulo, mas "Quadradinho" é mais simpático), eu havia esquecido de uma das mais gostosas tradições da cidade. Lá pelas 11 da noite, já dormindo há horas, ouço um barulhinho de sino. No meio do sonho, achei que fosse o Cunhado Distraído embrulhando um presente para as crianças (só em sonho mesmo seria o Cunhado e não a Santa Irmã a fazer embrulhos). Aí começou uma musiquinha de Natal, achei que fosse um brinquedo barulhento daqueles que a gente só compra para filho de inimigo. Mas ligado no meio da noite ? Finalmente acordei e olhei pela janela: era a Serenata de Natal !
Para quem não teve o privilégio de morar no Quadradinho, a Serenata de Natal é um coral que sai cantando em frente aos prédios residenciais no mês de dezembro. As pessoas chegam às janelas para apreciar alguns clássicos natalinos. Há algumas versões dos corais, inclusive eu participava de uma delas, filiada à minha paróquia e, além das cantigas, havia uma coleta de brinquedos e mantimentos para famílias carentes. Sinto tanta falta desse espírito natalino lá no Canadá, onde qualquer criança de 6 anos sabe de cor os nomes de todas as renas do Papai Noel (sim, elas têm nomes e são difíceis, tirando o Rodolfo, o do nariz vermelho), mas quase nada sabem do nascimento de Jesus.
Como eu sempre digo a quem me pergunta no Canadá se o Natal é um grande evento no Brasil: "se você fosse Jesus Cristo e pudesse escolher em que estação comemorar seu aniversário, preferiria o verão ou o inverno, por mais linda que seja a neve ?". E viva o Natal Tropical, quando se pode sair às ruas para cantar sem correr o risco de ter os pés congelados ou levar um escorregão no gelo !
Um Natal muito feliz e abençoado a todos vocês, repleto da paz que só um certo Bebê Celestial poderia ter trazido ao mundo. E, dizendo por experiência: depois que se tem filho é que se compreende melhor o amor infinito de Deus e de Maria.
Depois de sete anos passando o Natal fora do Quadradinho (a gente sabe que na verdade é um retângulo, mas "Quadradinho" é mais simpático), eu havia esquecido de uma das mais gostosas tradições da cidade. Lá pelas 11 da noite, já dormindo há horas, ouço um barulhinho de sino. No meio do sonho, achei que fosse o Cunhado Distraído embrulhando um presente para as crianças (só em sonho mesmo seria o Cunhado e não a Santa Irmã a fazer embrulhos). Aí começou uma musiquinha de Natal, achei que fosse um brinquedo barulhento daqueles que a gente só compra para filho de inimigo. Mas ligado no meio da noite ? Finalmente acordei e olhei pela janela: era a Serenata de Natal !
Para quem não teve o privilégio de morar no Quadradinho, a Serenata de Natal é um coral que sai cantando em frente aos prédios residenciais no mês de dezembro. As pessoas chegam às janelas para apreciar alguns clássicos natalinos. Há algumas versões dos corais, inclusive eu participava de uma delas, filiada à minha paróquia e, além das cantigas, havia uma coleta de brinquedos e mantimentos para famílias carentes. Sinto tanta falta desse espírito natalino lá no Canadá, onde qualquer criança de 6 anos sabe de cor os nomes de todas as renas do Papai Noel (sim, elas têm nomes e são difíceis, tirando o Rodolfo, o do nariz vermelho), mas quase nada sabem do nascimento de Jesus.
Como eu sempre digo a quem me pergunta no Canadá se o Natal é um grande evento no Brasil: "se você fosse Jesus Cristo e pudesse escolher em que estação comemorar seu aniversário, preferiria o verão ou o inverno, por mais linda que seja a neve ?". E viva o Natal Tropical, quando se pode sair às ruas para cantar sem correr o risco de ter os pés congelados ou levar um escorregão no gelo !
Um Natal muito feliz e abençoado a todos vocês, repleto da paz que só um certo Bebê Celestial poderia ter trazido ao mundo. E, dizendo por experiência: depois que se tem filho é que se compreende melhor o amor infinito de Deus e de Maria.
21 dezembro, 2006
O Padotinho de Burocracia
Chegando à Capital Federal, uma das primeiras providências do Pacotinho de Burocracia foi tentar legalizar sua certidão de nascimento emitida pelo Consulado Brasileiro no Canadá, aquela que deu tanta dor de cabeça para Mamãe.
Ele foi ao cartório acompanhado da Mamãe e do Vovô, dois notórios pés-frios. Vovô havia ligado e descoberto onde era o único cartório que faria tal legalização. Em época de Natal, claro que tinha que estar localizado num shopping center lotado. Foram os três, estacionaram num shopping e andaram a pé até o outro, já que as vagas estavam escassas. Depararam-se com várias escadas rolantes quebradas e um único elevador lotado. E o Pacotinho de Curiosidade ia, pendurado no canguru, arrancando olhares dos passantes, como se fosse o primeiro bebê da cidade a ser carregado desta forma.
No cartório, o Vovô pega uma senha e Mamãe observa o número que está sendo atendido – 003. “ Que número é o nosso ?” – pergunta a Mamãe Bisbilhoteira, já que a sala estava praticamente vazia e não poderia levar muito tempo. “Novecentos” - responde o Vovô Distraído, lendo o papelzinho 006 de cabeça para baixo. Já era um mau sinal...
Quando finalmente foram atendidos e a recepcionista preencheu o formulário com o nome do Padotinho de Burocracia, Mamãe logo notou o erro na ortografia. Sim, o Consulado Brasileiro havia escrito um nome errado na certidão. O avô paterno chama-se Momcilo, a avó, Slobodanka, o nome do papai é Aleksandar, tudo complicado, não era de se admirar que houvesse um erro, tendo em vista o histórico da Mamãe Que Bateu Bife Na Tábua Dos Dez Mandamentos.
E a moça informa que ele teria que ser registrado com o nome errado, para depois um advogado entrar com um processo de correção da certidão (o nome legal não é exatamente esse, mas a Mamãe Que Jogou Pedra Na Cruz nem prestou mais atenção e preferiu não fazer o registro de nascimento, mas voltar para “conversar” com o Consulado).
Ah ! Que nome estava escrito incorretamente ? Oliveira, que escreveram “Oliviera” !
Pergunta de um milhão de dólares: Isso aconteceria com o filho de alguém mais neste planeta ?
Ele foi ao cartório acompanhado da Mamãe e do Vovô, dois notórios pés-frios. Vovô havia ligado e descoberto onde era o único cartório que faria tal legalização. Em época de Natal, claro que tinha que estar localizado num shopping center lotado. Foram os três, estacionaram num shopping e andaram a pé até o outro, já que as vagas estavam escassas. Depararam-se com várias escadas rolantes quebradas e um único elevador lotado. E o Pacotinho de Curiosidade ia, pendurado no canguru, arrancando olhares dos passantes, como se fosse o primeiro bebê da cidade a ser carregado desta forma.
No cartório, o Vovô pega uma senha e Mamãe observa o número que está sendo atendido – 003. “ Que número é o nosso ?” – pergunta a Mamãe Bisbilhoteira, já que a sala estava praticamente vazia e não poderia levar muito tempo. “Novecentos” - responde o Vovô Distraído, lendo o papelzinho 006 de cabeça para baixo. Já era um mau sinal...
Quando finalmente foram atendidos e a recepcionista preencheu o formulário com o nome do Padotinho de Burocracia, Mamãe logo notou o erro na ortografia. Sim, o Consulado Brasileiro havia escrito um nome errado na certidão. O avô paterno chama-se Momcilo, a avó, Slobodanka, o nome do papai é Aleksandar, tudo complicado, não era de se admirar que houvesse um erro, tendo em vista o histórico da Mamãe Que Bateu Bife Na Tábua Dos Dez Mandamentos.
E a moça informa que ele teria que ser registrado com o nome errado, para depois um advogado entrar com um processo de correção da certidão (o nome legal não é exatamente esse, mas a Mamãe Que Jogou Pedra Na Cruz nem prestou mais atenção e preferiu não fazer o registro de nascimento, mas voltar para “conversar” com o Consulado).
Ah ! Que nome estava escrito incorretamente ? Oliveira, que escreveram “Oliviera” !
Pergunta de um milhão de dólares: Isso aconteceria com o filho de alguém mais neste planeta ?
SAL - Problemas Internáuticos Geométricos
O Serviço de atendimento ao leitor esclarece o título: tilti na internet aqui no Quadradinho.
Desde que a equipe de redação do Iglu mudou-se para a nova sede temporária no Planalto Central, tem havido uma certa implicância do blogger em publicar alguns comentários. Todos foram lidos e aceitos (ninguém da Gol escreveu para implicar e nenhum torcedor do Inter ameaçou me processar por ignorância), mas alguns não foram publicados e não foi por censura da redação, somente por frescura do blogger. Não se sintam perseguidos, mais dia menos dia vou descobrir como consertar isso (pausa para gargalhadas - eu nem sei colocar links neste troço !).
Desde que a equipe de redação do Iglu mudou-se para a nova sede temporária no Planalto Central, tem havido uma certa implicância do blogger em publicar alguns comentários. Todos foram lidos e aceitos (ninguém da Gol escreveu para implicar e nenhum torcedor do Inter ameaçou me processar por ignorância), mas alguns não foram publicados e não foi por censura da redação, somente por frescura do blogger. Não se sintam perseguidos, mais dia menos dia vou descobrir como consertar isso (pausa para gargalhadas - eu nem sei colocar links neste troço !).
20 dezembro, 2006
Corre, Mamãe, Corre !
Antes de mais nada, o Pacotinho Pé Quente manda avisar que, graças à sua presença, as malas chegaram todas.
Mesmo se eu não tivesse um bebezinho apaixonante, iria alugar um para todas as viagens daqui para frente. É só pendurá-lo num Baby Björn (a marca famosa de cangurus presente em 9 de cada 10 ombros de mamães que fazem mil coisas ao mesmo tempo), que ele fica logo visível e as pessoas continuarão a ser mais solícitas do que se empurrarmos o bebê num carrinho, bem abaixo do nível dos olhos dos passantes. Uma criancinha pendurada já vai sorrindo para os estranhos, que se comovem e oferecem ajuda (ou pelo menos sorriem de volta pro neném e dão a deixa para a Mamãe Cheia de Tralhas pedir ajuda). Como meu Pacotinho de Sorrisos somente miou umas duas vezes durante a viagem e foi prontamente calado com um peitão cheio de leite na boca (se o canguru é a invenção mais útil da humanidade para as mães, o leite do peito leva o troféu de invenção mais conveniente de Deus), ele conquistou metade dos passageiros do nosso vôo. A outra metade estava tocando muita farra para notá-lo.
Na esteira de bagagens, um santo funcionário do aeroporto ofereceu ajuda e acabou com minha maior aflição: os vôos do dia estavam todos no horário. Pegou todas as nossas malas e empurrou a mudança até a saída, onde dois rapazes da sala VIP nos aguardavam (providência tomada pela Santa Irmã Compreensiva e seu Santo Chefe Gente Boa). Um deles cuidou das malas e o outro do check-in, confirmando que nosso vôo sairia no horário.
Furamos a fila no balcão do check-in, graças ao Pacotinho Viajante, mas de cara a Plasta Número 1 que nos atendeu avisou que estávamos com excesso de bagagem. O Anjo da Sala VIP ponderou que eu tinha vindo do exterior, com uma criança de colo, mas a Plasta Número 1 consultou a Plasta Número 2 e ficaram calculando quanto seria nossa facada. A teoria do Big Bang levou menos tempo para ser elaborada que tal cálculo. Então, entregamos o cartão de crédito e voltamos à sala VIP, onde um Pacotinho de Fome e Sede precisava dar uma mamada daquelas. Bonzinho, sem dar um pio, esperava calmamente a sua vez.
Interrompemos às pressas a mamada do neném , já que o embarque estava prestes a começar e o cálculo da multa parecia ter tudo, menos fim. Aviso a quem não tem filhos: poucas coisas no universo deixam uma mãe tão irritada quanto interromper a mamada de um filhotinho faminto. Se ele for bonzinho e não chorar por isso, a raiva não diminui em nada. No guichê, a Plasta Número 1 mandou esperar ainda mais, pois havia um problema com o cartão. Fomos falar com a Plasta-Mor que, depois de 20 minutos avisou que não aceitavam VISA, somente American Express e, como é típico nessas horas, completou: “vai ter que estar sacando dinheiro para pagar”. Se fuzil fosse permitido como bagagem de mão, aquelas teriam sido suas últimas palavras, mas na falta dele, mandei: “não vou ter que estar sacando nada, porque não tenho que estar tendo cartão de débito nem conta no Brasil. Vocês é que tinham que estar informando quais cartões aceitam !” Ai, como eu odeio gerundismo ! E lá me vou, correndo, Pacotinho de Sacudidas com os braços ao vento, entrar na fila do câmbio para trocar o dinheiro. Morremos em 94 reais.
Dali direto para a sala de embarque, portão 15. Seríamos os últimos, já que o embarque estava para ser encerrado, informou a Sub-Plasta. Correria, bracinhos e perninhas sacudindo ao vento, portão 15 vazio. Mamãe Aflita passa correndo, mas é parada pelo segurança:
- Onde pensa que vai ?
- Portão 15, embarque às 12:40, são 12:50.
- Não, pode ficar tranqüila que nem tem aeronave estacionada aqui. Vou me informar quando sai o vôo.
(eternos 10 minutos depois)
- O embarque só começa às 13:15.
- Moço, o vôo está no horário, marcado para sair às 13:10.
- Senta aí e espera, já me informei no balcão da Gol.
Senta um Bagaço de Mamãe, mama um pobre Pacotinho de Fome, dorme um coitado de um Pacotinho de Exaustão e nisso passa uma funcionária da Gol, gritando:
“Estamos encerrando o embarque para Brasília, no portão 21 !”
Mais uma correria, a moça carregando a mochila para escalar o Everest e finalmente entramos no avião. Confusão, outra pessoa sentada no nosso lugar. Avião praticamente vazio, para que criar caso ?
E, depois de tanta correria, meu Pacotinho de Sono continuava adormecido, alheio à minha taquicardia. Que raiva mortal da Associação das Plastas, que me cobrou excesso de bagagem num vôo que veio vazio !
E, ao invés de relaxar e cochilar, na minha cabeça só uma coisa repetia sem parar, depois de tanto ouvir:
“Colorado, Colorado,
Nada vai nos separar
Somos todos teus seguidores,
Para sempre vou te amar.”
Mesmo se eu não tivesse um bebezinho apaixonante, iria alugar um para todas as viagens daqui para frente. É só pendurá-lo num Baby Björn (a marca famosa de cangurus presente em 9 de cada 10 ombros de mamães que fazem mil coisas ao mesmo tempo), que ele fica logo visível e as pessoas continuarão a ser mais solícitas do que se empurrarmos o bebê num carrinho, bem abaixo do nível dos olhos dos passantes. Uma criancinha pendurada já vai sorrindo para os estranhos, que se comovem e oferecem ajuda (ou pelo menos sorriem de volta pro neném e dão a deixa para a Mamãe Cheia de Tralhas pedir ajuda). Como meu Pacotinho de Sorrisos somente miou umas duas vezes durante a viagem e foi prontamente calado com um peitão cheio de leite na boca (se o canguru é a invenção mais útil da humanidade para as mães, o leite do peito leva o troféu de invenção mais conveniente de Deus), ele conquistou metade dos passageiros do nosso vôo. A outra metade estava tocando muita farra para notá-lo.
Na esteira de bagagens, um santo funcionário do aeroporto ofereceu ajuda e acabou com minha maior aflição: os vôos do dia estavam todos no horário. Pegou todas as nossas malas e empurrou a mudança até a saída, onde dois rapazes da sala VIP nos aguardavam (providência tomada pela Santa Irmã Compreensiva e seu Santo Chefe Gente Boa). Um deles cuidou das malas e o outro do check-in, confirmando que nosso vôo sairia no horário.
Furamos a fila no balcão do check-in, graças ao Pacotinho Viajante, mas de cara a Plasta Número 1 que nos atendeu avisou que estávamos com excesso de bagagem. O Anjo da Sala VIP ponderou que eu tinha vindo do exterior, com uma criança de colo, mas a Plasta Número 1 consultou a Plasta Número 2 e ficaram calculando quanto seria nossa facada. A teoria do Big Bang levou menos tempo para ser elaborada que tal cálculo. Então, entregamos o cartão de crédito e voltamos à sala VIP, onde um Pacotinho de Fome e Sede precisava dar uma mamada daquelas. Bonzinho, sem dar um pio, esperava calmamente a sua vez.
Interrompemos às pressas a mamada do neném , já que o embarque estava prestes a começar e o cálculo da multa parecia ter tudo, menos fim. Aviso a quem não tem filhos: poucas coisas no universo deixam uma mãe tão irritada quanto interromper a mamada de um filhotinho faminto. Se ele for bonzinho e não chorar por isso, a raiva não diminui em nada. No guichê, a Plasta Número 1 mandou esperar ainda mais, pois havia um problema com o cartão. Fomos falar com a Plasta-Mor que, depois de 20 minutos avisou que não aceitavam VISA, somente American Express e, como é típico nessas horas, completou: “vai ter que estar sacando dinheiro para pagar”. Se fuzil fosse permitido como bagagem de mão, aquelas teriam sido suas últimas palavras, mas na falta dele, mandei: “não vou ter que estar sacando nada, porque não tenho que estar tendo cartão de débito nem conta no Brasil. Vocês é que tinham que estar informando quais cartões aceitam !” Ai, como eu odeio gerundismo ! E lá me vou, correndo, Pacotinho de Sacudidas com os braços ao vento, entrar na fila do câmbio para trocar o dinheiro. Morremos em 94 reais.
Dali direto para a sala de embarque, portão 15. Seríamos os últimos, já que o embarque estava para ser encerrado, informou a Sub-Plasta. Correria, bracinhos e perninhas sacudindo ao vento, portão 15 vazio. Mamãe Aflita passa correndo, mas é parada pelo segurança:
- Onde pensa que vai ?
- Portão 15, embarque às 12:40, são 12:50.
- Não, pode ficar tranqüila que nem tem aeronave estacionada aqui. Vou me informar quando sai o vôo.
(eternos 10 minutos depois)
- O embarque só começa às 13:15.
- Moço, o vôo está no horário, marcado para sair às 13:10.
- Senta aí e espera, já me informei no balcão da Gol.
Senta um Bagaço de Mamãe, mama um pobre Pacotinho de Fome, dorme um coitado de um Pacotinho de Exaustão e nisso passa uma funcionária da Gol, gritando:
“Estamos encerrando o embarque para Brasília, no portão 21 !”
Mais uma correria, a moça carregando a mochila para escalar o Everest e finalmente entramos no avião. Confusão, outra pessoa sentada no nosso lugar. Avião praticamente vazio, para que criar caso ?
E, depois de tanta correria, meu Pacotinho de Sono continuava adormecido, alheio à minha taquicardia. Que raiva mortal da Associação das Plastas, que me cobrou excesso de bagagem num vôo que veio vazio !
E, ao invés de relaxar e cochilar, na minha cabeça só uma coisa repetia sem parar, depois de tanto ouvir:
“Colorado, Colorado,
Nada vai nos separar
Somos todos teus seguidores,
Para sempre vou te amar.”
O Pacotinho Colorado (diretamente do Quadradinho)
Chegamos à terrinha. A partir de hoje, por tempo limitado, não perca as Crônicas do Quadradinho, já que o Iglu está em ritmo de hibernação.
O Pacotinho de Aventuras revelou-se um grande companheiro de viagem, daqueles que dormem quando a gente quer descansar e bate papo quando é hora de passar o tempo. Os únicos atropelos ocorreram em Guarulhos, mas isso fica para um outro relato.
Nem tudo foi absolutamente tranqüilo. Chegar em Toronto, empurrando um carrinho que se revelou inútil (o canguru é realmente o melhor amigo da mãe), carregando nas costas uma mochila com equipamento suficiente para escalar o Aconcágua e tentar trocar a roupa de um bebê que insistia em personificar o Taz do desenho animado (em menos de três segundos jogou roupas e brinquedos no chão, tentou comer o saco plástico onde estavam as fraldas e praticou contorcionismo numa mesinha estreita) foi um episódio digno de uma vídeo cacetada no You Tube. Saímos do banheiro os dois suados depois da luta desigual: ele sempre ganha.
Antes de irmos ao banheiro, passamos pela sala de embarque, então vazia. Provavelmente passamos uma eternidade na guerra, digo, na troca de roupa no banheiro, porque quando saímos, encontramos uma multidão uniformizada de vermelho. Alguma delegação esportiva ? Pouco provável , já que havia pessoas de idades variadas, muitos acima dos 60. Algumas dezenas deles, todos alegres e barulhentos. Cantavam hinos, batiam palmas, agitavam os funcionários da Air Canadá atrás do balcão. O Pacotinho de Farra, coincidentemente vestido de vermelho, batia os braços e as pernas, adorando aquela algazarra. Vindo de uma família de flanáticos, mesmo correndo o risco de ser deserdado pelo avô, o Pacotinho Vira-Casaca escolheu naquele momento seu time – ou sua torcida (se o avô fosse um Onassis, talvez ele pensasse duas vezes).
Lembrei que já havia visto aquele uniforme vermelho, mas onde ? "Ah ! Eu sou gaúcho !" - gritava a massa. Aí caiu a ficha: vi aquela roupa na foto de duas crianças brincando na neve, num cartão de Natal enviado por um amigo gaúcho que também mora em Vancouver.
Como eu não fazia a menor idéia do que se tratava, fui perguntar. Um outro passageiro informou que era a torcida do time que havia ganho o título de campeão do mundo, derrotando o Barcelona, “o time do Ronaldinho”. A galera tinha assistido ao jogo no Japão e estava voltando ao Brasil, com escala em Toronto. Tentei ligar para o Marido Gringo, que adoraria ouvir aquilo, mas os telefones não cooperaram.
Nisso, um rapaz que não estava uniformizado dirige-se ao balcão de embarque, pega o microfone e começa a narrar o gol, “para delírio da torcida, depois de 97 anos de espera”. A voz e o estilo da narração não deixaram dúvidas de que ele era um dos radialistas que estiveram presentes no estádio. Eu mesma não teria feito melhor.
Carregar um Pacotinho de Viagens abre várias portas, então fomos os primeiros a entrar na aeronave, sob os gritos de “Ronaldinho, Amarelão, o Colorado é campeão”.
E, como ele estava vestido de vermelho, alguém sempre dizia: “Olha o Coloradinho”.
E, já no avião, o Pacotinho de Vergonha escondeu seu rosto ao ouvir o seguinte diálogo entre Mamãe Por Fora de Tudo (MPFT) e Moça Sem Noção Sentada ao Lado (MSNSL):
MSNSL: Você mora no Canadá ?
MPFT: Moro em Vancouver.
MSNSL: Mas você fala em português com seu filho. Ele responde em português ou inglês ?
MPFT: Ele só tem 6 meses, não fala nada ainda.
MSNSL: Ah ! Tomara que esse pessoal da torcida do Internacional não fique gritando a viagem toda.
MPFT: Que Internacional ?
MSNSL: De Porto Alegre. Eles ganharam o jogo ontem.
MPFT: Acho que não, esta torcida é de um tal de Colorado...
O Pacotinho de Aventuras revelou-se um grande companheiro de viagem, daqueles que dormem quando a gente quer descansar e bate papo quando é hora de passar o tempo. Os únicos atropelos ocorreram em Guarulhos, mas isso fica para um outro relato.
Nem tudo foi absolutamente tranqüilo. Chegar em Toronto, empurrando um carrinho que se revelou inútil (o canguru é realmente o melhor amigo da mãe), carregando nas costas uma mochila com equipamento suficiente para escalar o Aconcágua e tentar trocar a roupa de um bebê que insistia em personificar o Taz do desenho animado (em menos de três segundos jogou roupas e brinquedos no chão, tentou comer o saco plástico onde estavam as fraldas e praticou contorcionismo numa mesinha estreita) foi um episódio digno de uma vídeo cacetada no You Tube. Saímos do banheiro os dois suados depois da luta desigual: ele sempre ganha.
Antes de irmos ao banheiro, passamos pela sala de embarque, então vazia. Provavelmente passamos uma eternidade na guerra, digo, na troca de roupa no banheiro, porque quando saímos, encontramos uma multidão uniformizada de vermelho. Alguma delegação esportiva ? Pouco provável , já que havia pessoas de idades variadas, muitos acima dos 60. Algumas dezenas deles, todos alegres e barulhentos. Cantavam hinos, batiam palmas, agitavam os funcionários da Air Canadá atrás do balcão. O Pacotinho de Farra, coincidentemente vestido de vermelho, batia os braços e as pernas, adorando aquela algazarra. Vindo de uma família de flanáticos, mesmo correndo o risco de ser deserdado pelo avô, o Pacotinho Vira-Casaca escolheu naquele momento seu time – ou sua torcida (se o avô fosse um Onassis, talvez ele pensasse duas vezes).
Lembrei que já havia visto aquele uniforme vermelho, mas onde ? "Ah ! Eu sou gaúcho !" - gritava a massa. Aí caiu a ficha: vi aquela roupa na foto de duas crianças brincando na neve, num cartão de Natal enviado por um amigo gaúcho que também mora em Vancouver.
Como eu não fazia a menor idéia do que se tratava, fui perguntar. Um outro passageiro informou que era a torcida do time que havia ganho o título de campeão do mundo, derrotando o Barcelona, “o time do Ronaldinho”. A galera tinha assistido ao jogo no Japão e estava voltando ao Brasil, com escala em Toronto. Tentei ligar para o Marido Gringo, que adoraria ouvir aquilo, mas os telefones não cooperaram.
Nisso, um rapaz que não estava uniformizado dirige-se ao balcão de embarque, pega o microfone e começa a narrar o gol, “para delírio da torcida, depois de 97 anos de espera”. A voz e o estilo da narração não deixaram dúvidas de que ele era um dos radialistas que estiveram presentes no estádio. Eu mesma não teria feito melhor.
Carregar um Pacotinho de Viagens abre várias portas, então fomos os primeiros a entrar na aeronave, sob os gritos de “Ronaldinho, Amarelão, o Colorado é campeão”.
E, como ele estava vestido de vermelho, alguém sempre dizia: “Olha o Coloradinho”.
E, já no avião, o Pacotinho de Vergonha escondeu seu rosto ao ouvir o seguinte diálogo entre Mamãe Por Fora de Tudo (MPFT) e Moça Sem Noção Sentada ao Lado (MSNSL):
MSNSL: Você mora no Canadá ?
MPFT: Moro em Vancouver.
MSNSL: Mas você fala em português com seu filho. Ele responde em português ou inglês ?
MPFT: Ele só tem 6 meses, não fala nada ainda.
MSNSL: Ah ! Tomara que esse pessoal da torcida do Internacional não fique gritando a viagem toda.
MPFT: Que Internacional ?
MSNSL: De Porto Alegre. Eles ganharam o jogo ontem.
MPFT: Acho que não, esta torcida é de um tal de Colorado...
16 dezembro, 2006
Invernite Aguda
Não gosto de inverno por vários motivos: frio, chuva, excesso de roupas, escuridão às 5 da tarde, barras da calça ensopadas e geladas ao chegar no trabalho, minha lista é quase infinita.
No meu primeiro inverno aqui em Vancouver fiquei doente de novembro a março, quando finalmente fui ao Brasil tomar um pouco de sol porque, segundo meu pai me disse na época, o frio aqui não é compatível com a vida humana. Exageros à parte, realmente não é saudável permanecer meses a fio dentro de ambientes fechados. O pior do inverno é a quantidade de gente confinada no mesmo lugar espalhando sinusite, rinite, bronquite, bronquiolite, amigdalite e todas as invernites.
No meu segundo inverno, aprendi a lição. A primeira providência foi parar de reclamar do clima. Além de tomar a vacina contra a gripe todo santo mês de outubro, sempre caprichava no suco de laranja com morango feito na hora, uma delícia que o Marido Gringo aprendeu a apreciar. E assim sobrevivi cinco invernos sem nenhum único resfriado. Nem lenço de papel a gente compra ! É muito mais fácil encontrar uma caixa de lenço de papel do que um espremedor de frutas numa casa canadense (eu diria numa proporção de 500: 1).
Para este ano, Murphy tinha outros planos para nós aqui no Iglu. Até tomamos nossa vacina em outubro, mas não adiantou. Faltando menos de uma semana para a viagem ao Brasil, estamos meu Pacotinho de Vírus e eu completamente derrubados. Embora não seja nada grave, é de cortar o coração ouvir a cantoria dele de manhã com aquela voz rouquinha.
O sol do Brasil, mais do que nunca, será muito bem recebido. Pena que, para desfrutar dele, precisamos ficar trocentas horas enfurnados em aviões e aeroportos mas, como dizem aqui: "no pain, no gain".
Com tantos preparativos ainda pendentes, as próximas crônicas serão lá do Quadradinho e não do Iglu.
E a todos os membros do imenso fã clube que estão preparando aquela recepção apoteótica na Capital Federal, com tapete vermelho, fogos de artifício, bateria da Mangueira e mulatas vindas diretamente da Sapucaí, um aviso: não vamos dar as caras tão cedo, para não levar de presente vírus do outro lado do planeta.
Atchim !
No meu primeiro inverno aqui em Vancouver fiquei doente de novembro a março, quando finalmente fui ao Brasil tomar um pouco de sol porque, segundo meu pai me disse na época, o frio aqui não é compatível com a vida humana. Exageros à parte, realmente não é saudável permanecer meses a fio dentro de ambientes fechados. O pior do inverno é a quantidade de gente confinada no mesmo lugar espalhando sinusite, rinite, bronquite, bronquiolite, amigdalite e todas as invernites.
No meu segundo inverno, aprendi a lição. A primeira providência foi parar de reclamar do clima. Além de tomar a vacina contra a gripe todo santo mês de outubro, sempre caprichava no suco de laranja com morango feito na hora, uma delícia que o Marido Gringo aprendeu a apreciar. E assim sobrevivi cinco invernos sem nenhum único resfriado. Nem lenço de papel a gente compra ! É muito mais fácil encontrar uma caixa de lenço de papel do que um espremedor de frutas numa casa canadense (eu diria numa proporção de 500: 1).
Para este ano, Murphy tinha outros planos para nós aqui no Iglu. Até tomamos nossa vacina em outubro, mas não adiantou. Faltando menos de uma semana para a viagem ao Brasil, estamos meu Pacotinho de Vírus e eu completamente derrubados. Embora não seja nada grave, é de cortar o coração ouvir a cantoria dele de manhã com aquela voz rouquinha.
O sol do Brasil, mais do que nunca, será muito bem recebido. Pena que, para desfrutar dele, precisamos ficar trocentas horas enfurnados em aviões e aeroportos mas, como dizem aqui: "no pain, no gain".
Com tantos preparativos ainda pendentes, as próximas crônicas serão lá do Quadradinho e não do Iglu.
E a todos os membros do imenso fã clube que estão preparando aquela recepção apoteótica na Capital Federal, com tapete vermelho, fogos de artifício, bateria da Mangueira e mulatas vindas diretamente da Sapucaí, um aviso: não vamos dar as caras tão cedo, para não levar de presente vírus do outro lado do planeta.
Atchim !
13 dezembro, 2006
O Pacotinho Muçulmano
Desvendado o mistério sobre que nacionalidade e que língua o Pacotinho de Surpresas iria escolher, já que é exposto a tantas culturas diversas. Ele já nos dava indícios há pelo menos 3 meses, mas nós demoramos a juntar os fatos que, de tão óbvios, até nos humilham pela demora na dedução:
- ele canta numa língua cheia de vogais que só pode ser árabe;
- ele canta até pegar no sono e, incluindo as 3 sonecas durante o dia, mais o sono noturno e o fato de que ele acorda cantando de manhã, são 5 vezes diariamente;
- ele dorme com os braços esticados para a frente, de barriga para baixo e com o bumbum arrebitado, mas fica cantando nesta posição "de oração" até dormir.
E, apesar de todas as evidências, somente quando ele começou a cantar hoje de manhã cedo e o Marido Gringo chamou-o de "Little Muhammad" é que caiu a ficha: ele fica rezando 5 vezes por dia, como manda o Corão. E, se o berço dele não está virado para Meca, a culpa é da Mamãe Sem Bússola, que não sabe nem apontar para que lado fica o ponto de ônibus em frente ao Iglu (ou será ao lado ? Atrás ?).
Ai ai, depois da constatação, aposto que, no ano que vem, quando ele já estiver andando, vai querer sempre correr na minha frente, como mandam os preceitos da sua religião: homens na frente, mulheres atrás...
- ele canta numa língua cheia de vogais que só pode ser árabe;
- ele canta até pegar no sono e, incluindo as 3 sonecas durante o dia, mais o sono noturno e o fato de que ele acorda cantando de manhã, são 5 vezes diariamente;
- ele dorme com os braços esticados para a frente, de barriga para baixo e com o bumbum arrebitado, mas fica cantando nesta posição "de oração" até dormir.
E, apesar de todas as evidências, somente quando ele começou a cantar hoje de manhã cedo e o Marido Gringo chamou-o de "Little Muhammad" é que caiu a ficha: ele fica rezando 5 vezes por dia, como manda o Corão. E, se o berço dele não está virado para Meca, a culpa é da Mamãe Sem Bússola, que não sabe nem apontar para que lado fica o ponto de ônibus em frente ao Iglu (ou será ao lado ? Atrás ?).
Ai ai, depois da constatação, aposto que, no ano que vem, quando ele já estiver andando, vai querer sempre correr na minha frente, como mandam os preceitos da sua religião: homens na frente, mulheres atrás...
12 dezembro, 2006
SAL do Iglu
O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu informa:
A todos os que volta e meia pedem uma foto do Pacotinho de Surpresas no blog:
Pode ser excesso de zelo, mas como não tenho a permissão dele para expor sua imagem na internet, prefiro não colocar foto nenhuma. Não há controle algum sobre quem tem acesso ao blog. Sabe lá onde podem ir parar as fotos e, se depois de duas décadas ele se deparar com sua foto num site que não lhe agrada, não quero ser responsável por isso.
Nada contra os pais que colocam fotos e filmes de seus filhos na internet, mas quem garante que aquele garotinho fazendo uma birra danada no "you tube", sendo ignorado pela mãe e até pelo cachorro, que o deixam chorando sozinho em vários cômodos da casa, não vai ficar magoado com a família por ter tido sua imagem exposta daquela forma ? Como pais, a gente tenta acertar e muitas vezes erra, mas por mais engraçado que seja o vídeo, eu não exporia uma criancinha assim.
E o troféu de Mãe Mais Paranóica do Ano vai para...
A todos os que volta e meia pedem uma foto do Pacotinho de Surpresas no blog:
Pode ser excesso de zelo, mas como não tenho a permissão dele para expor sua imagem na internet, prefiro não colocar foto nenhuma. Não há controle algum sobre quem tem acesso ao blog. Sabe lá onde podem ir parar as fotos e, se depois de duas décadas ele se deparar com sua foto num site que não lhe agrada, não quero ser responsável por isso.
Nada contra os pais que colocam fotos e filmes de seus filhos na internet, mas quem garante que aquele garotinho fazendo uma birra danada no "you tube", sendo ignorado pela mãe e até pelo cachorro, que o deixam chorando sozinho em vários cômodos da casa, não vai ficar magoado com a família por ter tido sua imagem exposta daquela forma ? Como pais, a gente tenta acertar e muitas vezes erra, mas por mais engraçado que seja o vídeo, eu não exporia uma criancinha assim.
E o troféu de Mãe Mais Paranóica do Ano vai para...
Felicidade
Desde domingo passado, aconteceram várias chegadas aqui no Iglu:
- chegou a carta da Imigração, avisando que meu novo cartão de residente permanente (lembra que o Marido Gringo tinha perdido o meu cartão em abril e que eu tenho vivido no limbo desde então ?) havia chegado e deveria ser pego por mim, às 10:05 no dia 08/12 (fala sério, 10:05, como se aqui fosse a Suíça !);
- chegou a cadeirinha nova para o Pacotinho Gigante sentar no carro, já que ele não cabia mais na pequena;
- chegou o Marido Gringo, após instalar a cadeirinha nova do carro, abanando um envelopinho branco. "Adivinha o que encontrei debaixo da cadeira do passageiro no carro ? Seu cartão de residente permanente !" Gente, faltando 5 dias para receber o cartão novo, depois de meses de dores de cabeça com indas e vindas de documentos e taxas, sem comentários;
- chegaram os documentos finais do Consulado Brasileiro para o Pacotinho de Burocracia poder embarcar para a terrinha.
Mas felicidade mesmo foi encontrar lá no fundo do congelador um saco do Pão de Açúcar, altamente suspeito. Depois de descongelado, descobri que era uma massa de pão de queijo, que meu pai tinha trazido para mim e havia ficado esquecida. DELICIOSA, feita com queijo de Minas, impossível de ser reproduzida por aqui. De vez em quando meu pão de queijo também cai com a manteiga para cima, né ?
- chegou a carta da Imigração, avisando que meu novo cartão de residente permanente (lembra que o Marido Gringo tinha perdido o meu cartão em abril e que eu tenho vivido no limbo desde então ?) havia chegado e deveria ser pego por mim, às 10:05 no dia 08/12 (fala sério, 10:05, como se aqui fosse a Suíça !);
- chegou a cadeirinha nova para o Pacotinho Gigante sentar no carro, já que ele não cabia mais na pequena;
- chegou o Marido Gringo, após instalar a cadeirinha nova do carro, abanando um envelopinho branco. "Adivinha o que encontrei debaixo da cadeira do passageiro no carro ? Seu cartão de residente permanente !" Gente, faltando 5 dias para receber o cartão novo, depois de meses de dores de cabeça com indas e vindas de documentos e taxas, sem comentários;
- chegaram os documentos finais do Consulado Brasileiro para o Pacotinho de Burocracia poder embarcar para a terrinha.
Mas felicidade mesmo foi encontrar lá no fundo do congelador um saco do Pão de Açúcar, altamente suspeito. Depois de descongelado, descobri que era uma massa de pão de queijo, que meu pai tinha trazido para mim e havia ficado esquecida. DELICIOSA, feita com queijo de Minas, impossível de ser reproduzida por aqui. De vez em quando meu pão de queijo também cai com a manteiga para cima, né ?
10 dezembro, 2006
Marte, Vênus e as Fotos de Natal
"You better watch out
You better not cry
You better not pout
I'm telling you why
Santa Claus is coming to town"
(Canção tradicional de Natal)
Ela:
Ainda na gravidez: calcula que idade terá o Pacotinho de Alegrias em dezembro e imagina-o vestido de Papai Noel, numa foto linda da nova família, num estúdio de fotografia.
Semanas antes: liga para o estúdio e marca o horário. Escreve no calendário e avisa o Marido para não marcar nada para este dia.
Experimenta a roupinha de Papai Noel que foi dos sobrinhos, para manter a tradição dos bebês da família. Descobre que está muito grande para o Pacotinho Natalino.
Dias antes: vai comprar uma roupa nova para o Pacotinho Natalino.
Na véspera das fotos: certifica-se de que a roupa de Papai Noel está lavada e de que a sua própria blusa vermelha também está limpa (infelizmente, porque ela gostaria de poder dizer "pede à criadagem que prepare as roupas").
No dia das fotos: acorda bem mais cedo, lava e faz escova nos cabelos. Passa maquiagem, veste-se de vermelho. Prepara todo aquele arsenal para sair de casa com o Pacotinho de Apetrechos. Veste-o de Papai Noel e tira algumas fotos em casa. Baba com as fotos.
Uma hora antes das fotos: acorda o Marido Gringo e pede que ele separe uma camisa vermelha. Critica aquele trapo que ele escolheu como "camisa vermelha". Pergunta onde está aquela que foi presente dela mesma, no ano passado. Aprova a segunda opção (que, a seu ver, sempre foi a única opção).
Ele:
Só depois que aparece no estúdio e olha-se no espelho é que se lembra de que, além de não ter feito a barba, também esqueceu a camisa vermelha no carro e está vestindo uma camiseta toda rasgada na gola.
You better not cry
You better not pout
I'm telling you why
Santa Claus is coming to town"
(Canção tradicional de Natal)
Ela:
Ainda na gravidez: calcula que idade terá o Pacotinho de Alegrias em dezembro e imagina-o vestido de Papai Noel, numa foto linda da nova família, num estúdio de fotografia.
Semanas antes: liga para o estúdio e marca o horário. Escreve no calendário e avisa o Marido para não marcar nada para este dia.
Experimenta a roupinha de Papai Noel que foi dos sobrinhos, para manter a tradição dos bebês da família. Descobre que está muito grande para o Pacotinho Natalino.
Dias antes: vai comprar uma roupa nova para o Pacotinho Natalino.
Na véspera das fotos: certifica-se de que a roupa de Papai Noel está lavada e de que a sua própria blusa vermelha também está limpa (infelizmente, porque ela gostaria de poder dizer "pede à criadagem que prepare as roupas").
No dia das fotos: acorda bem mais cedo, lava e faz escova nos cabelos. Passa maquiagem, veste-se de vermelho. Prepara todo aquele arsenal para sair de casa com o Pacotinho de Apetrechos. Veste-o de Papai Noel e tira algumas fotos em casa. Baba com as fotos.
Uma hora antes das fotos: acorda o Marido Gringo e pede que ele separe uma camisa vermelha. Critica aquele trapo que ele escolheu como "camisa vermelha". Pergunta onde está aquela que foi presente dela mesma, no ano passado. Aprova a segunda opção (que, a seu ver, sempre foi a única opção).
Ele:
Só depois que aparece no estúdio e olha-se no espelho é que se lembra de que, além de não ter feito a barba, também esqueceu a camisa vermelha no carro e está vestindo uma camiseta toda rasgada na gola.
09 dezembro, 2006
SAL do Iglu
O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu esclarece:
Para Kiko:
A carta é em português, emitida pelo Consulado Brasileiro, já que não é necessária autorização para tirar a criança do Canadá. Isso é uma exigência das autoridades brasileiras, mas não das canadenses. Eles pedem a carta na volta do Brasil para cá.
A rigor, eu poderia entrar com o meu Pacotinho Estrangeiro no Brasil com passaporte canadense e trazê-lo de volta sem problemas, porque já que ele é canadense, as autoridades brasileiras não podem impedi-lo de sair do Brasil (muita mãe brasileira casada com estrangeiro nem mostra o passaporte brasileiro dos filhos na hora de sair do Brasil). O problema é que filho de brasileiro nascido no exterior precisa ter passaporte brasileiro e, mesmo dando certo com novecentas e noventa e nove mães, adivinha quem vai ser a exceção que confirma a regra ? Um milhão de dólares para quem descobrir com quem a Polícia Federal vai implicar !!!
Para Kiko:
A carta é em português, emitida pelo Consulado Brasileiro, já que não é necessária autorização para tirar a criança do Canadá. Isso é uma exigência das autoridades brasileiras, mas não das canadenses. Eles pedem a carta na volta do Brasil para cá.
A rigor, eu poderia entrar com o meu Pacotinho Estrangeiro no Brasil com passaporte canadense e trazê-lo de volta sem problemas, porque já que ele é canadense, as autoridades brasileiras não podem impedi-lo de sair do Brasil (muita mãe brasileira casada com estrangeiro nem mostra o passaporte brasileiro dos filhos na hora de sair do Brasil). O problema é que filho de brasileiro nascido no exterior precisa ter passaporte brasileiro e, mesmo dando certo com novecentas e noventa e nove mães, adivinha quem vai ser a exceção que confirma a regra ? Um milhão de dólares para quem descobrir com quem a Polícia Federal vai implicar !!!
08 dezembro, 2006
O Pacotinho de Documentos
Ontem chegou o passaporte brasileiro do meu Pacotinho de Documentos e, antes de completar 6 meses de vida, sua lista já não é pequena:
- certidão de nascimento canadense (duas: uma "completa" e uma resumida, em formato de carteira de identidade);
- certidão de nascimento brasileira (que não tem valor legal no Brasil, porque ele ainda precisa ser registrado num cartório brasileiro);
- passaporte canadense;
- passaporte brasileiro;
- social insurance card (o equivalente canadense ao nosso CPF, necessário para abrir uma conta no banco e conseguir emprego - a conta está aberta, mas ele, folgado que só, ainda não moveu uma palha no sentido de procurar um serviço);
- conta no banco (como aqui não há universidade gratuita, os bancos oferecem uma conta especial para este fim).
Ah ! E ainda tem a carta autorizando a Mamãe a sair do país com o filhote sem o Pai Gringo e esta é um arquivo por si só. Estão grampeadas na tal carta a cópia da certidão de nascimento canadense, a certidão de nascimento brasileira provisória, o documento do advogado reconhecendo a assinatura do Pai Gringo e o documento da Law Society (equivalente à OAB) esclarecendo que o advogado realmente está habilitado para exercer a profissão.
Tem gente que seqüestra uma criança e viaja com ela para o exterior. Eu, por outro lado, terei uma mala à parte só com os documentos para levar meu próprio filho para conhecer meu país !
- certidão de nascimento canadense (duas: uma "completa" e uma resumida, em formato de carteira de identidade);
- certidão de nascimento brasileira (que não tem valor legal no Brasil, porque ele ainda precisa ser registrado num cartório brasileiro);
- passaporte canadense;
- passaporte brasileiro;
- social insurance card (o equivalente canadense ao nosso CPF, necessário para abrir uma conta no banco e conseguir emprego - a conta está aberta, mas ele, folgado que só, ainda não moveu uma palha no sentido de procurar um serviço);
- conta no banco (como aqui não há universidade gratuita, os bancos oferecem uma conta especial para este fim).
Ah ! E ainda tem a carta autorizando a Mamãe a sair do país com o filhote sem o Pai Gringo e esta é um arquivo por si só. Estão grampeadas na tal carta a cópia da certidão de nascimento canadense, a certidão de nascimento brasileira provisória, o documento do advogado reconhecendo a assinatura do Pai Gringo e o documento da Law Society (equivalente à OAB) esclarecendo que o advogado realmente está habilitado para exercer a profissão.
Tem gente que seqüestra uma criança e viaja com ela para o exterior. Eu, por outro lado, terei uma mala à parte só com os documentos para levar meu próprio filho para conhecer meu país !
06 dezembro, 2006
SAL do Iglu
O Serviço de Atendimento ao Leitor do Iglu responde:
Para Deby:
A descrição da aparência de alguém pode ser muito subjetiva. Aprendi nestes 5 meses e meio que a aparência de um bebê varia não só de acordo com o crescimento dele, mas também com quem o está descrevendo. Então, aqui vai um apanhado geral:
- A minha família acha que ele tem pouco cabelo, os olhos pequenos, os cílios curtos, o queixo igual ao do meu pai e é gordinho (obs: nós todos sempre fomos super ultra mega cabeludos, magrelos, temos enormes olhos pretos e redondos, com cílios gigantescos e curvos). Inclusive, minha irmã, que estava na sala de parto, decretou assim que o viu: "Ele é japonês !", porque achou que os olhos dele eram muito pequenos. Ainda bem que os olhos foram mudando aos poucos, senão eu teria muito o que explicar...
- Os "in-laws" acham que ele tem muito cabelo, os olhos grandes e redondos, os cílios enormes, o queixo igual ao do pai e do avô paterno e está mais para magrinho (obs: eles todos nasceram carecas, foram bebês gorduchos, têm os olhos bem pequenos e aqueles três fiapos de pêlo fininho que chamam de cílios).
- Os estranhos sempre comentam que os cílios dele são muito grandes e que o furinho no queixo dele é um charme.
- Os que não conhecem o Marido Gringo acham que ele parece comigo. Os que conhecem meu irmão acham que parece com ele (cá pra nós, dizer que ele parece comigo ou com meu irmão é comparar seis com meia dúzia).
- Os amigos acham que ele parece com o Marido Gringo.
Em dados objetivos: ele está branquinho (eu acho que vai ficar moreno), tem os cabelos cor-de-burro-quando-foge (nem pretos, nem castanhos, nem ruivos, nem loiros e, dependendo da luz, um pouco de tudo isso), os olhos bem redondos mas não tão grandes quanto os do pessoal lá de casa, tem os cílios bem evidentes, mas não tão longos e curvos quanto os da minha família, está na média de peso para a idade dele (nem gordinho, nem magrinho) e está no percentil 97 de altura (mais alto que 97% das crianças da idade dele). Se ele tem as pernas grossas ? Comparadas com as minhas coxas de sabiá, as dele são dois troncos de árvore !
- Na minha opinião totalmente imparcial: ele é uma gracinha, mas ainda que não fosse, deu tanto trabalho para colocá-lo no mundo que ficaríamos com ele mesmo assim.
Para Carol (cunhada da Ana):
É só combinar com o Vítor que a gente se encontra. Meu pai é vizinho dele.
Para Deby:
A descrição da aparência de alguém pode ser muito subjetiva. Aprendi nestes 5 meses e meio que a aparência de um bebê varia não só de acordo com o crescimento dele, mas também com quem o está descrevendo. Então, aqui vai um apanhado geral:
- A minha família acha que ele tem pouco cabelo, os olhos pequenos, os cílios curtos, o queixo igual ao do meu pai e é gordinho (obs: nós todos sempre fomos super ultra mega cabeludos, magrelos, temos enormes olhos pretos e redondos, com cílios gigantescos e curvos). Inclusive, minha irmã, que estava na sala de parto, decretou assim que o viu: "Ele é japonês !", porque achou que os olhos dele eram muito pequenos. Ainda bem que os olhos foram mudando aos poucos, senão eu teria muito o que explicar...
- Os "in-laws" acham que ele tem muito cabelo, os olhos grandes e redondos, os cílios enormes, o queixo igual ao do pai e do avô paterno e está mais para magrinho (obs: eles todos nasceram carecas, foram bebês gorduchos, têm os olhos bem pequenos e aqueles três fiapos de pêlo fininho que chamam de cílios).
- Os estranhos sempre comentam que os cílios dele são muito grandes e que o furinho no queixo dele é um charme.
- Os que não conhecem o Marido Gringo acham que ele parece comigo. Os que conhecem meu irmão acham que parece com ele (cá pra nós, dizer que ele parece comigo ou com meu irmão é comparar seis com meia dúzia).
- Os amigos acham que ele parece com o Marido Gringo.
Em dados objetivos: ele está branquinho (eu acho que vai ficar moreno), tem os cabelos cor-de-burro-quando-foge (nem pretos, nem castanhos, nem ruivos, nem loiros e, dependendo da luz, um pouco de tudo isso), os olhos bem redondos mas não tão grandes quanto os do pessoal lá de casa, tem os cílios bem evidentes, mas não tão longos e curvos quanto os da minha família, está na média de peso para a idade dele (nem gordinho, nem magrinho) e está no percentil 97 de altura (mais alto que 97% das crianças da idade dele). Se ele tem as pernas grossas ? Comparadas com as minhas coxas de sabiá, as dele são dois troncos de árvore !
- Na minha opinião totalmente imparcial: ele é uma gracinha, mas ainda que não fosse, deu tanto trabalho para colocá-lo no mundo que ficaríamos com ele mesmo assim.
Para Carol (cunhada da Ana):
É só combinar com o Vítor que a gente se encontra. Meu pai é vizinho dele.
04 dezembro, 2006
A Fase dos Porquês
Toda mãe passa por uma fase dos porquês, aliás, é uma fase constante, que começa na gravidez, com "por que você me chuta tanto dentro da barriga toda noite ?" e continua vida afora, com o impensável: "por que você nunca namora uma moça que EU aprove ?" Se o Pacotinho de Mistérios soubesse falar, já teria muito a responder:
Por que, com tantos brinquedos coloridos para morder, você prefere chupar o dedão do pé ?
Por que você segura o calcanhar enquanto mama ?
Por que, sempre que eu esqueço de levar um brinquedinho para você morder quando a gente sai de casa, você fica chupando as mãos só para alguém dizer, em tom de recriminação: "Mamãe, ele está na fase de brinquedinhos de morder..." ?
Por que você se arrasta pelo berço quando está dormindo, mas não consegue quando está acordado ?
Por que você às vezes pára de mamar e fica me olhando longamente, como se nunca tivesse me visto antes ?
Por que você pára de mamar a cada toque do telefone, depois continua e pára novamente quando alguém está deixando um recado na secretária eletrônica se a ligação nunca é para você ?
Por que você tinha que ter os pés idênticos aos meus, sendo que a única coisa que eu não queria que você herdasse de mim eram justamente os meus pés horrorosos ?
Por que você pega no sono sozinho quando acorda no meio da noite mas não consegue durante o dia ?
Por que você agora inventou essa mania de olhar para cima e cuspir, só para ficar com o nariz, as bochechas e até a testa cheia de saliva ? E por que sobra "chuva" para o meu nariz, as minhas bochechas e até a minha testa ?
Por que você enfia os dedos no meu nariz ?
Por que uma pessoa completamente banguela como você morde o peito da mãe ? E por que dói, já que você não tem dentes ?
Por que você grita com os brinquedos quando não consegue colocá-los na boca ?
Por que, com um frio congelante lá fora, você ainda adora "bater perna" na rua ?
Por que você está crescendo tão rápido e por que, embora todo o mundo me diga que a mãe não sente saudade da fase anterior, eu já estou morrendo de saudade de quando você era um Pacotinho Recém-Entregue Pela Cegonha ?
Por que, com tantos brinquedos coloridos para morder, você prefere chupar o dedão do pé ?
Por que você segura o calcanhar enquanto mama ?
Por que, sempre que eu esqueço de levar um brinquedinho para você morder quando a gente sai de casa, você fica chupando as mãos só para alguém dizer, em tom de recriminação: "Mamãe, ele está na fase de brinquedinhos de morder..." ?
Por que você se arrasta pelo berço quando está dormindo, mas não consegue quando está acordado ?
Por que você às vezes pára de mamar e fica me olhando longamente, como se nunca tivesse me visto antes ?
Por que você pára de mamar a cada toque do telefone, depois continua e pára novamente quando alguém está deixando um recado na secretária eletrônica se a ligação nunca é para você ?
Por que você tinha que ter os pés idênticos aos meus, sendo que a única coisa que eu não queria que você herdasse de mim eram justamente os meus pés horrorosos ?
Por que você pega no sono sozinho quando acorda no meio da noite mas não consegue durante o dia ?
Por que você agora inventou essa mania de olhar para cima e cuspir, só para ficar com o nariz, as bochechas e até a testa cheia de saliva ? E por que sobra "chuva" para o meu nariz, as minhas bochechas e até a minha testa ?
Por que você enfia os dedos no meu nariz ?
Por que uma pessoa completamente banguela como você morde o peito da mãe ? E por que dói, já que você não tem dentes ?
Por que você grita com os brinquedos quando não consegue colocá-los na boca ?
Por que, com um frio congelante lá fora, você ainda adora "bater perna" na rua ?
Por que você está crescendo tão rápido e por que, embora todo o mundo me diga que a mãe não sente saudade da fase anterior, eu já estou morrendo de saudade de quando você era um Pacotinho Recém-Entregue Pela Cegonha ?
02 dezembro, 2006
Ele falou o quê ?
Depois de 5 meses e meio só falando bebezês (e cuspindo para cima, numa clara e intencional imitação de golfinho), o Pacotinho de Surpresas "fala" sua primeira palavra na nossa língua. Opa ! Na língua de quem, mesmo ?
Mamãe, por motivos altamente confidenciais, torcia para que saísse primeiro um "mamã". Tão fácil ! Em português: "mamãe". Em inglês: "mommy". Em servo-croata: "mama". Uma palavra universal, politicamente correta e que não deixaria dúvidas sobre a quem seria dirigida. Mas ele tinha outras idéias...
Papai, por problemas lingüísticos, teria menos probabilidade de ser mencionado primeiro. O Pacotinho de Globalização teria que escolher entre "papá", "dada" (como as crianças pequenas normalmente falam "dad", em inglês) ou "tata" (em servo-croata). Ele achou muito complicado decidir, então decidiu adiar a introdução de qualquer das versões no seu limitado vocabulário.
Ontem, o Pai Gringo, tentando fazer o Pacotinho de Papo-Furado dormir, escutou claramente quando ele disse sua primeira "palavra" e anunciou:
- Ele falou ! Ele disse: "baba".
- Claro ! Pensando bem, não me surpreende que esta tenha sido sua primeira palavra.
- Vou ligar para minha mãe ! Ela vai ficar tão orgulhosa de ele ter dito "vovó" ("baba" significa "avó" na língua deles).
- Que sua mãe que nada ! O que ele está tentando avisar é que já babou o berço inteiro e a gente precisa trocar o lençol se quiser que ele durma. Olha lá a trilha de baba que ele deixou.
O Pacotinho de Mistérios, que ainda não sabe se arrastar quando está acordado, realmente se arrasta a noite inteira pelo berço e a trilha de baba fica lá para provar aos incrédulos seus movimentos migratórios durante o sono.
Mamãe, por motivos altamente confidenciais, torcia para que saísse primeiro um "mamã". Tão fácil ! Em português: "mamãe". Em inglês: "mommy". Em servo-croata: "mama". Uma palavra universal, politicamente correta e que não deixaria dúvidas sobre a quem seria dirigida. Mas ele tinha outras idéias...
Papai, por problemas lingüísticos, teria menos probabilidade de ser mencionado primeiro. O Pacotinho de Globalização teria que escolher entre "papá", "dada" (como as crianças pequenas normalmente falam "dad", em inglês) ou "tata" (em servo-croata). Ele achou muito complicado decidir, então decidiu adiar a introdução de qualquer das versões no seu limitado vocabulário.
Ontem, o Pai Gringo, tentando fazer o Pacotinho de Papo-Furado dormir, escutou claramente quando ele disse sua primeira "palavra" e anunciou:
- Ele falou ! Ele disse: "baba".
- Claro ! Pensando bem, não me surpreende que esta tenha sido sua primeira palavra.
- Vou ligar para minha mãe ! Ela vai ficar tão orgulhosa de ele ter dito "vovó" ("baba" significa "avó" na língua deles).
- Que sua mãe que nada ! O que ele está tentando avisar é que já babou o berço inteiro e a gente precisa trocar o lençol se quiser que ele durma. Olha lá a trilha de baba que ele deixou.
O Pacotinho de Mistérios, que ainda não sabe se arrastar quando está acordado, realmente se arrasta a noite inteira pelo berço e a trilha de baba fica lá para provar aos incrédulos seus movimentos migratórios durante o sono.
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