28 agosto, 2013

Nossa Língua Complicada

Versão Pacotinho de Neologismo:

- Mãe, a Fofolete me atropeçou!
- Não existe "atropeçou". O que ela fez?
- Colocou o pé na minha frente, eu quase caí. Como se fala em português?
- Assim mesmo: "colocou o pé na minha frente".

Versão Fofolete, quase 3 anos:

- Mãe, a bicicleta astropelou meu pé.

19 agosto, 2013

O Pacotinho de Comparações

Você vai pela primeira vez à casa muito chique de uma amiga que é uma mistura da Martha Stewart com a Glorinha Kalil. Sendo quem é, você esquece o casaco lá e volta no dia seguinte, com as crianças, para buscar. E, no caminho, dá mil recomendações:

- A casa desta tia (antes que o Anônimo implique que brasileiro tem mania de fazer os filhos chamarem os amigos de "tio" e "tia", explico que é hábito de brasiliense e eu faço questão de mante) é toda arrumada, chique, fina, bem decorada... Não é pra largar o sapato em qualquer lugar, nem ficar correndo...

E ele conclui:

- A casa dela é como uma biblioteca de adultos?
- Biblioteca de adultos?
- Sim, porque biblioteca de criança tem livro espalhado, tem barulho, mas a de adulto tem tudo arrumado, ninguém fala muito...

Eu diria que é como uma página da revista Casa e Decoração, mas cada um compara do seu jeito...

18 agosto, 2013

Por Que Sou Ativista da Amamentação?



Na foto, minha prima Beta amamentando Pablo e Arthur, na imagem mais linda de amamentação que já vi.



Agosto é o mês mundial da amamentação, mas sou ativista muito antes de ter filhos. Como nunca tomei mamadeira na vida, numa família onde os outros irmãos tomaram até depois de grandinhos, provavelmente já nasci uma defensora da causa.

Inegavelmente, é mais fácil falar com propriedade depois de já ter amamentado e ter conhecido na pele os perrengues por que a gente passa no começo. Ao contrário de 90% das mulheres (chutando, não pesquisei dados reais), não tive nenhuma dificuldade com o primeiro filho e tive muitas com a amamentação da segunda. Definitivamente, apoio professional na hora certa pode salvar uma amamentação (e a sanidade mental da mãe).

Como aprendi nestes anos como mãe, poucos assuntos no universo feminino causam tanta polêmica. Não há nestas linhas a menor intenção de ofender ou diminuir a mãe que queria muito e não conseguiu amamentar. Não há qualquer vontade de julgar aquela que optou por nem tentar, porque a história de cada uma é válida e importante nas suas escolhas de vida. A mulher que não amamentou por qualquer motivo não ama menos seus filhos.

Por que sou ativista da amamentação?

Porque os benefícios do leite materno já foram comprovados, mas a amamentação é um dos poucos aspectos da maternidade em que realmente a informação correta e o apoio podem fazer toda a diferença para a mãe e seu bebê. Saber onde procurar ajuda é fundamental. No Brasil, procure um banco de leite humano de um hospital público, já que nem sempre os pediatras estão atualizados. Pediatras não fazem aulas sobre o assunto durante sua formação universitária, ao contrário dos profissionais que trabalham num banco de leite. Em Vancouver (não sei sobre o resto do Canadá), procure uma consultora de lactação. Serei eternamente grata a Kathleen Mochoruk, que me ensinou o que eu precisava saber em termos práticos para amamentar meu primeiro filho, no curso de gestantes. O Pacotinho de Informação parece ter prestado atenção às aulas e sabia tudo já nos primeiros 5 minutos de vida, quando mamou pela primeira vez. E, no segundo puerpério, com uma recém-nascida que nasceu com a língua presa, não sabia sugar, não conseguia esvaziar o peito completamente, fez sangrar o bico do peito, mastite, novela mexicana, etc etc etc, Santa Kathleen veio à minha casa incontáveis vezes para mostrar como ensinar a pega a um bebê que se debatia no peito cheio com a língua no lugar errado.

Porque a amamentação ocorre primeira e principalmente no cérebro. Depois de ter visto minha irmã no puerpério, num leito de UTI, separada do seu bebê, ordenhando leite com a bomba elétrica e afirmando com toda convicção "eu vou amamentar quando eu sair daqui", tive a certeza de que a determinação é fundamental para conseguir amamentar. Nem o estresse, nem as medicações, nem a morte do paciente no leito ao lado (separado só com uma cortina, com mínima privacidade) nem a separação do bebê, nem o risco de vida, nem o fato de o médico intensivista ter feito pouco dela "você aí tirando leite com esta bombinha da feira do Paraguai!", NADA minou a confiança dela. E, sem surpresa, o bebê jamais tomou complemento e aprendeu a mamar direto na fonte quando teve oportunidade, na semana seguinte. A experiência de ir várias vezes por dia ajudar a ordenhar o leite e mostrar fotos da filha ausente foi fundamental para que eu acreditasse na importância de ser uma mãe que confia no poder do próprio corpo de alimentar sua cria. Então, depois de ter vivido isso, quando meu Pacotinho de Saúde nasceu com 3,820 kg de uma mãe que pesava 47kg numa altura de 1,67 m antes da gravidez e uma tia do marido veio dizer "você logo vai ter que dar complemento pra este menino grande", pude responder com confiança "a única coisa além do meu leite que ele vai tomar até 6 meses vai ser vitamina D". E assim foi, ele parou de mamar no peito aos 2 anos, quando achei que tinha cumprido minha missão.

Porque eu conheço mães que amamentaram exclusivamente seus bebês gêmeos até 6 meses de idade e depois continuaram até 2 anos ou mais, então a esmagadora maioria que tem um bebê só deveria conseguir se tivesse informação e apoio.

Porque a única vez na vida em que usei a palavra "desesperada" para nomear meu próprio estado de espírito foi quando liguei pra uma amiga especialista em amamentação pedindo ajuda, com as mamas cheias de leite e minha filha faminta com 4 dias de vida no colo. Porque ouvi da minha amiga "esta fase ruim vai passar e, daqui alguns meses, vai ser uma lembrança distante na sua memória". Porque minha Fofolete, que só foi desmamada com 1 ano e meio por conta de sua mania de querer mamar em pé, detonando a coluna da mãe (quem mandou ter filho depois de velha?), mereceu o esforço das 2 primeiras semanas.
Ela precisou vir "destreinada" para eu aprender a lidar com as dificuldades que só conhecia de ouvir falar, mesmo já tendo amamentado outro filho por 2 anos.

Porque tive a satisfação de ajudar algumas amigas que ligaram "desesperadas" no começo da amamentação e TODAS, sem exceção, amamentaram seus bebês até quando quiseram. Porque uma palavra de encorajamento ao invés de "dê mamadeira, entregue o bebê pra alguém e vá descansar" pode salvar meses de aleitamento materno bem sucedido.

Porque em tempos de ecologicamente correto, de incentivo ao consumo de alimentos produzidos o mais perto de casa, de esforço para diminuição de lixo no planeta, de formol e sei-lá-o-quê adicionados ao leite de vaca, a amamentação preenche todos os requisitos do Greenpeace, da OMS e muitos mais.

Porque, mesmo sendo difícil e cansativo no começo, lágrimas saudosas ainda me enchem os olhos quando lembro daqueles momentos de paz intensa no silêncio da madrugada, sentada numa cadeira de balanço segurando um bebê saciado e adormecido ao seio. Porque este contato pele a pele com a cria traz à tona nosso lado animal, mas também uma intimidade deliciosa com aquela criatura que ainda nem sorri, nem sabe mostrar que gosta da gente. Porque (os homens que não me leiam) ser capaz de alimentar e fazer crescer aquele bebê somente com leite materno faz a gente se sentir superpoderosa.







17 agosto, 2013

Coisas da Vida com Quintal

Então você está lá no seu quintal, toda prosa colhendo cebolinhas e orégano fresco pro jantar e escuta sua filha de quase 3 anos comentar com uma voz forçadamente dengosa:

- Mãe, olha que bonitinho o ratinho!

Você se vira pra olhar e não consegue conter o grito ao ver a menina quase encostando num camundongo preto, morto.

- AAAAAAAAAI!

Você sai correndo (sabe lá se o bicho veio de turma) e sobe as escadas pra cozinha. A pobre criança, assustada com seu berro, corre atrás chorando (se a adulta está assustada, vai que o camundongo mutante se transforma no Godzilla...)

E entram em casa, a menina às lágrimas:

- Mamãe, o ratinho do bumbum preto me assustou.
- Não, foi o grito da Mamãe que assustou você.

E lá se vai o herói, seu filho de 7 anos, "resolver" o problema:

- Mãe, joguei uma pedra no ratinho e ele continuou morto.

Já não se fazem pedras como antigamente...

SAL do Iglu Coletivo

Para Saulo:

Trago na mala, Saulo. Não é ilegal trazer produto industrializado. Inclusive a mala onde estava a farinha foi aberta na inspeção e não foi retirada.

***
Para Luma Rosa:

Participo com prazer. Só li hoje seu pedido.

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Para Renata Pernambucana:

"Bater bafo" não é uma expressão, é um jogo de figurinhas viradas, em que a criança bate nelas com a mão em forma de concha e ganha aquelas que conseguir virar. É muito comum (eu achava que no Brasil inteiro), nas revistinhas do Mauricio de Souza, o Cebolinha e o Cascão batem muito bafo.

E não foi um garotinho de Pernambuco que falou isso, ele era paulista e estava hospedado no mesmo hotel, na praia de Muro Alto.

04 agosto, 2013

SAL do Iglu para Anonimo

Brasileiros referem-se a si mesmos como "brazucas" e sabem que vao ser entendidos, assim como canadenses usam a palavra "canucks" para referirem-se a si mesmos e pessoas provenientes da antiga Iugoslavia chamam-se de "iugos". E certamente quase todas as nacoes devem ter seu apelido proprio.

SAL do Iglu para Marilia

Marilia,

Eu sei que tem farinha pra vender em Vancouver, mas eu sou "gourmand" de farinha de mandioca. Sempre compro da marca Amelia, amarela, torrada, da Bahia. Sou exigente, por isso trago do Brasil.