Os canadenses da costa oeste têm o hábito de levar almoço de casa para o trabalho. De manhã, a geladeira da sala de estar do hospital fica repleta de lancheiras infantis (muitos pais usam as que os filhos não querem mais) e sacolinhas. Os muito organizados (e gulosos) levam frutas para o intervalo da manhã, almoço e mais uma outra fruta para o lanche da tarde, ocupando meia prateleira somente com sua matula para um dia. Um hábito adquirido na infância, já que desde a primeira série, a maioria das crianças almoça na escola e leva comida de casa.
Quando sobra alguma coisa muito gostosa do jantar, eu levo para almoçar no dia seguinte, mas em 80% das vezes, compro comida na cantina do hospital. Ou compraVA.
Quinta-feira, por volta das 12:00, estava lá eu saboreando meu macarrão (ou era sanduíche de atum?), quando vejo um vulto preto meio que saltitante pelo chão. "Um passarinho", pensei com otimismo. Duas pessoas da mesa lá na frente esticaram o pescoço e perguntaram se eu tinha visto aquilo. Claro que tinha (não me conhecem e mal sabem que se somente uma pessoa tivesse enxergado a criatura, certamente essa pessoa seria eu), mas para ser simpática e não querer bancar a sabe-tudo, perguntei "era um passarinho, né?". "Não, era um camundongo", responderam ensaiadamente em coro.
AAAAII! Catei minha coleguinha filipina que, na ponta dos pés, alcança no meu ombro e deve pesar no máximo uns 30 kg e disse "vai na frente, para me proteger do monstro horripilante" (camundongos não atacam por trás, né?). Nisso, um grandalhão começa a procurar o bicho e vai reclamar com a moça do caixa, que não viu nada, tampouco sabe de alguma coisa. Apavorada, saio saltitante procurando a escada (como se aos pulinhos, eu corresse menos risco de deparar com o asqueroso bicho) e volto para a segurança das portas fechadas lá do aquário onde eu trabalho (pura enganação, que camundongo passa por debaixo das portas).
E foi assim que passei a fazer mais comida no jantar, para ter sempre sobra para o dia seguinte. Cada um com seus motivos...
21 junho, 2008
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12 comentários:
Trabalhei num hospital no Brasil e também tinha rato lá.
Na primeira vez fiquei morrendo de nojo. Só comia bananas, pensando que eles não poderiam contaminá-las. Também comia o pãozinho da manhã assim que o padeiro chegava, pra não deixar ficar dando bobeira pro roedor (eu trabalhava sempre no turno da noite).
Depois a gente até esquece isso.
Ainda bem que não trabalho mais lá.
Tenha um ótimo final de semana.
Hospital com camundongos é novidade pra mim!
O detalhe é sempre o mesmo em todo lugar né.... a pessoa que "deveria" ver isso nunca ve.
Passamos por situaçao parecida num restaurante.... e "ninguem" viu nada.
=)
Também almoço no restaurante do meu trabalho que não é lá grande coisa. Mas pelo menos nunca vi um bichinho desses, espero não ver nunca.
só de pensar dá arrepio na espinha...rsrs
bjinhos
Ola,
Apos algum tempo lendo o seu blog, eis que hj faço o meu primeiro comentario!!!
Esta sua histoia me lembrou outra em um restaurante la em SP onde um rato enooorme passeava tranquilamente e quando reclamamos o garçon garantiu que era um gato! Ok, gato de estimaçao do restaurante que anda por cima das mesas enquanto os clientes jantam, Arg... nao combina, né!!! pegamos nossas coisas e fomos embora... nao jantamos mais por la!!!
E Bom ficar e olho por aqui tbém!!!!
Bjo,
Pri.
Notícia do dia 25 de junho:
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/06/25/ult5772u188.jhtm
Isso não é exclusividade de Raincouver...
Oi Flávia! Parabéns pelo blog :)
Te achei por acaso e agora sou leitora assídua!
Bom... tenho 24 anos e projetos de ir pro Canadá. Já ouvi a opinião de algumas pessoas e uma a mais é sempre bem-vinda. Preciso fazer uma escolha cruel: Montreal ou Vancouver (Langley)? Meus objetivos: guardar dinheiro, conhecer lugares bonitos, aprender francês, melhorar o inglês e começar algum outro curso. Sou dentista, formada há 2 anos, mas descobri que não quero mais trabalhar com isso. Estou indo como babá, mas futuramente pretendo procurar outras coisas.
Seria muito pedir sua opinião?
Um abraço,
Renata
remgianotto@gmail.com
E a gente pensando que hospital é um dos locais mais limpos nesse mundo...pelo menos deveria ser.
Melor vc aderir à marmitinha mesmo, é mais "limpinho" e vc não corre o risco de comer ratoburguer com baratinhas fritas.
Bjs
Só digo uma coisa: que nojo!!!
Lá no restaurante do trabalho a coisa tá meio feia, mas até agora só encontramos larvas nas folhagens, insetos caídos no feijão e uma barata na parede. Rato ainda não foi presenciado!
Podemos nos gabar??! :-[
Beijos, Ju.
A propósito, (em off) vc voltou a dar informações sobre o Canadá??
Camundongos, ratos ou o nome que vc quiser dar....não são privilégio de hospitais...em faculdades, na praça de alimentação, eles tb são encontrados....isso eu garanto!
Bete
Se na cantina do hospital te camundongo imagino o que deve ter na da fabrica onde me marido trabalha. Marmita manazinha... marmita todos os dias
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