28 junho, 2008

A Viciada

Eu tenho um único vício, que já me acompanha desde o início da adolescência. Daqueles quase incontroláveis, de causar taquicardia e impaciência caso não possa ser satisfeito imediatamente após uma refeição. Os psicanalistas diriam que deve ser algum problema mal resolvido na fase oral, mas o fato é que eu me chamo Flávia e sou uma "gumaholic". Preciso urgentemente me filiar aos Chicletólatras Anônimos.

O primeiro passo eu já dei e é o mais importante: admitir o problema. Quem me conheceu na época da universidade dificilmente se lembrará da minha pessoa sem um chiclete na boca. Mal sabem as colegas do curso que isso já era uma evolução para quem, no primeiro grau, morria de pena de jogar o chiclete fora e chegava a colar aquela tripinha mascada disforme, pálida e insípida debaixo da mesa "para uma emergência". Aos poucos, fui diminuindo o vício e atualmente sou como um fumante que precisa de um cigarro após o café da manhã e o almoço, somente. Em casa, posso passar o dia todo sem uma mascadinha (tem escova de dentes), mas se fizer qualquer refeição fora de casa, ai de quem estiver me acompanhando se por acaso a última pastilhinha tiver acabado! Eu quase tenho um ataque de nervos.

Ah, tem isso também: tem que ser chiclete sem açúcar, de tablete. Não me servem aqueles massudos que na minha longínqua infância chamavam-se Ploc, Ping Pong ou Bubbaloo. Nada de tutti-fruti ou de morango, que isso é coisa para iniciantes. Como me disse uma vez um colega no Brasil, quando ofereci um chiclete e ele viu de que marca era "ah, é chiclete bom". Claro, só tenho um vício na vida e vou satisfazê-lo com marcas vagabundas, cheias de açúcar e corantes? Não que minhas gomas de mascar sejam orgânicas, embaladas com papel 100% reciclado, produzidas numa fábrica local que não explora a mão-de-obra infantil e reverte parte do lucro para a preservação da tartaruga-pente no Atlântico, mas também não vem esculhambar o vício alheio(uma característica típica dos viciados é achar que podem parar quando quiserem e que seu vício não faz tal mal assim)!

E, como qualquer chicletólatra que se preze, compro os tabletes por atacado e tenho meus pacotinhos estrategicamente distribuídos pela casa (e no trabalho), escondidos em bolsas, bolsos, armários, gavetas, no carro... Afinal de contas, nunca se sabe quando surgirá uma situação estressante, longe de qualquer estabelecimento civilizado que venda gomas de mascar de qualidade. Na hora de usar uma bolsinha de festa, daquelas em que só cabem o batom e a chave, eu deixo o batom em casa para poder colocar uns tabletinhos.

Pensando bem, não vou me filiar aos CA (Chicletólatras Anônimos) porque ainda não estou disposta a parar. Para quem nunca teve uma única cárie na vida e desconhece o famigerado "motorzinho do dentista", falta encontrar uma razão convincente (ou procurar a tal razão) para abandonar o vício. Quando me perguntam o segredo de não ter uma obturação sequer, eu digo "chiclete".

Se todo o chocolate do planeta desaparecesse, eu levaria um tempão para perceber, mas se houvesse uma falta generalizada de chiclete, eu teria uma violenta síndrome de abstinência. Iria dormir na fila, se houvesse racionamento. Não gosto nem de pensar!

Mais algum viciado em chiclete por aqui? Esta é uma informação sobre imigração que posso compartilhar: imigrantes viciados em chiclete, sintam-se à vontade para tirarem suas dúvidas sobre as melhores marcas e sabores disponíveis no oeste do Canadá. Posso divulgar minha lista de fornecedores. Já adianto que o Trident de menta com melancia é uma delícia, mas tem que ser consumido em meia pastilha, porque é muito massudo.

10 comentários:

Carol Vidal disse...

Adorei o post de hoje!
Eu tenho que admitir: sou viciada em chicletes.
Você me inspirou, vou já escrever um post no meu blog sobre chicletes.
Beijinhos

Anônimo disse...

Nossa, eu amo chiclete! Mas deixa eu te perguntar uma coisa: o seu maxilar estrala? Pq o meu estrala, e acho que é causado pelo chiclete...

Anônimo disse...

Eu também sou viciada em chicletes. Adoro o Trident de canela e um que eu chamo de gelol (porque o cheiro é de Gelol). E ultimamente tenho aderido ao Menthos de hortelã. E faço como vc. Tenho eles espalhados pelo caminho. Bjs

Juliana Werneck disse...

Eu não sou uma chicletólatra (que nome difícil!), mas sempre tenho um pacote de trident de menta (só gosto do azul ou verde), um de halls (azul ou vermelho) e um bombom ou uma barra de chocolate dentro da bolsa.
Para alguma emergência!
Quando é uma festa e a bolsinha é pequena, geralmente levo só o halls.
Acho que sou apenas neurótica! :-)
Amei esse post!!
Beijos muito saudosos!!
Ju.

Scliar disse...

Tenho tannnntos outros vicios, que nao vou acrescentar este, não! Mas um trident de canela é tudo de bom. E vou deixando também os parabens atrasados para o Pacotinho... Bzus, boa semana,Ethel Sc
PS: O ano em que meus pais sairam de férias é realment tudo de bom Vale a pena MESMO.
PS 2: Quase, quase pondo a vida em ordem para retomar minhas visitas pelas amigas virtuais... Mas li TODOS os posts atrasados, viu? Demoro, mas não vacilo.

Keiko disse...

Eu ainda estou na fase primitiva, acabei de aprender.Ou então é complexo de Barbie. Não vivo sem, mas tem que ser rosa. E adoro aqueles enormes que enchem a boca, se fizer bola então... quanta alegria. Outro dia achei desses, mas sem açúcar, comprei um estoque.
Se bem que tem um novo Trident de Romã e sei lá mais o quê que é bem bom, apesar de ser roxo...

Deby disse...

Gosto do Trident de Canela, mas não sou viciada. Ultimamente cortei balas, chicletes e pirulitos da minha dieta. Diferente de vc, o aparelho ortodôntico deixou em mim algumas cáries quando ele foi retirado. Fiz o tratamento nos dentes e na minha cabeça (além do rombo na conta bancária...rsrs): nada de doces.
bjocas

Gisela Garcia disse...

(Reunião do C.A.. Me dirijo até o centro da sala e peço permissão para dar meu depoimento.)
Boa noite a todos. Meu nome é Gisela Garcia, tenho 32 anos, sou jornalista e já fui viciada em chiclete.
Também comprava caixas fechadas de Trident de vários sabores, especialmente o de hortelã, o verde, meu preferido. às vezes, a fissura era tanta que eu colocava mais de um na boca. Eu estava descontrolada.
Tinha Trident em todo canto e quando faltava, ia nos lugares mais sinistros para comprar. E na falta dele, servia até Bolin Bola, estava no fundo do poço.
Porém ano passado precisei colocar um aparelho ortodôntico pra curar as enxaquecas terríveis causadas pela DTM ( Disfunção Temporo-Mandibular)e tive que parar de vez. Minha dentista não sabe dizer com certeza se os anos sendo usuária de chicletes podem ter piorado a situação do meu maxilar, mas as chances são grandes.
Até tentei continuar usando escondida da minha família, mas não dava. Grudava tudo nos brackets e meu marido sempre percebia que eu havia tido mais uma recaída..e agora é tanto trabalho pra mascar um chiclete que comecei a não sentir mais prazer.
Demorei para aceitar o fato de que precisava parar, de que estava viciada.
Foi duro, foi difícil mas eu consegui.
Só por hoje.

Ciça Donner disse...

Ah nao Flavia, pelamordedeus te filia aos CA pq nao tem coisa que me deixa mais agoneada do que falar com gente mascando chiclete... quer dizer, tem: falar com gente com um piercing em algum lugar da cara. Ok, poderia ser pior!!!

Ana Paula disse...

Essa foi novidade pra mim! :) Eu ate curto chiclete, mas nao sou viciada nao! hehehe...