13 agosto, 2007

Amor de Pai - Segunda Parte

"Não é porque o seu filho de 3 anos comporta-se como um ser primitivo que isso dá a você o direito de agir da mesma forma".
(Dr. Harvey Karp - The Happiest Toddler on The Block)

Existem três grandes Chicos que eu admiro na vida: o santo amante dos animais, o Buarque de Hollanda e o meu filósofo pai.

Como disse um estudo recente , que concluiu que as mulheres com bom relacionamento com os próprios pais tendem a escolher maridos que se parecem com eles, não sou exceção. O Marido Gringo compartilha da mesma filosofia do meu pai de não criar filhos para o mundo, mas de criar filhos que se sintam amados, confiantes e seguros para transformar esse mundo doido num lugar melhor. Porque valores, limites e respeito podem e devem ser ensinados com exemplo e não com castigos físicos e humilhações. Porque os filhos não são propriedade dos pais, nem devem servir de válvula de escape para suas frustrações. Porque bater em criança é covardia e é crime passível de punição no Canadá. Porque ninguém tem o direito de minar a auto-estima de outrem. Porque não se deve almejar a obediência cega dos filhos, mas ensinar como discordar com respeito, dando a eles a oportunidade de mudar certas "verdades absolutas" (imagina Darwin ou Einstein sempre concordando com os mais velhos ?). Porque os filhos vêm também para que os pais revejam seus conceitos e tornem-se pessoas melhores. Porque a pérola "eu apanhei muito quando criança e não tenho traumas, então bato nos meus filhos" não tem qualquer valor estatístico, prova simplesmente que o interlocutor é mais um dentre os muitos que não souberam evoluir. Porque "mudança de paradigmas" não é apenas uma frase de impacto para ser usada na reunião de trabalho. Porque ninguém disse que criar filhos felizes é uma tarefa fácil. Porque é necessário ser criativo na hora de educar. Porque a Super Nanny não tem envolvimento emocional algum com as crianças que ela recomenda serem deixadas chorando para aprenderem a dormir sozinhas, mas os pais sim. Porque, como disse um santo Chico muito sábio: "é dando que se recebe". E porque, se nada disso fosse suficiente, são os filhos quem vão escolher o nosso asilo e, no final da vida, as necessidades humanas são muito semelhantes às que temos no início dela. Graças ao Pai do Céu, o meu pai já sabia de tudo isso, antes que o genial Dr. Sears cunhasse a expressão "attachment parenting".

P.S.: Se eu sou a favor das palmadas educativas ? Claro que sim ! Já estou planejando em dar umas na minha chefe, que me colocou de plantão o final de semana inteiro. Também é uma ótima forma de educar o marido que deixa a tolha molhada em cima da cama. Ah, é para crianças ? Sou contra. Pelo menos procure bater em alguém do seu tamanho !

4 comentários:

Deby disse...

Nunca recebi surra, mas algumas palmadas no bumbum, broncas e castigos quando já era grandinha suficiente pra entender as coisas (acho q depois dos 7)
Não sou traumatizada por isso, tb não acho que fui espancada (muito pelo contrário), não tenho marcas no corpo, apenas perdi alguns desenhos na TV por ter desobedecido. Tb não suporto ver criança apanhando. Acho sim, que quem deve apanhar são os pais por não terem criado seus filhos sabendo o que é não e o que é sim (e o pq dessas respostas, claro!!).
bjinho

Anônimo disse...

Olá Flávia ...
Ainda não tenho filhos, mas procuro obter todo tipo de informação para quando a minha hora chegar ...
Vendo esse seu post fiquei pensando ... se aquela palmadinha de corretivo não é a melhor solução, o que fazer quando os filhos aprontam e teimam em repetir o feito?
Também fui criada nessa metodologia "das palmadas" mas ainda não consegui ver nenhuma outra que funcione. Ao contrário, conheço algumas crianças que os pais faziam questão de não repreender e hoje, grandes, estão aprontando muitas coisas e trazendo problemas para os pais e para a sociedade ... E ai? O que você acha?

Luciana L V Farias disse...

Aqui em casa somos acostumados a conversar sobre tudo com as meninas. Desde cedo. E tem dado certo... :-))

Beijocas!!!

Carol, Ênio e Leila disse...

Falou e disse. rs Nós também temos um compromisso de não bater na nossa filha. Palmada educativa não existe, as pessoas não batem para educar e, sim, pq estão com raiva.
Minha filhota é linda, amada e confiante e, tenho certeza, que parte disso se deve ao tipo de educação, baseado no amor, que temos dado a ela.

Um abraço,
CArol